2015/09/03

Significado de Jó 30

Significado de Jó 30

Significado de Jó 30


Jó 30

30.1-6 — A locução mas agora principia a lamentação de Jó (cap. 30) sobre a reversão da sua antiga prosperidade (cap. 29). Em vez de todos o respeitarem (Jó 29.8-11,21-25), até jovens desordeiros atreviam-se a rir dele (Jó 29.24). Eles eram tão vis que Jó teria desdenhado de pôr seus pais, que eram presumivelmente melhores que eles, com seus cães. Suas palavras não só ressaltam como esses jovens eram baixos, como também o quanto se sentia rebaixado sendo o excluído dos excluídos (v. 9-11).

30.7 — O fato de Jó usar verbo bramavam ressalta não só a pobreza dos desordeiros (Jó 24-5, onde os pobres são chamados de jumentos monteses), como também o fato de agirem mais como animais do que como homens.

30.8-10 — Jó denigre as famílias dos excluídos como doidos [hb. benê-nabal, literalmente, filhos de um doido]. Ironicamente, ele já havia usado essa palavra para repreender a sua esposa.

30.11-15 — Quando Jó diz que Deus desatou a sua corda, está expressando um sentido oposto ao que está escrito no capítulo 29, versículo 20. Aqui, as palavras significam que Deus o deixou “em espera”, como um arco descartado quando está sem a corda.

30.16,17 — Ao expressar derrama-se em mim a minha alma como água, Jó enfatizava que suas forças físicas e emocionais estavam esgotadas (Lm 2.11,12) por causa de seus dias da aflição (v. 1 -31). Estas palavras se parecem muito com as de Davi, encontradas no Salmo 22.14,15.

30.18,19 — Jó compara os terríveis efeitos de seu sofrimento e doença (v. 16,17) com ser esganado por uma força poderosa. Então, ele identifica Deus como o que usava de Seu grande poder para feri-lo sem motivo (Jó 9.19; 24-22). Para Jó, que sofria, Deus parecia um vingador que agarra a pessoa pelo pescoço e a atira na lama. Ele culpou o Senhor por tomá-lo semelhante ao pó e à cinza (Jó 2.8), embora fosse Satanás o verdadeiro causador de seu sofrimento (Jó 2.4-6).

30.20,21 — Ironicamente, Jó culpa a mão forte de Deus, que Satanás não conseguiria mover, pelas calamidades que na verdade foram provocadas pela mão de Satanás, que seria removida facilmente pela de Deus (Jó 1.11,12,18,19).

30.22,23 — Quando Jó declara eu sei, mostra-se frustrado com Deus de forma quase tão direta quanto tinha expressado sua confiança no Redentor (Jó 19.25). Com a mesma certeza de que Jó sabe que Deus o redimirá, também sabe que Deus o levará à morte.

30.24 — O significado deste versículo é controverso, porque o texto em hebraico não identifica se o sujeito da oração estenderás a mão é divino ou humano. Ainda que presumamos que este versículo se refere a Deus, a mensagem é potente. Se o montão de terra pudesse erguer seu clamor, Deus lhe estenderia a mão. Como é que Ele não pode estender a Sua mão quando é um homem que clama por Ele?

30.25 — Jó trabalha a imagem do aflito (v. 24) lembrando a própria compaixão que tinha pelo necessitado. Agora que Jó era esse necessitado, por que Deus não o atendia?

30.26,27 — Utilizando os mesmos dois verbos hebraicos em Jó 29.21, o patriarca compara a conduta de seus interlocutores que o esperavam [hb. yahal] em silêncio [hb. damam] com a própria posição de Jó perante Deus. Quando ele esperava a luz, seu desapontamento para com a escuridão não o permitia estar quieto [hb. damam, ficar quieto ou em silêncio] por dentro.

30.28-31 — A luz da referência à pele enegrecida e podre de Jó (v. 30), a palavra lamentação pode ter o sentido de turvado, como em Jó 6.16. Quando ele clama por socorro, tanto Deus como todas as classes sociais o ignoram. Seus altos clamores por justiça são tão inúteis quanto os uivos dos dragões e das avestruzes. Em virtude de sua condição decadente (v. 30), Jó se sente desterrado, como os animais de habitats desérticos.

Índice: Jó 1 Jó 2 Jó 3 Jó 4 Jó 5 Jó 6 Jó 7 Jó 8 Jó 9 Jó 10 Jó 11 Jó 12 Jó 13 Jó 14 Jó 15 Jó 16 Jó 17 Jó 18 Jó 19 Jó 20 Jó 21 Jó 22 Jó 23 Jó 24 Jó 25 Jó 26 Jó 27 Jó 28 Jó 29 Jó 30 Jó 31 Jó 32 Jó 33 Jó 34 Jó 35 Jó 36 Jó 37 Jó 38 Jó 39 Jó 40 Jó 41 Jó 42

Um comentário:

  1. 30.24 "De um montão de ruínas não estenderá o homem a sua mão e na sua desventura não levantará um grito por socorro".

    talvez o sentido dessa expressão seja humana, uma vez que um homem na aflição, "num montão de ruínas", pede por socorro, levantando a sua mão como declaração de dependência, da necessidade de ser notado e "um grito de socorro" pode ser interpelado pelo gesto de levantar as mãos, ou estendê-las. Assim quem passa por um momento de adversidade como era o caso de Jó, e é temente a Deus, se lança aos pés do Senhor de uma maneira que pode ser notada pelos seus gestos, atitudes e palavras, ao passo que a resposta lhe falta, essa declaração pode ser de alguém que já tentou de tudo para ouvir algo da parte de Deus.

    ResponderExcluir