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quarta-feira, 13 de maio de 2009

Visão Geral do Livro de Esdras

VISÃO, ESDRAS, GERAL, LIVRO
Livro de Esdras
Tema: Esdras destaca a justiça e a misericórdia

Somente o Criador, com toda a sabedoria e conhecimento total de todos os aspectos de sua criação, junto com todo o poder, podia fazer suas próprias qualidades da justiça e da misericórdia operar em equilíbrio tão completo, que seu propósito é cumprido perfeitamente. O efeito destas qualidades sobre as pessoas que o servem as induz a fazerem exatamente o que ele predeterminou, com benefícios para todos os envolvidos.

O livro bíblico de Esdras destaca esta bela coordenação das obras de Deus, sempre feitas em harmonia com a sua santa personalidade, nunca havendo qualquer desvio de seus bons propósitos e qualidades excelentes. O apóstolo Paulo, que entendia os modos de Deus, assegura-nos: “Deus faz que todas as suas obras cooperem para o bem daqueles que amam a Deus.” — Rom. 8:28.

Esdras era descendente de Arão, Eleazar e Finéias, e, por isso, era sacerdote, embora não da linhagem do sumo sacerdote, cargo usualmente ocupado pelo filho mais velho de cada geração. (Esd. 7:1-6) O último antepassado de Esdras a ocupar o sumo sacerdócio fora Seraías (provavelmente seu bisavô), que foi executado por Nabucodonosor; por ocasião da captura de Jerusalém Esdras retornou a Jerusalém em 468 A.E.C., 69 anos depois da volta de uns 49.000 judeus, incluindo escravos, procedentes de Babilônia, sob a liderança de Zorobabel (também chamado Sesbazar), da tribo de Judá. (Nee. 7:66, 67) A narrativa de Esdras, porém, primeiro relata aspectos deste primeiro retorno, sob Zorobabel, antes de pormenorizar os fatos de sua própria visita posterior.

Reconstrução do Templo para a vinda posterior do Messias: Embora Deus tivesse permitido que Babilônia levasse seu povo ao exílio, por causa do pecado deles e de sua rebelião, destruindo o templo e desolando a cidade de Jerusalém, intencionou que o templo e a cidade fossem reconstruídos. Por quê? Para preservar a verdadeira adoração na terra. O que era mais importante, o Messias ainda havia de vir. Cumprir o propósito de Deus com respeito à vinda dele exigia que Jerusalém estivesse de pé, como cidade povoada, tendo o templo no seu meio (embora este fosse então substituído por um terceiro edifício, construído por Herodes). Além disso, era essencial que a lei de Deus fosse a força governante no país, quando viesse o Messias. Esta vinda do Messias à cidade reconstruída de Sião (Jerusalém) fora predita pelos profetas. — Dan. 9:25.

Deus sabia de antemão que haveria uns poucos, na sua condição exilada, em Babilônia, que ainda o amariam e que desejariam fazer o possível para restabelecer a adoração pura. Poderia usá-los para seu propósito. Ao passo que, antes do exílio, a grave pecaminosidade do povo havia exigido que o Deus da justiça o removesse do país, Sua misericórdia podia ser aplicada a esses poucos. Esta presciência de Deus foi revelada uns 200 anos antes, quando o profeta Isaías falou sobre a vinda dum rei, um libertador, que teria o nome de Ciro. — Isa. 44:28; 45:1.

Ciro, o Persa, sem dúvida chegou a conhecer a Yehowah. Daniel, o profeta, ocupava um cargo elevado e respeitado durante a primeira parte do governo de Ciro. (Dan. 6:28) Daniel, sem dúvida, mostrou-lhe a menção profética de seu nome na profecia de Isaías. Um erudito bíblico observou:

“A Escritura Sagrada mostra o que foi que causou uma impressão tão favorável em Ciro, por relatar o papel desempenhado por Daniel na derrubada da monarquia babilônica, Dan. v. 28, 30. Era de se admirar que o cumpridor desta predição se sentisse atraído ao profeta que a fez e devolvesse voluntariamente os vasos, que Belsazar, naquela noite, cometera o pecado de poluir?”
[1]

Deus concede misericórdia e ajuda: Admitindo a existência de outros deuses, Ciro não deve ter tido nenhuma dificuldade em encarar Yehowah como Deus, mesmo como o verdadeiro Deus, o grande Deus e Aquele que, conforme disse, lhe deu “todos os reinos da terra”. — Esd. 1:2.

A grande misericórdia de Deus, seu poder e a certeza de seu propósito são revelados na bênção que deu ao pequeníssimo número de fiéis. A maioria dos judeus, em Babilônia, havia ficado assimilada na vida comercial de Babilônia e tinha pouco ou nenhum interesse em restabelecer a adoração verdadeira. Não obstante, a misericórdia de Deus operou para com os poucos fiéis. Estes, com o objetivo de promover a adoração pura, partiram de Babilônia e chegaram a Jerusalém após usufruírem a proteção de Deus durante uma viagem perigosa através dum ermo estéril. (Isa. 35:2-10) Cercados por vizinhos hostis, construíram um altar a Yehowah e começaram a lançar o alicerce do templo. Os samaritanos ofereceram-se em participar com eles na obra, fingindo amizade. Mas, visto que eram praticantes duma forma contaminada de adoração, sua oferta foi rejeitada por Zorobabel. — Esd. 4:1-4; 2 Reis 17:29.

