quinta-feira, 23 de julho de 2009

Posted by Eduardo G. Junior In | No comments
panorama do Livro de JeremiasPANORAMA DO LIVRO DE JEREMIAS

A matéria não está em ordem cronológica, mas, antes, segundo os assuntos. Assim, a narrativa faz muitas mudanças quanto ao tempo e circunstâncias. Por fim, descreve-se a desolação de Jerusalém e de Judá, em todos os pormenores, no capítulo 52. Isto não só mostra o cumprimento de grande parte da profecia, mas fornece também uma tela de fundo para o livro de Lamentações que vem em seguida.

Yehowah comissiona a Jeremias (1:1-19). Será que foi porque Jeremias queria ser profeta ou porque procedia de família sacerdotal que foi comissionado? Yehowah mesmo explica: “Antes de formar-te no ventre, eu te conheci, e antes de saíres da madre, eu te santifiquei. Eu te constituí profeta para as nações.” É uma designação da parte de Yehowah. Está Jeremias disposto a ir? Humildemente, ele apresenta a desculpa: “Sou apenas rapaz.” Yehowah o tranquiliza, dizendo: “Eis que pus as minhas palavras na tua boca. Vê, comissionei-te no dia de hoje para estares sobre as nações e sobre os reinos, para desarraigares, e para demolires, e para destruíres, para derrubares, para construíres e para plantares.” Jeremias não deve temer. “Por certo lutarão contra ti, mas não prevalecerão contra ti, pois ‘eu estou contigo’, é a pronunciação de Yehowah, ‘para te livrar’.” — 1:5, 6, 9, 10, 19.

Jerusalém é esposa infiel (2:1-6:30). Que mensagem traz a palavra de Yehowah a Jeremias? Jerusalém esqueceu o seu primeiro amor. Ela abandonou a Yehowah, a Fonte de águas vivas, e prostituiu-se com deuses estranhos. De videira seleta de casta tinta, ela se transformou “em varas degeneradas duma videira estrangeira”. (2:21) Suas saias ficaram manchadas do sangue das almas dos pobres inocentes. Até mesmo Israel, que se prostituiu, provou ser mais justa do que Judá. Deus convida esses filhos renegados a retornar a ele, pois ele é o dono marital deles. Mas agiram como esposa infiel. Poderão retornar, se se desfizerem de suas coisas repugnantes e circuncidarem seu coração. “Levantai um sinal de aviso rumo a Sião”, pois Deus trará uma calamidade procedente do norte. (4:6) Derrocada sobre derrocada! Como leão que sai de sua moita, como vento causticante que sopra através do ermo, assim virá o executor de Yehowah com seus carros como um tufão.

Percorra Jerusalém. O que vê? Apenas transgressões e infidelidade! O povo negou a Deus, e a Sua palavra na boca de Jeremias tem de tornar-se um fogo para o devorar como pedaços de lenha. Visto que os israelitas abandonaram a Yehowah para servir um deus estranho, Ele também os fará servir a estrangeiros, numa terra estranha. São obstinados! Têm olhos, mas não podem ver, têm ouvidos, mas não podem ouvir. Que horror! Os profetas e os sacerdotes profetizam na realidade com falsidade, “e meu próprio povo amou-o assim”, diz o Senhor. (5:31) A calamidade vem do norte, e contudo, “desde o menor até mesmo ao maior deles, cada um obtém para si um lucro injusto”. Dizem: “‘Há paz! Há paz’! quando não há paz.” (6:13, 14) Mas, o assolador virá subitamente. Yehowah fez de Jeremias um examinador de metais entre eles, mas não há nada senão escória e prata rejeitada. São totalmente maus.

Aviso de que o templo não é proteção (7:1-10:25). A palavra de Deus vem a Jeremias e ele tem de fazer proclamação junto ao portão do templo. Ouça-o proclamar aos que vão entrando nele: ‘Jactam-se sobre o templo de Yehowah, mas o que estão fazendo? Oprimem o órfão e a viúva, derramam sangue inocente, andam atrás de outros deuses, furtam, assassinam, adulteram, perjuram e oferecem sacrifícios a Baal! Hipócritas! Têm feito da casa de Yehowah “um mero covil de salteadores”. Lembrem-se do que Yehowah fez a Silo. Ele fará o mesmo à sua casa, ó Judá, e os lançará fora, assim como lançou fora a Efraim (Israel), ao norte.’ — Jer. 7:4-11; 1 Sam. 2:12-14; 3:11-14; 4:12-22.

