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quinta-feira, 28 de maio de 2009

Visão Geral do Livro de Números

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Livro de Números -
Tema: Respeite a autoridade de Yehowah

O Criador merece o respeito de todo o coração dos seus adoradores. Precisam obedecê-lo e cooperar lealmente com os Seus servos designados. Quão bem isso é enfatizado no livro bíblico de Números!

O nome deste livro baseia-se nos dois recenseamentos, ou contagens, dos israelitas, registrados nos capítulos 1 a 4, e 26. Números foi escrito por Moisés nas planícies de Moabe em 1473 AEC, e abrange primariamente 38 anos e 9 meses, remontando a 1512 AEC. — Números 1:1; Deuteronômio 1:3.

Nas três partes de Números acham-se registrados eventos ocorridos no Monte Sinai (1:1 a 10:10), mais tarde no ermo (10:11 a 21:35) e nas planícies de Moabe (22:1 a 36:13). Mas, o que nos podem ensinar esses incidentes? Há em Números princípios que podem beneficiar os cristãos hoje?

I. O CONTEÚDO PROMOVE O RESPEITO A DEUS

Os israelitas já estavam ao sopé do monte Sinai por cerca de um ano, quando Yehowah ordenou que Moisés fizesse um recenseamento. Com exceção dos levitas, todos os varões com 20 anos ou mais foram registrados, e seu número totalizou 603.550. Em lugar dos primogênitos, Deus tomou os levitas para o serviço do tabernáculo. Forneceram-se instruções quanto à ordem de marcha, na qual Judá, a tribo mais numerosa, havia de tomar a dianteira. Por ordem de Deus, os levitas foram então registrados e designaram-se-lhes tarefas sagradas. — Números 1:1 a 4:49.

As ordens de Yehowah sobre quarentena foram seguidas por leis tais como as relativas a casos de ciúme por desconfiança da fidelidade da esposa, e a votos feitos por nazireus. Daí, forneceram-se alguns pormenores com respeito ao serviço do tabernáculo. Por ocasião do erguimento do tabernáculo e da inauguração do altar, os maiorais haviam feito muitas ofertas valiosas. Segundo um modelo dado por Yehowah numa visão, Moisés mandou fazer um candelabro. Quando suas lâmpadas eram acesas e os levitas eram purificados, podiam começar a servir. — Números 5:1 a 8:26.

Foram recapituladas instruções sobre a Páscoa. O erguimento e a desmontagem do acampamento eram orientados por uma nuvem milagrosa sobre o tabernáculo. O povo se acampava e partia “à ordem de Yehowah”. Duas trombetas de prata haviam de ser usadas para congregar a assembléia e para outros propósitos. — Números 9:1 a 10:10.

No vigésimo dia do segundo mês do segundo ano após a partida ao Egito, a nuvem sobre o tabernáculo começou a se mover e Israel pôs-se em marcha. Ocorreram casos de queixas injustificadas. Um deles foi um clamor por carne, mas manifestou-se ganância quando Yehowah proveu codornizes. Miriã e Arão queixaram-se de seu irmão Moisés, e, como punição, Miriã ficou temporariamente atacada de lepra. Como isso deve induzir-nos a mostrar respeito à autoridade constituída por Deus! — Números 10:11 a 12:16.

Doze espias foram enviados a Terra Prometida e retornaram 40 dias depois com deliciosas frutas. Mas, dez dos espias exageraram tanto a estatura dos habitantes e o tamanho de suas cidades fortificadas, que os israelitas desanimados desejaram retornar ao Egito. Em vão, os fiéis espias Josué e Calebe os exortaram a ter fé em Yehowah. Quando o povo falou em apedrejar Moisés, Arão, Josué e Calebe, Deus disse que iria golpear e expulsar a nação inteira. Mas, Moisés intercedeu e Jeová decretou que o povo vagueasse pelo ermo durante 40 anos, até morrerem todos os que tivessem 20 anos ou mais. As únicas exceções haviam de ser Josué, Calebe e a tribo de Levi. A seguir, os israelitas tentaram invadir a Terra Prometida, o que resultou apenas numa derrota desalentadora. — Números 13:1 a 14:45.

Depois disso, foram dadas diversas leis que envolviam ofertas, a violação do sábado e o uso de franjas nas vestes. Daí, Corá, Datã, Abirão, Om e 250 maiorais falaram mal de Moisés e Arão. Em que resultou esse grave desrespeito? Yehowah destruiu com fogo Corá e os 250, ao passo que os demais rebeldes pereceram quando a terra se abriu, tragando-os junto com suas famílias e seus bens. Logo no dia seguinte, os israelitas passaram a murmurar contra Moisés e Arão, e, devido a essa falta de respeito, 14.700 morreram vítimas dum flagelo da parte de Yehowah. Para pôr fim ao murmúrio e indicar que Ele escolhera a Arão, da tribo de Levi, Deus fez com que o bastão de Arão florescesse. A seguir foram dados os regulamentos que envolviam os deveres dos sacerdotes e dos levitas, e a purificação do aviltamento do povo. — Números 15:1 a 19:22.

