Os Macabeus — Enciclopédia da Bíblia Online
OS MACABEUS (Μακκαβαῖοι, Makkabaioi — “Macabeus”) foram, em primeiro lugar, a família sacerdotal descendente de Matatias — e, por extensão, o grupo político-militar que, sob a liderança de Judas Macabeu e depois de seus irmãos Jônatas e Simão, conduziu a revolta judaica do século II a.C. contra o domínio selêucida; esse levante, provocado pelas pressões de helenização e pelas medidas de Antíoco IV Epifânio contra práticas religiosas judaicas, abriu caminho para a consolidação de uma liderança nacional que desembocaria na dinastia asmoneia, vinculada precisamente a essa “casa” macabeia e ao seu movimento de libertação. (Encyclopedia Britannica, 1 Macabeus 2:4, 66; 3.1; Josefo, Ant. xii, 6.1 § 266)
I. Etimologia
“Macabeus” é, antes de tudo, um nome que nasce como epíteto. A forma que circula nas fontes gregas para designar Judas e, por extensão, o grupo, é Makkabaioi (“Macabeus”), e a explicação etimológica mais aceita na literatura acadêmica é semítica: deriva do aramaico maqqabā (“martelo”), compreendido como alcunha bélica — “o Martelo” — associada ao impacto militar atribuído a Judas e, depois, ao movimento/dinastia. (SCHÄFER, Peter. The History of the Jews in the Greco-Roman World, 2003, p. 46)
Há, contudo, uma sombra de incerteza filológica: a tradição antiga e moderna preserva alternativas como etimologias populares (por exemplo, a proposta de que “Macabeu” seja um acrônimo devocional construído a partir de uma frase bíblica), mas isso aparece sobretudo como explicação posterior e de circulação mais ampla, não como consenso técnico para a origem do termo. (New World Encyclopedia)
Pode-se afirmar que a origem em si desse nome permanece bastante obscura e foi explicada, por vezes, como podendo significar “extintor” ou “apagador” do helenismo; com maior probabilidade, porém, entende-se que signifique “martelo”, numa alusão às façanhas militares extraordinárias de Judas; ou ainda “cabeça de martelo”, como referência a um traço físico, isto é, ao formato de sua cabeça (cp. M. Bekhoroth 7.1 “um martelo”). Entre essas possibilidades, o segundo sentido é geralmente preferido, porque, no mundo helenístico, era corriqueiro designar pessoas por características corporais, e há indícios de que algo semelhante ocorre na designação dos irmãos de Judas (1 Macabeus 2:2-4). O apelido, ao longo do tempo, foi ampliado para a família e para o partido que, no século II a.C., sustentou os direitos e costumes judaicos. Em contrapartida, segundo Josefo (Ant. Xii. 6.1 § 265), o nome familiar derivaria do tetravô de Judas, Hashman, de onde se explicaria a designação “asmoneu” tal como aparece na literatura rabínica (Veja ASMONEUS).
I. Alexandre o Grande (356-323 a.C.)
Alexandre nasceu em 356 a.C. e, a partir dos treze anos, recebeu formação de Aristóteles. Firmado na convicção de que o modo grego de viver deveria tornar-se medida para o mundo, nutriu o projeto de helenização universal (Veja HELENISMO). Com a morte de seu pai, Filipe da Macedônia, em 336 a.C., orientou-se de imediato para a ofensiva contra o Império Persa. Na primavera de 334 a.C., atravessou para a Ásia Menor, venceu os persas no rio Grânico e seguiu deslocando-os para fora da região. Em outubro de 333 a.C., derrotou Dario III em Isso e desceu para o sul, conquistando Tiro e Gaza; depois, por volta do inverno de 332/1 a.C., consolidou o controle do Egito. Durante sua passagem pela Palestina (sendo difícil reconstruir a sequência exata dos fatos), Josefo relata que ele visitou Jerusalém e ofereceu sacrifícios a Deus no Templo sob a direção do sumo sacerdote Jadua (Josefo, Ant. xi. 8,5 § 329-39; cp. também BT: Yoma 69a). Segundo essa tradição, os sacerdotes lhe mostraram, a partir do livro de Daniel, que ele era o personagem predito como destruidor do Império Persa (Daniel 8:5-7, 20, 21); Alexandre acolheu tal leitura e, em disposição favorável, atendeu ao pedido de permitir que os judeus da Palestina, da Babilônia e da Média vivessem conforme suas leis ancestrais e fossem isentos de impostos em todos os anos sabáticos. Desse modo teria surgido uma relação amistosa entre Alexandre e os judeus. Na primavera de 331 a.C., ele retomou a marcha para o leste, subjugou a Pérsia e, por volta de julho de 330 a.C., declarou-se rei dos persas. Alexandre morreu em 323 a.C.
II. Israel sob o domínio dos Ptolomeus (323-198 a.C.)
Após a morte de Alexandre, a disputa entre seus generais, cada qual buscando assegurar e ampliar sua parcela do império, tornou-se prolongada e intensa. Por volta de 311 a.C., Selêuco foi reconhecido como governante da Babilônia, marco inicial da dinastia e da era selêucida. Nesse cenário, a Palestina converteu-se em terreno recorrente de confrontos. Entre 323 e 315 a.C., a região esteve sob o controle dos ptolomeus; em 315 a.C., passou a Antígono (governante da Ásia Menor e do norte da Síria); em 312 a.C., foi retomada por Ptolomeu, que, contudo, precisou recuar, deixando novamente a área nas mãos de Antígono. Em 301 a.C., Antígono caiu numa batalha decisiva em Ipso, na Frígia, e havia um acordo (em 303 a.C.) segundo o qual, caso Antígono fosse derrotado, a Síria caberia a Ptolomeu; como Ptolomeu não participara da batalha, os envolvidos decidiram entregar a região a Selêuco. Ptolomeu, porém, antecipou-se e tomou posse da Palestina, gesto que se tornou foco de rivalidade entre as duas casas nas décadas seguintes. A Palestina permaneceu sob domínio ptolomaico até ser perdida para os selêucidas, sob Antíoco III (o Grande), na batalha de Pânias (Cesareia de Filipe no Novo Testamento), em 198 a.C. (Josefo, Ant. xii. 3.3 § 132-137; Daniel 11.13-16). Assim, os selêucidas consolidaram a conquista da terra que consideravam ser-lhes devida por direito.
III. Israel sob o domínio dos selêucidas (198-63 a.C.)
Israel permaneceu sob o domínio selêucida até que Pompeu a transformou em província de Roma, em 63 a.C. O escopo aqui se limita aos primeiros 65 anos do reinado selêucida, em conexão com a reação de Israel a esse domínio (para o desenvolvimento posterior, veja Asmoneus). Após a vitória sobre os ptolomeus em Pânias, Antíoco III concedeu aos judeus liberdade de culto conforme suas leis; autorizou que o Templo fosse concluído e preservado; isentou de taxas o concílio de líderes, bem como os sacerdotes e os escribas do Templo; estendeu a isenção a todos os cidadãos de Jerusalém pelos primeiros três anos e, depois desse período, reduziu as taxas em um terço; além disso, libertou prisioneiros (Josephus, Ant. xii. 3.3,4 § 138-153). A partir daí, os judeus desfrutaram um breve intervalo de tranquilidade sob o governo selêucida, e é claro que uma das razões disso era que os dominadores, concentrando suas forças a oeste, tinham derrotado Aníbal em Zama (perto de Cartago) em 202 a.C. e, depois, a monarquia macedônica em 197 a.C.
Depois de firmar um tratado de paz com Ptolomeu V Epífanes (cp. Polybius xxiii. 20; Appian, The Syrian Wars, 5; Josephus, Ant. xii. 4.1 § 154; Dn 11:17), Antíoco invadiu a Trácia em 196 a.C. e, sob a influência de Aníbal, avançou sobre a Grécia (de onde os romanos haviam se retirado) em 194 a.C.; contudo, Roma reagiu e o derrotou nas Termópilas em 191 a.C. e em Magnésia, na Ásia Menor, em 190 a.C. Em 189 a.C., foi assinado um tratado de paz em Apameia, no qual Antíoco concordou em abandonar a Ásia Menor — ao norte e a oeste das montanhas de Tarso —, o que equivalia a abrir mão de grande parte de sua força militar, além de aceitar o pagamento de pesada indenização ao longo de doze anos. Também deveria entregar doze reféns a Roma até a quitação da indenização, sendo um deles necessariamente seu filho, Antíoco IV Epífanes (Appian, The Syrian Wars, 36-39; Polybius xx-xxi; Lívio xxxvixxxvii; Dn 11.18,19; 1Mac 1.10; 8.6-8; Josephus, Ant. xii. 10.6 §414).
