sexta-feira, 24 de abril de 2009

§ 1. introdução profética: A nação pecaminosa
(Isaías 1:1-9)


"A visão de Isaías,..."

“A palavra “visão,” חזון (Hebr.: chăzôn) denota apropriadamente aquilo que é visto, vem do verbo, חזה (Hebr.: châzâh) “ver, contemplar.” É um termo usado em referência as profecias do A.T; Num. 12:6; 24:4; 1Sam. 3:1; Sal. 89:19; Dan. 2:19; 7:2; 8:1; Naum 1:1; Gen. 15:1; Isa. 21:2; 22:1. Por isso, os profetas eram antigamente chamados de “Videntes,” como aqueles que viam ou testemunhavam eventos ainda a ocorrer” (Albert Barnes)

"A palavra hazon indica visões específicas (e.g., Isa. 29:7; Os. 12:10; Hab. 2:2; 1 Cron. 17:15, etc.) e também revelação no geral (e.g., 1 Sam. 3:1; Ez. 7:26; 12:22, 23; Prov. 29:18, etc.). Aqui tem uma força coletiva, pois inclue um número de visões e revelações. É equivalente a frase “a palavra de”, achado em outros escritos. A palavra não se refere a visão e percepção interna, nem é um nome metafórico para a própria perspicácia, intuição ou percepção mental. Significa, antes “o sinal” do que Deus colocou na mente do profeta ou o tinha revelado. Aqui ela denota tudo o que foi dito no escrito no livro diante de nós, e assim claramente afirma a sua origem sobrenatural da inteira profecia. Ela não é de opinião humana, razões ou cogitações da própria mente de Isaías, que está aqui apresentada, mas um uma revelação especial de Deus a Isaías que é, em algum sentido inexplicável a nós, mas foi “visto” por ele." (Edward J. Young)

O nome Isaías ישׁעיהו (Hebr.: yesha‛yâhû) vem de ישׁע (Hebr.: yesha‛ ) que significa “salvação, ajuda, libertação” – e o nome Divino יהוה (Hebr.: yehovâh) ou Jeová, que significa ‘salvação de Jeová’, ou ‘Jeová salvará.’ A Vulgata Latina verte “Isaias”; a LXX traz: Ησαίας (Gr.: Eesaias), “Esaias.” E foi assim retido em muitas traduções antigas do N.T; Mat. 3:3; 4:14; 12:17; 15:7; Mar. 7:6; Luc. 4:17; Jo 12:39; At. 8:28; Rom. 9:27, etc. No próprio livro de Isaías nós achamos a forma ישׁעיהו (Hebr.: yesha‛yâhû) mas nas inscrições dos rabbis se dá a forma ישׁעיה (Hebr.: yesha‛yâh) Era comum entre os hebreus incorporar o nome Yehowah, ou parte dele, como a abreviação Yah (Jah), dentro do nome próprio das pessoas.

O nome de Isaías serviria bem como tema de sua mensagem. Algumas profecias de Isaías são condenatórias, é verdade. Ainda assim, o tema da salvação se destaca nitidamente. Vez após vez, Isaías declarou que, no tempo devido, Yehowah libertaria os israelitas do cativeiro em Babilônia e permitiria que um restante voltasse a Sião e devolvesse a essa terra o seu antigo esplendor. Sem dúvida, o privilégio de falar e de escrever profecias sobre a restauração de sua amada Jerusalém deu a Isaías a maior alegria!

Mas o que essas mensagens condenatórias e de salvação têm a ver conosco? Felizmente, Isaías não profetizou apenas em benefício do reino (de duas tribos) de Judá. Ao contrário, suas mensagens têm significado especial para os nossos dias. Isaías pinta um quadro glorioso de como o Reino de Deus em breve trará grandes bênçãos à Terra. Neste respeito, grande parte dos escritos de Isaías focalizam o predito Messias, que governará como Rei. (Daniel 9:25; João 12:41) Certamente não é coincidência que os nomes Jesus (“Yehowah É Salvação”) e Isaías expressem basicamente a mesma idéia.

Naturalmente, Jesus só nasceu uns sete séculos depois dos dias de Isaías. No entanto, as profecias messiânicas no livro de Isaías são tão detalhadas e tão exatas que parecem um relato de testemunha ocular da vida de Jesus na Terra. Certa fonte observou que, em vista disso, o livro de Isaías às vezes é chamado de “Quinto Evangelho”. Assim, não é de admirar que Isaías tenha sido o livro bíblico mais citado por Jesus e seus apóstolos para identificar claramente o Messias.

Existem similaridades entre os tempos de Isaías e os nossos. Você tem observado que vivemos numa época de tensão internacional, de guerras ou de ameaças neste sentido. Embora os líderes religiosos e políticos, que afirmem adorar a Deus, projetem a si mesmos como exemplos a serem seguidos, nós vemos regularmente reportagens sobre seus escândalos financeiros e morais. Como encara Deus a tais líderes, especialmente os ligados à cristandade? O que está em reserva para eles e seus seguidores? No livro de Isaías encontramos comentários divinos bem pertinentes a tais assuntos atuais. Encontramos também lições para cada um de nós, à medida que pessoalmente nos esforçamos para servir a Deus.