É inútil orar por Judá. O povo até mesmo faz bolos para sacrificar à “rainha dos céus”! Deveras, “esta é a nação cujo povo não obedeceu à voz de Yehowah, seu Deus, e que não aceitou a disciplina. Pereceu a fidelidade”. (Jer. 7:18, 28) Judá colocou coisas repugnantes na casa de Deus, e queimou seus filhos e suas filhas nos altos de Tofete, no vale de Hinom. Eis que será chamado “o vale da matança”, e seus cadáveres servirão de comida para as aves e para os animais. (7:32) A alegria e a exultação hão de cessar em Judá e em Jerusalém.

Esperava-se a paz e a cura, mas eis o terror! Por causa da obstinação deles, o resultado será dispersão, extermínio e lamentação. ‘Yehowah é o Deus vivente e o Rei por tempo indefinido.’ Quanto aos deuses que não fizeram os céus e a terra, não há espírito neles. São vaidade e trabalho de zombaria, e perecerão. (10:10-15) Yehowah lançará fora os habitantes do país. Escute! Um grande retumbo desde a terra do norte que desolará as cidades de Judá. O profeta reconhece que ‘não é do homem terreno o dirigir o seu caminho’, e ora pedindo para ser corrigido, a fim de que não seja aniquilado. — 10:23.

Maldição sobre os que violam o pacto (11:1-12:17). Judá desobedeceu aos termos do seu pacto com Yehowah. É em vão que o povo pede ajuda. Jeremias não deve orar por Judá, pois Yehowah “acendeu um fogo” para consumir esta outrora frondosa oliveira. (11:16) Jeremias, ameaçado de morte pelo povo de Anatote, sua cidade natal, volta-se para Yehowah em busca de força e ajuda. Yehowah promete punir os habitantes de Anatote. Jeremias pergunta: ‘Por que é que o caminho dos iníquos tem prosperado?’ Yehowah assegura-lhe: ‘Desarraigarei e destruirei a nação desobediente.’ — 12:1, 17.

Jerusalém é irreformável e está condenada (13:1-15:21). Jeremias conta que Deus lhe ordenou que pusesse um cinto de linho sobre seus quadris e daí o escondesse na fenda dum rochedo junto ao Eufrates. Quando Jeremias foi retirá-lo, estava arruinado. “Não prestava para nada.” Assim Yehowah mostra a sua decisão de arruinar “o orgulho de Judá e o orgulho abundante de Jerusalém”. (13:7, 9) Yehowah espatifará a ambas na embriaguez delas, como grandes talhas cheias de vinho. “Pode o cusita mudar a sua pele ou o leopardo as suas malhas?” (13:23) Da mesma forma, Jerusalém é irreformável. Jeremias não deve orar por seus habitantes. Mesmo que Moisés e Samuel intercedessem por eles a Yehowah, este não os escutaria, pois já determinou devotar Jerusalém à destruição. Yehowah fortalece a Jeremias para enfrentar os que o vituperam. Jeremias encontra as palavras de Yehowah e as come, resultando em ‘exultação e alegria de seu coração’. (15:16) Não é momento para pilhérias, mas para confiar em Yehowah que prometeu estabelecer Jeremias como muralha fortificada de cobre contra aquele povo.

Yehowah enviará pescadores e caçadores (16:1-17:27). Em vista da desolação iminente, Yehowah dá a seguinte ordem a Jeremias: “Não deves tomar para ti uma esposa e não deves vir a ter filhos e filhas neste lugar.” (16:2) Não é tempo nem de se lamentar nem de banquetear-se com o povo, pois Yehowah está prestes a arremessá-los daquela terra. Yehowah promete também enviar ‘pescadores para pescá-los e caçadores para caçá-los’, e, com tudo isso, “terão de saber que [seu] nome é Yehowah”. (16:16, 21) O pecado de Judá está gravado no seu coração com estilo de ferro, sim, com ponta de diamante. “O coração é mais traiçoeiro do que qualquer outra coisa e está desesperado”, mas Deus pode esquadrinhar o coração. Ninguém pode enganá-lo. Os apóstatas “abandonaram a fonte de água viva, Yehowah”. (17:9, 13) Se Judá não santificar o dia de sábado, Deus fará que o fogo devore seus portões e suas torres.

