2019/08/15

Gênesis 11 — Estudo Bíblico

Estudo sobre o Livro de Gênesis





Gênesis 11

A confusão de línguas (11.1-9). O cenário desta história curta, mas intrigante, forma-se depois do dilúvio com os descendentes de Noé que se agruparam por uma lín­gua comum e logo começaram a migrar para novos territórios. Cronologicamente, a his­tória está relacionada com as fases mais primitivas de migração, pois 10.25 fala de uma divisão de povos nos dias de Pelegue e 11.8 menciona um espalhamento de clãs. O relato foi colocado depois das três genealogias do capítulo 10 para que sua relação com a profe­cia de Noé (9.25-27) não fosse perturbada.
Mudando-se da região do monte Ararate, os povos se instalaram em Sinar (2), que é o vale da Mesopotâmia, o local dos vestígios mais antigos da civilização por nós conheci­do. O vale é banhado pelos rios Tigre e Eufrates, sendo muito fértil.
A história nos conta que, em assembleia, os novos habitantes de Sinar tomaram uma decisão totalmente fora da vontade de Deus. O propósito da ação proposta é claro. Queriam fama: Façamo-nos um nome (4). E desejavam segurança: Para que não sejamos espa­lhados sobre a face de toda a terra. Ambas as metas seriam alcançadas somente pelo empreendimento humano Não há dúvida sobre a ingenuidade das pessoas. Não tendo pe­dras, fabricaram em seu lugar tijolos de barro que depois queimaram bem (3). Viram a utilidade do betume (asfalto) abundante na área e o usaram como cal ou argamassa Tra­balharam com persistência até que houvesse bastante tijolo para o projeto de construção.
O interesse principal deste povo estava numa torre (4), embora também houvesse a construção de uma cidade. A torre ia alcançar os céus. Nada é dito sobre um templo no topo da torre, por isso não está claro se a torre era como os zigurates que houve mais tarde na Babilônia. Havia morros enormes e artificiais feitos de tijolo, alguns elevando-se até 90 metros acima da planície circunvizinha. Colocados no centro das cidades, eram encimados por um templo dedicado a uma deidade pagã e, em inscrições antigas, há a descrição de que chegavam até o céu.
O paganismo estava indiretamente envolvido nesta história, pois havia um ímpeto construtivo em direção ao céu e o único verdadeiro Deus foi definitivamente omitido de todo o planejamento e de todas as metas. Mas Deus não estava inativo. Ele observava o que estava acontecendo e logo mostrou sua avaliação da situação. O homem não foi cria­do como ser independente de Deus. Ser “à nossa imagem” (1.26) significava que o homem estava dotado de grandes poderes e que era totalmente dependente de Deus para sua essência de vida e razão de ser.
Há ironia no monólogo do Senhor. Os povos estavam unidos, tinham comunicação aberta entre si, contudo arruinaram estas bênçãos em rebelião contra o Criador. Deus não permitiria ser ignorado, e a loucura da ilusão humana de que posses e atividades criativas eram insuperáveis não ficaria sem confrontação.
O julgamento de Deus logo manifestou estas ilusões. Para demonstrar que a uni­dade humana era superficial sem Deus, Ele introduziu confusão de som na língua humana. Imediatamente estabeleceu-se o caos. O grande projeto foi abandonado e a sociedade unida, mas sem temor de Deus, foi despedaçada em segmentos confusos. Em hebraico, um jogo de palavras no versículo 9 é pungente. Babel (9) significa “confusão” e a diversidade de línguas resultou em balbucios ou fala ininteligível.”
A linhagem de Sem (11.10-26). Esta genealogia é mais seletiva que a de 10.21-32. Parece continuar de onde parou a genealogia no capítulo 5, e tem algumas das mesmas características. Dão-se as idades de vários homens, e como Noé foi o décimo depois de Adão, assim Tera (24) foi o décimo depois de Sem (10). Três filhos são nomeados com Noé e três filhos são nomeados com Tera. Em contraste com a linhagem de Sem em 10.21-32, esta lista traça a linhagem por Arfaxade (11), ignorando os outros filhos de Sem. A genealogia inclui os filhos de Pelegue (16), que não têm lugar em outra lista. Por meio desta genealogia, a história passa depressa de Noé a Abrão (26), o principal perso­nagem da próxima história da redenção.


SEÇÃO II
ABRAÃO, O HOMEM QUE DEUS ESCOLHEU
Gênesis 11.27-25.11
Um dos homens mais extraordinários dos tempos antigos agora é o centro das aten­ções. Abraão é exaltado como homem de Deus em três importantes religiões no mundo de hoje: o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. Durante os primeiros anos, seu nome era Abrão (27), que significa “pai exaltado”.' As histórias relacionadas com sua vida diante de Deus são diretas, apresentando os destaques de suas aventuras espirituais. Mas seus momentos de crise também são registrados, quando a incredulidade lhe golpeou a alma e ele se envolveu em situações desagradáveis com os outros.
A. As RELAÇÕES DA FAMÍLIA DE TERÁ, 11.27-32
Muitos nomes desta curta genealogia ainda persistem em nomes de cidades no alto vale da Mesopotâmia. Provavelmente, as novas cidades receberam os nomes dos primiti­vos colonizadores, como acontece hoje. Em antigos registros assírios, acha-se um lugar chamado “montículo de Tera”. A cidade de Harã (27) existe hoje às margens do rio Balique.
Ur dos Caldeus (28) foi uma das cidades-estados mais ricas já desenterradas das culturas mais antigas do vale da Mesopotâmia. O deus-lua Nanar era adorado ali, e um dos mais famosos reis de Ur foi Ur-Namu. Josué 24.2 declara que a família de Tera adorava ídolos. A cidade foi destruída em cerca de 2100 a.C. e, logo em segui­da, ocorreu grande migração para o oeste. Chamavam-se amoritas as famílias que se mudaram para o oeste. A família de Tera estava entre estes migrantes. Planejavam evidentemente ir primeiro à terra de Canaã (31), mas foram detidos, pois morreu Tera em Harã (32).

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