Em Cades, houve um clamor por água. Visto que Moisés e Arão não santificaram a Yehowah por provê-la milagrosamente, foram informados de que não entrariam na Terra Prometida. Depois de saírem de Cades, o povo chegou ao monte Hor, onde Arão morreu e seu filho Eleazar foi constituído sumo sacerdote. A seguir, os israelitas derrotaram o rei de Arade. Mais tarde, eles passaram a falar mal de Deus e de Moisés, e desta vez Yehowah enviou serpentes venenosas entre eles como punição. Os que eram mordidos ficavam curados por olharem para uma serpente de cobre que Deus mandou Moisés fazer e colocar numa haste. Depois disso, Israel derrotou o rei amorreu, Síon, e o rei de Basã, Ogue, tomando a terra deles. — Números 20:1 a 21:35.

Em seguida são narrados os acontecimentos nas planícies de Moabe. O Rei Balar, de Moabe, contratou Balaão para amaldiçoar os israelitas, mas, em vez disso, por três vezes ele os abençoou. Balaão colaborou para causar que adoradoras de Baal levassem Israel à imoralidade sexual e à idolatria. Yehowah destruiu 24.000 transgressores, até que Finéias cessou o flagelo por executar um israelita imoral e uma midianita. — Números 22:1 a 25:18; 31:15, 16.

Depois de feito outro recenseamento e de se ter estabelecido um precedente quanto aos direitos de herança das filhas, Moisés avistou a Terra Prometida e comissionou a Josué como seu sucessor. Proveram-se instruções quanto a ofertas diárias, semanais, mensais e anuais, bem como a respeito de votos. Daí, houve a vingança contra os midianitas, por terem contribuído para que os israelitas pecassem contra Deus. — Números 26:1 a 31:54.

As tribos de Rubem, Gade e Manassés receberam heranças a leste do Jordão, mas sob a condição de que participariam da conquista do território a oeste daquele rio. A seguir, há uma lista dos muitos acampamentos de Israel, desde o Egito até as planícies de Moabe. Os israelitas receberam então ordens relativas a fixar residência na Terra Prometida. Entre outras coisas, deviam destruir os artigos usados na religião falsa e expulsar os habitantes. As fronteiras da terra foram definidas e foram designados maiorais para ajudar Josué e Eleazar a dividi-la, e foram designadas aos levitas 48 cidades. Foram reservadas seis cidades de refúgio e fornecidas instruções sobre cuidar de casos que envolvessem homicídio não-intencional e homicídio qualificado. Por fim, foram dadas leis sobre o casamento de herdeiro. — Números 32:1 a 36:13.

Ao ler Números, poderá muito bem ficar impressionado com a ênfase dada a mostrar respeito a Yehowah e aos que Ele designa para cuidar de responsabilidades entre Seu povo. Mas, talvez se pergunte sobre alguns pontos. Portanto, as seguintes perguntas e respostas talvez sejam de interesse.

II. ACONTECIMENTOS NO MONTE SINAI

● 5:11-31 — O que acontecia realmente com a esposa culpada de cometer adultério?

A água em si mesma não causava nenhuma aflição. Mas, era bebida diante de Yehowah, que sabia se a mulher era culpada de adultério. Se ela fosse culpada, Ele faria com que seu ventre inchasse e sua coxa decaísse. Evidentemente, a coxa é usada aqui eufemisticamente para representar os órgãos de procriação. (Veja Gênesis 46:26.) “Decair” sugere que tais órgãos se atrofiavam, tornando impossível a concepção. Isso se harmonizaria com o fato de que se a mulher fosse inocente seu marido devia engravidá-la.

● 8:25, 26 — Será que o princípio da lei sobre a ‘aposentadoria’ dos levitas se aplica hoje ao povo de Deus?

Os sacerdotes eram assistidos por todos os varões habilitados das três principais famílias levitas. Com o tempo, os levitas ficariam numerosos, mas o número de vagas de serviço no santuário era limitado. Sem dúvida, pois, tanto por consideração à idade como para evitar uma sobrecarga de pessoal para tais cargos, Deus instruiu que os varões levitas que atingissem 50 anos deviam ser ‘aposentados’ do serviço compulsório, embora ainda pudessem ajudar voluntariamente. Entretanto, isso não estabelece nenhuma regra para os israelitas espirituais e seus companheiros, porque não estão sob a Lei. (Romanos 6:14; Efésios 2:11-16) Se a idade avançada desqualifica um cristão para certa responsabilidade, ele poderá ser mudado para um serviço que ele possa realizar. Para os verdadeiros cristãos não há aposentadoria da pregação das boas novas do Reino Messiânico.

III. QUANDO VAGUEAVAM DE LUGAR EM LUGAR

● 12:1 — Por que Miriã e Arão falaram mal de Moisés por causa de sua esposa cusita?