O sucessor de Antíoco foi seu segundo filho, Selêuco IV Filopátor, que subiu ao trono em 187 a.C. A indenização imposta por Roma o obrigou a evitar aventuras expansionistas. Os judeus lembram esse rei por uma tentativa malsucedida de despojar o Templo de Jerusalém, conduzida por seu ministro-chefe Heliodoro (2Mac 3.7; veja também Dn 11.20). Em 175 a.C., Heliodoro assassinou Selêuco e tentou usurpar o trono; porém o terceiro filho de Antíoco III, Antíoco IV Epífanes, recém-liberto da condição de refém em Roma, dirigiu-se à Síria, expulsou Heliodoro e proclamou-se rei. Como o reino que acabara de adquirir carecia de estabilidade política e financeira, Antíoco IV Epífanes procurou unificá-lo por meio de um programa intenso de helenização (Tac. Hist. V. 8). A religião funcionou como um dos fatores de unificação e, em 169 a.C., encorajava o povo a venerar a própria pessoa do rei sob a forma de Zeus do Olimpo. Seu título “Theos Epiphanes” (theos epiphanēs — “o deus manifesto”) foi deformado por seus adversários em “Epimanes” (epimanēs — “homem louco” ou “insano”) (Políbio xxvi, 10).
Logo após a ascensão de Epífanes, ele foi chamado a arbitrar a disputa entre o sumo sacerdote Onias III, pró-ptolomaico, e seu irmão Jasão — nome grego que preferia ao nome hebraico Josué/Jesus —, alinhado aos selêucidas. Em 174 a.C., Jasão assegurou para si o sumo sacerdócio ao oferecer uma grande soma de dinheiro a Antíoco e prometer pleno apoio à helenização do povo de Jerusalém (1Mac 1.10-15; 2Mac 4.7-17; Jos. Ant. xii. 5.1 § 237-241). Em 171 a.C., Menelau, amigo de Jasão, ofereceu a Antíoco trezentos talentos a mais do que Jasão em troca do cargo de sumo sacerdote. Antíoco aceitou com satisfação, pois necessitava de recursos; e, como Menelau não pertencia à linhagem de Arão (de acordo com 2Mac 4.23 e 3.4 ele era benjamita), sua nomeação rompia um forte princípio de coesão entre os judeus. Jasão refugiou-se na região dos amonitas. No ano seguinte, em 170 a.C., os dois regentes corruptos aconselharam o rei Ptolomeu VI Filométor — ainda menor de idade — a vingar a derrota de Pânias e reconquistar a Celessíria. Antíoco tomou conhecimento do plano e, reunindo um grande exército, invadiu o Egito, fomentou a rivalidade na região e coroou Ptolomeu VI Filométor rei de Mênfis, enquanto seu irmão, Ptolomeu VIII Evergetes, foi coroado rei de Alexandria (Dn 11.25-27).
No retorno do Egito, Antíoco soube que os moradores de Jerusalém, com a ajuda de Jasão — que saíra do esconderijo —, haviam forçado Menelau a refugiar-se em Acra. A revolta contra Menelau se devia ao saque do Templo; Antíoco, interpretando tais atos como rebelião contra si, decidiu conquistar Jerusalém (2Mac 5.11-17). Em associação com Menelau, profanou o Templo e saqueou seus tesouros, deixando a cidade sob o governo de um comandante militar, Filipe da Frígia (1Mac 1.20-29; 2Mac 5.18-22; Jos. Ant. xii. 5.3 § 246, 247).
IV. Revolta dos Macabeus
As fontes para a revolta levantam um conjunto espesso de dificuldades, tanto de interpretação quanto de confiabilidade. No núcleo desse dossiê estão 1 Macabeus e 2 Macabeus. O primeiro acompanha, em sequência relativamente contínua, um curto período anterior à perseguição promovida por Antíoco, a própria perseguição, a eclosão da revolta e, depois, a atuação dos irmãos de Judas — Jônatas e Simão — num arco aproximado de 169 a 139 a.C. A narrativa nasce sob simpatia evidente pelos asmoneus e espelha o quadro político do tempo de João Hircano I; por isso mesmo, tende a incorporar dados de primeira mão, seja pela experiência do próprio autor, seja por testemunhos oculares, além de revelar acesso a documentos relevantes.
Já 2 Macabeus, embora também atravesse a perseguição e a revolta, alarga o recuo temporal, cobrindo cerca de quinze anos anteriores à perseguição e conduzindo o relato até a última vitória de Judas Macabeu em Adasa (161 a.C.), ponto em que a obra se encerra. O contraste com 1 Macabeus não é apenas de ênfase, mas de gênero: trata-se de um epítome, isto é, um resumo em grego de um livro hoje perdido, composto por Jasão de Cirene. Seu foco recai sobre o Templo, sobre milagres e piedade, e sobre a lição didática extraída dos acontecimentos; Judas ocupa o centro como herói, e o desfecho privilegia sua vitória final, não a derrota e morte que ocorreriam pouco depois (160 a.C.). Ainda assim, 2 Macabeus funciona como contrapeso indispensável para aferir o relato de 1 Macabeus e, mais que isso, permanece como fonte única para o período do movimento helenizante (cerca de 185–166 a.C.) e para alguns documentos decisivos, especialmente os do capítulo 11.
A essas duas colunas principais convém acrescentar Daniel, obra apocalíptica contemporânea, cuja tonalidade ajuda a medir o clima religioso e político daquele tempo, como quem toma o pulso de uma época sob febre.
Num plano de importância secundária situam-se as obras de Flávio Josefo — Antiguidades Judaicas e A Guerra Judaica — que, em linhas gerais, seguem 1 Macabeus, embora tragam diferenças de valor duvidoso; nelas, porém, há um acréscimo documental de grande peso: a correspondência entre os samaritanos e Antíoco Epífanes (Josephus, Ant. 12 §§258–64). Também nessa faixa secundária aparecem um relato de caráter propagandístico preservado por Diodoro Sículo (livros 34–35, 1.3–4), provavelmente um escrito apocalíptico conservado no Livro de Enoque e, por fim, algumas passagens talmúdicas.
A. A vingança de Antíoco (168-166 a.C.)
O próximo encontro de Jerusalém com Antíoco IV se deu após a segunda campanha egípcia, na primavera de 168 a.C., quando os dois irmãos rivais chegaram a um acordo para se unirem contra o tio. Antíoco tomou Mênfis e, já em Eleusis, subúrbio de Alexandria, recebeu do representante romano Popílio Lenas — a quem conhecera em Roma — um ultimato do Senado exigindo a evacuação imediata do Egito (cp. Polybius xxix. 2.1-4; 27.1-8; Lívio xiv. 12.1-6; Diodoro xxxi. Velleius Paterculus i. 10.1,2; Appian, The Syrian Wars, 66; Justino, Epítome xxx‘iv. 3; Dn 11:28-30). O peso de Roma, já experimentado por ele nos anos de refém, impôs uma retirada rápida; e, amargurado, Antíoco recuou para a Palestina, levando consigo a decisão de impor lealdade a toda a região, de modo que ela funcionasse como Estado vassalo entre ele e os romanos (Polybius, xxix. 27.9; Dn 11:30). Nessa chave, e sob a autocompreensão de ser Zeus, ele lançou na Palestina uma política de helenização que, em 167 a.C., se radicalizou na intenção de extinguir a religião judaica, proibindo a vida segundo as leis ancestrais: vedou o repouso do sábado (šabbāt), as festas, os sacrifícios tradicionais e a circuncisão dos meninos, e ordenou a destruição de cópias da Torá (tôrāh) (1Mac 1.41-64; 2Mac 6.1-11). Altares idólatras foram erguidos, e os judeus passaram a ser coagidos a oferecer sacrifícios impuros e a comer carne de porco (2 Macabeus 6.18). O ápice veio no dia 25 do mês de quisleu (kislēw — “Quisleu”), em 16 de dezembro de 167 a.C., quando o Templo de Jerusalém foi convertido em lugar de culto a Zeus do Olimpo, e carne de porco foi oferecida sobre um altar construído acima do altar do holocausto (Dn 11.31,32; 1Mac 1.41-64; 2Mac 6.1-11). A partir de então, no dia 25 de cada mês, repetiam-se os sacrifícios, porque a data era associada ao aniversário de Antíoco Epífanes, e os atos cultuais passaram a funcionar como homenagem ao próprio rei.
