sexta-feira, 24 de julho de 2009

Posted by Eduardo G. Junior In | 1 comment
estudo biblico sobre maldiçãoMALDIÇÃO, O desejo, a ameaça ou o proferimento do mal sobre alguém ou alguma coisa é a ideia básica de diversas palavras hebraicas e gregas na Bíblia, traduzidas pela palavra “maldição” ou por expressões similares.

A primeira maldição, logicamente, se deu na época da rebelião do Éden e foi dirigida por Deus contra o instigador da rebelião, que usara para isso um agente, a serpente. (Gên 3:14, 15) Esta maldição havia de terminar na destruição dele. Ao mesmo tempo foi amaldiçoado o solo por causa de Adão, o que resultou em o solo produzir espinhos e abrolhos, mas não resultou na destruição dele. (Gên 3:17, 18; 5:29) A maldição de Yehowah sobre Caim condenou este a uma vida de fugitivo. — Gên 4:11, 12.

Após o Dilúvio, a primeira maldição proferida por um humano foi a de Noé contra Canaã, filho de Cã, condenando-o a ser escravo de Sem e de Jafé, maldição que teve seu principal cumprimento uns oito séculos mais tarde, na conquista de Canaã pela nação semítica de Israel. (Gên 9:25-27) Neste sentido, os gibeonitas, descendentes de Canaã, foram informados por Josué de que eram “gente maldita”, sendo eles por isso designados para a posição de escravos. — Jos 9:23.

Essa maldição, portanto, não deve ser confundida com imprecação, ou rogar praga, nem implica necessariamente em ira violenta, como é evidente no caso dos gibeonitas. Nos textos acima, usa-se a palavra hebraica ’arár. Esta palavra é encontrada 18 vezes na declaração formal de pronúncias em Deuteronômio 27:15-26; 28:16-19, e também em pronúncias solenes, tais como as em Êxodo 22:28; Jeremias 11:3; 17:5; e 48:10. O substantivo aparentado, me’eráh, ocorre cinco vezes. (De 28:20; Pr 3:33; 28:27; Mal 2:2; 3:9) O uso bíblico destas palavras indica uma pronúncia solene ou a predição dum mal, e, quando feita por Deus ou por uma pessoa autorizada, tem valor e força proféticos. A maldição de Josué contra qualquer homem que, no futuro, reconstruísse a devastada Jericó cumpriu-se muitos séculos depois. (Jos 6:26; 1Rs 16:34) O pedido do Rei Balaque, que Balaão amaldiçoasse Israel, porém, foi desaprovado por Yehowah, e Ele fez com que se proferissem bênçãos em vez disso. — Núm 22:6-24:25.

’Aláh, outra palavra hebraica, traduzida tanto por “juramento” como por “maldição”, subentende um juramento com uma maldição como penalidade pela violação do que se jurou, ou porque o juramento mostrou ser falso. — Gên 24:41 n; Núm 5:21, 23, 27; De 29:19-21; 2Cr 34:24; 1Rs 8:31, 32.

Nas Escrituras Gregas, as duas palavras básicas traduzidas por “maldição”, “amaldiçoado” são a·rá e a·ná·the·ma, junto com palavras aparentadas, tais como katára, epikatáratos, kataráomai, katáthema e katathematízo.

A palavra ará tem o sentido de imprecação, ou de uma oração invocando o mal oriundo duma fonte divina. João usou a palavra aparentada epáratos ao escrever que os fariseus encaravam o povo comum, que escutava Jesus, como “pessoas amaldiçoadas”, que não conheciam a Lei. (Jo 7:49) Em contraste, Paulo mostrou que todos os judeus precisavam ser remidos da maldição do pacto da Lei, por Cristo se tornar maldição por eles, mediante a sua morte na estaca de tortura. (Gál 3:10, 13) Em Gálatas 3:10, Paulo usou epikatára·tos para traduzir a palavra hebraica ’arár (a primeira palavra considerada neste artigo), conforme ocorre em Deuteronômio 27:26. No versículo 13 , ele usou a mesma palavra para traduzir a palavra hebraica qelaláh (algo amaldiçoado; invocação do mal), conforme ocorre em Deuteronômio 21:23.

Uma forma da palavra kataráomai é usada para descrever a ação de Jesus em amaldiçoar a classe dos “cabritos” (Mt 25:41), e também ao instruir seus seguidores a “abençoar os que vos amaldiçoam”. (Lu 6:28) Paulo e Tiago usaram formas da mesma palavra ao dar conselho similar em Romanos 12:14 e em Tiago 3:9. Paulo usou a palavra katára ao comparar os cristãos que se afastam, depois de terem sido participantes do espírito santo, ao “solo” que não reage à chuva, produzindo apenas espinhos e abrolhos (He 6:7, 8), ao passo que Pedro usou a mesma palavra para descrever como “amaldiçoados” os cobiçosos, que “têm olhos cheios de adultério” e engodam as almas instáveis. — 2Pe 2:14.

A palavra anáthema significa literalmente aquilo que é “guardado”, e originalmente aplicava-se a oferendas votivas guardadas ou separadas como sagradas num templo. (Veja Lu 21:5, onde se usa uma palavra aparentada.) Nas Escrituras Gregas, os escritores bíblicos usam a palavra anáthema aplicada ao que é amaldiçoado ou ao que está sujeito a ser amaldiçoado, e, portanto, separado como mau ou execrado. Assim, Paulo escreveu aos Gálatas (1:8) que eles deviam considerar como “amaldiçoado” todo aquele (mesmo anjos) que lhes declarasse como boas novas algo contrário ao que haviam recebido. Quem ‘não tivesse afeição pelo Senhor’ seria considerado de modo similar. (1Co 16:22) Angustiado por seus co-israelitas não terem aceito a Cristo, Paulo disse que desejaria até que ele mesmo “fosse separado do Cristo como amaldiçoado” a favor deles. (Ro 9:3) Em outros casos, anáthema evidentemente é usado para se referir ao proferimento dum juramento que, se não cumprido ou se mostrado falso, deveria resultar numa maldição, como no caso dos 40 homens que se juntaram numa conspiração juramentada para matar Paulo. (At 23:12-15, 21) As palavras katathematízo e anathematízo são usadas com relação à negação de Cristo por Pedro. (Mt 26:74; Mr 14:71) Na realidade, Pedro dizia ali que ele desejava ser ‘amaldiçoado ou posto à parte como mau se conhecia o homem’.

Apocalipse 22:3 faz-se a respeito da Nova Jerusalém a promessa de que “não haverá mais nenhuma maldição [katáthema]”. Isto parece servir de contraste com a Jerusalém terrestre, que passou a estar sob a maldição de Deus. Está igualmente em nítido contraste com a condição maldita que resulta para a simbólica cidade de Babilônia, a Grande, em virtude do decreto judicial de Deus contra ela. O “anátema” proferido contra ela é evidente em vista da ordem dada em Apocalipse 18:4-8. — Veja também 2Co 6:17.

Na Septuaginta grega, os tradutores em geral usaram anáthema para verter a palavra hebraica hhérem.

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