2015/11/13

Estudo sobre Jó 31

Estudo sobre Jó 31



Estudo sobre Jó 31.1
JÓ AFIRMA, PELA ÚLTIMA VEZ, A SUA INOCÊNCIA (Jó 31.1-40). Este capítulo revela-nos, de forma muito perfeita, o caráter de Jó. Os seus ideais não são acomodatícios nem superficiais mas ambiciosos, exigentes e íntimos. “Ele julga-se de acordo com uma medida de excelência quase evangélica”, comenta alguém. Outro comentador vê neste capítulo o mais elevado expoente da ética velho-testamentária. Notaremos a seguir alguns notáveis pontos de contacto com a doutrina do Novo Testamento. Jó faz seis grandes afirmações respeitantes à sua vida passada.
I. Não se deixou contaminar pela imoralidade (1-12). A sua conduta externa fora pura mas não mais pura que os seus pensamentos íntimos (1,7,9; cf. Mt 5.8,28). O adultério aparece-nos aqui como um terrível pecado. Em primeiro lugar merece o castigo divino (2-3). A pureza de Jó era consequência de um conceito de vida, da convicção de que “o temor do Senhor é a sabedoria” (Jó 28.28). Em segundo lugar, merece o castigo do homem, visto que é uma ofensa não só contra Deus mas contra a sociedade (11). Moa minha mulher para outro (10) são palavras que se referem à mais baixa forma de escravidão, a de uma escrava labutando no moinho. Cf. Êx 11.5. Em terceiro lugar, é um fogo que tem, em si, o gérmen da destruição -a destruição da saúde, do lar, da felicidade (12). Cf. Pv 6.27-28. Os vers. 5-8 dão-nos um quadro cujo significado se situa para além do mero sensualismo. Nestes versículos Jó proclama-se livre de vaidade e inocente de qualquer espécie de fraude. Alguém chamou à vaidade (5) (Heb. shawe’) “vacuidade disfarçada”. Jó não receia as balanças da justiça divina se estas forem fiéis (6). E se a sua afirmação de absoluta integridade for falsa, ele está pronto a perder todo o produto dos seus esforços. A segunda parte do versículo 8 pode ser assim traduzida: “seja arrancado até à raiz tudo o que o meu campo produz”.

Estudo sobre Jó 31.31
II. Jó não se deixou contaminar pela dureza nem pela insensibilidade (13 -22,31-32). Os seus servos eram sempre tratados com justiça porque ele se lembrava de que havia um Deus no céu a quem ele tinha de prestar contas e que fora Criador tanto do senhor como do servo (13-15. Cf. Ef 6.9). O vers. 15 salienta-se de todos os outros, nesta passagem, pela notável consciência social que revela. Cf. Pv 14.31; Pv 22.2. Se não podiam acusá-lo de injustiça, tão pouco podiam queixar-se de uma alimentação insuficiente. Mas a sua bondade não se limitava àqueles que o rodeavam ou com ele trabalhavam; estendia -se a todos os necessitados, aos pobres, às viúvas, aos órfãos (16-17). A exploração e a opressão dos fracos eram procedimentos estranhos à sua natureza embora ele pudesse ter-se servido da sua influência para corromper a justiça dos tribunais (21). Ele tinha sido o auxílio dos desamparados. O vers. 17 é particularmente digno de nota. A sua abundância nunca o tornara indiferente às faltas dos outros. À sua porta não havia Lázaros abandonados ou ignorados (cf. Lc 16.20). Praticava a hospitalidade (Rm 12.13) desinteressadamente, quando não havia a mínima probabilidade de ela lhe ser retribuída (Jó 16-20; Jó 32; cf. Lc 14.12-14).

Estudo sobre Jó 31.24
III. Não se deixou contaminar por aquilo a que G. B. Shaw chama “O Evangelho de subir na vida” (24-25). Granjeou amigos com “as riquezas da injustiça” (cf. Lc 16.9) mas a sua atitude para com aquilo que possuía nunca o fez correr o risco implícito no solene aviso: “não podeis servir a Deus e a Mamom” (cf. Mt 6.19-21,24).

Estudo sobre Jó 31.26
IV. Não se deixou contaminar por qualquer desejo secreto de idolatria (26-27). O versículo 27 fala-nos do beijo de adoração que os idólatras lançavam aos astros.

Estudo sobre Jó 31.29
V. Não se deixou contaminar pelo ódio aos seus inimigos (29-30). Aqui Jó empreende uma longa viagem, uma viagem cujo destino se encontra nas palavras de Nosso Senhor em Mt 5.44.

Estudo sobre Jó 31.33
VI. Não se deixou contaminar pela insinceridade (33 -34). A expressão como Adão pode traduzir-se por “segundo o hábito dos homens”. O seu olhar leal nunca soubera disfarçar habilmente a transgressão por temer a reprovação do povo e mais especialmente a das grandes famílias. Leia -se o vers. 34 de acordo com a seguinte tradução e considerando-o o seguimento do versículo anterior: “porque tremia perante uma grande multidão e o desprezo das famílias me apavorava e eu me calava e saía da minha porta...” A frase fica por terminar. A recordação da sua vida passada, da forma como ele a viveu, leva Jó a soltar um grande grito de protesto, uma intrépida e quase louca afirmação de inocência com que desafia os céus (35-37). Que o meu adversário escreva um livro. Uma acusação do inimigo não o confundiria nem humilharia. Ele a levaria triunfante alegre ostensivamente sobre os seus ombros (36); e com passo firme e principesco acercar-se-ia daquele Adversário que lhe fugia pronto a dar-lhe um relatório exato da sua vida diária (37). Neste capítulo Jó afirma que nem a voz do homem nem a voz de Deus o podem convencer de pecado ou confundir. Está inocente daqueles pecados que os amigos procuravam imputar -lhe. Nos versículos 38-40 Jó vai mais longe e diz: “nem a própria terra que me pertence, se tivesse voz, me condenaria”.

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