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terça-feira, 4 de agosto de 2009

Gênero Literário de Evangelho Marcos

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O Evangelho de Marcos é considerado por muitos o evangelho mais antigo. Isso poderia levar à conclusão de que em Marcos o leitor está mais próximo dos fatos da vida de Jesus, o que não é o caso. O autor fez uma seleção de relatos sobre atos e discursos de Jesus e os redigiu de forma aparentemente desconexa. Podemos observar essa característica na maneira com que ele liga os textos, ou seja, por meio de conectivos como “e”, “novamente” ou “de lá”. Não é possível reconhecer um cronograma exato dos atos de Jesus nesse evangelho, ao contrário do que temos em João.1

Percebemos também que a estrutura do evangelho não leva em conta a seqüência cronológica dos fatos, pois a tradição sobre a vida de Jesus é organizada de acordo com três pontos geográficos: os acontecimentos na Galiléia, os acontecimentos no caminho para Jerusalém e os acontecimentos em Jerusalém.

Dessas observações concluímos que esse evangelho não pretende fazer uma descrição completa da vida de Jesus. O que deve ser ressaltado e proclamado, em vez disso, são os grandes atos de Deus na vida de Jesus.

Marcos organiza o seu evangelho do ponto de vista de um escritor. Ele decidiu organizar o material de acordo com pontos geográficos, como poderia ter decidido organizá-lo de acordo com parâmetros cronológicos.

O que vale para a estrutura geral do livro, pode ser observado também nos textos individuais. Em vários pontos do evangelho ele interrompe a sua apresentação com uma inserção, o que deixa o leitor curioso para ver o fim daquela história. Ele conta, por exemplo, que os familiares de Jesus o procuram e querem prendê-lo, porque têm certeza de que ele está louco (3.21). Antes de Marcos contar o término dessa história (3.31-35), descreve a discussão de Jesus com os escribas, que afirmam que Jesus expulsa demônios pelo poder de Belzebu. Jesus adverte esses críticos para que não caiam na blasfêmia contra o Espírito Santo, que não pode ser perdoada. Só então Marcos volta aos familiares de Jesus e conta como este reage contra os devaneios deles.

Inserções desse tipo podem ser encontradas nos seguintes trechos: 5.25-34 entre 5.21-24 e 35-43; 6.14-29 entre 6.6-13 e 30ss; 11.15-19 entre 11.12-14 e 20-25; 14.3-9 entre 14.1-2 e 10-11. Essa forma de transmissão dos fatos não pode ser explicada pela seqüência cronológica dos acontecimentos. Aqui um escritor estruturou o seu trabalho de forma intencional.

Podemos observar esse aspecto também nos trechos em que um acontecimento descrito mais tarde no evangelho é anunciado previamente por uma nota breve. É assim que Jesus pede que os seus discípulos aprontem um pequeno barco, para que a multidão não o pressione (3.9). Se estava de fato precisando do barco, ou o que faria com o barco, só descobrimos no capítulo seguinte (4.1-2). Isso acontece também em outros trechos, como por exemplo em 11.11, que prepara a cena para 11.15ss e 14.54 que sinaliza o que vai acontecer em 14.66ss.

João diz no final do seu evangelho, que não haveria lugar no mundo para os livros, se pudéssemos escrever tudo que Jesus fez (Jo 21.25). Marcos também transmite essa idéia da diversidade e da profusão do ministério de Jesus, só que de outra forma. Ele reúne os muitos relatos de curas e expulsão de demônios em coletâneas que não ressaltam o final individual de cada caso, mas que deixam um mesmo impacto (1.32-34; 3.7-12; 6.53-56). O mesmo vale para o ministério de ensino de Jesus, também tão abrangente (1.39; 2.13; 4.2,33; 10.1), do qual o evangelho só traz detalhes de alguns poucos relatos.

Resumindo essas características, temos o seguinte quadro: o evangelho de Marcos contém a tradição sobre o ministério de Jesus ordenada de acordo com parâmetros geográficos. No final do relato está a história do sofrimento e da ressurreição, na qual também a seqüência cronológica dos fatos tem importância. No restante do texto, vê-se que as perícopes não foram ordenadas aleatoriamente. O autor estruturou o seu evangelho de acordo com regras e um estilo literário definido, e assim ajuda o leitor a entender o ministério de Jesus.
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