B. Matatias (166 a.C.)
Em todas as aldeias da Palestina, a ordem foi a mesma: levantar o altar pagão e submeter a oferta de sacrifícios à presença de emissários imperiais encarregados de fiscalizar a obediência. Em Modim, cerca de 27 km a noroeste de Jerusalém, vivia o sacerdote idoso Matatias com seus cinco filhos — João, Simão, Judas, Eleazar e Jônatas —, e foi ali que o emissário de Antíoco chegou exigindo a renúncia a Deus e a participação nos sacrifícios impuros. Por ser reconhecido como líder local, Matatias foi instado a dar exemplo, oferecendo ele mesmo o primeiro sacrifício; a recusa, porém, foi imediata. Quando outro judeu avançou para executar o rito, Matatias o matou, e matou também o emissário imperial; em seguida, derrubou o altar e lançou o chamamento que selou o rumo da história: “Todo o que tiver zelo da Lei e quiser manter firme a Aliança, saia após mim” (1Mac 2.15-27; Josefo, Ant. xii. 6.1,2 § 265-272; Dn 11:32-35). Ele, seus filhos e numerosos seguidores fugiram para as montanhas, e esse gesto marcou o início da revolta dos Macabeus. Ainda em ocultamento, veio a notícia de que mil pessoas — homens, mulheres e crianças — tinham sido mortas por se recusarem a lutar no šabbāt (“sábado”); para evitar o extermínio, Matatias e seus companheiros concluíram que a autodefesa no sábado era permitida (1 Macabeus 2.19-41). Foi nesse horizonte que os assideus (ḥăsîdîm — “piedosos”), um grupo religioso dentro do judaísmo caracterizado por grande zelo pela Lei de Deus (Veja HASIDIM), se uniram à luta contra a helenização. As tropas de Matatias voltaram-se contra os judeus alinhados com Antíoco, derrubaram altares pagãos, circuncidaram crianças deixadas incircuncisas e chamaram os judeus, em toda parte, a aderirem à causa. Matatias morreu durante o conflito, em 166 a.C., e a condução do movimento passou ao seu terceiro filho, Judas, com quem se abriu uma nova etapa na luta (1Mac 2.42-70; Josefo, Ant xii. 6.2-4 § 273-286).
C. Judas Macabeu (166-160 a.C.)
1. A nova dedicação do Templo (166-164 a.C.). Ao colocar Judas à frente, Matatias acertou o rumo: do lado de fora, os adversários passaram a temê-lo; do lado de dentro, o povo passou a vê-lo como motivo de honra. A guerra macabaica, sob esse comando, deixou de depender apenas de investidas dispersas e começou a tomar a forma de confrontos preparados com intenção e método. Logo no primeiro ano, Judas ganhou prestígio, reuniu voluntários em torno da liberdade e derrotou os governadores sírios Apolônio e Seron (1Mac 3.10-26; Jos. Ant. xii. 7.1 § 287-292). Com Antíoco às voltas com tensões no leste, a ordem enviada a Lísias, responsável pela parte ocidental do império, foi a de pôr termo à rebelião e aniquilar o povo judeu (1Mac 3.32-36; Jos. Ant. xii. 7.2 § 295,296). Lísias respondeu despachando grande força sob Ptolomeu, Nicanor e Górgias, e a coluna vinha acompanhada por mercadores, já calculando a compra de judeus como escravos (1Mac 3.38-41). Mesmo assim, o choque em Emaús terminou em vantagem para Judas: Górgias foi vencido, e as tropas sírias bateram em retirada (1Mac 4.1-22; Jos. Ant. xii. 7.4 § 305-312). Em 164 a.C., Lísias decidiu assumir pessoalmente uma expedição maior, avançando sobre Jerusalém pela rota do sul; o resultado foi a derrota em Betsur e o recuo apressado para Antioquia (1Mac 4.28-35; Jos. Ant. xii. 7.5 § 313-315). A partir daí, com o país retomado, o movimento de Judas se voltou para a restauração do culto no Templo. Ele entrou em Jerusalém e dominou a cidade, com exceção da Ácra; esse espaço lhe bastou para reorganizar o santuário: escolheu sacerdotes que permaneciam fiéis, desfez o altar de Zeus e levantou outro no lugar, conduzindo a reforma e a restauração do próprio Templo. No dia 25 do mês de quisleu, três anos depois da profanação, Templo e altar foram dedicados novamente, e os sacrifícios diários voltaram a ser oferecidos (1Mac 4.36-59; 2Mac 10.1-8; Josephus, Ant. xii. 7.6,7 § 316-326). Desse marco nasceu a Festa judaica da Dedicação das Luzes (ḥănukkāh — “dedicação”). Em seguida, Judas reforçou as muralhas de Jerusalém e fortificou Betsur na fronteira da Idumeia; assim se encerra o primeiro estágio da guerra macabaica, até então sem registro de derrota.
D. Conquista da liberdade religiosa (163 a.C.)
Com as vitórias acumuladas, Judá se tornou território mais seguro, mas o horizonte de Judas ainda tinha tarefas pendentes. Uma delas era ampliar o alcance do comando macabaico para toda a Palestina, reunindo sob a mesma direção as populações judaicas espalhadas pela região; por isso vieram campanhas contra os idumeus ao sul, os beanitas na Transjordânia e os amonitas a nordeste do mar Morto (1Mac 5:1-8). Como outras comunidades pediram auxílio, Simão foi enviado com um exército à Galileia, enquanto Judas e Jônatas marcharam para Gileade; mais tarde, a ofensiva voltou-se novamente para a Idumeia, com a tomada de Hebrom, e depois para a Filístia, com a captura de Asdode (1Mac 5:9-68; Jos. Ant. xii. 8.1-6 § 327-353). Cumprido esse primeiro objetivo, a atenção se concentrou em outro ponto decisivo: romper o domínio sírio na Ácra, em Jerusalém, pois a presença desse controle fazia lembrar, de modo contínuo, que o decreto de Antíoco contra a prática judaica não se dissolvera como se nada tivesse acontecido. Na primavera ou no verão de 163 a.C., Judas cercou a Ácra, e parte dos soldados sírios e dos judeus helenistas correu para Antioquia em busca de socorro (1Mac 6:18-27). Antíoco IV já havia morrido; o trono estava com seu filho, Antíoco V Eupátor. Embora Antíoco IV tivesse indicado Filipe, seu amigo, como regente e guardião do herdeiro, Lísias — que anteriormente detivera esses privilégios — assumiu a tarefa de coroar o menino como rei, em Antioquia, onde Antíoco IV falecera (1Mac 6:5-17). A resposta militar veio rápida: Lísias e o jovem rei desceram ao sul, venceram Judas em Bete-Zacarias e sitiaram Jerusalém (1Mac 6:28-54). A crise de Judas se agravou com a escassez de alimentos, ligada ao começo do ano sabático; ainda assim, a situação mudou quando Lísias recebeu a notícia de que Filipe marchava da Pérsia para a Síria, reivindicando o reino. Pressionado por essa ameaça, Lísias tratou de concluir um acordo com Judas: concedeu liberdade religiosa, embora tenha derrubado os muros de Jerusalém (1Mac 6:55-63). O domínio sírio permanecia, mas o culto judaico recuperava seu espaço.
E. Liberdade política desejada (162-160 a.C.)
Obtida a liberdade religiosa, Judas passou a mirar algo além: independência política para a nação. A Síria não tinha interesse em permitir esse desfecho e, por isso, procurou fortalecer entre os judeus o partido helenista. As tradições divergem, mas parece que Lísias apontou Alcimo (hebr. yāqîm — “Joaquim”, também referido como Jeoiaquim) para o sumo sacerdócio: apesar de estar ligado à linhagem aarônica, ele se alinhava ao helenismo por convicção (1Mac 7.14; 2Mac 14.3-7; Jos. Ant. xii. 9.7 § 384-388; xx. 10.3 § 235). Para Judas, isso era inaceitável, e ele impediu que Alcimo se instalasse em Jerusalém. Nesse mesmo período, a Síria entrou em turbulência: Demétrio, sobrinho de Antíoco IV, escapou de Roma, atacou e matou Lísias e seu primo Antíoco V, e tomou o poder como Demétrio I Sóter. Alcimo e os judeus helenistas formalizaram queixas contra Judas e, em 162 a.C., Demétrio ratificou Alcimo como sumo sacerdote, enviando-o a Jerusalém com um exército comandado pelo general Báquides. Alguns escribas, junto com os assideus (ḥăsîdîm — “piedosos”), tentaram costurar paz com Alcimo e Báquides, e isso rachou as forças de Judas; o texto não declara o motivo, mas é plausível que os assideus se contentassem com a origem aarônica de Alcimo e com a garantia síria de liberdade religiosa.
O que segue, porém, destrói essa tentativa: Alcimo, apesar de prometer não lhes fazer mal, mandou matar sessenta homens dentre os assideus; então eles se voltaram contra ele e retornaram a Judas (IMac 7.15-20; Jos. Ant. xii. 10.2 § 393-397). O quadro reaparece quando Alcimo pede a Demétrio reforço militar contra Judas e seus seguidores, chamados de assideus, derivados de ḥăsîdîm (“piedosos”), por estarem “causando problemas” (2Mac 14.6). Demétrio respondeu enviando Nicanor, com a missão de capturar Judas e consolidar Alcimo. No dia 13 do mês de Adar (ʾădār), em 9 de março de 161 a.C., Nicanor foi derrotado e morto em Adasa; a vitória passou a ser celebrada anualmente no “dia de Nicanor”, o exército sírio recuou para Gazara e ali foi desbaratado, e Alcimo fugiu para a Síria (1Mac 7.26-50; Jos. Ant. xii. 10.3-5 § 398-412). Nesse ponto, Judas enviou embaixadores a Roma buscando proteção contra a Síria, o que deixa ver ambição política: firmou-se um tratado, e Roma advertiu Demétrio de que um ataque a Judas equivaleria a guerra contra os romanos. O aviso, porém, não impediu a reação imediata de Demétrio: poucas semanas depois, ele mandou Báquides com tropas, acompanhado de Alcimo. Diante do peso militar sírio, muitos judeus desertaram; em Elasa, cerca de 16 km ao norte de Jerusalém, Judas foi morto. Jônatas e Simão recolheram o corpo e o enterraram em Modim (1Mac 8.1—9.22; Jos. Ant. xii. 10.6-11.2 § 413-434).
