segunda-feira, 18 de maio de 2009

Postado por Eduardo G. Junior Em , , | No comments

O QUE É CHACUNÁ? FESTIVIDADES JUDAICAS, ESTUDO, SIGNIFICADO
À medida que milhões de pessoas, em todo o mundo, preparam-se para celebrar o Natal, os judeus geralmente se preparam para celebrar um dia festivo diferente, a Festa da Hanucá (Chanucá). O que é a Hanucá? Os não-judeus muitas vezes pensam que seja uma espécie de “Natal judaico”, mas isso está longe de ser exato.

Por exemplo, o Natal supostamente comemora o nascimento de Jesus Cristo, mas tal celebração em realidade se centraliza em coisas tais como Papai Noel e as sempreverdes decoradas, coisas que nada têm que ver com Deus, com Jesus ou com a Bíblia. Até mesmo o dia, 25 de dezembro, é o natalício, não de Jesus, mas de Mitras, o mítico deus-sol! Por outro lado, a Hanucá é o aniversário de um evento histórico que teve grandes conseqüências para o povo antigo de Deus.

Efetivamente, é digno de nota que a Hanucá é mencionada no Novo Testamento. Lemos em João 10:22, 23: “Nesse tempo ocorreu em Jerusalém a festividade da dedicação [hebraico, hhanukkáh]. Era inverno, e Jesus estava andando no templo, na colunata de Salomão.” É evidente que esta festa já era celebrada nos dias de Jesus e, pelo visto, também o foi pelo próprio Jesus.

O que levou a esta celebração? Para responder a esta pergunta, temos de considerar um pouco da História.

Dessagrado o Templo de Yahweh: Conforme predito com séculos de antecedência pelo profeta Daniel, os judeus, em certo ponto de sua história, foram dominados sucessivamente pela Grécia, e depois do rompimento daquele império, pelo Egito e pela Síria. (Daniel 11:2-16) Ao passo que muitos dos governantes não judeus toleravam a adoração de Yahweh, por parte dos judeus, uma exceção notável foi Antíoco IV, da Síria.

Já em 175 AEC, Antíoco governava sobre vasto império, com povos de diferentes costumes. Esperando unificar seu povo, ele criou uma só religião para todos, tendo a si mesmo como “deus manifesto”. No entanto, Yahweh exige devoção exclusiva, de modo que os judeus se recusaram a adorar Antíoco. (Êxodo 20:4-6) Antíoco, por conseguinte, decidiu erradicar esta religião não-conformista dos judeus. Não demorou muito para que proibisse seus sacrifícios animais, a guarda do sábado, a prática da circuncisão, e até mesmo a leitura das Escrituras Hebraicas, tudo isso sob a ameaça de morte. Com efeito, cópias das Escrituras Hebraicas eram procuradas e queimadas!

Não cedendo em seu desejo de extinguir a adoração de Yahweh, os exércitos de Antíoco invadiram Jerusalém e entraram no templo de Yahweh, saqueando o Santíssimo. Em 15 de quisleu de 168 AEC, Antíoco erigiu um altar a Zeus, deus grego, sobre o altar de Yahweh, no átrio do templo. Dez dias depois, em 25 de quisleu, ele proferiu um insulto final, usando aquele altar para sacrificar porcos (animais não limpos segundo a Lei de Yahweh). Efetivamente, isto dedicava o templo de Yahweh a Zeus.

A Rebelião dos Macabeus: Como reagiram os judeus a tudo isto? Segundo o registro histórico não-inspirado, agora conhecido como 1 Macabeus, muitos judeus cooperaram com os invasores, abandonando a adoração de Yahweh. Outros mantiveram a integridade, vindo a ser martirizados por suas crenças.

Nesse mesmo ano (168 AEC), alguns judeus começaram a combater os sírios, esperando obter a liberdade para adorarem a Yahweh. Em 167 AEC, Judas Macabeu, um sacerdote levita, tornou-se líder deste movimento de resistência. Crendo que a vitória certamente só viria se eles confiassem em Deus, Judas reuniu seus homens para ler as Escrituras Hebraicas e orar a Yahweh.

Durante três anos, Judas e seus homens batalharam contra os sírios, apesar da grande disparidade numérica. Surpreendentemente, já em 166 AEC, Judas havia recapturado Jerusalém. Os sacerdotes de Yahweh vieram então limpar o templo e erigir um novo altar. Por fim, em 25 de quisleu de 165 AEC, três anos contados desde o dia em que o templo foi dessagrado, ele foi rededicado a Yahweh.

