sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Posted by Eduardo G. Junior In | No comments
ALCOOLATRA, AJUDAR, FAMÍLIA, SAÚDE PÚBLICA, ESTUDO
“Primeiro o homem traga um drinque, daí o drinque traga um drinque, e por fim o drinque traga o homem.” — Ditado oriental.


Você caminha à beira de um pântano. Subitamente, o terreno cede. Em instantes, você começa a afundar na areia movediça. Quanto mais se debate, tanto mais afunda.

O alcoolismo engolfa a família inteira de forma um tanto similar. A co-dependente esposa luta desesperadamente para que o alcoólatra mude de proceder. Motivada pelo amor, ela o ameaça, mas ainda assim ele bebe. Ela esconde a bebida, mas ele compra mais. Ela esconde o dinheiro, mas ele toma emprestado de um amigo. Ela apela ao amor dele à família, à vida, até mesmo a Deus — mas em vão. Quanto mais ela se empenha, tanto mais a família inteira afunda no atoleiro do alcoólatra. Para ajudar o alcoólatra, os membros da família precisam primeiro entender a natureza do alcoolismo. Têm de saber por que algumas “soluções” quase certamente falharão, e precisam aprender que métodos realmente funcionam.

O alcoolismo é mais do que mera embriaguez. É um distúrbio crônico, caracterizado pelo almejo de álcool e perda do controle sobre seu consumo. Embora a maioria dos especialistas diga que não tem cura, o alcoolismo pode ser reprimido com um programa de abstinência para toda a vida. — Compare com Mateus 5:29.

Em certos sentidos, a situação é comparável à de um diabético. Embora não possa mudar a sua condição, o diabético pode cooperar com o seu corpo abstendo-se de açúcar. Similarmente, o alcoólatra não pode mudar a reação de seu corpo à bebida, mas pode agir em harmonia com seu distúrbio abstendo-se completamente de álcool.

Contudo, isto é mais fácil dizer do que fazer. A recusa de reconhecer o problema cega o alcoólatra. ‘Não sou dos piores.’ ‘Minha família é que me leva a beber.’ ‘Com um chefe igual ao meu, quem é que não beberia?’ Sua racionalização muitas vezes é tão convincente que a família toda talvez adira ao processo de negação do problema. ‘Seu pai precisa relaxar no fim do dia.’ ‘Papai tem de beber. Mamãe o irrita demais.’ Tudo menos expor o segredo da família: papai é alcoólatra. “Esta é a única maneira em que podem coexistir”, explica a Dra. Susan Forward. “Mentiras, desculpas e segredos são tão comuns nesses lares como o ar que se respira.”

Os membros da família não podem tirar o alcoólatra da areia movediça sem que primeiro eles saiam. Alguns talvez objetem: ‘Quem precisa de ajuda é o alcoólatra, não eu!’ Mas considere: Até que ponto estão suas emoções e suas ações intimamente relacionadas com o comportamento do alcoólatra? Com que freqüência as ações dele levam você a sentir ira, preocupação, frustração, medo? Quantas vezes fica em casa cuidando do alcoólatra quando deveria ocupar-se numa atividade mais importante? Quando membros não-alcoólatras da família agem para melhorar a sua própria vida, o alcoólatra talvez os imite.

Pare de assumir a culpa. ‘Se você me tratasse melhor, eu não precisaria beber’, talvez afirme o alcoólatra. “O alcoólatra precisa que você sempre creia nisso, para que possa lançar sobre você a culpa pela bebedice dele”, diz a conselheira Toby Rice Drews. Não se deixe iludir. O alcoólatra é dependente não só do álcool mas também de pessoas que dão crédito à recusa dele de reconhecer seu problema. Membros da família podem assim estar involuntariamente perpetuando o hábito do alcoólatra.

Um provérbio bíblico sobre a pessoa acalorar-se pode também ser aplicado ao alcoólatra: “Deixe que a pessoa de mau gênio sofra as consequências disso, pois, se você a ajudar uma vez, terá de ajudar de novo.” (Provérbios 19:19, A Bíblia na Linguagem de Hoje) Sim, deixe que o próprio alcoólatra telefone para seu chefe, que se arraste até a cama, que limpe a sujeira que talvez tenha deixado. Se a família fizer tais coisas por ele, estará apenas ajudando-o a morrer por causa da bebida.

Peça ajuda. É difícil, e talvez até mesmo impossível que um membro da família saia sozinho da areia movediça. Você precisa de apoio. Estribe-se plenamente em amigos que não apóiam a recusa do alcoólatra de reconhecer que ele tem um problema e que não deixam você atolado onde está.

Se o alcoólatra concordar em obter ajuda, isto é motivo de grande alegria. Mas é apenas o início do processo de recuperação. A dependência física do álcool pode ser reprimida em questão de dias pela desintoxicação. Tratar a dependência psicológica, porém, é bem mais difícil.

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