Isso constituiu mais do que uma objeção à esposa de Moisés. O verdadeiro motivo era o desejo de maior poder, especialmente por parte de Miriã. A esposa de Moisés, Zípora, estivera ausente, mas se juntara novamente a ele, e Miriã temia ser substituída como primeira dama no acampamento. (Êxodo 18:1-5) Portanto, ela conseguiu que Arão se juntasse a ela em criticar a Moisés por ter-se casado com uma cusita e em desafiar sua posição ímpar diante de Deus. Por isso, Yehowah castigou tanto Miriã como Arão, mas só Miriã ter sido atacada de lepra pode sugerir que a instigadora era ela. A atitude correta de Arão foi demonstrada por ele confessar e suplicar em favor da leprosa Miriã. (Números 12:10-13) Quanto a Zípora, era a filha de Reuel, o midianita. (Gênesis 25:1, 2; Números 10:29) Em Habacuque 3:7, faz-se um paralelo entre a “terra de Midiã” e Cusã, que evidentemente é outro nome para Midiã, ou se relaciona com um país vizinho. Além disso, certas tribos árabes se chamavam Kusi ou Kushim. Assim, pelo visto “cusita” não se restringia aos descendentes de Cã, por intermédio de Cus, mas aplicava-se também a alguns habitantes de Midiã. Portanto, Zípora podia ser chamada cusita.

● 21:14, 15 — O que era o “livro das Guerras de Yehowah”?


Sem dúvida, tratava-se dum registro histórico confiável das guerras do povo de Yehowah. Talvez principiasse pela ação bem-sucedida de Abraão contra os quatro reis que haviam capturado Ló e sua família. (Gênesis 14:1-16) As Escrituras fazem menção de muitos escritos não-inspirados, alguns dos quais foram usados por escritores bíblicos inspirados como fonte de matéria. — Josué 10:12, 13; 1 Reis 11:41; 14:19, 29.

IV. NAS PLANÍCIES DE MOABE

● 22:20-22 — Uma vez que Yehowah disse a Balaão para acompanhar os homens de Balaque, por que ficou irado quando o profeta os acompanhou?


Deus disse a Balaão que ele não poderia amaldiçoar os israelitas, mas o ganancioso profeta foi com a intenção de fazê-lo, a fim de ser recompensado pelo Rei Balaque, de Moabe. (2 Pedro 2:15, 16; Judas 11) Por esse motivo, ascendeu-se a ira de Deus contra Balaão. Naturalmente, Yehowah desaprovava qualquer maldição contra Israel. Mas, Balaão, igual a Caim, era obstinado em desrespeitar a vontade de Deus. (Gênesis 4:6-8) Depois que Yehowah transformou em bênção todas as tentativas de amaldiçoar, a perversidade de Balaão induziu-o a sugerir que Balaque usasse mulheres de Moabe e de Midiã para seduzir os israelitas e envolvê-los na adoração de Baal. (Deuteronômio 23:5; Números 31:15, 16; Revelação 2:14) Isso trouxe a ira de Deus sobre Israel e resultou na morte de 24.000. Mais tarde, o ganancioso Balaão morreu às mãos daqueles a quem procurava amaldiçoar. (Números 25:1-9; 31:8) Que advertência contra a ganância!

● 25:10-13 — Como foi cumprida esta promessa quanto ao sacerdócio?


O sumo sacerdócio parece ter prosseguido na linhagem de Finéias até o tempo do sumo sacerdote Eli, descendente de Itamar. Esta mudança ocorreu provavelmente devido a uma desqualificação temporária na linhagem de Finéias. Mas, o Rei Salomão trocou Abiatar, descendente de Itamar, pelo sumo sacerdote Zadoque, que descendia de Finéias. (1 Reis 1:1-14; 2:26, 27, 35) Até onde mostra o registro histórico, aparentemente a linhagem de Finéias prosseguiu, depois disso, por muitos anos no sumo sacerdócio.

● 30:6-8 — Pode o marido duma esposa cristã anular os votos dela?


Não, pois os seguidores de Jesus não estão sob a Lei. Deus lida agora com as pessoas individualmente com respeito a votos, e o marido cristão não está autorizado a cancelar ou proibi-los. Naturalmente, a esposa cristã não deve fazer votos que entrem em conflito com a Palavra de Deus ou com as suas obrigações bíblicas para com o marido. — Eclesiastes 5:2, 6.

V. DE GRANDE VALOR PARA NÓS


O livro de Números fornece um valioso elo no registro que conduz ao estabelecimento do Reino de Deus. Aponta também para Jesus Cristo. Por exemplo, os sacrifícios de animais e o uso das cinzas da vaca vermelha apontavam para a provisão ainda maior de purificação mediante o sacrifício de Jesus. (Números 19:2-9; Hebreus 9:13, 14) O incidente relacionado com a serpente de cobre prefigurava a grandiosa provisão de Deus para a vida eterna por intermédio de Cristo. — Números 21:8, 9; João 3:14, 15.

O livro de Números pode ajudar-nos a evitar a idolatria e a imoralidade sexual. Alerta-nos quanto ao perigo de murmurarmos contra Deus, contra aqueles a quem ele designa cargos de responsabilidade e contra Suas provisões. E, certamente, este emocionante relato deve induzir-nos a mostrar o máximo respeito ao nosso amoroso Deus.
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