O oleiro e o barro (18:1-19:15). Deus ordena a Jeremias que vá à casa do oleiro. Ele observa ali como o oleiro transforma um vaso de barro que está estragado em outro vaso segundo o seu agrado. Deus declara então ser o Oleiro da casa de Israel, tendo o poder de demolir ou de edificar. A seguir, diz a Jeremias que leve uma botija de oleiro ao vale de Hinom e anuncie ali a calamidade que Deus fará vir, porque o povo encheu esse lugar de sangue inocente, queimando seus filhos como holocaustos para Baal. Daí, Jeremias precisa quebrar a botija para mostrar como Deus destroçará Jerusalém e o povo de Judá.

Não há desistência sob perseguição (20:1-18). Pasur, o comissário do templo, irritado com a intrépida pregação de Jeremias, coloca-o no tronco por uma noite. Ao ser solto, Jeremias prediz o cativeiro e a morte de Pasur em Babilônia. Angustiado por ser objeto de escárnio e por causa do vitupério lançado contra ele, Jeremias cogita desistir. Entretanto, não consegue ficar calado. A palavra de Yehowah vem a ser-lhe ‘no coração como fogo ardente, encerrado nos seus ossos’, de modo que ele se sente compelido a falar. Embora amaldiçoe o dia em que nasceu, ele clama: “Cantai a Yehowah! Louvai a Yehowah! Porque livrou a alma do pobre da mão dos malfeitores.” — 20:9, 13.

A indignação de Yehowah contra os governantes (21:1-22:30). Em resposta a uma pergunta de Zedequias, Jeremias lhe informa que a ira de Yehowah se acendeu contra a cidade: O rei de Babilônia a sitiará, e ela será destruída pela pestilência, pela espada, pela fome e pelo fogo. Salum (Jeoacaz) morrerá no exílio, Jeoiaquim será sepultado como um jumento, e seu filho Conias (Joaquim) será lançado fora de Judá para morrer em Babilônia.

Esperança num “renovo justo” (23:1-24:10). Yehowah promete que verdadeiros pastores substituirão os pastores falsos, e que “um renovo justo”, da descendência de Davi, um rei, “há de reinar e agir com discrição, e executar o juízo e a justiça na terra”. Qual é o seu nome? “Será chamado: Yehowah É Nossa Justiça.” Ele ajuntará o restante disperso. (23:5, 6) Se os profetas tivessem ficado no grupo íntimo do Senhor, teriam feito o povo ouvir e desviar-se do seu caminho mau. Ao contrário, diz o Senhor, “fazem meu povo vaguear por causa das suas falsidades”. (23:22, 32) “Eis duas cestas de figos.” Jeremias usa os figos bons e os ruins para ilustrar que um restante fiel retornará à sua terra no favor de Deus, ao passo que outro grupo terá um fim calamitoso. — 24:1, 5, 8-10.

A controvérsia de Deus com as nações (25:1-38). Este capítulo resume os julgamentos expostos em pormenores nos capítulos 45-49. Por meio de três profecias paralelas, Deus pronuncia agora calamidade para todas as nações da terra. Em primeiro lugar, Nabucodorosor é identificado com o servo de Deus para devastar a Judá e as nações em sua volta, e “estas nações terão de servir ao rei de Babilônia por setenta anos”. Depois disso, será a vez de Babilônia, e ela se tornará “baldios desolados por tempo indefinido”. — 25:1-14.

A segunda profecia consiste na visão do copo de vinho do furor de Yehowah. Jeremias tem de levar esse copo às nações, e elas “terão de beber, e balouçar, e agir como homens endoidecidos”, porque Yehowah as destruirá. Primeiro, tem de levá-lo a Jerusalém e a Judá! Daí, ao Egito, depois, à Filístia, em seguida, tem de passar para o outro lado, para Edom, depois para cima, para Tiro, a países em toda a parte, e para “todos os outros reinos da terra que há na superfície do solo; e o próprio rei de Sesaque beberá após eles”. ‘Beberão, vomitarão e cairão’. Nenhum deles será poupado. — 25:15-29.

Na terceira profecia, Jeremias emprega um estilo poético de extrema beleza. “Do alto bramirá o próprio Yehowah . . . contra todos os habitantes da terra.” Um barulho, uma calamidade, uma grande tormenta! “E os mortos por Yehowah certamente virão a estar naquele dia de uma extremidade da terra até à outra extremidade da terra.” Não haverá lamentos nem sepultamentos. Serão como estrume sobre o solo. Os falsos pastores serão mortos junto com os majestosos do seu rebanho. Não há escape para eles. Ouça o uivo deles! O próprio Yehowah “está assolando seu pasto . . . por causa da sua ira ardente”. — 25:30-38.

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