F. Jônatas (160-143 a.C.)
A queda de Judas abateu o ânimo judaico com violência: o vazio deixado por sua morte abriu uma breve janela de vantagem para os helenistas, enquanto o irmão mais novo, Jônatas, era elevado à sucessão. Nessa primeira fase, com Jônatas e seus partidários recolhidos ao deserto de Tecoa, restava-lhes pouco além de golpes rápidos e ataques de guerrilha, ao passo que Báquides consolidava a defesa, reforçando Jerusalém e outras cidades de Judá para se antecipar a qualquer retorno macabeu. Em maio de 159 a.C., Alcimo morreu; pouco depois, Báquides abandonou o comando em Judá e retornou a Antioquia. Dois anos de relativa calma se seguiram, até que os helenistas, temendo perder terreno, pressionaram pelo retorno de Báquides a Judá; o resultado foi uma derrota síria em Bete-Basi (9 km ao sul de Jerusalém) e, na sequência, um tratado de paz firmado com Jônatas. Esse acordo retirou dos helenistas o chão político que os sustentava, pois já não podiam contar com o apoio incondicional do governo sírio; além disso, como Demétrio I não designou um sumo sacerdote após a morte de Alcimo, faltou-lhes uma liderança efetiva, e o próprio tratado tornava ainda mais difícil qualquer nomeação futura, uma vez que Jônatas resistiria a um cargo que, por natureza, se elevaria acima da sua autoridade. Concluído o pacto, Báquides voltou a Antioquia; Jônatas, por sua vez, estabeleceu seu quartel-general em Micmás (14 km ao norte de Jerusalém) e ali passou a julgar o povo e a punir helenistas (1Mac 9.23-73; Jos. Ant. xiii. 1.1-6 § 1-34).
Nos cinco anos seguintes, Judá experimentou paz, e, sem sumo sacerdote nomeado, a influência de Jônatas cresceu como uma sombra que se alonga ao fim do dia. Em 152 a.C., as lutas internas na Síria lhe abriram espaço ainda maior: Alexandre Balas, pretendente que se dizia filho de Antíoco Epífanes, desafiou Demétrio I, e ambos passaram a disputar o favor de Jônatas. Demétrio tentou comprá-lo primeiro com concessões concretas: prometeu devolver reféns judeus mantidos em Aco, autorizou a formação de um exército e abriu mão de fortalezas na região, preservando apenas Betsur, Aco e Gazara (1Mac 10.14; 11.41; 13.43). Jônatas aproveitou a fissura e transferiu o centro de comando de Micmás para Jerusalém (1Mac 10.1-14; Jos. Ant. xiii. 2.1 § 35-42). Alexandre Balas respondeu com gesto ainda mais decisivo: conferiu a Jônatas o sumo sacerdócio — cargo que estava vago desde maio de 159 a.C. — e o título de “Amigo do Rei” (1Mac 10.15-21; Jos. Ant. xiii. 2.2 § 43-45). Para não ficar atrás, Demétrio acumulou promessas: isenções tributárias, entrega de Aco, anexação a Jerusalém de três toparquias samaritanas, subsídio ao exército judaico e ao Templo, e recursos para reconstruir os muros de Jerusalém. A opção de Jônatas por Alexandre Balas mostrou-se providencial, pois em 150 a.C. Demétrio foi morto em batalha. Balas então elevou Jônatas à condição de general e governador de Judá, tratando-o como aliado de primeira linha (1Mac 10.22-66; Jos. Ant. xiii. 2.3,4 § 46-61; 4.1,2 § 80-85). A ironia histórica era inevitável: o homem que afirmava descender de Antíoco Epífanes aparecia, agora, como patrono dos macabeus.
Em 147 a.C., Alexandre Balas foi desafiado por Demétrio II Nicator, filho de Demétrio I, e acabou derrotado e assassinado dois anos depois. Quando Demétrio II subiu ao trono, em 145 a.C., tinha apenas dezesseis anos; Jônatas explorou essa juventude e a insegurança do reinado, atacando Aco, onde os judeus helenistas ainda conservavam controle. Demétrio ordenou que ele suspendesse o cerco e fosse a Ptolemaida; Jônatas, porém, manteve o assédio por meio de seus homens e se apresentou pessoalmente ao rei com muitos presentes. A audácia produziu efeito: Demétrio II renovou o título de “Amigo do Rei”, confirmou o sumo sacerdócio e concedeu tanto a anexação de três distritos samaritanos a Judá quanto a isenção de impostos. Essas concessões enfraqueceram o próprio Demétrio, que passou a enfrentar problemas dentro do seu exército. Nesse cenário emergiu Diodotus Trifão, general de Alexandre Balas, reivindicando o trono sírio em nome de Antíoco VI, filho de Balas. Mais uma vez, Jônatas fez da crise uma escada: aliou-se a Trifão e, em troca, foi reconhecido como líder civil e religioso, enquanto Simão recebeu a chefia militar. Jônatas também ampliou seu raio diplomático ao enviar embaixadores a Roma, buscando confirmar a aliança. Suas vitórias — de Gaza a Damasco — e o conjunto de cidades fortificadas por toda Judá, porém, começaram a inquietar Trifão, que passou a temê-lo como aliado e a calculá-lo como obstáculo.
A ruptura veio sob forma de engodo. Trifão persuadiu Jônatas a encontrá-lo em Ptolemaida com poucos homens; quando ele chegou, foi preso. Em Adida (perto de Modim), Trifão negociou com Simão a suposta libertação do irmão: exigiu cem talentos de prata e dois filhos de Jônatas como reféns. Simão cedeu e enviou o pagamento, mas Trifão não cumpriu a palavra; Jônatas foi morto em Bascama (na margem nordeste do mar da Galileia), em 143 a.C., e depois sepultado em Modim (1Mac 10.67—13.30; Jos. Ant. xiii. 4.3-6 § 86-212). Com isso, o único filho remanescente de Matatias, Simão, tornou-se sucessor de Jônatas. Para o reinado de Simão e os desdobramentos do domínio asmoneu, veja Asmoneus.
G. Curso dos acontecimentos
Para iluminar as causas da Revolta dos Macabeus e o lugar ocupado por cada grupo envolvido, é necessário apresentar, com economia de palavras, o encadeamento que a precede. Por volta de 200 a.C., depois de cerca de um século de domínio ptolemaico, a Palestina passou às mãos dos selêucidas. Menos de dez anos mais tarde, ocorreu um golpe decisivo para a trajetória do reino selêucida: Antíoco III, “o Grande”, foi vencido por Roma na batalha de Magnésia (190 a.C.). Essa derrota corroeu sensivelmente tanto a posição internacional dos selêucidas quanto o equilíbrio de seus assuntos internos.
No reinado de Seleuco IV, filho de Antíoco III, a disputa interna na Judeia atingiu um nível de violência sem precedente. Uma coalizão de nobres — na qual figuravam membros da tribo sacerdotal (Mishmar) de Bilga e integrantes da casa de Tobias — procurou subtrair do sumo sacerdote Onias III parte de suas atribuições, ou ao menos uma função específica por seu peso financeiro: a agoranomia (“supervisão do mercado”). Na disputa que se seguiu, a força não foi apenas um recurso lateral; e os adversários de Onias III, liderados por um certo Simão da tribo de Bilga, chegaram a solicitar a intervenção do governo selêucida. Seleuco IV enviou Heliodoro, seu ministro principal, designado como ho epi tōn pragmatōn (“o encarregado dos assuntos”), para averiguar as finanças do Templo e confiscar o que julgasse necessário. Por razões que não se conhecem, Heliodoro fracassou na missão; contudo, a contenda doméstica prosseguiu, e Onias sentiu-se compelido a ir a Antioquia para defender sua posição diante do rei.
Onias mal havia chegado a Antioquia quando Seleuco IV foi assassinado, e seu irmão, Antíoco IV, ascendeu ao trono (175 a.C.). Antíoco manteve Onias na capital e, em seu lugar, instituiu o irmão dele, Jasão (Josué), mediante uma soma de dinheiro maior. Três anos depois, Jasão foi substituído por Menelau, irmão de Simão — o opositor de Onias III —, também ligado à tribo sacerdotal de Bilga (172 a.C.).