Celebrando a Rededicação: Embora Judas ainda precisasse continuar sua luta contra os sírios na Galiléia, a alegria com a rededicação do templo era tão grande que se instituiu uma celebração de oito dias no aniversário dela. Esta se tornou conhecida como a Festa da Dedicação (Hanucá).[1]

Embora esta festa não fosse parte do pacto original de Deus com Israel, a Hanucá incorporou-se favoravelmente à adoração dos judeus, assim como a Festa de Purim se havia incorporado anos antes. (Ester 9:26, 27) Como o Purim, a Hanucá era celebrada com cânticos e orações nas sinagogas, diferente das três festas principais ordenadas pelo pacto (a Páscoa; a Festividade das Semanas, ou Pentecostes; e a Festividade das Barracas), que exigiam viagens ao templo em Jerusalém. — Deuteronômio 16:16.

Com o passar dos anos, criou-se o costume de celebrar a Hanucá com luzes. Assim, o historiador Josefo relata que, no primeiro século EC, a Hanucá era também conhecida como a Festa das Luzes. No entanto, não está clara qual foi a origem desse costume. Uma história alega que ele comemora um milagre ocorrido quando o templo foi rededicado. Segundo esta história, quando chegou a hora de reacender candelabro no templo de Yahweh, embora houvesse óleo cerimonialmente limpo para apenas um dia, ele miraculosamente durou oito dias.[2]

Será esta história do óleo milagroso exata, ou apenas uma lenda infundada? Nesse sentido, estava Deus apoiando a rebelião de Judas Macabeu contra a Síria?

Houve Apoio Divino? Não existe nenhuma declaração direta nas inspiradas Escrituras Hebraicas de que Yahweh deu a Judas a vitória, ou que orientou os reparos e a rededicação do templo. Naturalmente, estes eventos ocorreram depois do término da escrita das Escrituras Hebraicas, de modo que não era possível haver nenhum comentário sobre eles no Antigo Testamento.

Que dizer do Novo Testamento? Nem Jesus nem seus apóstolos comentaram estes eventos, de modo que eles não indicaram se Deus apoiara ou não a Judas.

Todavia, as Escrituras Gregas Cristãs deveras registram o cumprimento das profecias messiânicas das Escrituras Hebraicas no ministério de Jesus Cristo. Algumas destas profecias requeriam que o templo estivesse em operação na época do aparecimento do Messias. (Daniel 9:27; Ageu 2:9; compare o Salmo 69:9 com João 2:16, 17.) Assim, a menos que o templo fosse purificado e rededicado a Yahweh, tais profecias não poderiam ser cumpridas. É evidente que Deus desejava que o templo fosse rededicado. Mas era Judas Macabeu seu instrumento escolhido para realizar isto?

Na ausência de um registro inspirado, não podemos afirmá-lo com certeza. Naturalmente, Yahweh, em anos anteriores, usara não-judeus, tais como Ciro, o Persa, para cumprir certos aspectos de Sua vontade. (Isaías 44:26-45:4) Quanto mais então poderia Deus usar alguém dentre seu povo dedicado, os judeus!

Mas, que dizer da festa em si? Visto que comemora um importante evento da história do povo de Deus, deveria ela ser comemorada pelos cristãos?

O apóstolo Paulo explicou em Colossenses 2:14-17: “[Deus] apagou o documento manuscrito que era contra nós,. . . por pregá-lo na estaca de tortura. . . . Portanto, nenhum homem vos julgue pelo comer e pelo beber, ou com respeito a uma festividade ou à observância da lua nova ou dum sábado; pois estas coisas são sombra das coisas vindouras, mas a realidade pertence ao Cristo.” Assim como uma sombra projetada de um objeto que se aproxima pode alertar alguém de sua chegada, o pacto da Lei pôde alertar as pessoas da chegada do Messias, ou Cristo. No entanto, uma vez que este documento escrito a mão tinha cumprido seu propósito, foi apagado por Deus. — Gálatas 3:23-25.

Assim, o pacto da Lei e todas as suas festividades relacionadas tiveram fim, do ponto de vista de Deus, em Pentecostes de 33 EC. Deveras, a destruição de Jerusalém e do templo pelos exércitos romanos, em 70 EC, logo sublinhou esse fato. (Lucas 19:41-44) Assim, embora a rededicação do templo fosse um importante evento na história do povo antigo de Deus, não existe motivo para os cristãos comemorarem a Hanucá.

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Notas:[1] O substantivo hebraico hhanukkáh significa “inauguração ou dedicação”. Uma forma da palavra aparece na epígrafe do Salmo 30.[2] Desde o primeiro século AEC, os lares judeus apresentam apenas um lume aceso no primeiro dia da festa, dois lumes acesos no segundo dia, e assim por diante, durante todos os oito dias. Este costume ainda hoje é guardado pelos judeus.

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