2009/05/18

O Sermão do Monte — Part. III


Jesus expressou a sexta ‘felicidade’, de seu Sermão do Monte, do seguinte modo: “Felizes os puros de coração, porque verão a Deus.” — Mat. 5:8.

“Os puros de coração” são aqueles que são limpos no íntimo. Têm pureza de afeições, desejos, apreço e motivação. Contrasta-se acentuadamente com a pureza apenas externa ou cerimonial. (Mat. 23:25-28; Mar. 7:3, 4) Em vez de destacar a exibição de piedade, as Escrituras exortam a que se demonstre “amor proveniente dum coração puro, e duma boa consciência, e duma fé sem hipocrisia”. — 1 Tim. 1:5.

Os que têm coração puro são especialmente felizes porque “verão a Deus”. Isto não significa necessariamente ver com olhos humanos, porque ‘homem algum pode ver a Deus e continuar vivo’. (Êxo. 33:20; João 1:18; 1 João 4:12) Mas, há outras maneiras em que os adoradores, corretamente motivados, na terra, podem atualmente ‘ver a Deus’. Por exemplo, vendo Deus agir a favor de alguém, por causa da integridade dele, é um modo de ‘observar a Deus’. (Jó 19:26; 42:5) As visitas ao templo de Jerusalém, para a adoração, eram descritas como ir “para ver a face de Jeová” ou para comparecer perante ele. — Êxo. 34:24; Deu. 31:11; Isa. 1:12.

A palavra grega usada por Mateus para “ver” significa também “ver com a mente, perceber, saber”. Visto que Jesus refletia perfeitamente a personalidade de Deus, visto que Jesus foi a perfeita teofania de Yehowah, ele podia dizer: “Quem me tem visto, tem visto também o Pai.” (João 14:7-9) Os puros de coração, que aceitavam Jesus como o Messias e o escutavam, obtinham profundo entendimento da personalidade de Deus. Por exercerem fé no sacrifício de Jesus, que expia pecados, obtinham o perdão de pecados e uma relação com Deus, e podiam prestar adoração aceitável perante o Seu trono. (Efé. 1:7) Verem a Deus, neste sentido, atingirá seu clímax, no caso dos cristãos gerados pelo espírito, quando forem para o céu, porque realmente verão a Deus e a Cristo. — 1 João 3:2; 2 Cor. 1:21, 22.

A oportunidade de verem a Deus por meio do conhecimento exato e da verdadeira adoração, porém, é apenas para os puros de coração. As Escrituras mostram que os praticantes do pecado nem têm visto a Deus e seu filho, nem têm chegado a conhecê-los. “Quem faz o mal não tem visto a Deus.” — 1 João 3:6; 3 João 11; Sal. 24:3, 4.

Os pacíficos tornam-se filhos de Deus: Jesus declarou como sétima felicidade do Sermão do Monte: “Felizes os pacíficos, porque serão chamados ‘filhos de Deus’.” — Mat. 5:9.

“Os pacíficos” evidenciam-se tanto no que evitam, como no que praticam. Os pacíficos não são agressivos, nem beligerantes; nem pagam o mal com o mal, quando prejudicados. (Rom. 12:14-21) Mas há também um aspecto positivo na sua disposição de ânimo.

O palavra grega para pacíficos significa “pacificadores”. Não somente se comportam de modo pacífico, mas também se dão ao trabalho de estabelecer paz e concórdia entre partes litigantes. Negam-se a participar em algo que sirva para ‘separar os que estão familiarizados uns com os outros’ ou a tolerá-lo. (Pro. 16:28; 17:9) Exortam à pacificidade por palavra e exemplo, tanto dentro como fora da congregação cristã. — Rom. 14:19; Heb. 12:14.

Os pacíficos são felizes, “porque serão chamados ‘filhos de Deus”’. Usufruem uma relação íntima com Deus, como seus filhos. No entanto, manter esta relação exige imitar as qualidades da personalidade de Deus, que inclui a pacificidade. (2 Cor. 13:11; Fil. 4:9; 1 Tes. 5:23; Heb. 13:20; Tia. 3:17) Todo aquele que desamorosamente continua em inimizade com seu próximo “não se origina de Deus”. — 1 João 3:10.

