domingo, 13 de março de 2011

Postado por Eduardo G. Junior Em | No comments

EVANGELHO DE JOÃO, ORIGEM, ESCRITOR, AUTOR, ESTUDO BÍBLICO, TEOLOGIA
§ 1.2 Uma Análise Introdutória ao Quarto Evangelho

O Evangelho de João é o mais invulgar e talvez o mais valioso do quarteto dos Evangelhos canônicos. Embora apresente a mesma sequência lata de acontecimentos que se encontra nas páginas dos outros, é completamente diferente na estrutura e no estilo. Não contém parábolas e apresenta só sete milagres, cinco dos quais só aparecem nele. Os discursos de Jesus neste Evangelho dizem respeito principalmente a Sua Pessoa e não à doutrina ética do reino. As entrevistas pessoais são várias e a relação de Jesus com os indivíduos é mais acentuada do que o Seu contato geral com o público. Este Evangelho é fortemente teológico e discute particularmente a natureza da Sua pessoa e o significado da fé nEle.

Devido as assinaladas diferenças entre João e os Sinóticos, tem sido discutida a sua veracidade. A resposta está na sua origem e propósito. Tradicionalmente foi escrito por João, filho de Zebedeu, último membro sobrevivente do grupo apostólico, quando gastava os anos do seu envelhecimento em Efeso. Embora esta opinião tenha sido persistentemente atacada, ainda continua a ser uma hipótese tão boa como qualquer outra que possa ser apresentada. Sabe-se tão pouco acerca das igrejas cristãs, em geral, no fim do primeiro século, que é extremamente difícil reconstruir a estrutura deste Evangelho.

É em Papias, citado por Eusébio (1), que se encontra a mais antiga evidência a respeito da sua existência. Nessa passagem, alude a João, que foi um dos discípulos do Senhor, e também a um ancião chamado João, discípulo do Senhor, que era seu contemporâeno. Eusébio conclui que se tratava de duas pessoas diferentes e citava a existência de dois túmulos em Efeso, os quais se dizia, no seu tempo, pertencerem a João. Visto que as obras de Papias não existem hoje, não se pode formar um juízo independente sobre o significado dessa afirmação. É possível que Eusébio tenha entendido mal. Não há razão para que um apóstolo não pudesse ser chamado ancião e Papias podia simplesmente ter dito que, embora a maioria dos apóstolos não sobrevivessem ao seu testemunho oral, continuavam um ou dois deles até o seu tempo, como últimas testemunhas vivas daquilo que Jesus tinha dito e realizado.

A teoria que afirma que o Quarto Evangelho era produto de um presbítero desconhecido chamado João e não de João, o Apóstolo, não pode dar-se como confirmada. Todo o testemunho da Patrística, desde o tempo de Ireneu é preponderadamente a favor da autoria joanina. Clemente de Alexandria (190 d.C.), Orígenes (220 d.C.), Hipólito (c. 225 d.C.) , Tertuliano (c. 200 d.C.), o Fragmento Muratoriano (c. 170 d.C. ) concordam em atribuir o Quarto Evangelho a João, filho de Zebedeu.

0 Deixe seu comentário:

Postar um comentário

Compartilhe Este Artigo

Delicious Digg Facebook Favorites More Stumbleupon Twitter

Pesquise outros Estudos