quarta-feira, 4 de abril de 2012

Posted by Eduardo G. Junior In | 1 comment
CÉIA, GRANDE, PARÁBOLA, ESTUDO
Parábola da Grande Ceia (Lc 14:15-24)


Esta outra parábola, ministrada na ocasião da refeição na casa do fariseu, é chamada grande porque havia muitos convidados e também por causa da grandeza daquele que foi simbolizado pelo senhor que dava a ceia. A parábola em si mesma foi gerada a partir da exclamação de um dos convidados que ouvira as ilustrações anteriores de Cristo: "Bem-aventurado o que comer pão no reino de Deus". Os comentaristas estão divididos quanto ao que essa exclamação realmente quis dizer, e ao espírito em que foi proferida. Alguns acham que foi uma genuína exclamação de admiração. Um dos presentes, ao compreender as admoestações simples, porém penetrantes de Jesus, e ao perceber quanto são abençoados os que praticam uma hospitalidade sem pretensão de auto-exaltação e sem buscar os seus próprios interesses, expressou-se daquela forma. Ele viu a beleza de uma ordem social baseada nos princípios que Jesus enunciou.

Todavia, outros escritores consideram que o que disse isso deixou transparecer uma idéia superficial, o seu pensamento farisaico, de que o reino era um privilégio somente à medida que ele próprio pudesse garanti-lo para si mesmo, pelos seus próprios méritos. Era uma ignorância farisaica das condições morais para herdar o reino e, em resposta, Cristo desmascarou a loucura da atitude farisaica com relação ao reino de Deus, através da narrativa penetrante do grande banquete. Wm. M. Taylor considera essa exclamação eloqüente "uma farsa com aparência de santidade, absoluta hipocrisia. O homem falava de algo que nada sabia". Mas, se a explosão de santidade daquele homem fosse sincera, ou considerada arrogante, o fato é que criou a oportunidade para a in-comparável parábola profética de Cristo, que tem uma forte semelhança com a Parábola da festa do casamento real (Mt 22:2); mas a de Lucas é claramente distinta e peculiar. As duas parábolas usam o simbolismo de uma festa, à qual os homens são convidados e da qual se esquivam rudemente; mas as diferenças entre elas são evidentes. Por exemplo:

A Parábola da festa do casamento real foi proferida no início do ministério de nosso Senhor; a da Grande ceia foi transmitida no final de seu ministério, durante a semana da Páscoa. Aquela primeira foi dirigida à multidão no templo; essa última, aos convidados numa casa particular. Aprimeira mostra os mensageiros tratados com violência; a última os mostra recebendo desculpas. Na primeira, os convidados são destruídos e a sua cidade é queimada; na última, os que desprezaram o convite são meramente excluídos. Na primeira, o antagonismo a Cristo foi moderado; na última, foi mais expressivo e assassino. E o episódio do convidado sem a veste nupcial não aparece na Parábola da grande ceia. Provisão da ceia. Os homens de posição e influência no Oriente enviavam dois convites para uma festa que já fora planejada; o primeiro era um convite preliminar, a fim de comunicar aos convidados que fizessem os preparativos necessários para atenderem à festa; esse convite foi aceito com satisfação; o segundo veio mais tarde e intimou a presença dos convidados na festa que agora já estava preparada e todos os convivas deveriam deixar o que faziam, a fim de atender à graça do que os convidava. Nessa parábola, o segundo convite foi recusado com várias desculpas.

O nosso Senhor falou de uma festa numa escala de grande magnificência, preparada por alguém rico, com o objetivo de reunir pessoas num convívio social, amigável e agradável. Era um banquete farto, que fora preparado para ser desfrutado com muitas pessoas. Era uma festa, não um funeral. O objetivo era que tanto o anfitrião como os convidados se alegrassem juntos. Deus também proveu para a humanidade, numa escala maior, "uma festa com comida farta", na qual todas as necessidades pessoais, sociais e espirituais do homem podem ser satisfeitas. Deus, o nosso anfitrião, como um presente do seu amor e graça, proveu a festa do seu reino para todos os que aceitam o seu convite.

