sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Teologia do Livro de Apocalipse
M. C. Tenney (2006)




APOCALIPSE, TEOLOGIA, LIVRO
Embora Apocalipse não tenha a pretensão de ser um tratado de teologia, ele contem um esquema bastante definido de doutrina, muitas vezes mais evidente em suas implicações do que em suas declarações explicitas. E óbvio que a sua ênfase e a escatologia. Confrontado por um mundo hostil e sob ameaça de perseguição e até de extermínio, o vidente trata do futuro da Igreja no plano divino através das eras.
Uma das primeiras implicações presentes no texto é a personalidade e a soberania de Deus. A centralidade do trono em todo o livro de Apocalipse é um constante lembrete da superioridade de Deus em relação a todas as circunstâncias e pessoas. Ele é maior e está acima da ameaça do Império Romano; seu poder transcende o da perseguição promovida pelo Estado. Sua vontade determina quando e como o julgamento será infligido e seu plano triunfará, independente da maldade e rebeldia do homem. Ele é chamado de “Todo-Poderoso” (4.8; 11.17; 15.3; 16.7,14; 19.6,15; 21.22), Criador de todas as coisas (4.11; 14.7) e Juiz dos homens (21.11-15).
A triunidade de Deus e sugerida em Apocalipse 1.4 que fala daquele “que é, que era e que há de vir (...) dos sete Espíritos que se acham diante do seu trono e (...) Jesus Cristo (...) o Primogênito dos mortos”. Referências às três pessoas da Trindade persistem ao longo do livro, embora não sejam sempre mencionadas no mesmo contexto; o livro todo e uma revelação de Jesus Cristo (1.1).
E muito forte a ênfase cristológica do livro. O caráter histórico de Jesus e afirmado inequivocamente: ele é um membro do povo judeu (5.5); tem doze apóstolos (21.14); foi crucificado em Jerusalém (1.5,18). Sua glorificação (3.21) e retratada no capítulo 1. Sua autoridade sobre o desenrolar da história (5.6-12) e uma das chaves para a ação de todo o livro. Ele é descrito como o Cordeiro, morto como um sacrifício (5.6); como o Leão de Judá, herdeiro do trono de Davi (5.5); como o vitorioso Filho do homem, que aparece nas nuvens para concluir a colheita da terra (14.15). Ele é chamado de “Verbo de Deus” (19.13), um título atribuído a ele somente aqui e no evangelho de Joao. Ele é o guardião e julgador das igrejas (1.12-20) e o juiz final da terra (22.12). O tema central de Apocalipse é a volta de Cristo e o estabelecimento de seu reino (11.15).
Ele é a luz da Cidade de Deus (21.23). A obra do Espírito Santo é mencionada, embora seu papel na experiência espiritual individual não seja enfatizado. O Espírito é representado pelos “sete Espíritos que se acham diante do seu [de Deus] trono” (Ap 1.4). Ele prove a atmosfera na qual o vidente recebeu suas visões (1.10; 4.2; 17.3; 21.10), embora o uso da expressão “em espírito” (en tō pneumati) possa ser interpretado como uma referência a uma experiência mística e não a uma pessoa. O Espírito é a noiva de Cristo emitem a ordem de vir e tomar da água da vida (22.17).
A condição do homem diante de Deus também é claramente definida em Apocalipse. Os homens separados de Deus tem medo dele (6.16,17); são presas fáceis de forças demoníacas (9.4; 13.3,14; 17.8) e são destinados ao julgamento segundo as suas obras (20.12,13). Em contrapartida, a salvação é garantida aos crentes (7.3). O destino tanto de crentes como de não-crentes está claramente definido; os rebeldes e incrédulos estão condenados ao lago de fogo (21.8), enquanto que os redimidos serão os habitantes da eterna cidade de Deus (22.14).
O aspecto teológico da experiência espiritual individual e enfatizado basicamente nos primeiros três capítulos, que tratam das sete igrejas da Ásia. Amar a Cristo, lealdade mesmo na perseguição e firmeza na fé são as principais qualidades destacadas pelo livro. O mundo demoníaco do mal sob o domínio de Satanás e claramente identificado (9.4-11). Todo o conflito de que fala Apocalipse e espiritual, e a guerra que se desenrola na terra e antecedida pela guerra no céu, onde Satanás e subjugado pelas hostes angelicais da justiça (12.7). O opositor de Deus finalmente será derrotado (12.9), ficará preso por um intervalo (20.1-3) e, por fim, será mandado de volta para o lago de fogo (20.10). O sistema político-religioso opressivo e perseguidor, representado pelas “bestas” de Apocalipse 13, também será destruído.
De modo semelhante, a angeologia desempenha um papel muito mais importante em Apocalipse do que em qualquer outro livro do NT. Para cada uma das sete igrejas e designado um “anjo”, a quem a mensagem a igreja e endereçada. Em todo o livro, os anjos aparecem como mensageiros ou executores da vontade divina (5.2; 7.2,3; 8.2; 10.1; 12.7; 14.6,8,9,17; 15.1; 17.1; 18.1,21; 19.17; 20.1; 21.9; 22.8). Os “seres viventes” de Apocalipse 4.6-8ss. constituem-se num paralelo ao serafim de Isaías 6, e provavelmente representam uma espécie de seres angelicais. Anjos e demônios pertencem a um campo de seres espirituais conscientes, divididos entre bons e maus (Ap 12.7).
Obviamente, a ênfase de Apocalipse e escatológica. Todos os outros aspectos da doutrina estão relacionados ao plano divino para a história. As cartas às sete igrejas focalizam o futuro; a promessa final feita a cada uma das igrejas alude a algum tipo de recompensa que ainda virá (2.7,10,17,28; 3.5,12,20). A parte principal do livro professa tratar das “coisas que em breve devem acontecer”. O caráter de Deus é revelado a luz de seu plano para o futuro e para a nova criação; a obra de Cristo está mais relacionada ao julgamento em vez de a sua função soteriológica atual. O triunfo final de Cristo contra as forças do mal e o estabelecimento da cidade de Deus, a condição eterna do povo redimido de Deus (caps. 19-22), constituem o alvo de todo o processo escatológico.