Ao longo desses três anos, tornam-se visíveis dois movimentos. O primeiro foi a usurpação do sumo sacerdócio: em contradição com a lei judaica, o cargo foi retirado de um sumo sacerdote ainda vivo e apto ao serviço, transferido ao irmão e, em seguida, entregue a alguém de uma linha sacerdotal sem direito ao ofício. O segundo foi o relaxamento na observância da lei e das práticas judaicas sob Jasão e, de modo ainda mais acentuado, sob Menelau. Essa helenização mais intensa — ou “reforma helenística”, como também é chamada — despertou resistência no meio da população judaica. Chegou a ocorrer confronto violento entre os partidários de Menelau, conduzidos por seu irmão Lisímaco, e seus opositores (2 Macabeus 4:29, 39–42). Já sob Jasão, Jerusalém foi convertida em uma polis (“cidade-estado”) helenística (2 Macabeus 4:9), exercendo controle sobre o território da Judeia e recebendo, em honra ao rei, a designação de “Antioquia em Jerusalém”.
A política de Antíoco em relação ao Egito ptolemaico também pesou sobre a Judeia. Problemas internos, somados a uma orientação agressiva na corte alexandrina, levaram Antíoco a invadir o Egito para ajustar a situação segundo seus próprios interesses e, mais tarde, a buscar para si a coroa egípcia. Realizou duas expedições ao Egito e, no retorno de ambas, entrou em Jerusalém. Na segunda invasão, foi compelido a retirar-se por determinação romana e, então, adotou medidas militares contra Jerusalém, que estava ocupada por inimigos de Menelau (provavelmente hostis ao domínio selêucida).
Pouco depois, Jerusalém voltou a ser tomada pela força, e o rei ordenou uma perseguição geral à religião judaica. Na Judeia, instauraram-se medidas severas contra a Lei: proibiram-se o estudo da Lei (Torá), a observância do sábado e a circuncisão; o sacrifício diário do Templo foi interrompido, e o altar foi profanado.
A população judaica respondeu de três modos: alguns se submeteram a contragosto; outros preferiram o martírio a obedecer às ordens do rei; e outros recorreram à resistência armada. Entre os que pegaram em armas estavam Matatias e seus filhos. Quando Matatias matou o oficial enviado à sua aldeia, Modim, para impor ritos pagãos aos habitantes, iniciou-se uma guerra de tipo guerrilheiro (por volta de 166 a.C.). Não muito depois, Matatias morreu, e a liderança dos insurgentes passou ao seu filho Judas.
A Revolta dos Macabeus, em seu núcleo, é a resistência armada dessa parcela da nação judaica apegada às tradições ancestrais e disposta a combater aqueles que buscavam impor o abandono da Torá e a adoção de uma religião pagã. No conflito, três forças principais se enfrentaram: (1) os rebeldes sob Matatias e Judas, (2) as forças militares selêucidas e (3) os helenizantes, isto é, judeus que apoiavam a política de anular a religião judaica. Entre os helenizantes havia uma parte relevante da nobreza que, ao longo de décadas, já havia adotado costumes e práticas gregas, inclusive conceitos filosóficos e religiosos.
Sabe-se muito pouco, porém, sobre os combates travados por Matatias. Seus apoiadores atuavam fora das áreas habitadas e empregavam táticas de surpresa, típicas de guerrilha, atacando diversos locais e reforçando práticas judaicas, sobretudo a circuncisão. Seu alvo principal eram os helenizantes: ele buscava reverter, na vida do povo, os efeitos dos decretos que haviam sido impostos.
Com a sucessão de Matatias por Judas, o curso dos fatos se alterou. A intensificação da atividade rebelde passou a exigir intervenção direta das forças selêucidas. O que eram escaramuças locais transformou-se em campanha em escala plena. A primeira batalha conhecida travada pelos insurgentes judaicos foi contra Apolônio, provavelmente governador da Samaria. Não é claro por que o governador da Judeia não foi ele mesmo ao campo contra Judas quando a ameaça cresceu: é possível que estivesse absorvido por outras frentes, com forças dispersas pelo país; ou retido em Jerusalém; ou, simplesmente, aguardando reforços, recrutados na vizinha Samaria. Seja como for, Judas derrotou Apolônio — provavelmente por meio de um ataque inesperado — e, ao atingir a pessoa do comandante, pode ter abatido o moral das tropas já nos momentos iniciais da luta.
A derrota de Apolônio trouxe ao teatro de operações outro comandante, Serom. Sua posição exata no aparato militar selêucida na Celessíria e na Fenícia não é clara. Tudo indica, contudo, que Serom considerou as forças de Judas presa fácil. Essa confiança excessiva abriu a Judas e a seus homens, altamente motivados, a oportunidade de recorrer novamente à surpresa, escolher terreno favorável — Bete-Horom — e impor derrota ao inimigo.
Essas duas vitórias consecutivas fizeram de Judas uma ameaça real ao domínio selêucida; por isso, por ordem do rei, enviou-se contra ele um exército considerável (1 Macabeus 3:27). A expedição foi organizada por Lísias, tutor do filho do rei e responsável pela parte ocidental do império selêucida, já que o próprio Antíoco havia partido para o Oriente, tentando restabelecer a autoridade selêucida na Pérsia. Lísias confiou a condução da campanha a Ptolomeu, filho de Dorímenes, governador da Celessíria e da Fenícia, que designou Nicanor, filho de Pátroclo, e Górgias para comandar o exército (2 Macabeus 8:9). Ao que parece, Górgias exercia o comando efetivo (1Mac 4:1, 28).
Os pormenores sobre o comando selêucida nessa expedição seguem, aqui, o relato de 2 Macabeus, preferível quando se trata de informações históricas acerca das ações selêucidas; já 1 Macabeus é muito mais rico e confiável para a própria batalha de Emaús. Vale notar que esta é a primeira batalha tratada em 2 Macabeus que ignora o papel de Matatias nas fases iniciais da revolta e também as vitórias de Judas sobre Apolônio e Serom, embora 2 Macabeus ofereça uma descrição vívida da guerrilha conduzida por Judas (não por Matatias) no começo da revolta (2Mac 5:1–7).
A batalha em si é das mais importantes no desenrolar da revolta e exemplifica, de modo eloquente, o comando de Judas. O exército selêucida acampou em Emaús, na entrada ocidental da região montanhosa da Judeia. Dali, um corpo de elite foi enviado para caçar Judas nas montanhas. Percebe-se um plano de combate de notável sofisticação, construído a partir das derrotas anteriores sofridas pelas forças selêucidas. Primeiro, Górgias não avançou sobre a Judeia pelo norte — como haviam feito Apolônio e Serom —, preferindo as entradas ocidentais, menos perigosas. Segundo, não se lançou de imediato ao relevo montanhoso: estabeleceu uma base em um ponto estratégico próximo, mas seguro (Emaús; cf. AHARONI; AVI-YONAH, The Macmillan Bible Atlas, 1968, p. 119) e, dali, tentou infiltrar-se na Judeia. Terceiro, com tais movimentos, Górgias impedia Judas de escolher o campo de batalha ou preparar uma emboscada para o exército invasor; ao tomar a iniciativa, alcançava uma vantagem inicial sobre os guerrilheiros.
Diante desse ataque, Judas exibiu seu talento militar no ponto máximo e reverteu a vantagem mesmo frente a um comandante selêucida competente. Ao obter informação sobre a coluna de Górgias, que havia entrado nas montanhas para persegui-lo, Judas simulou fuga em pânico com seus seguidores. Em seguida, conduziu suas forças, à noite, num movimento de flanco em direção ao acampamento sírio em Emaús e o surpreendeu ao amanhecer, valendo-se do sol às costas de seus homens e nos olhos dos soldados sírios, atônitos. Após vencer a guarnição e incendiar o acampamento, conteve suas tropas para que não se dispersassem no saque, alinhou-as em ordem de batalha e aguardou o retorno da coluna selêucida, frustrada por persegui-lo em vão durante toda a noite.
Exaustos, esses soldados sírios não estavam prontos para o combate e, por isso, recuaram. Judas obtivera sua vitória mais decisiva. Não se tratava de repelir milícias locais de segunda ordem sob comando medíocre, mas de vencer um exército em escala plena dirigido por um profissional. Para superar o inimigo, ele mobilizou um conjunto de meios: informação eficaz, mobilidade rápida, motivação, disciplina e uma liderança ousada, imaginativa.
Depois de Emaús, a revolta macabaica tornou-se uma preocupação maior para o governo selêucida. Lísias julgou-se obrigado a ir pessoalmente contra os rebeldes judaicos (164 a.C.). Aproximou-se da Judeia pelo sul, atravessando a Idumeia — provavelmente por considerar essa rota mais segura, já que a fronteira sul passava perto de Jerusalém, onde a guarnição e os helenizantes estavam sob forte pressão dos rebeldes.
