2009/07/24

Estudo do Livro de Zacarias

Estudo do Livro de Zacarias

Estudo do Livro de Zacarias

  1. Introdução ao Livro de Zacarias
  2. Introdução Bíblica: Livro de Zacarias
  3. Esboço do Livro de Zacarias
  4. Quem é Zacarias na Bíblia?

O livro de Zacarias se encontra no Antigo Testamento e faz parte da divisão judaica chamada de Doze Profetas Menores

I. Caracterização Geral

Zacarias era um contemporâneo mais jovem de Ageu e os dois trabalharam na mesma época e no mesmo local (Jerusalém, por volta de 520 A. C.). Assim, é correto chamar as profecias dos dois de “livros companheiros”, já que eles se uniram nos esforços de corrigir os mesmos problemas espirituais dos exilados que retornaram a Jerusalém após o cativeiro babilônico (ver o artigo no Dicionário).

O livro (profecia) de Zacarias é uma composição de duas seções, formato comum em livros antigos. Quando se seguia esse plano, às vezes ambas as seções eram escritas pelo mesmo autor, às vezes não. Tais livros eram construídos de forma que a parte I podia circular separadamente da parte II. Zacarias é dividido em duas partes: Parte I, caps. 1-8 e Parte II, caps. 9-14. Liberais acreditam que a Parte II é um tipo de compilação de artigos (a maioria deles escatológica) por um ou mais autores ou editores, enquanto a Parte I é aceita por quase todos os estudiosos como produção genuína de Zacarias, o profeta, escrita na época que ela reflete, não por um autor posterior que tinha algum conhecimento da história e a escreveu como se fosse profecia. Sob a seção II, Autor e Unidade, entro mais a fundo nos problemas de relacionamento entre as duas partes e de autoria.

Os dois profetas entregaram seus oráculos na mesma época, mas parece que Ageu morreu ou se mudou de Jerusalém. Assim, de certa forma, Zacarias deu continuidade aos trabalhos de Ageu, que os dois haviam compartilhado enquanto este ainda estava em Jerusalém. Zacarias era um entusiasta que antecipou a revolução mundial na qual a nação hebraica viria à liderança e se tornaria Líder das Nações. Naquela época, presumivelmente, todas as nações abraçariam a fé hebraica e judaica, isto é, o yahwismo do Antigo Testamento. Zacarias foi um sacerdote-profeta que via o mundo através desses dois olhos e combinava a ênfase ética dos profetas anteriores ao exílio com a visão maior de futuro comum aos profetas posteriores.

Zacarias foi um dos chamados Profetas Menores, sendo o 11° dessa fraternidade. Os outros foram Amós, Oséias, Miquéias, Sofonias, Naum, Habacuque, Ageu, Obadias, Malaquias, Joel e Jonas, totalizando então 12 pessoas. Os Profetas Maiores foram Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel. Eles eram considerados maiores porque escreveram mais (suas profecias eram mais volumosas). Os profetas menores escreveram volumes menores. Não há nesses títulos nada de valor de comparação ou importância. Volume literário é a única referência dos dois termos.

Zacarias foi o mais messiânico e escatológico dos profetas menores e é rival até mesmo de Isaías, entre os grandes profetas. Há profecias mais messiânicas neste livro do que em todos os outros profetas menores combinados. Nos caps. 1.7 - 6.8, oito visões noturnas fazem uma descrição marcante sobre o futuro Messias. A segunda parte trata principalmente de questões escatológicas. Ver o esboço do conteúdo na seção V, que demonstra isso. Essa segunda parte também está recheada de referências messiânicas.

As visões e os oráculos garantem às pessoas que o Criador não as abandonou; que ele está presente para recompensar ou punir, conforme os homens tratam Sua palavra e instruções. Contraste isso com o deísmo, que assume que a Força Criativa (pessoal e impessoal) abandonou a criação ao governo da lei natural. Ver esses dois termos no Dicionário.

Dentro de, ao redor de e sob os oráculos e profecias há advertências drásticas aos espiritualmente preguiçosos e indiferentes que negligenciaram seu trabalho na reconstrução do templo e de Jerusalém. Ageu contribuiu com esses trabalhos e inspirou o povo a colocar as fundações do Segundo Templo. O trabalho então relaxou e foi propósito especial de Zacarias fazer com que ele andasse novamente, e então até sua conclusão. Zacarias viu mais do plano divino de “longo prazo” na teocracia dos judeus que Ageu, mas eles eram membros da mesma equipe.

