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terça-feira, 30 de junho de 2009

Introdução Bíblica: Livro de Oseias

OSEIAS, PROFETA, LIVRO, ESTUDO, ESBOÇO, INTRODUÇÃO, TEOLOGIAEscritor: Oseias
Lugar da Escrita: Samaria (Distrito)
Escrita Completada: Depois de 745 AEC
Tempo Abrangido: Antes de 804-depois de 745 AEC

O livro de Oseias é o de número 28 no cânon das Escrituras. Os últimos 12 livros das Escrituras Hebraicas são, em geral, chamados de “os profetas menores”. A expressão comum na Alemanha, “os profetas pequenos”, parece ser mais apropriada, pois estes livros não são de modo algum menores em importância, ainda que a extensão conjunta deles seja menor do que a de Isaías ou de Jeremias. Na Bíblia hebraica eles eram considerados um só volume e chamados de “Os Doze”. Terem sido assim agrupados provavelmente visava a preservação, pois facilmente se poderia perder um rolo pequeno separado. Como é o caso em todos estes 12 livros, o primeiro deles leva o nome de seu escritor, Oséias, que é uma forma abreviada de Hoshaiah, que significa “Salvo por Jah; Jah Tem Salvo”.

No livro que leva seu nome, pouco se revela sobre Oséias, exceto que era filho de Beeri. As suas profecias dizem respeito quase que exclusivamente a Israel, sendo Judá mencionado só de passagem; e, embora Jerusalém não seja mencionada por Oséias, a tribo dominante de Israel, Efraim, é mencionada nominalmente 37 vezes e a capital de Israel, Samaria, 6 vezes.

O primeiro versículo do livro informa-nos de que Oséias serviu como profeta de Deus por um período incomumente longo, desde fins do reinado do Rei Jeroboão II, de Israel, até o reinado de Ezequias, de Judá. Isto foi pelo menos desde 804 AEC até depois de 745 AEC, no mínimo 59 anos. Seu tempo de serviço profético se estendeu, sem dúvida, por alguns anos durante os reinados de Jeroboão II e Ezequias. Durante esse tempo, Amós, Isaías, Miquéias e Odede eram outros profetas fiéis de Yehowah. — Amós 1:1; Isa. 1:1; Miq. 1:1; 2 Crô. 28:9.

A autenticidade da profecia é confirmada por ser ela citada muitas vezes nas Escrituras Gregas Cristãs. O próprio Jesus citou Oséias 10:8 ao pronunciar julgamento contra Jerusalém: “Então principiarão a dizer aos montes: ‘Caí sobre nós!’, e às colinas: ‘Cobri-nos!’” (Luc. 23:30) Esta mesma passagem é parcialmente citada em Apocalipse 6:16. Mateus cita Oséias 11:1, mostrando o cumprimento da profecia: “Do Egito chamei o meu filho.” (Mat. 2:15) A profecia de Oséias sobre a restauração de todo o Israel se cumpriu quando muitos do reino das dez tribos se uniram a Judá antes de seu cativeiro e seus descendentes estavam entre os que retornaram depois do exílio. (Osé. 1:11; 2 Crô. 11:13-17; 30:6-12, 18, 25; Esd 2:70) Desde o tempo de Esdras, o livro tem ocupado o seu devido lugar no cânon hebraico como a “palavra de Yehowah por meio de Oséias”. — Osé. 1:2.

Por que enviou Yehowah a Oséias como seu profeta para Israel? Por causa da infidelidade e da contaminação com a adoração de Baal por parte de Israel, em violação do pacto de Yehowah. Na Terra Prometida, Israel se tornara um povo agrícola, mas, com isso, adotou não só o modo de vida dos cananeus mas também a religião deles, que incluía a adoração de Baal, um deus símbolo das forças reprodutivas da natureza. Nos dias de Oséias, Israel se havia desviado completamente da adoração de Yehowah para cerimônias tumultuosas, com bebedices, que incluíam relações imorais com prostitutas de templo. Israel atribuía a sua prosperidade a Baal. Mostrou-se desleal a Yehowah, indigno dele e, assim, tinha de ser disciplinado. Yehowah havia de mostrar-lhe que os seus bens materiais não se originavam de Baal, de modo que ele enviou Oséias para avisar a Israel sobre o que significaria não se arrependerem. Depois da morte de Jeroboão II, Israel enfrentou o seu mais terrível período. Um reinado de terror, com diversos governantes sendo assassinados, continuou até o cativeiro assírio, em 740 AEC. Durante esse tempo, duas facções lutavam entre si, uma delas desejando formar aliança com o Egito, e a outra, com a Assíria. Nenhum dos grupos confiava em Yehowah.

O estilo de escrita de Oséias é revelador. Não raro é terno e sensível na sua fraseologia e repetidas vezes frisa a benevolência e a misericórdia de Yehowah. Ele se delonga em qualquer pequeno sinal de arrependimento que observa. A sua linguagem é, em outros momentos, abrupta e impulsiva. Sua falta de cadência é compensada em força e poder. Expressa profundo sentimento e muda de pensamento com rapidez.

No início de sua carreira profética, Oséias recebeu a ordem de tomar “uma esposa de fornicação”. (1:2) Yehowah por certo tinha um propósito com isso. Israel havia sido para Yehowah como esposa que se tornara infiel, praticando fornicação. Todavia, ele mostraria seu amor por ela e procuraria restaurá-la. A esposa de Oséias, Gômer, podia ilustrar isso com exatidão. Entende-se que, depois do nascimento do primeiro filho, ela se tornou infiel e, pelo que parece, deu à luz os outros filhos em adultério. (2:5-7) Isto é indicado pelo registro dizer que ela “lhe deu [a Oséias] um filho”, mas omite qualquer referência ao profeta em relação ao nascimento dos outros dois filhos. (1:3, 6, 8) O capítulo 3, versículos 1-3, parece falar de Oséias receber de volta a Gômer, comprando-a como se fosse escrava, e isto se enquadra com Yehowah receber de volta a seu povo depois de este se arrepender do seu proceder adúltero.

O reino setentrional de Israel, das dez tribos, a quem principalmente se dirigem as palavras da profecia de Oséias, era também conhecido por Efraim, que era o nome da tribo dominante no reino. Estes nomes, Israel e Efraim, são usados alternadamente no livro.
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