terça-feira, 29 de setembro de 2009

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A Redenção, ou Livramento.

O verbo hebraico pa·dháh significa “remir”, e o substantivo aparentado pidh·yóhn significa “preço de redenção”. (Êx 21:30) Esses termos evidentemente destacam o livramento realizado pelo preço de redenção, ao passo que ka·fár dá ênfase à qualidade ou ao conteúdo do preço, e à sua eficácia em equilibrar a balança da justiça. O livramento ou redenção (pa·dháh) pode ser da escravidão (Le 19:20; De 7:8), de outras condições aflitivas ou opressivas (2Sa 4:9; Jó 6:23; Sal 55:18), ou da morte e da sepultura. (Jó 38:28; Sal 49:15) Faz-se freqüente referência a Yehowah remir do Egito os da nação de Israel, para serem sua “propriedade particular” (De 9:26; Sal 78:42), e a remi-los do exílio na Assíria e em Babilônia, muitos séculos depois. (Is 35:10; 51:11; Je 31:11, 12; Za 10:8-10) Também neste caso, a redenção envolvia um preço, uma troca. Ao remir Israel do Egito, Yehowah evidentemente fez com que o preço fosse pago pelo Egito. Israel era, efetivamente, o “primogênito” de Deus, e Yehowah avisou a Faraó de que a obstinada recusa deste em livrar Israel demandaria a vida dos primogênitos do Faraó e de todo o Egito, quer humano, quer animal. (Êx 4:21-23; 11:4-8) Similarmente, por Ciro ter derrubado Babilônia e libertado os judeus de sua condição de exilados, Yehowah lhe deu em troca o “Egito como resgate [forma de kó·fer] por [seu povo], a Etiópia e Sebá” em lugar destes. O Império Persa conquistou assim mais tarde aquelas regiões e, desta forma, ‘grupos nacionais foram dados em lugar das almas dos israelitas’. (Is 43:1-4) Tais trocas estão em harmonia com a declaração inspirada de que o “iníquo é [ou, serve de] resgate [kó·fer] para o justo; e quem age traiçoeiramente toma o lugar dos retos”. — Pr 21:18.

Outro termo hebraico associado com a redenção é ga·’ál, e este transmite primariamente a idéia de recobrar, recuperar ou recomprar. (Je 32:7, 8) Vê-se sua similaridade com pa·dháh pelo emprego paralelo com tal termo em Oséias 13:14: “Da mão do Seol os remirei [forma de pa·dháh]; da morte os recuperarei [forma de ga·’ál].” (Veja Sal 69:18.) Ga·’ál ressalta o direito de recobrar ou de recomprar, quer através dum parente próximo da pessoa cuja propriedade ou cuja própria pessoa precisasse ser recomprada ou recobrada, quer pelo seu proprietário original ou pelo próprio vendedor. Um parente próximo, chamado go·’él, era assim um “resgatador” (Ru 2:20; 3:9, 13), ou, em casos em que estava envolvido um assassínio, um “vingador de sangue”. — Núm 35:12.

No caso de um israelita pobre cujas circunstâncias o obrigassem a vender suas terras hereditárias, sua casa na cidade, ou até a si mesmo em servidão, a Lei fazia provisão para que “um resgatador, intimamente aparentado com ele”, ou go·’él, tivesse o direito de “comprar de volta [ga·’ál] o que seu irmão vendeu”, ou para que o vendedor mesmo pudesse fazê-lo se dispusesse de recursos. (Le 25:23-27, 29-34, 47-49; compare isso com Ru 4:1-15.) Se um homem fizesse uma oferta votiva a Deus de uma casa ou dum campo, e depois desejasse recomprá-la, teria de pagar a importância avaliada da propriedade, acrescida de um quinto do valor calculado. (Le 27:14-19) No entanto, nenhuma troca podia ser feita de algo ‘devotado à destruição’. — Le 27:28, 29.

No caso de assassínio, não se concedia proteção ao assassino nas designadas cidades de refúgio, mas, depois da audiência judicativa, ele era entregue pelos juízes ao “vingador [go·’él] de sangue”, um parente próximo da vítima, que então matava o assassino. Visto que não se permitia nenhum “resgate [kó·fer]” para o assassino, e visto que o parente próximo, com direito de resgate, não podia recobrar ou recuperar a vida do parente morto, ele legitimamente reivindicava a vida daquele que tinha tirado a vida de seu parente pelo assassínio. — Núm 35:9-32; De 19:1-13.

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