Chegar a Jerusalém já havia sido o objetivo das expedições sírias anteriores, e isso reflete a situação militar geral do país. No território da Judeia, os rebeldes tinham vantagem e contavam com apoio popular. A pressão agora se concentrava sobre a guarnição em Jerusalém e sobre os helenizantes, isto é, o corpo de cidadãos da polis (“cidade-estado”) “Antioquia em Jerusalém”, composto, em maior ou menor grau, pela aristocracia judaica inclinada ao helenismo. As expedições acima procuravam aliviar “Antioquia em Jerusalém” dessa pressão: tentaram atravessar a Judeia rumo à capital, mas Judas conseguiu detê-las, seja no caminho (Apolônio e Serom), seja na entrada (Górgias).
Lísias reiterou a tentativa, agora vindo do sul. Houve combate em Bete-Zur, e o exército de Lísias foi repelido pelos rebeldes. A escassez de informações sobre essa batalha impede uma discussão proveitosa das táticas empregadas. O que parece claro, contudo, é que os números atribuídos ao exército de Lísias — tanto em 1 Macabeus 4:28 (65.000) quanto em 2 Macabeus 11:2, 4 (mais de 80.000) — não são críveis. Os contingentes selêucidas devem ter sido menores (1–2 Macabeus tendem a inflar números selêucidas para realçar a grandeza das vitórias de Judas e a ajuda de Deus a seu povo). É razoável supor que, em termos militares, as forças opostas fossem mais próximas do que as fontes admitem. O potencial judaico era considerável e podia alcançar cerca de 20.000 combatentes ou mais; já os selêucidas, dadas as dimensões totais de seu exército e o envolvimento simultâneo na frente oriental, não podiam dispor de tantos soldados para a Judeia. Nas fases iniciais, é provável que tenham usado sobretudo tropas locais e milícias; e, mesmo mais tarde, o contingente regular permaneceu numericamente limitado.
O fracasso de Lísias em romper a travessia da Judeia e sua retirada consequente abriram caminho para que os rebeldes recuperassem o Templo em Jerusalém (1Mac 4:36–54). Tomaram o santuário e seus átrios, purificaram-nos e restauraram o culto. Seus adversários ficaram confinados na cidadela da Acra. Desfez-se, assim, uma das medidas mais opressivas da perseguição quando o Templo foi rededicado, e instituiu-se uma festa especial — a Hanucá — para comemorar o acontecimento.
Nesse ponto, 1 Macabeus 5 introduz uma série de combates fora da Judeia, nos quais Judas e seu irmão Simão foram socorrer judeus ameaçados na Galileia e na Transjordânia e também enfrentaram vizinhos hostis. 2 Macabeus 12 posiciona essas batalhas depois da segunda expedição de Lísias, embora mencione apenas uma expedição de Lísias no conjunto do relato. É provável que, em ambos os livros, as batalhas tenham sido agrupadas por afinidade temática, mais do que por rigor cronológico.
De todo modo, tais conflitos mostram que os acontecimentos na Judeia repercutiram por toda a Palestina. O choque de interesses podia ser agudo entre as poleis (“cidades-estado”) helenísticas e a população nativa, incluindo judeus. É possível também que a política anti-judaica do governo selêucida tenha desencadeado conflitos étnicos entre judeus e não judeus. Seja qual for a combinação precisa, os fatos deixam claro que os problemas ligados à perseguição e à revolta macabaica não estavam circunscritos à Judeia, mas atingiam a Palestina como um todo. Em certo sentido, as campanhas de Judas e Simão na Galileia, na Transjordânia, na Idumeia e no litoral antecipam a conquista asmoneia nas décadas seguintes.
Na Galileia, as lutas se deram principalmente contra as poleis (“cidades-estado”) de Aco, Tiro e Sidom, que atacavam os judeus galileus. Na Transjordânia, enfrentaram certos comandantes locais e diversos pontos onde judeus eram agredidos. Houve ainda guerra em Jope e em Jabne e na fronteira idumeia. Não cabe aqui descer aos detalhes; importa, antes, sublinhar três aspectos. Primeiro, os macabeus resgataram judeus sob ameaça, mas não ocuparam esses territórios; no máximo, removeram parte dessas pessoas para Jerusalém, por segurança. Segundo, as forças sob Judas e sob Simão percorreram distâncias impressionantes nessas expedições, o que sugere um grau de competência militar. Terceiro, é legítimo perguntar se tais feitos seriam viáveis sem alguma simpatia entre a população nativa local — que tinha razões para odiar as poleis (“cidades-estado”) helenísticas e a hegemonia selêucida — e, por isso, apoiar os judeus insurgentes.
Sem fixar uma cronologia rígida para essas batalhas, chega-se agora à segunda expedição de Lísias. Ela se explica pela pressão que Judas continuou a exercer sobre a Acra após a rededicação do Templo. A rededicação, aliás, não foi o único ganho dos rebeldes. Depois da retirada de Lísias, ocorreram negociações entre o governo e os judeus, e anunciou-se, em nome de Antíoco IV, a anulação da perseguição (2Mac 11:16–21, 27–33). Ainda assim, Judas e seus partidários não se deram por satisfeitos. O governo selêucida não reconhecera os rebeldes, não removera Menelau e não devolvera o Templo a sacerdotes aceitáveis aos olhos do partido insurgente.
Insatisfeito com a mera revogação da perseguição e com o fato de o governo ignorá-lo em favor de Menelau, Judas — que já tomara o Templo pela força — voltou-se contra a Acra. Nessas circunstâncias, Lísias e seu jovem protegido (que, após a morte de Antíoco IV na Pérsia, no fim de 164 a.C., tornara-se o rei Antíoco V) tinham poucas opções: eram obrigados a socorrer a própria guarnição e os helenizantes. Reuniu-se um exército considerável, e Lísias, levando consigo o rei, conduziu-o à Judeia. De novo invadiram pelo sul e venceram a resistência judaica (1Mac 6:31, 42–47). Tomaram Bete-Zur e, na batalha de Bete-Zacarias, forçaram Judas a recuar. Em seguida, vieram a Jerusalém e cercaram Judas no Templo. Parecia que a guerra se inclinaria definitivamente para os sírios.
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| Gravura de Gustave Doré de 1866, intitulada A Morte de Eleazar. A obra ilustra a morte de Eleazar Macabeu, irmão de Judas Macabeu, durante a Revolta Hasmoneana contra o Império Selêucida. |
Nesse ponto, porém, Lísias foi informado de que Filipe, antigo general de Antíoco IV, havia chegado do Oriente e reclamava a regência (isto é, a tutela de Antíoco V). Lísias teve de levantar o cerco e correr de volta à Síria. Assim, chegou a um acordo com Judas e retirou-se de Jerusalém. Alguns termos desse acordo nos são conhecidos por meio de outro documento preservado em 2 Macabeus 11:23–26. Nele, Judas não é citado; contudo, além da abolição da perseguição — já cancelada por Antíoco IV —, o Templo é agora devolvido aos judeus, ponto ausente no documento anterior de Antíoco IV. É verdade que o Templo já havia sido tomado e purificado por Judas; mas aqui se registra o reconhecimento formal desse fato.
Esse documento representou um passo decisivo: por ele, Lísias procurava reorientar a política anterior de Antíoco IV e, ao que parece, julgava possível restaurar o quadro anterior na Judeia. Tudo indica que, já em sua primeira expedição, Lísias se inclinava a uma postura mais conciliatória diante dos judeus revoltosos. Ele não era o único oficial selêucida contrário à política de Antíoco IV contra os judeus e sua religião (cf. Ptolomeu Macrom, em 2 Macabeus 10:12), e sua motivação não precisa ter sido moral ou ideológica. Pode ter sido, antes, pragmática: apoiar os helenizantes mostrara-se pouco sensato, pois eles se revelaram incapazes de manter paz e ordem ou de oferecer sustentação ao governo e, ao contrário, exigiam socorro constante. Em outras palavras, de ativo, converteram-se em peso. A atitude de Lísias se evidencia no fato de ele ter executado Menelau, “a causa de todo o transtorno” (2 Macabeus 13:4). A amplitude do impacto dessa decisão no país aparece na crítica dos cidadãos de Ptolemaida e no esforço de Lísias para justificar sua política diante deles (2Mac 12:25–26).
Se os acontecimentos tivessem seguido outro rumo, a revolta poderia ter se encerrado nesse estágio. O conflito prosseguiu porque a revolta alterou a estrutura social na Judeia, introduzindo novas forças no cenário; e porque a rivalidade entre a aristocracia helenizada e o restante do povo não havia sido resolvida (e provavelmente se tornou mais amarga por causa da perseguição). Ainda assim, é preciso lembrar: embora a luta continuasse, a perseguição religiosa não foi retomada. A partir daqui, o embate tornou-se sobretudo nacional, social e político, seja dentro da sociedade judaica, seja contra o domínio selêucida.
Pouco após a execução de Menelau, houve mudança no trono selêucida. Demétrio I, filho de Seleuco IV, escapou de Roma e depôs Antíoco V. Ele nomeou Alcimo para o sumo sacerdócio. Em circunstâncias que não se enxergam por completo, Judas não aceitou essa nomeação. Entretanto, parece que uma parcela de seus partidários, os assideus, estava disposta a chegar a um acordo com Alcimo. Por motivos desconhecidos, Alcimo mandou matá-los, o que apenas intensificou a atividade de Judas e suas represálias (1Mac 7:8–25).
