2015/11/10

Interpretação de João 3

Interpretação de João 3

Interpretação de João 3 


Índice: João 1 João 2 João 3 João 4 João 5 João 6 João 7 João 8 João 9 João 10 João 11 João 12 João 13 João 14 João 15 João 16 João 17 João 18 João 19 João 20 João 21

João 3

3) O Incidente com Nicodemos. 3:1-15.
Contrastando com os muitos em Jerusalém que "creram", mas nos quais Jesus não confiava, Nicodemos avulta como alguém a quem o Senhor abriu o seu coração, alguém que se transformou em um verdadeiro discípulo. Ao mesmo tempo a passagem enfatiza um tema anterior as limitações do judaísmo corrente – mostrando a incapacidade deste líder de compreender a verdade espiritual enunciada por Jesus.
1, 2. Os fariseus eram os líderes religiosos da nação. Nicodemos, além de pertencer a este grupo, era também um dos principais dos judeus, um membro do Sinédrio. Foi ver Jesus de noite, provavelmente movido pela prudência. A atitude oficial para com o Nazareno, depois da purificação do Templo, devia ser de forte oposição. Talvez João estivesse também sugerindo a cegueira deste homem com referência às coisas divinas. Nicodemos estava pronto a aceitar que Jesus era um Mestre enviado por Deus, com milagres por testemunho. Isto poderia significar que ele era um profeta mais poderoso que João, que não realizava milagres. Sabemos sugere que havia outros pensando da mesma maneira. Se há alguma indicação intencional de que Jesus pudesse ser o Messias não está claro.
3, 4. Na mente de Nicodemos os milagres podiam muito bem ser a indicação da vinda rápida do reino de Deus em sentido político. Mas Jesus apresentou um conceito inteiramente diferente do reino, com os sinais apontando para um reino espiritual de Deus.
Nascer de novo é nascer outra vez, de cima. Nicodemos ficou perplexo. Ele sabia que uma pessoa não podia nascer de novo no sentido físico. Talvez Jesus estivesse dando a entender que é completamente impossível que alguém que esteja velho mude sua aparência ou seu modo de ser.
5-8. Então Jesus descreveu o novo nascimento em termos de água e do Espírito. Dos dois, o Espírito é mais importante (veja v. 6). A água pode se referir à ênfase de João Batista dada ao arrependimento e purificação do pecado como antecedente necessário, ainda que negativo, do novo nascimento. Menos natural é qualquer alusão à Palavra (I Pe. 1:23). O ingrediente positivo é a injeção da nova vida criadora pelo poder regenerador do Espírito (cons. Tt. 3:5).
Importa-vos nascer de novo. Não é simplesmente uma exigência pessoal, mas universal. A necessidade jaz na incompetência da carne. Isto inclui o que é meramente natural e o que é pecador – o homem nascido neste mundo vivendo a sua vida separado da graça de Deus. A carne só pode se reproduzir como carne, e isto não pode satisfazer os requisitos divinos (cons. Rm. 8:8). A lei da reprodução é "segundo a sua espécie". Assim, do mesmo modo, o Espírito produz espírito, uma vida nascida, nutrida e amadurecida pelo Espírito de Deus. Se isso significa mistério, vamos reconhecer que na natureza também existe mistério. O vento (pneuma, a mesma palavra usada para "Espírito") produz efeitos notáveis quando sopra, mas sua fonte e movimentos futuros permanecem escondidos. Assim a vida redimida mostra-se como algo verdadeiro, ainda que desafiando a análise do homem natural (cons. I Co. 2:15).
9, 10. A perplexidade de Nicodemos produziu uma repreensão gentil da parte de Jesus. Será que um mestre (lit, professorde Israel não sabia essas coisas? Não eram coisas novas (Ez. 11:19). Um reino espiritual e uma vida espiritual que lhe seja adequada não eram coisas estranhas aos ensinamentos do V.T.
11-13. Mais ainda, outros podiam dar testemunho da realidade dessas coisas - nós dizemos. Jesus gostava de associar-se com os seus seguidores. Vós (tu e os outros iguais a ti) não aceitastes o testemunho. Coisas terrenas são as coisas que já foram discutidas, tais como a natureza do reino e o nascimento e vida espirituais. Celestiais são os assuntos que o Filho do Homem, vindo do céu, tinha de revelar como novas e distintas (cons. Mt. 11:25-27). As últimas quatro palavras de 3:13 não estão nos principais manuscritos. 
14, 15. Há uma resposta necessária ao imperativo do novo nascimento (cons. 3:7). O levantamento do Filho do homem não pode se referir à Ascensão, à vista da elevação da serpente de bronze sobre o poste (Nm. 21:8), com a qual foi aqui comparado. A alusão é à cruz (Jo. 12:32, 33). Assim como os homens atingidos pelas picadas das mortais serpentes olhavam com expectativa e esperanças para aquilo que era a semelhança do réptil que injetara o vírus da morte em suas veias, assim os pecadores deviam olhar pela fé para Cristo, seu Substituto, que veio em semelhança da carne do pecado e em lugar do pecado (Rm. 8:3). O resultado de tal fé é a vida eterna. Sem essa fé o homem tem de perecer. Não é aniquilação, mas a tragédia de ser eternamente separado de Deus. Aparentemente Nicodemos levou a sério a advertência e o desafio (Jo. 7:50, 51; 19:39, 40). Nesse ponto, parece, as palavras de Jesus termina e as de João continuam, a julgar pela fraseologia, a qual tem diversas analogias com outras porções do Evangelho, onde João indubitavelmente é o responsável pelo material.