BIBLIOGRAFIA. M. Stuart, Commentary on the Apocalypse ( 1845); E. B. Elliott, Horae Apocalypticae, 3a ed. (1847); R. C. Trench, Commentary on the Epistles to the Seven Churches in Asia, Rev.. II e III (1862); W. M. Ramsay, The Letters to the Seven Churches of Asia (1905); J. A. Seiss, Lectures on the Apocalypse, 10a ed. (1909); H. B. Swete, The Apocalypse of St. John (1911); R. H. Charles, A Critical and Exegetical Commentary of the Revelation of St. John (1920); R. H. Charles, Studies in the Apocalypse, 2‘ ed. (1922); T. Zahn, Die Offenbarung des Johannes (1926); N. B. Stonehouse, The Apocalypse in the Anciente Church (1929); H. C. Hoskier, Concerning the Text of the Apocalypse (1929); A. Kuyper, The Revelation of St. John (1935); G. H. Lang, The Revelation of Jesus Christ (1945); L. E. Froom, The Prophetic Faith of Our Fathers (1950); E. Stauffer, Christ and the Caesars (1955); J. W. Bowman, The Drama of the Book of Revelation (1955); M. C. Tenney, Interpreting Revelation (1957); C. C.Torrey, The Apocalypse of John (1958); A. B. Caird, The Revelation of St. John the Divine etn New Testament Commentaries, de Black (1966); J. F. Walvoord, The Revelation of Jesus Christ (1966).



Um comentário:

  1. Apocalipse cap 1, versc 9, ja estava na Ilha de Patmos. Na versao inglesa diz Joao (was) no passado. Fica uma duvida Joao ele, poderia ter tido a revelacao em outro lugar antes de ter ido a Patmos. (Pergunta)
    Obrigado se algum pode me tirar esta duvida.

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