Convidados para a ceia. Quais eram os muitos convidados pelo Senhor da casa para a ceia? Não há dúvida de que o chamado se refere, em primeiro lugar, ao povo judeu. O servo que saiu com o primeiro convite simboliza os que Deus comissionou para chamarem os judeus, a fim de se prepararem para a vinda do Messias. Os profetas do AT e João Batista rogaram às autoridades de Israel que se preparassem para a festa que em breve se realizaria; mas o convite foi ignorado. Então a oferta foi dirigida aos gentios, que rea^ giram melhor a ela, como o livro de Atos revela. Da mesma forma que a Parábola da figueira, essa da Grande ceia foi uma narrativa do grave julgamento sobre a nação escolhida por Deus. Nessa primeira parábola mencionada, o julgamento veio na imagem da destruição de Israel como nação, e profetizou uma condenação que somente um arrependimento genuíno poderia desviar. Na outra parábola, o julgamento* tem a imagem da exclusão das bênçãos da graça messiânica, e nenhuma esperança é oferecida sobre alguma oportunidade no reino.

O dr. Salmond diz: "A Ceia é uma figura da rica graça que estava para alcançar os homens por meio de Cristo. Os judeus são os que Deus designara para serem os primeiros a participar dela. O primeiro chamado é a promessa da graça que estava para vir, que os judeus tinham sob o AT, em contraste com os gentios, que não estavam incluídos na teocracia; e essa condição de terem a promessa da graça, os judeus usavam apenas para dizer que eram privilegiados, a fim de demonstrar superioridade sobre os outros povos. O segundo chamado é o sinal que representa a realização daquela graça e o convite efetivo de Cristo para o reino que não é deste mundo; e isso eles deixaram de lado por causa da exigência de arrependimento, fé, desprendimento das coisas deste mundo e consagração. Portanto, o lugar no reino prometido de Deus, que eles rejeitam, é tirado deles e [...] dado a outros, até mesmo aos rejeitados dentre os gentios".

Pretextos apresentados para a rejeição do convite à ceia. Todos os que já haviam recebido o convite para a ceia rogaram que fossem desculpados. Podemos ler o texto original da seguinte maneira: "Eles foram unânimes com relação à desculpa que deram", em que as três desculpas são apenas uma em espírito e em essência. Todos os convidados "agiam num único espírito, movidos por um só impulso, sob a influência de uma mesma disposição". Eles não tinham a intenção de comparecer à ceia. Há um escritor para quem, na recusa, estava implícita uma hostilidade da parte dos que foram convidados em direção ao anfitrião. Eles não gostaram que o anfitrião os convidasse; por isso inventaram desculpas para recusarem o convite.

Examinemos as três desculpas que Jesus mencionou, as quais normalmente seriam consideradas situações legitimas. Todas as três desculpas constituem pretextos. Se cada um deles tivesse dado um pouco de atenção ao convite, cada um teria preparado as coisas de tal forma que lhe permitisse ir à festa. Mas a verdade é que eles não desejavam ir. Eles tipificavam os judeus de quem Jesus disse: "Contudo não quereis vir a mim para terdes vida". O autoengano daqueles três era ainda mais sutil, porque os motivos apresentados como desculpas eram válidos, em si mesmos, se usados corretamente.

Desculpa n.° 1: "Comprei um campo, e preciso ir vê-lo". Como o homem a que Jesus se refere era um judeu, é difícil imaginá-lo comprando algo antes de vê-lo. Certamente ele seria a última pessoa do mundo a comprar "gato por lebre". Além disso, se ele comprara o campo sem vê-lo, como poderia enxergá-lo no escuro? Desde que ele fora convidado para uma ceia, que é uma refeição feita à noite, a melhor ocasião para olhar o campo seria à luz do dia. Não apenas isso, mas, após a compra do campo, ele poderia esperar até a manhã seguinte para examiná-lo. O campo não fugiria de onde estava. Mas é provável que aquele homem tivesse visto a terra antes de comprá-la, e que estivesse mais preocupado com o seu investimento do que com um convite para uma ceia. Portanto o que temos aqui é um exemplo daqueles cujas grandes posses exigem toda a sua atenção, a fim de roubar-lhes, assim, a riqueza espiritual. "Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas!"