II. Autor e Unidade

Zacarias é a palavra hebraica para “Yahweh lembra”, ou, como dizem alguns, “Yahweh é famoso”. Este é o nome mais popular no Antigo Testamento, designando 30 pessoas. Zacarias, o profeta, era o neto de Ido, líder de uma família de sacerdotes, e filho de Berequias (Zac. 1.1) Assim, era tanto sacerdote como profeta e via o mundo através desses dois olhos. Ele retornou a Jerusalém (provavelmente como criança ou jovem adulto) com os exilados do cativeiro babilônico e foi instrumental em fazer com que os exilados preguiçosos e relapsos renovassem o trabalho da construção do Segundo Templo, concluindo-o finalmente. Seu companheiro de tarefa foi Ageu, contemporâneo mais velho que essencialmente estava engajado no mesmo trabalho espiritual. Zacarias também foi contemporâneo de Zorobabel, governador da Jerusalém renovada, e de Josué, sumo sacerdote (Esd. 5.1, 2; Zac. 3.1; 4.6; 6.11). Zacarias nasceu na Babilônia, pertencia à tribo de Levi (que se tornou uma casta de sacerdote) e assim cumpriu os ofícios de sacerdote e profeta (Nee. 12.1, 4, 7, 10, 12, 16). Esdras o chama de “filho de Ido”, mas ele era, mais estritamente, seu neto.

O livro foi composto ou compilado em duas partes. A Parte I (caps. 1-8) é universalmente reconhecida como trabalho genuíno de Zacarias, uma pessoa real que viveu por volta de 520 A. C. e entregou as profecias e instruções que são atribuídas a ele na Parte I. Alguns estudiosos chamam as profecias dessa seção de "datadas”, pois sabemos a época aproximada em que foram escritas e entregues. O restante do livro, a Parte II (caps. 9-14), fica "sem data”, pois não há evidência convincente de que foram escritas por Zacarias. Assim, temos um problema de Unidade. Zacarias, ou por profetas posteriores ou autores/editores. Se havia um autor envolvido, então é impossível determinar quem foi, e quando exatamente ele escreveu. O mesmo é válido se existiram mais autores. Muitas tentativas produziram “conclusões” tão diferentes que devemos questionar sua validade. Talvez sejam meramente exposições de temas proféticos anteriores, e não profecias novas.

Como a Parte II difere da Parte III, sugerindo diferentes autores:

1. Embora o propósito específico para a redação do livro tenha sido encorajar os exilados retornados a terminar o Segundo Templo, a segunda parte do livro sequer menciona essa tarefa. Isso indica, possivelmente, que, quando foram escritos os capítulos 9-14, a tarefa já havia sido terminada e não era mais necessário pedir.

2. Zac. 9.13 menciona Yawan (isto é, lônia), que as traduções corretamente fornecem como Grécia, e isto mostra que o Poder Persa havia passado e o Poder Grego (Império Grego) estava no controle quando foi escrita a segunda parte. Dificilmente poderiamos esperar que Zacarias tivesse vivido tanto.

3. As visões e os ensinamentos éticos da Primeira Parte estão essencialmente ausentes, enquanto muitas profecias escatológicas, ou comentários sobre profecias anteriores, assumiram seus lugares. Isto sugere que o livro tenha sido concluído por outro autor ou edito-res/autoies, usando materiais de fontes diferentes.

4. A Parte I está em prosa, enquanto a Parte II aparece em forma poética.

Como a Parte II se assemelha à Parte I:

1. Expressões semelhantes são encontradas, como “assim diz Yahweh” e "de passar através e retornar”, a primeira sendo comum aos profetas, mas a segunda um tanto rara. Para a segunda, cf. Zac. 7.14 e cf. 9.8. Em português, é "... para que ninguém passe, nem volte”.

2. Senhor dos Exércitos, como um dos nomes divinos, encontra-se em ambas as partes. Por outro lado, esse é um nome divino comum em todo o Antigo Testamento.

3. A Parte II é definitivamente posterior, mas talvez Zacarias pudesse tê-la escrito, sendo que uma das principais preocupações da Parte I não mais existia. Mas ele podia ter vivido no período grego (Zac. 9.13)?

4. Sião é central, e Israel virá a dominar o cenário mundial. Este é um momento para preparar a salvação de Deus. Há um universalismo marcante: todas as nações participarão das bênçãos e da renovação da época final. Há uma necessidade de liderança decisiva. Essas épocas são encontradas em ambas as partes, mas também são comuns aos escritos proféticos posteriores do Antigo Testamento no geral.

Se as Partes I e II tivessem sido escritas pelo mesmo autor, mesmo que demonstrassem uma progressão de tempo, então diriamos que o livro é uma unidade, não duas unidades agregadas como se devessem formar uma unidade, mas escritas por autores diferentes de épocas diferentes. A evidência parece dar apoio à idéia de que o livro consiste em duas unidades distintas, relacionadas, mas não do mesmo autor nem da mesma data. Se esse for o caso, não temos como identificar o(s) autor(es) posterior(es).

III. Data; Origem; Destino

Data. 

