2016/01/06

Antissemitismo — O que Significa?

Antissemitismo — O que Significa?

ANTISSEMITISMO

Termo popularmente usado para indicar os preconceitos e as perseguições contra os judeus, coletivamente, ou contra algum judeu em particular. A palavra também tem sido empregada para falar das atividades anti-judaicas, em oposição ao estado de Israel. Muitos períodos da história se têm caracterizado por tais atividades, de forma mais intensa. Três facetas do antissemitismo:

1. Faceta histórico-politica.  

Na colônia grega de Alexandria, em 220 A.C., um movimento contra a fé judaica foi um antigo incidente. Antíoco Epifânio, em sua tentativa de esmagar o judaísmo (175-163 A.C.), torna real outro desses incidentes. Mui naturalmente, Roma entrou em choque com o judaísmo, apesar de forçada a permitir-lhe a existência como religião legal, por ser impossível desarraigá-la. Assim, Roma periodicamente perseguia os judeus. Em cerca de 75 A.C., o antissemitismo havia sido refinado por Cícero e outros líderes romanos como um princípio filosófico. O antissemitismo histórico-político teve suas mais horrendas manifestações na era de Hitler, durante a. II Guerra Mundial, quando foram mortos seis milhões de judeus. Vários grupos árabes radicais dão prosseguimento a essa triste tradição.

2. Faceta pseudocientífica.  

Cerca de cem anos atrás, círculos acadêmicos alemães tentaram demonstrara inferioridade dos judeus. Tal fato culminou na absurda afirmação da superioridade natural dos povos arianos, mormente dos gentios caucasianos. Nesses mesmos círculos acadêmicos surgiram amargos ataques críticos contra a integridade das Escrituras. Os ataques de Hitler contra os judeus basearam-se, pelo menos parcialmente, na filosofia dessas academias.

3. Faceta religiosa.  

A perseguição romana contra Israel tinha fundo religioso, e não apenas político, visto que os deuses oficiais, considerados protetores do império, não toleravam competição. A adoração a divindades não-oficializadas era considerada traição ao estado. Enquanto o judaísmo foi tido como religião legal tal aceitação sempre foi qualificada, originada na necessidade, e não no verdadeiro espírito de tolerância. Visto que Jesus foi crucificado devido à influência de certos líderes judeus, e visto que a emergente Igreja cristã competia com a comunidade judaica e posto que o cristianismo era frequentemente perseguido pelas diversas facções ou por indivíduos proeminentes do judaísmo (o livro de Atos relata alguns desses incidentes), surgiu dentro da Igreja cristã o ódio ao judaísmo.

Era fácil os cristãos racionalizarem a perseguição contra os judeus como uma expressão de ódio aos ímpios (ver Sal. 45:7; Heb. 1:9), e, do ponto de vista cristão, como “uma defesa da fé”. Portanto, nos próprios evangelhos aparecem alusões desprezíveis aos “judeus”, sem qualquer qualificação, como “líderes dos judeus”, “certos judeus”, etc. Ver João 5:16-18; 6:41; 7:1, 10:31; 19:12. O antissemitismo penetrou na igreja no tempo do edito de Constantino (323 D.C.). Isso foi tanto uma reação contra os rabinos, cujo intuito era fazer oposição â Igreja cristã, como tentativa de proteger a Igreja em sua ascendência política e social.

A medida que a Igreja foi obtendo maior poder político, o antissemitismo foi-se entrincheirando cada vez mais. Apesar de que os cristãos da atualidade dificilmente se considerariam antissemitas, o exclusivismo faz muitos deles assumirem atitudes que dificilmente podem ter outra classificação.' Por exemplo, dizer que “Deus não ouve as orações dos judeus”, conforme fez um bem conhecido líder evangélico, certamente é uma atitude extremista que atiça os sentimentos antijudaicos. Oficialmente, representantes tanto do catolicismo quanto do protestantismo têm condenado essa atitude e as suas manifestações.

Isso é sumariado, pelo lado católico, no livro de Jacques Maritain: “A Christian Looks a t the Jewish Question” (1939), e pelo lado protestante, pelo livro Protestants Answer Anti-Semitism, editado por Beatrice Jenney (1941). Fanáticos religiosos, inchados de orgulho e arrogância, que inevitavelmente veem em seus movimentos locais algo de melhor, se não mesmo de exclusivo, sempre tenderão por perseguir àqueles que não fazem parte de sua denominação. Uma das lições espirituais que precisamos aprender é que todas as denominações na realidade são seitas, com suas misturas particulares de verdade e erro, não havendo tal coisa como “Igreja verdadeira”, em contraste com “igrejas falsas”. Portanto , não há base m oral ou teológica para que um grupo religioso persiga a outro. Nem há lugar para o sectarismo, que é orgulhoso e exclusivista. Pois a prova da espiritualidade não consiste em quão bom contendor alguém é, m as antes, quão bem alguém cumpre a lei do amor (I João 4:7). Essa lei não abre espaço para qualquer forma de anti-semitismo, individual ou coletivamente considerado. 

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