Em comparação com o que se sabe a respeito de alguns dos outros profetas, sabe-se pouco a respeito da vida pessoal de Isaías. O que se sabe é que ele era casado e que se referia à sua esposa como “profetisa”. (Isaías 8:3) Segundo a Cyclopedia of Biblical, Theological, and Ecclesiastical Literature, de McClintock e Strong, essa maneira de chamar a esposa indica que a vida conjugal de Isaías “não era apenas coerente com a sua vocação, mas também intimamente interligada com ela”. Provavelmente, como algumas outras mulheres piedosas do Israel antigo, a esposa de Isaías tinha a sua própria designação profética. — Juízes 4:4; 2 Reis 22:14.

Isaías e sua esposa tinham pelo menos dois filhos homens, cada qual com um nome de significado profético. O primogênito, Sear-Jasube, acompanhou Isaías quando este transmitiu as mensagens de Deus ao perverso Rei Acaz. (Isaías 7:3) É evidente que Isaías e sua esposa fizeram da adoração a Deus um assunto de família — um belo exemplo para os casais de hoje!

"Filho de Amoz,..."

Não se deve confundir Amoz, o pai de Isaías, com Amós, que profetizou no começo do reinado de Uzias e escreveu o livro bíblico que leva seu nome.

"Que ele observou referente a Judá e Jerusalém,..."

Lendo o livro de Isaías, encontrará mensagens a respeito da culpa de Judá e de Jerusalém, detalhes históricos de invasões inimigas, pronunciamentos de desolação para nações vizinhas, e encorajadoras predições de restauração e de salvação para Israel. Isto foi escrito num estilo vívido e que prende a atenção. O Dr. I. Slotki disse: “Os eruditos prestam sincera homenagem à imaginação brilhante de Isaías e às suas descrições pitorescas e vívidas, ao seu domínio de poderosa metáfora, aliteração, assonância e ao excelente equilíbrio e fluência rítmica de suas frases.”

"Nos dias de Uzias, de Jotão, de Acaz [e] de Ezequias, reis de Judá:"

Isso significa que Isaías foi profeta de Deus para a nação de Judá por no mínimo 46 anos, provavelmente a partir do fim do reinado de Uzias — por volta do ano de 778 AEC.

O profeta não declara exatamente quando escreveu este capítulo. Isaías 6:1-13 data do ano em que o Rei Uzias faleceu. Assim, se foi antes disso que Isaías registrou os seus capítulos iniciais, estes talvez reflitam a situação subjacente existente no reinado de Uzias.

Isaías e sua família viveram num período turbulento da história de Judá. A instabilidade política era comum, a propina manchava os tribunais e a hipocrisia rompia o tecido religioso da sociedade. Os altos dos morros estavam cobertos de altares de deuses falsos. Até mesmo alguns reis promoviam a adoração pagã. Acaz, por exemplo, não só tolerava a idolatria entre seus súditos mas também a praticava, fazendo seus próprios filhos “passar pelo fogo” num sacrifício ritual ao deus cananeu Moloque.
[1] (2 Reis 16:3, 4; 2 Crônicas 28:3, 4) E tudo isso acontecia entre um povo que estava numa relação pactuada com Yehowah! — Êxodo 19:5-8.

Elogiosamente, alguns dos contemporâneos de Isaías — incluindo uns poucos governantes — tentaram promover a adoração verdadeira. Entre estes havia o Rei Uzias, que “fazia o que era reto aos olhos de Yehowah”. Mesmo assim, no seu reinado “o povo ainda oferecia sacrifícios e fazia fumaça sacrificial nos altos”. (2 Reis 15:3, 4) O Rei Jotão também “fazia o que era direito aos olhos de Yehowah”. Contudo, “o povo ainda agia ruinosamente”. (2 Crônicas 27:2) Sim, durante grande parte do ministério profético de Isaías, o estado espiritual e moral do reino de Judá era lastimável. No geral, o povo desprezava qualquer influência positiva da parte dos reis. Compreensivelmente, transmitir as mensagens de Deus a esse povo obstinado não seria uma missão fácil. Não obstante, quando Deus perguntou: “A quem enviarei e quem irá por nós?”, Isaías não hesitou. Ele exclamou: “Eis-me aqui! Envia-me.” — Isaías 6:8.







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Notas:
[1] Há quem diga que “passar pelo fogo” pode indicar simplesmente uma cerimônia de purificação. Parece, no entanto, que nesse contexto a frase se refere a sacrifícios literais. Não há dúvida de que o sacrifício de crianças era praticado por cananeus e por israelitas apóstatas. — Deuteronômio 12:31; Salmo 106:37, 38.

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