Desta vez, o novo rei, Demétrio I, reagiu sem demora. Enviou Nicanor para consolidar a posição de seu indicado, Alcimo. Depois de negociações entre Nicanor e Judas — que fracassaram (e que, segundo 1 Macabeus 7:27–32, teriam sido conduzidas com má-fé da parte de Nicanor) —, os exércitos se encontraram no campo em Adasa. Judas prevaleceu, os sírios foram derrotados, e Nicanor caiu logo no começo da batalha. É possível que Judas tenha deliberadamente dirigido um ataque à pessoa do comandante para desmoralizar todo o exército; algo semelhante já ocorrera no primeiro combate contra Apolônio. Outro elemento foi o assédio espontâneo, por camponeses das áreas vizinhas, às tropas sírias em retirada. A data da vitória, o décimo terceiro dia do mês de Adar, foi instituída como festa, chamada “Dia de Nicanor”.
Nesse momento, Judas passou a acionar também a via diplomática para alcançar seus objetivos e enviou uma delegação a Roma. Esse movimento já fora estimulado por emissários romanos que transitavam pela costa levantina, a caminho do Egito e da Síria. Uma carta sobre o assunto, datada de 164 a.C., foi preservada em 2 Macabeus 11:34–38. Além disso, Judas podia esperar acolhida favorável em Roma, porque a entronização de Demétrio I contrariava o desejo romano, e a política de Roma para com ele era hostil. De fato, os emissários de Judas foram bem recebidos em Roma, e se firmou um tratado entre romanos e judeus (1Mac 8:23–32).
A delegação judaica a Roma não impediu Demétrio de agir com dureza contra Judas. Talvez ele nem soubesse das negociações romano-judaicas; e tudo indica que os enviados de Judas voltaram tarde demais para evitar o ataque de Demétrio à Judeia. Ademais, não parece que Demétrio aceitasse a atividade de Judas; e, à luz de sua política geral, teria ignorado uma intervenção romana em favor do líder judeu. Ainda assim, Judas pouco tinha a perder ao apelar a Roma, e podia ver no tratado um recurso útil à política judaica — como, de fato, veio a ser. O gesto revela que Judas, então (se não antes), já alimentava metas políticas definidas. Para ele, como para o governo, a guerra por direitos religiosos havia terminado; o que ele passava a vislumbrar era algum tipo de independência política para a Judeia.
Quaisquer que fossem seus planos, Judas teve de enfrentar o exército que Demétrio I enviou sob o comando de Báquides. A caminho da Judeia, Báquides atacou e tomou uma aldeia ou fortificação judaica chamada Mesalote, em Arbel, cuja localização é discutida por dificuldades textuais. Judas aguardou Báquides em Elasa com uma força relativamente pequena, de 3.000 homens. Com a aproximação de Báquides, muitos abandonaram o acampamento de Judas, até que restaram apenas 800 homens. Apesar do conselho dos amigos, Judas decidiu combater Báquides; o resultado foi que ele próprio tombou no campo de batalha e seu exército se dispersou (160 a.C.).
Qual a razão desse esvaziamento das forças de Judas? Uma explicação propõe que, cessada a perseguição religiosa, muitos partidários perderam motivação e não quiseram prolongar uma guerra por independência política sob a liderança de Judas (cf. a deserção dos assideus para Alcimo). Outros atribuem o enfraquecimento a circunstâncias ocasionais, como a estação do ano ou pressões agrícolas sobre os camponeses; ou, alternativamente, ao cansaço de uma guerra longa e ao temor diante do exército de Báquides (1Mac 9:6). Há ainda quem duvide da autenticidade das informações de 1 Macabeus 9:5–9 e as interprete como peça apologética: o autor de 1 Macabeus buscaria uma explicação para o fracasso do herói vitorioso, Judas, que desta vez não triunfou.
Seja como for, com a morte de Judas, a Revolta dos Macabeus, como processo histórico delimitado pela perseguição no início e pela derrota final de Judas, chegou ao fim. Ao mesmo tempo, ela desencadeou uma cadeia de acontecimentos de outra natureza, muito além da batalha de Elasa: o foco deslocou-se para a dinastia asmoneia, para a expansão nacional-territorial, para meios sobretudo políticos (e não apenas militares) e para o envolvimento direto nos assuntos selêucidas. Embora alguns desses traços já se insinuassem no tempo de Judas, sua morte encerrou a primeira etapa do processo que conduziria a um Estado judaico independente. Uma nova fase começaria cerca de oito anos mais tarde, com a ascensão de Jônatas, seu irmão.
H. Causas da Revolta
Se a pergunta é o que desencadeou a Revolta dos Macabeus, a resposta imediata recai sobre a perseguição religiosa promovida por Antíoco IV. Mas essa formulação, por si só, apenas toca a superfície do problema: antes é preciso perguntar quais fatores levaram à própria perseguição; depois, é necessário identificar as forças, grupos, figuras e ideias que operavam por trás tanto do ato persecutório quanto da resposta armada que ele suscitou.
A perseguição de Antíoco IV é um desafio particular para o historiador justamente por seu caráter singular no mundo antigo. Não há um paralelo simples, porque a perseguição religiosa contraria o código ideológico, religioso, social e político do mundo helenístico e também destoa do horizonte mais amplo do Antigo Oriente Próximo e das civilizações romanas. Por isso, a pesquisa tem buscado explicações específicas: há quem aponte para o temperamento desequilibrado de um rei, ideia que antigos relatos parecem alimentar; outros preferem um juízo mais brando e a descrevem como tentativa de unificar um império heterogêneo sob uma única religião ou uma cultura comum, encontrando nos judeus o ponto de resistência. Essa leitura costuma buscar apoio em mudanças na iconografia monetária de Antíoco e em formulações do livro de Daniel (Daniel 11:37). O problema é que tais teorias, embora variadas, convergem numa fragilidade: ou não explicam por que a ação recaiu de modo tão concentrado sobre os judeus, ou não se ajustam ao fato de que, em outras regiões do domínio selêucida, diferentes cultos e práticas religiosas continuaram a florescer sem interrupção.
Um deslocamento importante na discussão apareceu com o livro de E. Bickerman, The God of the Maccabees (1937). Nele, a iniciativa da perseguição é transferida do rei para os helenizantes ligados a Menelau. A perseguição, nessa perspectiva, não seria um capricho real isolado, mas parte de uma tentativa de remodelar a religião judaica; e a possibilidade de uma política tão dura seria explicada pelo enraizamento desses agentes em uma cultura judaica capaz de gerar medidas de intolerância. Medidas desse tipo, argumenta-se, ficam menos inteligíveis se forem atribuídas como origem direta a um monarca formado em ambiente de pluralismo religioso, característico do helenismo.
TCHERIKOVER (1961) refinou e, ao mesmo tempo, corrigiu esse caminho. Ele rejeitou a ideia de que os helenizantes funcionassem como campeões de um “judaísmo reformado” e como autores diretos da perseguição, insistindo numa tensão interna: ou eram helenizados e, portanto, inclinados à tolerância; ou eram judaicos e, então, aptos à intolerância — mas não ambos ao mesmo tempo. Ainda assim, Tcherikover acompanhou Bickerman ao ler 2 Macabeus 4:9 como indicação de que Jasão comprou do rei autorização para registrar habitantes de Jerusalém como membros de uma entidade chamada “Antioquia em Jerusalém”. A diferença decisiva é que, para Tcherikover, essa entidade deve ser entendida como uma polis (“cidade-estado”), não como um politeuma (“associação étnica”, em grande parte com finalidade religiosa, que poderia operar dentro de uma polis).
A partir daí, Tcherikover definiu a perseguição como uma medida dirigida contra a resistência judaica à política régia de apoio aos helenizantes. Na sua formulação, “uma revolta precedeu a perseguição”: a perseguição teria sido decretada para esmagar uma revolta, e a revolta macabaica não teria sido o único levante desse período. Ela teria sido antecedida, ao menos, pela revolta contra Lisímaco, irmão de Menelau (2Mac 4:39–42). Para sustentar essa leitura, ele propôs uma reconstrução do curso dos eventos e de sua cronologia.
Mas permanece a pergunta decisiva: por que recorrer à perseguição religiosa como instrumento para esmagar um levante político? Tcherikover responde dizendo que a oposição à nova “constituição” — isto é, à polis (“cidade-estado”) “Antioquia em Jerusalém” e ao seu ambiente helenizado — era conduzida pelos líderes jurídicos e espirituais do povo, os sōpĕrîm (“escribas”, “especialistas na Lei”). Para derrotar essa oposição, o rei teria concluído que precisava atingir a própria Lei (Torá): suprimindo a Lei e seus guardiões, as mudanças introduzidas na Judeia seriam finalmente aceitas.
