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terça-feira, 4 de agosto de 2009

Redação das Epístolas Neotestamentárias

epístolas do novo testamentoRedação das Epístolas Neotestamentárias.

Como essas cartas vieram a existir? Na antiguidade eram conhecidas três formas de redação nas quais podemos enquadrar as cartas do NT.

— Redação manuscrita pelo autor
— Ditado textual pelo autor e redação por um secretário
— Palavras e idéias-chave dadas pelo autor, redação textual pelo secretário e confirmação do texto pela saudação pessoal do autor.

Quando falamos do surgimento do NT, é necessário levar em consideração que o material de escrever na antiguidade dificultava bastante o trabalho. Escrevia-se sobre pergaminho, que por fabricação já não era liso. As letras eram colocadas sobre o pergaminho com tinta líquida grossa por meio de uma pena, uma atividade custosa. Gálatas 6.11 possivelmente é uma alusão a isso. A saudação final escrita pelo próprio autor é mencionada também em outras passagens (1Co 16.21; Cl 4.18; 2Ts 3.17).

I. Provas para os diversos tipos de redação nas cartas do NT.


Evidentemente a carta a Filemom é um escrito de próprio punho do apóstolo Paulo (Fm 19). A carta aos Romanos ele ditou a um secretário, que se manifesta no final da carta (Rm 16.22). No final da carta aos Gálatas o apóstolo coloca a sua saudação pessoal de próprio punho (Gl 6.11).

Nas cartas aos Coríntios, Filipenses e Tessalonicenses são mencionados outros remetentes além de Paulo. Geralmente Timóteo está entre eles. Se esses colaboradores eram também co-autores é incerto. Se observarmos esse aspecto na carta aos Filipenses, seria estranho que Timóteo fizesse um elogio a si mesmo (Fl 2.19-24). Está provado, portanto, que houve a colaboração de secretários na redação das cartas. Como eram ditadas, então, as cartas? Textualmente ou por idéias e palavras-chave?

II. Argumentos a favor de ditado por idéias e palavras-chave.


No seu livro Das Formular der paulinischen Briefe (O formato das cartas paulinas) Roller defendeu a tese de que Paulo via de regra ditou por palavras-chave. Isso explicaria a diferença parcial de vocabulário e estilo entre as suas cartas.

Estariam marcados pelo estilo de cada secretário. A favor dessa tese temos (a) o fato de que em boa parte das cartas a extensão do material teria tomado muito tempo com o ditado textual (Romanos e Coríntios); (b) a situação do autor nas cartas da prisão (condições deprimentes nas prisões antigas) e (c) as reais divergências em vocabulário e estilo nas cartas aos Efésios e Colossenses e principalmente nas cartas pastorais.

Com base nesses argumentos J. Jeremias adotou a hipótese do secretário na explicação da autoria das cartas pastorais.5 B. Reicke avalia a questão da redação das pastorais de forma semelhante; ele fala de “ajudantes literários”.6 J. A. T. Robinson vai além das cartas de Paulo quando afirma que todas as 15 cartas, cujo remetente é Pedro ou Paulo, foram escritas por eles ou por seus colaboradores.7

III. Argumentos contra o ditado por idéias e palavras-chave

E. Lohse menciona a já citada dificuldade com a carta aos Filipenses: se Timóteo foi o secretário que escreveu e deu o seu estilo à carta (cf. Fl 1.1,2), então as observações de Filipenses 2.19-24 são constrangedoras. Com base nisso ele conclui que Timóteo não pode ter sido co-secretário dessa carta, e, conseqüentemente, Paulo é o único responsável por todos os textos das outras cartas genuinamente paulinas.8 Entretanto, para essa conclusão faltam provas.

Há outras duas observações que merecem mais atenção: nas cartas aos Romanos e Coríntios o conflito e luta interior do apóstolo por causa do conteúdo é claramente perceptível. Sentimos pela leitura como é a disputa dele com os seus oponentes. Esse estilo de carta dificilmente é o resultado do trabalho de um secretário. Além disso, o que chama a nossa atenção é a unidade da teologia do apóstolo, coerente nas suas cartas até na escolha de palavras. Nesse caso, a única possibilidade de se chegar a esse resultado teria sido o ditado por idéias e palavras-chave muito detalhado.

IV. A nossa posição

Somente Filemom é certamente uma carta do próprio punho do apóstolo. As outras cartas foram escritas por secretários. A maioria delas foi ditada textualmente, mesmo que isso tenha tomado muito tempo. No entanto, principalmente nas cartas da prisão e nas pastorais, precisamos estar abertos para o ditado por idéias e palavras-chave, pois as condições externas assim o exigiam. Isso necessariamente leva a divergências no vocabulário e estilo.

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