Desculpa n.° 2. "Comprei cinco juntas de bois, e vou experimentá-los". Ele não denotou que realmente precisava fazer aquilo, mas o tom de suas palavras foi definitivo e final. Sem se desculpar, de forma alguma, por recusar o convite, esse homem declara sua intenção, "partindo do princípio de não haver qualquer dúvida quanto à sua validade e de que era a coisa mais certa a fazer". Não há mais explicações. Ele achava que os seus bois estavam em primeiro lugar, e convenceu-se de que o anfitrião que o convidara não tinha direito algum sobre o seu tempo. Ele representa os que estão tão envolvidos com suas ocupações que não concedem qualquer folga ou oportunidade para cuidar dos interesses da alma. Como é trágico quando os afazeres comerciais, agrícolas, financeiros, eclesiásticos ou industriais ocupam todo o nosso tempo, e nada deixa dele para Deus!

Desculpa n.° 3. "Casei-me, e por isso não posso ir". Essa desculpa foi vazia e isso é provado pelo fato de que ele não foi convidado a uma "despedida de solteiro". Se o anfitrião soubesse que o homem era recém-casado, teria incluído a sua esposa no convite. Se ele não fosse tão egoísta, teria ido à festa com a esposa e proporcionado a ela uma noite agradável, fora de casa. Mas não, ele usou de uma vil desculpa, expressa em linguagem breve, tosca e rude. Esse terceiro homem é a imagem daquelas preocupações e responsabilidades domésticas que tanto controlam o nosso tempo e pensamentos. Mas a união conjugai e os deveres familiares, se levados a efeito, correta e justamente, nunca nos separam de Deus e da comunhão com os seus santos. O relacionamento precioso da vida familiar torna-se ainda mais desejável e doce para nós, quando o Senhor é o Cabeça do lar.

Em cada um dos casos, houve uma má vontade secreta em participar da festa. Nenhuma daquelas pessoas teve qualquer desejo de aceitar o convite. Se quisessem ir, apesar de suas respectivas responsabilidades, teriam dito: "Sim, iremos", pois "onde há vontade, há sempre possibilidade". Mas as três desculpas são espécies de espinho que crescem e sufocam a Palavra. Podem ser diferentes, desde que existam verdadeiramente coisas que tomam nosso tempo no campo profissional, no comércio, ou nos afazeres de casa. Essa última desculpa é mais cega e rude do que as anteriores. Mas todas expressam o mesmo sentimento de estar mergulhado nos interesses deste mundo e de estar satisfeito com isso, e a mesma preferência a eles do que à graça que o anfitrião demonstrara. Hoje em dia, multidões são convidadas à festa do evangelho; mas reagem ao convite da mesma maneira que aqueles a quem Jesus se referiu há quase dois mil anos. As pessoas de hoje não conseguem perceber que o convite vem do Rei dos reis, para que estejam à sua mesa real, e que a rejeição a esse convite constitui-se na mais grave de todas as formas de desobediência.

Punição pela recusa em estar presente à ceia. O dono da casa naturalmente ficou irado quando recebeu a notícia da recusa dos convidados, e resolveu que outros, os quais teriam uma atitude de maior aceitação, deveriam tomar o lugar daqueles que o tinham tratado com tanto desrespeito. "Nenhum dos homens que foram convidados provará a minha ceia". Aqueles primeiros convidados representam a rejeição em geral de Israel. No entanto permaneceu "um remanescente, segundo a eleição da graça" (Rm 11:5), tratado de maneira diferente pelo Anfitrião. Embora ainda houvesse lugar para mais gente, após o segundo grupo de convidados se assentar, o dono da casa, em sua justa indignação, não convidou novamente o primeiro grupo, que tinha tratado o seu convite atencioso com tanta falta de educação. Eles foram excluídos e não houve outra razão para isso além de sua própria recusa em comparecer à Ceia.

O elemento que compõe essa indignação justa é mais fortemente enfatizado na parábola gêmea sobre a festa de casamento que o rei deu para o seu filho (Mt 22:6,7), "onde a mera apatia dos que foram convidados passa a ser uma afronta escamecedora". Se, com a expressão "o dono da casa, indignado", nos lembrarmos do desprazer de Deus com relação àqueles que retribuem com insulto em vez de gratidão, então deveríamos ficar grandemente conscientes do que significa o pavor de cairmos nas mãos do Deus vivo. Pecadores que persistente e descaradamente rejeitam as propostas da misericórdia divina, tremerão tarde demais, quando virem que estão à disposição da ira de Deus. Depois que as portas do banquete do evangelho estiverem fechadas, os que rejeitaram a Cristo clamarão em vão para entrar.

