quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Posted by Eduardo G. Junior In , | No comments
LIVRO DE ROMANOS, ESTUDO BIBLICOS, TEOLOGICOS
Como pode um humano pecador ser justo aos olhos de Deus e, assim, ganhar a vida eterna? Esta pergunta causava discussões acaloradas no primeiro século da Era Comum. Sabe a resposta? Quer saiba, quer não, você deve ler, para seu próprio bem, a magistral consideração que o apóstolo Paulo fez desse problema no livro bíblico de Romanos. Isto o ajudará a entender a relação vital que existe entre fé, obras, justiça e vida.

I. PAULO E OS ROMANOS

O livro de Romanos é uma carta escrita por Paulo aos cristãos em Roma por volta de 56 EC. Por que escreveu essa carta? Embora ainda não tivesse visitado Roma em 56 EC, Paulo evidentemente conhecia muitos cristãos ali, visto que se dirigiu, em sua carta, a diversos deles por nome. Além disso, Paulo queria muito ir a Roma para dar encorajamento a seus irmãos cristãos, e parece que ele planejou fazer de Roma uma etapa na sua intencionada viagem missionária à Espanha. — Romanos 1:11, 12; 15:22-24.

Contudo, o principal objetivo de Paulo em escrever essa carta foi responder à pergunta: Como se pode obter a justiça que conduz à vida? A resposta revela ser as melhores novas. A justiça é creditada à base da fé. Paulo argumenta neste respeito e estabelece o tema de sua carta ao escrever: “Eu não me envergonho das boas novas; são, de fato, o poder de Deus para a salvação de todo aquele que tem fé, primeiro para o judeu, e também para o grego; pois nelas é que se revela a justiça de Deus em razão da fé e para com a fé, assim como está escrito: ‘Mas o justo — por meio da fé é que viverá.’” — Romanos 1:16, 17.

II. A FÉ E A LEI

No primeiro século, nem todos concordavam que a justiça era creditada à base da fé. Uma minoria vociferante insistia em que algo mais era necessário. Não dera Javé a Lei mosaica? Como poderia alguém que não se submetesse àquela inspirada provisão ser justo? (Veja Gálatas 4:9-11, 21; 5:2.) Em 49 EC, o corpo governante em Jerusalém analisou a questão de se aderir à Lei, e a conclusão foi que os gentios que aceitassem as boas novas não precisavam ser circuncidados e submeter-se aos regulamentos da Lei judaica. — Atos 15:1, 2, 28, 29.

Cerca de sete anos depois, Paulo escreveu a carta aos romanos corroborando aquela momentosa decisão. Deveras, ele foi ainda mais longe. Não só era a Lei desnecessária para os cristãos gentios, mas os judeus que fiavam-se na obediência a ela não seriam declarados justos para a vida.

III. JUSTIÇA PELA FÉ

Na leitura do livro de Romanos, nota-se quão cuidadosamente Paulo desenvolve o seu argumento, comprovando suas declarações mediante muitas citações das Escrituras Hebraicas. Ao falar aos judeus, que talvez tivessem dificuldade em aceitar seu ensino inspirado, ele mostra afeição e preocupação. (Romanos 3:1, 2; 9:1-3) Todavia, ele apresenta o argumento com notável clareza e indiscutível lógica.

Nos capítulos 1 a 4 de Romanos, Paulo começa com a verdade de que todos são culpados de pecado. Portanto, somente à base da fé é que as humanos podem ser declarados justos. É bem verdade que os judeus tentaram ser justos guardando a Lei mosaica. Mas falharam. Assim, Paulo destemidamente diz: “Tanto os judeus como os gregos estão todos debaixo de pecado.” Ele prova essa verdade impopular com diversas citações das Escrituras. — Romanos 3:9.

Visto que “por obras de lei, nenhuma carne será declarada justa”, que esperança há? Deus declarará humanos justos, como dádiva gratuita, à base do sacrifício resgatador de Jesus. (Romanos 3:20, 24) Para se valerem disso, eles têm de ter fé nesse sacrifício. Será que esse ensinamento, isto é, humanos serem declarados justos à base de fé, é algo novo? Absolutamente não. O próprio Abraão foi declarado justo em virtude de sua fé mesmo antes de se inaugurar a Lei. — Romanos 4:3.

Após estabelecer a importância da fé, Paulo, no capítulo 5 , trata da base da fé cristã. Esta é Jesus, cujo proceder de justiça anula os maus efeitos do pecado de Adão para os que exercem fé Nele. Assim, “por um só ato de justificação”, não pela obediência à Lei mosaica, “resulta para homens de toda sorte serem declarados justos para a vida”. — Romanos 5:18.

IV. RESPONDE A OBJEÇÕES

Não obstante, se os cristãos não estão sob a Lei, o que os impedirá de descaradamente cometer pecados, contando com ser declarados justos de qualquer forma, graças à benignidade imerecida de Deus? Paulo responde a essa objeção no capítulo 6 de Romanos. Os cristãos morreram para o proceder pecaminoso do passado. Sua nova vida em Jesus obriga-os a lutar contra as fraquezas carnais. Ele insta: “Não deixeis que o pecado continue a reinar em vossos corpos mortais.” — Romanos 6:12.