Ainda assim, nenhuma explicação isolada parece satisfatória; e, em certos pontos, as hipóteses se encaixam sem se anular. As fontes favorecem uma leitura mais abrangente, na qual coexistem causas e componentes diversos. Ao que tudo indica, os helenizantes tiveram papel relevante na perseguição, e o grupo de Menelau pode tê-la iniciado ou, ao menos, defendido sua adoção. A personalidade de Antíoco IV também pode ter pesado, assim como a pressão acumulada por um revés recente no Egito. Já a sugestão de que sua longa permanência como refém em Roma tenha sido fator determinante não encontra base suficiente para ser demonstrada.
De todo modo, a perseguição não deve ser tratada como decisão súbita: ela aparece como medida extrema ao fim de um confronto prolongado, envolvendo grupos variados. A nobreza judaica, por décadas, se dividira em facções, organizadas em torno de famílias — e, por vezes, com famílias rasgadas por tensões internas. É o caso dos tobiadas e dos oniadas. Outras casas parecem ter atuado com maior coesão: a casa de Bilga, no campo helenizante, e a família asmoneia, no campo opositor. A disputa era por poder político, mas as linhas de fratura atravessavam também o social e o religioso: pró-selêucidas contra pró-ptolomaicos; aristocracia contra o povo comum e contra lideranças espirituais, possivelmente com a presença de grupos sectários; e, dentro da própria nobreza, a atitude diante do helenismo funcionava como lâmina que separava aliados. O quadro é o de um mosaico de interesses, com o governo selêucida intervindo de forma constante nesse emaranhado.
Quando o decreto persecutório foi promulgado, o mosaico não desapareceu, mas a divisão de forças tornou-se mais nítida. De um lado, Menelau, sustentado pelo governo selêucida (ainda que esse apoio não fosse totalmente uniforme, pois a decisão final dependia do rei). Do outro, os revoltosos, liderados por Matatias e, depois, por Judas Macabeu. Entre esses polos, havia grupos intermediários e paralelos: helenizantes moderados que não endossavam a perseguição nem a liderança de Menelau (como Jasão e Alcimo); anti-helenizantes dentro da nobreza (como a casa de Hacoz); mártires (1 Macabeus 2:31–38); assideus; os sōpĕrîm (“escribas”, “especialistas na Lei”); e também o povo comum (provavelmente “os muitos”, rabbîm — “os muitos”, Daniel 11:33–34).
A perseguição produziu um processo contrário ao que Menelau e Antíoco IV poderiam esperar. Em vez de esmagar a oposição, o ato extremo empurrou a maioria para junto dos rebeldes, que se fortaleceram progressivamente. O judaísmo tradicional, tal como se consolidara desde o retorno a Sião, revelou-se robusto demais para ser desmontado por decreto. Também fracassou o objetivo político maior do governo selêucida — construir uma força confiável numa região estratégica —, pois o projeto exigiu investimento contínuo de poder militar, justamente o recurso que o império prezava. Seus apoiadores mostraram-se o lado mais frágil da disputa. Antíoco IV, aconselhado por Lísias, tentou tarde demais libertar-se do enredo que ele mesmo alimentara. Os helenizantes se afastaram do povo a tal ponto que perderam a chance de recuperar sua confiança; e as conquistas dos rebeldes tornaram impossível reverter a direção do processo. Assim, mesmo quando a revolta foi contida militarmente, o movimento social e político desencadeado por ela continuou a operar na sociedade judaica e na região como um todo, culminando, ao final, num Estado judaico independente.
Não há prova de que um componente ideológico forte tenha orientado, de modo consistente, a política de Menelau ou a de Antíoco IV. Ainda assim, a proposta de Bickerman — a existência de uma espécie de reforma religiosa desejada pelos helenizantes — foi desenvolvida por M. Hengel (1974) e outros, que imaginam um programa ideológico voltado a substituir o judaísmo tradicional por uma versão “reformada”. Contudo, as fontes parecem não fornecer evidência suficiente para sustentar essa hipótese com firmeza. Se houve ideologia, seu peso teria sido secundário, quando muito. O que se deixa entrever com mais força é uma tentativa, voltada à carreira e ao poder, por parte de uma nobreza helenizada — tentativa que falhou porque a influência intrínseca do judaísmo sobre a maioria do povo foi subestimada tanto por Menelau quanto por Antíoco IV.
I. Aspectos militares da revolta
A Revolta dos Macabeus acabou sufocada, mas o movimento que ela colocou em marcha não se encerrou com a derrota. Por isso, permanece decisivo compreender como se deu, no terreno militar, o choque entre Judas e seus partidários e as forças armadas selêucidas. Nos primeiros momentos, os insurgentes tomaram vantagem no campo e passaram a operar com um objetivo claro: cercar Jerusalém por fora, isolá-la, golpeá-la e, por fim, dominá-la. Diante dessa pressão, os helenizantes sob a liderança de Menelau (ou, em termos práticos, o corpo cívico da “Antioquia em Jerusalém”) e as tropas locais recuaram das encostas e colinas da Judeia e se entrincheiraram na própria cidade. O ponto de apoio mais importante era a Acra, a partir da qual se mantinha controle sobre o Monte do Templo e sobre as áreas ao redor.
Esse recuo forçou um chamado direto ao governo selêucida, que precisou socorrer seus aliados e seus próprios contingentes em Jerusalém. A ajuda começou com tropas das regiões próximas — Samaria, Celessíria e Fenícia — e, depois, com exércitos reais enviados pelo centro do poder. O êxito militar de Judas consistiu, sobretudo, em cortar o caminho dessas forças antes que elas alcançassem Jerusalém, interceptando-as durante a marcha. A soma dessas vitórias e, ao mesmo tempo, a dificuldade recorrente do governo selêucida em aliviar a posição de seus aliados dentro da cidade pesou fortemente na decisão de revogar a perseguição.
A pergunta, então, não é apenas “que vitórias houve”, mas “em que condições elas foram possíveis” e “qual era, de fato, a relação de forças”. As fontes costumam pintar o confronto com o contraste dramático de Davi e Golias: poucos contra muitos, com a ajuda de Deus inclinando a balança. Mas esse quadro foi contestado por diferentes razões: não é plausível que o comando selêucida pudesse destacar, para a Judeia, contingentes tão enormes quanto a tradição sugere; a capacidade militar judaica provavelmente era maior do que se depreende de relatos interessados; e, além disso, tais relatos não são neutros no modo de apresentar números e proporções. Esses reparos são pertinentes e, segundo a formulação mais recente citada no próprio debate, a exposição de Bar-Kochva (1988) oferece a reconstrução mais sóbria: o exército selêucida teria sido numericamente contido, sem ultrapassar 20.000 infantes e 2.000 cavaleiros; Judas, no auge de sua influência, poderia reunir forças iguais ou até um pouco superiores; e, no lado rebelde, havia também experiência e competência militar disponíveis.
A discussão se estende às táticas. O que predominou: guerra de guerrilha ou combate helenístico regular, com falange e unidades auxiliares? A falta de evidências claras impede uma conclusão segura; o mais razoável, dentro do que o próprio material permite afirmar, é admitir a coexistência dos dois registros, variando conforme a fase da revolta e conforme as circunstâncias.
Ainda assim, os resultados alcançados pelos judeus foram expressivos — embora não precisem ser explicados como “o mínimo vencendo o máximo”. O texto atribui tais êxitos à motivação elevada dos combatentes e, principalmente, ao comando de Judas Macabeu, descrito como portador de qualidades típicas de um grande chefe: capacidade de liderar, coragem, força do exemplo pessoal, familiaridade com o país e com sua configuração física, versatilidade tática e senso estratégico.
Por fim, mesmo quando “os sírios” voltam a obter vantagem, o impulso de libertação não se dissolve. A liderança asmoneia surge como fruto direto das realizações de Judas, mas o próprio movimento precisa ser lido dentro de um cenário mais amplo: a desagregação progressiva do império selêucida. É nesse enquadramento que se cita, de modo lapidar, a observação de Tácito: “Mais tarde, enfraquecido o poder da Macedônia, ainda não fortalecidos os partos, e estando os romanos longe, os judeus escolheram seus próprios reis” (Hist. 5.8.3).
J. A revolta em perspectiva histórica
Os efeitos da Revolta dos Macabeus foram decisivos em mais de um plano. No horizonte histórico, ela desencadeou o processo pelo qual os judeus da Palestina constituíram um Estado nacional autônomo — distinto de muitos Estados dinásticos do mesmo período — que veio a abranger a maior parte do país. E, num alcance ainda mais amplo, não menos importante é a ideia de que a continuidade do monoteísmo judaico foi assegurada por meio da revolta, na medida em que ela rompeu a perseguição religiosa. As consequências, portanto, ultrapassam, de longe, as fronteiras da Judeia.
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GALVÃO, Eduardo. Os Macabeus. In: Enciclopédia da Bíblia Online. [S. l.], 6 jun. 2010. Disponível em: [Cole o link sem colchetes]. Acesso em: [Coloque a data que você acessou este estudo, com dia, mês abreviado, e ano. Ex.: 22 ago. 2025].

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