Deus aprovou a atitude adotada pelos israelitas restabelecidos, pois, a colaboração com tal gente os teria colocado “em jugo desigual com incrédulos”, na verdadeira adoração, tentando-se estabelecer um acordo entre o templo de Deus e os ídolos. (2 Cor. 6:14-16) Todavia, o bom ânimo do restante restabelecido começou a vacilar quando esses professos amigos passaram a causar-lhe dificuldades, por meio de sua influência no governo persa, enfraquecendo os judeus a ponto de se finalmente parar com a construção do templo. — Esd. 4:8-24.

No ínterim, a preocupação com os seus próprios lares e assuntos fizeram com que os judeus deixassem a casa de Deus jazer desolada. Mas o objetivo de Deus não havia de ser frustrado. (Ageu 1:8, 9) Ele enviou os profetas Ageu e Zacarias para fazê-los pensar novamente no objetivo pelo qual haviam retornado a Jerusalém. Eles reagiram favoravelmente e a reconstrução do templo foi começada novamente, mesmo em face de oposição. (Esd. 5:1, 2) Jeová abençoou sua destemida obediência. Em resposta à sua apelação ao Rei Dario, o Persa, os governadores das províncias vizinhas receberam ordens de deixar de impedir os judeus e de ajudá-los com qualquer assistência financeira, necessária, do tesouro público. Com tal concessão feita por Dario, a obra foi completada e o templo foi inaugurado com grande regozijo. — Esd. 6:6-12, 16-22.

A misericórdia de Deus, não a bondade dos Judeus, cumpriu o objetivo dele: Não obstante, este bom êxito na restauração da adoração pura não se devia à bondade dos judeus retornados, mas, antes, à operação da misericórdia de Deus na execução de Seu propósito. De que maneira? Porque se tornou necessário que ele enviasse seu servo Esdras. Apesar da evidente Revelação da misericórdia e proteção de Deus, os judeus restabelecidos haviam violado o princípio pelo qual se mantiveram anteriormente firmes, a saber, manter-se separados dos adoradores pagãos. Haviam então ido ao ponto de entrar na relação mais íntima — o casamento — com mulheres descrentes, idólatras. Até mesmo os sacerdotes, os levitas e os príncipes haviam sucumbido a esta desobediência pecaminosa à ordem de Deus. — Esd. 9:1, 2.

Para o leitor casual, o que esses judeus fizeram talvez não pareça tão ruim assim. Mas, considere o seguinte: Se o pequeno número de judeus que haviam retornado a Judá tivesse sido assimilado nas nações circunvizinhas, que realmente se opunham ao Deus deles e à sua adoração centralizada no templo, qual teria sido o resultado? A adoração pura teria desaparecido da terra. Ora, apenas alguns anos mais tarde, no tempo de Neemias, os filhos de tais casamentos não sabiam nem falar o hebraico! — Nee. 13:24.

Esdras podia entender as horríveis implicações de tal desobediência. Por um tempo, ficou atônito. Daí, perante os repatriados judaicos reunidos, fez uma oração pública, expondo a séria pecaminosidade e ingratidão das ações deles. Orou, em parte: “Por causa dos nossos erros, nós, nossos reis, nossos sacerdotes, fomos entregues à mão dos reis das terras com a espada, com o cativeiro e com o saque, e com vergonha na face, assim como no dia de hoje. E agora, por um pequeno instante, veio o favor da parte de Yehowah, nosso Deus, deixando restar para nós os que escapam e dando-nos um tarugo no seu lugar santo, para fazer nossos olhos brilhar, . . . E agora, que diremos depois disso, ó nosso Deus? Pois abandonamos os teus mandamentos, . . . depois de tudo o que veio sobre nós por nossos atos maus e nossa grande culpa . . . devemos novamente estar violando teus mandamentos?” — Esd. 9:7-14.

Esdras confessou assim perante Deus e todo o povo a ingratidão e iniquidade daqueles a quem Deus havia mostrado extraordinária misericórdia. Ele não pediu perdão, porque o próprio povo tinha de se arrepender e endireitar o assunto, antes de poder esperar que a ira de Deus se desviasse dele. Vendo sua própria situação má, o povo respondeu de coração contrito. Despediram suas esposas estrangeiras. Deus pôde assim perdoar-lhes e preservá-los no país. — Esd. 10:44.

De modo que a misericórdia de Deus não fora mal aplicada. Também, o cuidado que exerceu por enviar seus profetas Ageu e Zacarias, bem como a liderança que proveu por meio de Esdras, preservaram a adoração pura por algum tempo. Hoje, assim como no passado, os que procuram conhecer a Deus e entrar numa relação íntima com ele podem servir aos propósitos Dele e receber Sua misericórdia e proteção.








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Notas:
[1] Biblical Commentary on the Old Testament, de Leil e Delitzsch, referente a Esdras, Neemias e Ester, p. 24.
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