Mas, não deviam pelo menos os judeus ainda aderir à Lei mosaica? No capítulo 7 , Paulo explica cuidadosamente que não é esse o caso. Assim como a mulher casada fica livre da lei do marido quando este morre, a morte de Jesus libertou os judeus crentes da sujeição à Lei. Paulo diz: “Vós também fostes mortos para com a Lei, por intermédio do corpo do Cristo.” — Romanos 7:4.

Significa isso que havia algo de errado com a Lei? De forma alguma. A Lei era perfeita. O problema era que pessoas imperfeitas não conseguiam obedecer à Lei. “Sabemos que a Lei é espiritual” escreveu Paulo, “mas eu sou carnal, vendido sob o pecado”. Um humano imperfeito não consegue guardar a Lei perfeita de Deus e, por isso, é condenado por ela. Quão maravilhoso, pois, que “os em união com Cristo Jesus não têm nenhuma condenação”! Os cristãos ungidos foram adotados pelo espírito para serem filhos de Deus. O Espírito de Deus ajuda-os a combater as imperfeições da carne. “Quem levantará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os declara justos.” (Romanos 7:14; 8:1, 33) Nada é capaz de separá-los do amor de Deus.

V. A JUSTIÇA E OS JUDEUS CARNAIS

Se não há mais necessidade da Lei, em que situação fica a nação de Israel? E que dizer de todos aqueles textos que prometem uma restauração de Israel? Essas indagações são abordadas nos capítulos 9 a 11 de Romanos. As Escrituras Hebraicas predisseram que somente uma minoria de israelitas seria salva e que Deus voltaria sua atenção para as nações. Em harmonia com isso, as profecias acerca da salvação de Israel são cumpridas não pelo Israel carnal, mas pela congregação cristã, composta dum núcleo de judeus carnais, crentes, e completada com gentios de coração reto. — Romanos 10:19-21; 11:1, 5, 17-24.

VI. PRINCÍPIOS DE JUSTIÇA

Nos capítulos 12 a 15 de Romanos, Paulo passa a explicar maneiras práticas pelas quais os cristãos ungidos podem viver em harmonia com terem sido declarados justos. Por exemplo, ele diz: “Apresent[ai] os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e aceitável a Deus, um serviço sagrado com a vossa faculdade de raciocínio. E cessai de ser modelados segundo este sistema de coisas, mas sede transformados por reformardes a vossa mente.” (Romanos 12:1, 2) Devemos confiar no poder do bem e não combater o mal com o mal. “Não te deixes vencer pelo mal”, escreveu o apóstolo, “porém, persiste em vencer o mal com o bem”. — Romanos 12:21.

Roma era o centro do poder político nos dias de Paulo. Portanto, Paulo sabiamente aconselhou os cristãos: “Toda alma esteja em sujeição às autoridades superiores, pois não há autoridade exceto por Deus.” (Romanos 13:1) O relacionamento entre os cristãos faz também parte de viver em harmonia com a justiça. “A ninguém fiqueis devendo coisa alguma”, diz Paulo, “exceto que vos ameis uns aos outros; pois quem ama o seu próximo tem cumprido a lei”. — Romanos 13:8.

Ademais, os cristãos devem ter consideração pela consciência uns dos outros e não ser críticos. Paulo insta: “Empenhemo-nos pelas coisas que produzem paz e pelas coisas que são para a edificação mútua.” (Romanos 14:19) Que excelente conselho a aplicar em todo aspecto da vida cristã! Depois, no capítulo 16 , Paulo conclui com cumprimentos pessoais e palavras finais de encorajamento e conselho.

VII. MENSAGEM PARA TODOS

O assunto considerado em Romanos era importante no primeiro século e ainda é de preocupação vital atualmente. A justiça e a vida eterna são de premente interesse para todos os servos de Deus. Essa carta contém uma mensagem vital para os que desejam servir a Deus hoje. Qual?

O livro de Romanos prova que os cristãos são declarados justos por intermédio da fé. Isto se dá com o fim de se tornarem co-regentes com Jesus no Reino celestial. Também são declarados justos, quais ‘amigos de Deus’, a exemplo do patriarca Abraão. (Tiago 2:21-23) A justiça destes visa sua sobrevivência à grande tribulação, e ela se baseia na fé no sangue de Jesus. (Salmo 37:11; João 10:16; Apocalipse 7:9, 14) Portanto, a argumentação de Paulo em Romanos é de grande interesse para as outras ovelhas, bem como para os ungidos. E os excelentes conselhos do livro para que vivamos em harmonia com o fato de sermos declarados justos são vitais para todos os cristãos. A obra The Book of Life (O Livro da Vida), editada pelos doutores Newton Marshall Hall e Irving Francis Wood, declara: “Nos aspectos argumentativo e doutrinal, [Romanos] atinge o zênite do ensino inspirado de Paulo. É cortês, usa de tato; todavia, exprime autoridade. . . . O estudo desta epístola resulta numa peculiar, rica e abundante recompensa.” Que tal ler o livro você mesmo e alegrar-se com as “boas novas”, nele contidas, que são “o poder de Deus para a salvação”? — Romanos 1:16.


Se lhe interessar mais estudos sobre a Carta aos Romanos, sugerimos a leituras dos seguintes estudos:

Cf. Estudo da Carta aos Romanos
Cf. Epístola aos Romanos
Cf. Características da Carta aos Romanos
Cf. Autenticidade da Carta aos Romanos
Cf. Objetivo da Carta aos Romanos


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