sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Posted by Eduardo G. Junior In | No comments
CARTA AOS EFÉSIOS, TEOLOGIA, EFÉSIOS, CARTA
O presente escrito visa ser entendido como carta. Segue a estrutura epistolar comum nas demais cartas, inicialmente citando (em Ef 1.1) Paulo como autor e a igreja em Éfeso como destinatária, e concluindo em Ef 6.23s com um voto de bênção. Também as ações de graças em Ef 1.15s e a referência à pessoa que levará a carta (Tíquico), em Ef 6.21s têm paralelos em outras cartas do Novo Testamento. Todas as exposições e exortações da carta dirigemse aos destinatários da mesma forma como ocorre em escritos de cunho similar.

Além disso cabe não ignorar algumas características da carta aos Efésios que conferem a essa obra um cunho peculiar:

Entre a destinatária e as ações de graças foi intercalado um grande hino de louvor (Ef 1.3-14). A partir de Ef 1.17 a própria gratidão se transforma na prece a Deus para que conceda à igreja iluminação sobre a abrangente obra redentora de Cristo. Vários exegetas sentem falta de uma lista de saudações no final da carta, p. ex., como a extensa série que encontramos em Rm 16, embora Paulo não conhecesse pessoalmente a igreja em Roma. Alguns comentaristas apontam para o tom singularmente distanciado, não concreto e impessoal do escrito, que dificilmente se coaduna com o trabalho intensivo de Paulo em Éfeso (cf. At 19.10,17ss) e com a comovente cena da despedida dos presbíteros de lá em At 20.17-38.

Dessas constatações originou-se uma abundância de hipóteses diferentes que tentam explicar a característica especial da carta aos Efésios. P. ex., ela é entendida como abordagem teológica de um autor desconhecido, como discurso intelectual, como prédica (p. ex., na ocasião do batismo) ou como liturgia batismal. Os capítulos Ef 1-3 são designados como ação de graças no culto, posteriormente complementada com exortações e depois também dirigida a outras igrejas.

Diante disso cabe enfatizar que mesmo que não seja possível ignorar a característica de hino em longos trechos, sedimentando o linguajar litúrgico, uma descrição unilateral não faz justiça à realidade. Basta remeter aos trechos que se referem à biografia de Paulo (Ef 3.1-13) e à sua proclamação (Ef 1.20-23; 2.4-22); não se pode reuni-los todos debaixo do denominador comum “litúrgicos”. Contra a tese do tratado teológico unilateral depõe a seção detalhada de exortações (Ef 4-6). Por fim, também apontam para as exposições nos capítulos 1-3, de modo que as duas partes não podem ser separadas.

Conseqüentemente, cumpre fixar que do ponto de vista literário a carta aos Efésios é diferente de outras cartas de Paulo: diante do fato de que o próprio apóstolo fundou a igreja, sentimos falta do tom pessoal; os elementos litúrgicos estão singularmente destacados; a interpretação teológica do senhorio de Cristo sobre o universo possui um peso especial. Apesar disso a epístola aos Efésios não pode ser convincentemente interpretada como um escrito de cunho diverso, mas visa ser entendida como carta. Quando levamos em consideração diversos pontos comuns com a primeira carta de Pedro, este paralelo torna plausível a explicação de que a carta aos Efésios também poderia ser um escrito destinado a diversas igrejas da Ásia Menor. É o que será examinado mais detidamente no item a seguir.

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