2014/10/16

Teologia do Livro de Juízes

Teologia do Livro de Juízes

Teologia do Livro de Juízes

R. K. Harrison (2008)

Yahweh é justo

Embora Juízes pinte um quadro sombrio da vida de uma nação que se afastou dos preceitos de vida exigidos por seu Deus, tal quadro serve para realçar a justiça de Yahweh em fazer cumprir as maldições de Sua aliança. Pode-se afirmar, fundamentado em Juízes, que Yahweh prefere sofrer em Sua reputação a permitir a idéia de que Seu caráter santo seja violado sem conseqüências.

Yahweh é soberano

O autor de Juízes menciona diversas causas pelas quais Israel não foi capaz de efetivamente possuir toda a terra de Canaã (armamento superior dos cananeus [1.19]; determinação dos cananeus [1.27]; e pura apostasia [2.2, 11-13]). A razão principal, todavia, parece ser a determinação soberana de Yahweh em utilizar o remanescente cananita para provar (e reprovar) as gerações subseqüentes à conquista (3.1-4). Essa perspectiva dupla é típica da mentalidade teocêntrica de Israel, embora pareça contraditória a nossos olhos ocidentais.

Em Juízes, duas linhas de ação revelam essa faceta do caráter de Yahweh. A frase, e os entregou nas mãos de, que traduz as expressões hebraicas וַיִּתְנֵם בְּיָד (́wayyṯnēm beyaḏ) e וַיִּמְכְּרֵם בְּיָד (́wayymkerēm beyaḏ), [2.15 e 3.8; 4.2; 10.7], tira do campo meramente sócio-político as constantes opressões a que Israel foi sujeito, e coloca-as em uma esfera maior, que abrange céus e terra.

Em contrapartida, a expressão וַיָּקֶם יהוה מוֹשִׁיעַ (́wayyāqem ʾădōnay môšîaʿ, “e Yahweh suscitou um libertador”) indica que também a solução dos problemas de Israel tinha sua origem no Deus que soberanamente atraía de volta Seu povo rebelde.

Embora apenas Otniel e Eúde sejam assim designados, a comissão de Débora, de Gideão e de Jefté, todos péssimos candidatos do ponto de vista humano, indica a determinação divina de utilizar o que menos teria mérito próprio, para melhor evidenciar Seu poder. De igual modo, o nascimento sobrenatural de Sansão prova a intervenção soberana de Yahweh em favor de Seu povo (compará-lo ao nascimento de Samuel e comparar as condições espirituais impostas a cada um é um estudo interessante).

Yahweh é misericordioso

Em cumprimento às estipulações da aliança, Yahweh disciplinou o Seu povo rebelde, mas isso não O tornou insensível ao seu sofrimento e à possibilidade de que viesse a ser exterminado pelos que o oprimiam. A constância da misericórdia de Yahweh é mais comovente que a irracionalidade e cegueira de Israel. Juízes prova que a misericórdia de Yahweh nunca é sobrepujada pelo pecado do homem, e que o penitente sempre encontrará um Deus de braços estendidos a recebê-lo.

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