Significado de Isaías 42

Significado de Isaías 42

Significado de Isaías 42


Isaías 42

42.1 — Eis. O Senhor apresenta formalmente o Servo. O título meu Servo está ligado a Jesus Cristo, no Novo Testamento (Mt 12.15-21). Isaías pode tê-lo prenunciado, mas só Cristo trará a justiça universal (v. 4) e estabelecerá um pacto eterno (v. 6). Sustenho. Quando Deus sustenta uma pessoa, nada pode abalá-la. Veja uma ideia semelhante em Isaías 41.10. O Servo — isto é, Jesus — tem o Espírito Santo (Is 4.4; 11.2; 48.16; 59.21; 61.1; Lc 3.22), que o revestia de poder para trazer juízo ao mundo.

42.2 — A palavra hebraica traduzida por clamará significa chorar alto de aflição. A expressão fará ouvir a sua voz na praça alude à mesma ideia. O repúdio ao Servo faz-se ouvir pela primeira vez (Is 49.4; 50.5,6; 53.4-9).

42.3 — A cana trilhada representa os pobres e necessitados (Is 41.17; 42.7). A expressão não quebrará é eufemismo para seu equivalente positivo: remendar-se-á ou restaurar-se-á. O pavio que fumega representa os que estão quase perdendo a fé e a esperança no Senhor. O Servo virá para resgatar o pobre e o necessitado e restaurar a fé do povo (Mt 11.5).

42.4 — Doutrina. O Servo será mais que um novo Moisés (Dt 18.15-18; At 3.22-26): Ele mediará a Nova Aliança (2 Co 3.3; Hb 8.7-13).

42.5 — O Senhor Deus apresenta-se como fonte de toda vida física e espiritual — respiração e espírito —, pois Ele capacitará o Servo a libertar o povo da morte e da cegueira espiritual (v. 6-9).

42.6 — Chamei, tomarei, guardarei e darei são expressões paralelas às palavras do v. 1. Contrapondo-se a Ciro, que trouxe liberdade política (Is 41.2), o Servo em justiça libertará Israel dos pecados.

O Servo virá para instituir um novo concerto entre Israel e o Senhor (Is 49.8). Os profetas referem-se a esse novo pacto como um concerto da minha paz (Is 54.10; Ez 34.25); um concerto perpétuo (também associado à aliança davídica; Is 55.3); um concerto novo (Jr 31.31-34); e, mais comumente, apenas como concerto. O povo, aqui, são os gentios (Is 60.3). Cristo é a verdadeira luz do mundo (Is 9.2; 49.6; 60.3; Jo 8.12; 9.5; At 26.17,18,23), e os seguidores de Cristo devem refletir Sua luz (Mt 5.14).

42.7 — Para abrir[...] trevas é uma metáfora derivada do período no cativeiro babilônico; alude à visão espiritual e à salvação do jugo do pecado (Is 6.9,10; 29.18,24; 32.3; 35.5,10; 61.1). Cristo fez os cegos enxergarem para mostrar a todos que Ele tinha poder para dar visão espiritual (v. 16).

42.8 — O fato de Deus ter revelado Seu nome ao Seu povo é sinal de Sua imensa graça (Ex 3.14,15). A minha glória, aqui e em Isaías 48.11, é associada ao nome de Deus.

42 .9 — Primeiras [...] novas. Veja uma ideia semelhante em Isaías 41.22. As antigas profecias já se cumpriram. Por meio de Isaías, Deus anuncia profecias novas, que também se cumprirão.

42.10,11 — Vós que navegais pelo mar [...] o deserto e as suas cidades. A ordem é que todos cantem. O cântico novo celebrará o segundo êxodo, que parte da Babilônia, assim como o cântico de Moisés comemorou o primeiro êxodo, quando o povo deixou o Egito (Ex 15.1-21).

O fim da terra. Veja uma ocorrência semelhante desse termo em Isaías 41.5, como ilustração da honra e do louvor que Deus receberá de todo o mundo.

42.12 — Glória vincula esse hino ao cântico do Servo (v. 8).

42.13 — Homem de guerra. Veja uma descrição semelhante de Deus em Êxodo 15.3. O Senhor tem supremacia absoluta: Ele luta por Seu povo, mesmo estando este no exílio, em terra estranha (v. 14-17). O zelo do Senhor também é mencionado em Isaías 9.7.

Sujeitará os seus inimigos. Uma promessa semelhante de triunfo do Senhor encontra-se em Isaías 41.11,12.

42.14 — A expressão me calei descreve a paciência do Senhor, que o faz demorar a agir (Is 48.9; 57.11).

Por muito tempo refere-se, provavelmente, aos 70 anos de cativeiro (2 Cr 36.21). Agora indica o começo de uma nova era (Is 43.1; 44.1).

A que está de parto. As palavras não tratam somente de seus gritos, mas também da chegada oportuna da nova era que começará com a restauração.

42.1 5 — Montes e rios são os obstáculos no caminho para os deixam o exílio e voltam para casa. A expressão farei secar alude ao êxodo por meio do mar Vermelho (Êx 14.16-29; SI 66.6) e à entrada na Terra Prometida pelo rio Jordão (Js 3.14-17).

42 .1 6 ,1 7 — A figura dos cegos simboliza o estado dos exilados e os vincula à incumbência do Servo (v. 7) e à acusação do Senhor contra Israel (v. 18). Tornarei as trevas em luz ecoa o primeiro êxodo (Ex 13.21,22). Veja referências a trevas e luz em Isaías 58.8,10; 59.9; 60.1,2.

42.18-25 — Essa profecia, justificando o exílio como castigo, consiste de (1) discurso do Senhor aos exilados, acusando-os de cegueira e surdez para com Seus magníficos atos (v. 18-22); (2) discurso de Isaías acusando os exilados de pecadores (v. 23-25).

42.18,19 — O povo de Israel é surdo porque não quer dar ouvidos (v. 23,25) e cego porque não quer enxergar (v. 7,16). O Senhor rebate a acusação implícita dos exilados de que Ele está surdo e cego (Is 40.27) e os acusa justamente de surdez e cegueira (Is 6.10). O meu servo. Isaías atribui também o título servo a Israel (Is 41-8) porque, supostamente, a nação deveria ter o papel de mensageiro (Is 44.26) de Deus às nações (Gn 12.3).

42.20,21 — O Senhor se agradava. Veja uma ocorrência semelhante em Isaías 53.10 como ilustração da boa vontade de Deus. Por amor da sua justiça. Ao punir Israel por ter pecado, o Senhor exalta Sua lei.

42.22-24 — Israel foi roubado e saqueado, primeiro pelos assírios (Is 10.6) e depois pelos babilônios (Is 39.6). Essas palavras vinculam o discurso do Senhor ao de Isaías no v. 24. Ninguém dirá: Restitui até Ciro ordenar aos exilados que voltem a Jerusalém (Ed 1.2-4).