Com base na discussão da seção II, podemos concluir que a Parte I, genuinamente escrita por Zacarias, data de 520 A. C. e dos poucos anos posteriores. A data da segunda parte é posterior, pelo menos no período de dominância grega, após 350 A. C. Pelo menos parte do livro foi escrita tão tarde quanto isso, como determinado pela presença da referência à Grécia em Zac. 9.13.

Origem. 

O livro foi escrito em Jerusalém, onde Ageu e Zacarias atuavam como profetas entre os exilados que retornaram do cativeiro babilônico. Pelo menos a Parte I foi escrita ali, enquanto a Parte II pode ter sido escrita em algum outro lugar, o que é impossível de determinar.

Destino. 

O livro foi escrito como uma exortação ao remanescente que retornou do cativeiro babilônico e deveria terminar a tarefa de construção do templo. Essas exortações obviamente se aplicavam a todo Judá, não apenas àqueles que haviam voltado a Jerusalém.

IV. Propósito

Os exilados voltaram a Jerusalém com entusiasmo, mas logo isso acabou. Trabalho duro os havia deixado cansados e eles estavam dispostos a permitir que o templo permanecesse parcialmente terminado. Além disso, eles haviam perdido zelo pela renovação do yahwismo na Nova Jerusalém. O livro foi escrito para agitar o povo apático; para refutá-los por sua grande variedade de pecados e para mobilizá-los a acabar o Segundo Templo e estabelecer seu culto como a religião nacional. Uma atitude relaxada precisou ser substituída por fortes prioridades espirituais. O povo precisou voltar a manter um relacionamento viável de pacto com Yahweh, renovando os antigos Pactos (ver a respeito). Uma teocracia devia ser restabelecida, e o povo tinha de ter fé na restauração de todas as coisas e nações sob a liderança de Israel. O povo precisava ser entusiástico sobre a Esperança Messiânica.

V. Conteúdo


Generalização.

Este é um livro de duas partes que segue um antigo formato literário. A Parte I contém as profecias autênticas de Zacarias que podem ser datadas de cerca de 520 A. C. e poucos anos depois disso. A Darte I consiste nos capítulos 1-8, que contêm as oito visões com alguns oráculos. Nessa parte foi inserida uma seção histórica (6.1-8), que narra a consagração de Josué como o Ramo simbólico (Messias) 7.1 - 8.23 é outra seção histórica que contém um oráculo do profeta que examina a questão de se deve haver ou não jejum para comemorar a queda de Jerusalém em 597. A Parte I está em prosa.

A Parte II é um grande discurso escatológico em poesia, que parece ser um tipo de sumário e comentário sobre temas proféticos que podem ser encontrados tanto nos Profetas Maiores como também nos Menores. Esta parte é bastante messiânica e as interpretações afirmam que ele fala tanto da rejeição como da aceitação final do Messias pelos judeus, com a subsequente renovação daquela nação e a restauração universal de todas as coisas ao redor de Israel, como a Líder das Nações.

Conteúdo detalhado:

Parte I
Introdução. 1.1-6: Rechaço da apatia e do pecado

I.    Oito Visões Noturnas (1.7 - 6.8)
1.    Os cavalos (1.7-17)
2.    Os quatro chifres e os quatro ferreiros (1.18-21)
3.    Jerusalém é medida (2.1-5)
4.    O sumo sacerdote acusado por Satanás é justificado por Deus (3.1-10)
5.    O castiçal de ouro e as sete lâmpadas (4.1-14)
6.    O rolo voador (5.1-4)
7.    A mulher e a efa (5.5-11)
8.    Os quatro carros (6 1 -8)

Duas Seções históricas
1.    A consagração de Josué, um tipo de Messias (6.1-8)
2.    Um oráculo sobre se a queda de Jerusalém deve ser lembrada com jejum (7.1 - 8.23)

Parte II
II.    Dois Obstáculos (mensagens pesadas) (9.1 -14.21)
1.    O primeiro advento do Messias: Sua rejeição (9.1 -11.17)
2.    O segundo advento do Messias: Seu triunfo (12.1 -14.21)
Através do ofício do Messias, haverá restauração generalizada de todas as nações sob a liderança de Israel. O yahwismo, afinal, triunfará. Os propósitos universais de Deus serão alcançados.

3 comentários:

Gabi disse...

a paz do senhor jesus cristo,eu quero muito aprender a palavra de Deus eu estou muito anos na presença de nosso senhor mais não tenho conhecimento,mais a parti de hoje eu quero aprender, meu povo peca por que lhe falta conhecimento entendimento amém agradeço desde já

Unknown disse...

A paz do senhor Jesus Cristo muito bom o estudo fiquei muito feliz obrigado

Jadson disse...

👏👏👏parabéns meu irmão. Está ajudando bastante

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