Nos dias de Jesus, os judeus criam que eram filhos de Deus por serem Suas criaturas humanas. (Isa. 64:8) Mas, Jesus mostrou que não era assim, embora eles fossem descendentes naturais de Abraão. (João 8:39, 41) De fato, Jesus declarou a certos deles: “Vós sois de vosso pai, o Diabo.” (João 8:44) Visto que toda a humanidade herdou o pecado de Adão, que foi criado como terreno “filho de Deus”, a filiação com Deus não se tornou automática. — Rom. 3:23; 5:12; Luc. 3:38.

Apenas os pacíficos, que aceitam a Jesus como o Messias e eliminador dos pecados, recebem “autoridade para se tornarem filhos de Deus, porque exerciam fé no seu nome” (João 1:12; Isa. 53:12; 1 Ped. 2:24) A “grande multidão” descrita no Apocalipse de João, sobreviverá ao Armagedom, por ser uma grande multidão de pacíficas “outras ovelhas” do Pastor Excelente, Jesus Cristo; estes O terão como seu “Pai Eterno” durante o reinado milenar Dele, mas, no fim deste, Ele as entregará ao seu próprio Pai celestial, para se tornarem descendentes de Deus. — Ap. 7:9-17; João 10:14-16; Isa. 9:6; 1 Cor. 15:27, 28.

Perseguidos, mas felizes: Jesus declarou, como oitava felicidade desta série: “Felizes os que têm sido perseguidos por causa da justiça, porque a eles pertence o reino dos céus.” (Mat. 5:10) Ampliando isso, proferiu a nona felicidade: “Felizes sois quando vos vituperarem e perseguiram, e, mentindo, disserem toda sorte de coisas iníquas contra vós, por minha causa. Alegrai-vos e pulai de alegria, porque a vossa recompensa é grande nos céus; pois assim perseguiram os profetas antes de vós.” — Mat. 5:11, 12; veja Lucas 6:22, 23.

“Os que têm sido perseguidos” são cristãos que sofreram vitupério, calúnia e banimento “por causa da justiça” ou “por causa do Filho do homem”. Seus sofrimentos se devem a eles adorarem Jeová e levarem o nome de Jesus Cristo, e seguirem de perto as pisadas dele. — 1 Ped. 2:19-21.

O motivo dado aqui para a alegria é o mesmo que o apresentado na primeira felicidade, a saber, “porque a eles pertence o reino dos céus”. (Veja Mateus 5:3.) Embora possa significar vitupério, ser expulso da localidade e até mesmo significar a morte, no caso de alguns, os cristãos sabem que a “alegria” de governarem com Cristo, no reino celestial de Deus, ou de usufruírem a vida humana perfeita, como seus súditos terrestres do reino Messiânico, bem que vale a pena. — Mat. 25:21, 23; Heb. 12:2; Ap. 21:1-5.

Esta ‘recompensa nos céus’ (quer dizer, da parte de Deus,) não é no sentido de remuneração obtida por trabalho feito. De modo algum poderiam humanos pecaminosos merecer o favor de Deus e obrigá-lo a abençoá-los. (Gál. 2:16; Tia. 2:10) A recompensa das bênçãos do reino é uma “indescritível dádiva gratuita”, como evidência da benevolência e generosidade de Deus. (2 Cor. 9:15; Tia. 1:16-18) É uma recompensa paga aos cristãos por fielmente suportarem vitupério, perseguição e mentiras iníquas contra si mesmos, por causa de sua inquebrantável devoção a Deus.

Jesus apresentou também um contraste para estas duas últimas felicidades, dizendo: “Ai, sempre que todos os homens falaram bem de vós, porque coisas como essas são as que os antepassados deles fizeram aos falsos profetas.” (Luc. 6:26) Em vez de proclamarem a verdade de Deus, os “falsos profetas” do antigo Israel falavam o que o povo queria ouvir; e o povo “amou-o assim”. (Jer. 5:31) Mas, tal popularidade nunca foi indicação do favor de Deus. A aprovação de Jeová Deus é dada apenas àqueles que falam e agem em harmonia com a Sua Palavra. (Sal. 15:1, 2) Os que fazem isso, no entanto, podem esperar perseguição, porque Jesus disse: “Se me perseguiram a mim, perseguirão também a vós.” — João 15:20.

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