4) Os Temas Latentes na Mensagem do Evangelho. 3:16-21.
O amor ao pecado estimula os homens a rejeitarem a luz de Cristo, enquanto que aqueles que aceitam a luz estão prontos a confiar nele.
16, 17. João amplia a declaração de Jesus (3:15), retendo as palavras todo o que, pereça, crê, eterna, vida. Os elementos que foram acrescentados são o amor de Deus e a conseqüente doação do seu Filho, o que é descrito como unigênito, com o significado de único, um só. Filhos adotivos não se tornam membros da Divindade. A largura do amor de Deus é enfatizada pelo fato de que o seu objeto é o mundo (inteiro). Embora a vinda de Cristo envolvesse juízo, como o restante da seção atesta, o propósito direto dessa vinda, que repousa sobre o amor divino, não foi a condenação mas a salvação (3:17).
18-21. O crente em Cristo não entra em juízo pelos seus pecados nem agora nem no futuro (a forma do verbo é bastante flexível para cobrir os dois aspectos). Por outro lado, aquele que recusa crer já está sendo julgado em virtude dessa recusa. Ele mesmo decidiu o seu destino. A idéia essencial no juízo é uma distinção, uma separação (o significado original da palavra); e a vinda de Cristo como luz autenticou uma grande diferença divisória. Em vez de corresponder ao amor de Deus, amando o Seu Filho, muitos homens amaram de preferência as trevas à luz porque estavam presos ao seu padrão de vida, que era mau (obras ... más). Em 3:20, a palavra mal é outra, dando a entender algo que moralmente não tem valor. O ofensor sabe que está enredado no erro, mas recusa avançar para a luz de Cristo para que suas obras, as quais ele ama, não sejam expostas. Por outro lado, aquele que vem à luz é descrito como aquele que pratica a verdade. Ele age de acordo com aquilo que sabe ser direito (cons. 18:37). Essa conformidade com aquilo que sabe ser a verdade prepara-o para avançar dentro da plena luz de Cristo para ser salvo. Todas as suas obras são feitas em Deus, que o tem dirigido até alcançar este clímax da fé (cons. 1:47).

