2014/09/28

Comentário de Romanos 15:1-33 (J. W. Scott)

Comentário de Romanos 15:1-33 (J. W. Scott)

Comentário de Romanos 15


Romanos 15

Agora o apóstolo adverte contra a insensatez das divisões, insistindo em união dentro da igreja em Roma, especialmente com referência às questões da liberdade cristã e ao privilégio dos gentios. Baseando seus conselhos no ensino já apresentado, apela por compreensão e prestimosidade mútuas, entre aqueles cujas opiniões e práticas difiram nos assuntos que ele tem discutido. Os fortes (1). É esta a primeira vez que o apóstolo emprega este termo para descrever aqueles cuja consciência goza de maior esclarecimento, embora a ideia estivesse implícita no uso que antes fez do termo “débil” (cfr. Rm 14.1), empregado para designar os oponentes deles. A ideia é de capacidade moral, que não apenas serve aos que a possuem, como também a outros que precisem de apoio. Verdadeira unidade de corações pode ser alcançada de duas maneiras, ambas essenciais. Primeiro, é o dever que têm os fortes de suportar os fracos, e não de defender seus próprios direitos. O egoísmo deve ser banido. Cristo deu-nos exemplo de uma vida de sacrifício próprio, porquanto não se agradou a si mesmo (3). Para confirmar este ponto, Paulo cita um salmo messiânico (Sl 69.9); isto o leva a defender o valor das Escrituras como inspiração de vida cristã (4; cfr. 2Tm 3.16). A segunda maneira de realizar a unidade está em os fortes, representando as autoridades da igreja, admitirem os débeis em sua comunidade. Neste dever, o apóstolo já insistiu (Rm 14.1), empregando o mesmo termo acolhei-vos (7), porquanto, em última instância, é Cristo quem nos acolhe a todos, fortes e fracos. Glória, pois, a Deus! Paulo, então, lembra à igreja de Roma que a misericórdia de Deus se estende igualmente a judeus e gentios. Nessa base ele exorta à unidade os circuncisos e os incircuncisos. É inconcebível que, por causa desta universalidade do evangelho, a comunidade em Roma vá cindir-se, ou sofrer de algum modo. Cristo foi servo de judeus e gentios. Por Sua vida e obra nosso Senhor confirmou à circuncisão as promessas feitas aos patriarcas (cfr. Rm 9.4-5). Contudo as promessas feitas à incircuncisão no Velho Testamento são igualmente confirmadas, de modo que os gentios glorifiquem a Deus por Sua misericórdia (9). Paulo assegura que todos são “um em Cristo Jesus”. Para provar aos judeus esta sublime verdade, o “mistério” de sua epístola, acrescenta várias passagens do Velho Testamento; ver Sl 18.49 (LXX); Dt 32.43; Sl 117.1 (LXX); Is 11.10 (LXX). E conclui a seção com uma bênção. O Deus da esperança (13); cfr. vers. 5, “o Deus de paciência e consolação”, e vers. 33, “o Deus da paz”. Todas estas qualidades Deus concede aos crentes. Cfr. também Rm 14.17.

O apóstolo chega agora à conclusão de sua nobre epístola. Começa a seção final referindo sua própria vocação, dando-a como explicação do motivo pelo qual escreve aos cristãos romanos. Com elevado tato, elogia a madureza espiritual deles e a capacidade de se auxiliarem mutuamente. Está persuadido de que eles estão possuídos de bondade (14). Sua carta apenas lhes traz à memória verdades que já haviam aprendido, embora ele não lhas tivesse ensinado. Sua ousadia em se lhes dirigir procedia do fato de ser apóstolo dos gentios. Descreve a comissão divina recebida em termos de sacerdócio (16): ministro (gr. leitourgos; lit. "sacerdote", cfr. Hb 8.2), sagrado encargo de anunciar (gr. hierourgon; "ministrando em sacrifício") e oferta (gr. prosphora) são três termos do ofício sacerdotal. No exercício do seu ministério de pregação, como profeta de Deus, ele é também sacerdote, a oferecer o sacrifício dos gentios, feito justo para Deus e santificado pelo Espírito Santo. Idêntica metáfora de sacrifício oferecido é usada em Rm 12.1-2 e Fp 2.17, com a associação da mesma idéia de aceitação garantida. O êxito de sua obra entre os gentios é outra marca de sua comissão apostólica, sobre a qual ele fundamenta sua autoridade para escrever esta epístola. Sua missão prosperou, não por ele mesmo, senão por Cristo operando nele. Esses milagres operados pelo poder do Espírito de Deus (19) são os únicos sobre os quais tem liberdade de falar. Refere seu campo de trabalho, desde Jerusalém e circunvizinhanças, até ao Ilírico (19); isto é, "a costa noroeste do Adriático e seu interior, a estender-se talvez até à província romana da Macedônia". Dá a entender a maioria das províncias romanas orientais, embora não haja notícia nos Atos de viagens missionárias na Ilíria. Conquanto não individualista, hesita em mencionar os trabalhos dos outros; sua política foi sempre fazer trabalho pioneiro de evangelização, e não edificar sobre fundamento alheio (20), regra que ele declara também em 2Co 10.15-16. A figura de fundamento ele também emprega em 1Co 3.10 e Ef 2.20. Com uma citação de Is 52.15 justifica sua estratégia missionária, de ir a regiões distantes.

Tratando agora mais de assuntos pessoais, Paulo alude a planos seus do futuro. O lançamento de todos esses novos alicerces impediu-o até então de visitar a cidade de Roma. Agora, porém, a obra estava terminada; e, como desejou durante muitos anos visitá-los, espera em breve ir até lá, de caminho para a Espanha. De fato, o apóstolo espera a assistência dos cristãos romanos no sentido de patrocinarem sua atividade missionária no Ocidente. Depois de haver primeiro desfrutado um pouco a vossa companhia (24). Não os deixará antes de ter a oportunidade de saciar seu desejo de gozar a companhia deles, o que já expressou no vers. 23. Enquanto isso, Jerusalém reclama seu ministério, como portador de ofertas da Macedônia e Acaia para os pobres. Os cristãos haviam distribuído com os gentios seus tesouros espirituais; é, portanto, dever dos novos convertidos contribuírem com coisas temporais para suprir as necessidades da igreja-mãe. Cumprida essa missão caritativa, Paulo planeja visitar Roma, de passagem para a Espanha. Chegou àquela cidade em circunstâncias jamais previstas em seus planos; todavia, cumpriu-se abundantemente a esperança que tivera de ir até lá na plenitude da bênção de Cristo (29). Não sabemos se ele chegou a ir até à Espanha. Esta parte pessoal da carta finaliza com um apelo apostólico para que orem a Deus por ele. Seu primeiro pedido é que se veja livre dos incrédulos da Judeia, isto é, os judeus que ainda rejeitavam os direitos de seu Messias; depois, que sua contribuição missionária fosse aceita pelos santos de Jerusalém; em terceiro lugar, que sua visita ao Ocidente redundasse em edificação pela vontade divina, com o resultado bendito de refrigério tanto para os cristãos romanos, como para si mesmo. Possa recrear-me (32): como os fatos posteriores mostraram, esse desejo de Paulo esteve longe de cumprir-se. Sua experiência tanto em Jerusalém, como em Roma, foi muito diferente do sonho suave que ele alimentara. Cfr. 5 e 13 com o 33.

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