2011/03/31

FILHO DO HOMEM — Sofredor


FILHO DO HOMEM — Sofredor

FILHO DO HOMEM — Sofredor

Uma vez que os discípulos foram convencidos de que Jesus era, em algum sentido real, o Messias que estava cumprindo a esperança profética de Israel, Jesus começou a enfatizar uma nova informação: “...que importava que o Filho do Homem padecesse muito, e que fosse rejeitado pelos anciãos, e pelos príncipes dos sacerdotes, e pelos escribas, e que fosse morto, mas que, depois de três dias, ressuscitaria” (Mc. 8:31). Essa ideia de que o Filho do Homem deveria sofrer, levou Pedro a repreendê-lo; a ideia de um Filho do Homem ou Messias moribundo era incrível e uma contradição.

Este fato suscita uma outra questão a respeito das expectativas judaicas daquela época: Será que houve alguma fusão entre os conceitos do Filho do Homem messiânico e do Servo Sofredor de Isaías 53? É claro que o judaísmo interpretou, algumas vezes, esta grande profecia de modo messiânico. Não é muito relevante para o aspecto em questão sabermos o que Isaías 53 significou em seu próprio contexto histórico; estamos apenas preocupados em saber o modo pelo qual o povo judeu o interpretou. J. Jeremias argumenta que a ideia de um Messias sofredor pode ser encontrada em um período pré-cristão.(Veja W. Manson, Jesus the Messiah (1946), 233-36.) Entretanto, quando o Messias sofre no judaísmo não é por intermédio de uma morte expiatória, mas pelo conflito com seus inimigos.35 É verdade que em Enoque, o Filho do Homem compartilha certas características com o Servo de Isaías 53,36 mas a característica importante -a do sofrimento vicário - está completamente ausente em Enoque.(VejaM. Black, “Servant of the Lord and Son of Man,” SJTh 6 (1953),19 e ss.) Portanto, devemos concordar com aqueles estudiosos que não conseguem distinguir qualquer sobreposição do Messias e do Servo Sofredor no judaísmo pré-cristão.

Depois da proclamação inicial, Marcos registra que Jesus, repetidas vezes, falou aos seus discípulos que deveria ser entregue nas mãos dos homens e conduzido à morte. Jesus falou de sua morte em termos do Filho do Homem, não como Messias; mas isto somente intensificou o problema para seus discípulos. Se o Messias é um rei davídico que destrói seus inimigos com o sopro de sua boca, e o Filho do Homem é um ser divino, sobrenatural, como alguém assim poderia morrer?

A afirmação mais vívida a respeito de sua morte é encontrada em Marcos 10:45, que declara que sua missão messiânica, como o Filho do Homem, é morrer pela humanidade. “Porque o Filho do Homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos” (Mc. 10:45). “Aqui ouvimos o tema central dos cânticos do ebed Yahweh e, sem dúvida, esta passagem é uma clara alusão a Isaias 53:5... Jesus conscientemente reuniu em sua pessoa os dois conceitos centrais da fé judaica: barnasha e ebed Yahweh”.(39. O. Cullmann, Christology, pg. 65. Fuller diz: “Devemos admitir como firmemente estabelecido que Isaias 53 é um elemento constituinte de Marcos 10:45b e 14:24” (NT Christology, 153), porém ele o atribui à Igreja Primitiva, e não a Jesus) A idéia de resgate (lytron) faz alusão à oferta pelos pecados em Isaias 53:10, e a frase, “de muitos” parece ser um eco da palavra “a muitos”, repetida em Isaias 53:11 e versículos seguintes.(C.E.B. Cranfield, Mark, 342. Isto é negado por M. Hooker, Jesus and the Servant (1959)) Este é o ponto de vista “conservador”, amplamente aceito, que refere-se ao uso que Jesus fez da expressão “Filho do Homem”. Ele tomou um termo que aparece em Daniel, mas que não era amplamente usado nas esperanças judaicas de sua época, e reinterpretou-o de modo radical. O Filho do Homem não é somente um ser divino, preexistente; Ele aparece em fraqueza e em humildade, como um homem entre os seres humanos, para cumprir um destino de sofrimento e morte. Em outras palavras, Jesus inseriu o conteúdo do conceito sobre o Servo Sofredor no conceito do Filho do Homem.(M. Black, “Servant of the Lord and Son of Man,” SJTh 6 (1953), 1-11.)

FONTE: Teologia Do Novo Testamento de George Eldon Ladd.

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