5) Outro Testemunho de João Batista. 3:22-30.
O fato de que Jesus e seus discípulos executaram uma obra de pregação e batismo na Judéia, enquanto João e seus discípulos conduziram obra semelhante em outro setor, despertou suspeitas de que os dois estivessem em competição. João o nega enfaticamente, assumindo alegremente um papel de subordinação junto a Jesus.
22-24. Depois disto. Terminou o episódio com Nicodemos. A terra da Judéia foi mencionada distintamente de Jerusalém, onde Jesus estivera trabalhando (2:13 – 3:21). A atividade de Jesus batizando pressupõe pregação. Sua relação com o batismo parece que foi apenas supervisora (cons. 4:2; I Co. 1:14). Enom e Salim não foram positivamente identificados mas pensa-se atualmente que ficassem algumas poucas milhas a leste do Monte Gerizim, em vez de ao sul de Bete-Seã no alto do Vale do Jordão. Concorria. As pessoas que estavam interessadas na mensagem de João, de um modo geral. A prisão de João, observa-se aqui, era algo familiar aos leitores, uma vez que foi transmitida em todos os Evangelhos Sinóticos.
25, 26. Os discípulos de João foram levados a discutir com alguns judeus (há muita evidência para que se leia aqui um judeu) sobre a questão da purificação. O escritor não nos conta se era a purificação de modo geral, tal como praticada pelos judeus, ou se era o batismo praticado por João e Jesus em contraste dessas purificações, ou se eram os batismo de João e Jesus, um em contraste do outro. Talvez o último seja o mais aceitável, em vista da seqüência. Foram ter. Provavelmente os discípulos de João. Ele. Deixar de mencionar Jesus mais definidamente parece que foi uma estudada depreciação. Os discípulos de João estavam preocupados com a posição em declínio do seu líder. Agora, as multidões seguiam Jesus.
27-30. O Batista deplorou qualquer pensamento de rivalidade entre ele e Jesus. Seu lugar, o qual lhe fora dado por Deus (do céu... dada) não era o de Cristo, mas o do precursor (v. 28). Sua posição não era a do Esposo, o qual atrairia a si o povo de Deus. Isto estava reservado para outro. Antes, ele era o amigo do Esposo. Tal homem tinha a função de medianeiro nos arranjos do casamento. Sua alegria era vicária participação da felicidade do noivo ao se formar uma nova família. O trabalho de João fora feito apresentando o trabalho de Jesus. Ele só podia batizar com água, não com o Espírito. Ele podia anunciar a vinda do reino, mas não entrar nele. Sua causa tinha de enfraquecer pela ordem natural das coisas, conforme a de Jesus se desenvolvesse (v. 30). Era o plano de Deus. E assim Jesus, além de ser superior ao Judaísmo, era também superior ao movimento que se centralizou em João (cons. Atos 19:1- 3).

6) As Credenciais de Cristo. 3:31-36.
Aqui o Evangelista reflete as características de Jesus, especialmente aquelas que o destacavam do Batista. Ele tinha origem celestial, o que o colocava acima das coisas mortais e terrenas (cons. 3:13). Ele dá seu testemunho daquilo que vê e ouve, um testemunho de coisas celestiais (cons. 16:13). Só os homens regenerados, os nascidos do Espírito, podem apreciar o seu testemunho (Nicodemos estava no fundo da cena dos pensamentos de João aqui). Aqueles que aceitam o seu testemunho não precisam de outra autenticação (cons. I Jo. 5:10). Cristo declara as palavras de Deus (Jo. 3:34) como testemunha fiel. A plenitude de tais palavras, como também a sua exatidão, estão garantidas pelo imensurável dom do Espírito que lhe foi concedido. O original sugere que por meio dEle o mesmo Espírito é dado aos outros sem medida (cons. 1:33). Mais ainda, o Cristo é o especial objeto do amor de Deus e é o guardião das riquezas divinas (cons. 16:15; Mt. 11:27). Ele é a pedra de toque da vida eterna ou da ira que permanece (Jo. 3:36).

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