Promessa de provisão para os convidados à ceia. Na primeira parábola desse capítulo, pensamos naqueles convidados que selecionam para si mesmos os lugares na festa; aqui temos ilustrada a escolha que Deus faz quanto ao tipo de convidapdos que deseja que estejam à sua mesa. No primeiro chamado, que foi rejeitado, o convite era simplesmente vinde (Lc 14:17). Agora se torna necessária uma ajuda, porque lemos traze aqui (Lc 14:21). Em seguida, para o terceiro grupo, é força-os a entrar (Lc 14:23).

O primeiro chamado representa a salvação oferecida aos judeus, mas eles rejeitaram o Salvador. O segundo chamado aos pobres, aleijados, mancos e cegos simboliza os pecadores e meretrizes gentílicos que ternamente acolheram o Filho de Deus e se esforçaram para entrar no seu reino. O terceiro chamado foi a uma classe ainda mais baixa: vagabundos e andarilhos cujo lar eram as estradas e vaiados, os quais representam os que vagam na periferia do mundo gentio, as "ovelhas negras" que precisam ser coagidas moralmente. E esse constrangimento é o mesmo amor de Cristo (2Co 5:14). Graças a Deus que há lugar para os piores dentre os homens! Ninguém é tão ruim que não possa assentar-se à mesa real. Mas, sendo bons ou maus, o único direito que temos, de entrar na festa, é o da graça. Os arromba-dores de porta não podem entrar na sala do banquete de Deus. Como é diversificada a multidão de redimidos de todas as épocas! Milhões deles, espiritualmente empobrecidos e inválidos, aceitaram o convite real do "vinde a mim", e agora comem pão no Reino de Deus. E no entanto é maravilhoso que embora miríades de almas necessitadas tenham entrado na casa do banquete, "ainda há lugar" para mais gente. Como seria bom se outras multidões pudessem ser vistas, com a intenção de aproveitarem a oportunidade que vem pela graça, assentadas ao lado do dono da casa! Quanto a nós, que estamos do lado de dentro, cabe-nos exercer toda a forma de persuasão e esforço santo, a fim de trazermos os rejeitados da sociedade para dentro da festa onde o que o Senhor prove é "suficiente para cada um, para todos e para sempre".

Um comentário:

  1. "Quando derdes um festim, disse Jesus, não convideis para ele os vossos amigos, mas os pobres e os estropiados." Estas palavras, absurdas, se tomadas ao pé da letra, são sublimes, se lhes buscarmos o espírito. Não é possível que Jesus haja pretendido que, em vez de seus amigos, alguém reúna à sua mesa os mendigos da rua. Sua linguagem era quase sempre figurada e, para os homens incapazes de apanhar os delicados matizes do pensamento, precisava servir-se de imagens fortes, que produzissem o efeito de um colorido vivo. O âmago do seu pensamento se revela nesta proposição: "E sereis ditosos por não terem eles meios de vo-lo retribuir." Quer dizer que não se deve fazer o bem tendo em vista uma retribuição, mas tão-só pelo prazer de o praticar. Usando de uma comparação vibrante, disse: Convidai para os vossos festins os pobres, pois sabeis que eles nada vos podem retribuir. Por festins deveis entender, não os repastos propriamente ditos, mas a participação na abundância de que desfrutais.

    Todavia, aquela advertência também pode ser aplicada em sentido mais literal. Quantos não convidam para suas mesas apenas os que podem, como eles dizem, fazer-lhes honra, ou, a seu turno, convidá-los! Outros, ao contrário, encontram satisfação em receber os parentes e amigos menos felizes. Ora, quem não os conta entre os seus? Dessa forma, grande serviço, às vezes, se lhes presta, sem que o pareça. Aqueles, sem irem recrutar os cegos e os estropiados, praticam a máxima de Jesus, se o fazem por benevolência, sem ostentação, e sabem dissimular o benefício, por meio de uma sincera cordialidade.

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