2016/05/24

Sandália — Estudos Bíblicos

Sandália — Estudos Bíblicos

Sandália — Estudos Bíblicos



SANDÁLIA (SAPATO)

A arqueologia tem podido mostrar o uso antiquíssimo de diferentes tipos de calçados, dos quais o mais comum eram as sandálias. Tal como hoje em dia, era essencialmente uma sola, presa aos pés por meio de correias. Elas têm sido encontradas na Babilônia, no Egito, em Israel, na Grécia e em Roma. O termo hebraico é naal, com frequência traduzido por “sandálias”, no Antigo Testamento. Ver Êxo. 3:5; 12:11; Deu. 25:9,10; 29:5; Jos. 5:15; I Reis 2:5; Rute 4:7,8. As palavras gregas usadas são upódema e sandálion (ver Mar. 6:9; Atos 12:8). Sapato é a tradução comum para upódema. Essa palavra ocorre por dez vezes no Novo Testamento: Mat. 3:11; 10:10; Mar. 1:7; Luc. 3:16; 10:4; 15:22; 22:35; João 1:27; Atos 7:33 (citando Êxo. 3:5); 13:25. Sua forma verbal é upodéo, que significa “amarrar”, provavelmente estando em foco a sandália, na maioria das ocorrências. Os calçados variavam, segundo a necessidade da ocasião, e havia muitos tipos de calçados para as diversas profissões. Ver o artigo geral intitulado Vestuário.
Os formatos dos calçados antigos têm sido amplamente demonstrados em monumentos, desenhos etc., principalmente aqueles de origem assíria, babilônica, egípcia e persa. Algum tipo de proteção para os pés pode ser visto nas gravuras desde o quarto milênio A.C. O painel de Beni-Hassan, de cerca de 1900 A.C., mostra um grupo do asiáticos, que vinham do Egito, usando uma espécie de sandália que revestia o calcanhar e o peito do pé. As mulheres usavam botas que chegavam acima dos tornozelos, com uma faixa branca no alto. O obelisco negro de Salmaneser III (século IX A.C.) mostra Jeú e os israelitas com calçados de ponta virada para cima, sem dúvida com propósitos decorativos, e sem qualquer utilidade prática.
Os calçados eram tirados quando se entrava em alguma casa, e o lava-pés era um ato comum de cortesia e hospitalidade (ver Luc. 7:44). Nas famílias mais abastadas, eram escravos que realizavam esse humilde serviço.

Usos Figurados:

1. O sumo sacerdote de Israel não usava calçados quando cumpria seus deveres; seus pés descalços simbolizavam respeito, porque ninguém podia usar calçados na presença de Yahweh. Talvez isso proviesse da idéia de andar descalço em terra santa (ver Êxo. 3:5), quiçá envolvendo a idéia de que os calçados, que pisam o chão, estão geralmente sujos. Ver o sexto ponto, abaixo.
2. A sandália com correias era um calçado barato, feito de material que até mesmo os pobres podiam comprar. Assim, Abraão não concordou em ficar nem com a mais insignificante possessão do rei de Sodoma (ver Gên. 14:23). Em Amós 2:6 e 8:6, comprar “os necessitados por um par de sandálias” era vendê-los por preço irrisório.
3. O calçado, tão ao nível do chão, representa a parte mais humilde ou a porção mais humilde de uma pessoa. João Batista disse que não era digno nem mesmo de tocar nas sandálias de Jesus (ver Mat. 3:11; Miq. 1:7; Atos 13:25).
4. Os calçados falam sobre a preparação para alguma viagem (Êxo. 12:11).
5. Não precisar de dois pares de sandálias aponta para as provisões adequadas, conferidas por Jesus aos seus discípulos (ver Mat. 10:10; Luc. 10:4; 22:35).
6. As sandálias e os pés ficam sujos devido às imundícias com as quais entram em contacto. Isso simboliza como a vida diária contamina espiritualmente o indivíduo, e como o crente precisa de purificação diária. Provavelmente, essa foi a razão pela qual Deus ordenou que Moisés tirasse as sandálias, quando este se achava em terreno santo (ver Êxo. 3:5). Essa é também a lição espiritual por detrás da cerimônia do lava-pés, descrita com detalhes no sexto capítulo do evangelho de João.
7. A remoção dos calçados poderia simbolizar transferência de propriedades ou direitos, ou a desistência em um direito, como no caso da responsabilidade pelo casamento levirato. Um homem que se recusasse a casar-se com a viúva de um seu irmão, para gerar filhos em nome dele, tinha de remover os calçados como sinal de sua recusa em assumir tal responsabilidade. Ver Deu. 25:9,10 e comparar com Rute 4:7,8. Talvez por detrás desse costume houvesse a idéia de que pisar uma propriedade conferia, ao que assim fizesse, direitos sobre ela. Tirar os calçados e entregá-los a outrem indicava a transferência dos direitos acerca de alguma propriedade. Israel precisava pisar a Terra Prometida, como símbolo de que tomava posse dela. Ver Deu. 11:24,25.
8. Fazer algo, calçado, indicava fazê-lo com vigor, força e de modo completo, visto que a maioria das pessoas tem pés por demais delicados para fazerem muita coisa descalços.
9. Lançar fora os calçados simbolizava rejeitar alguém ou alguma coisa, depois de ter tirado proveito desse alguém ou coisa. Usualmente, a expressão exprime alguma injustiça nesse ato de rejeição.
10. Nos sonhos e nas visões, amarrar um calçado é símbolo de morte, provavelmente devido ao fato de que, quando as pessoas amarram os sapatos, preparam-se para viajar. A morte é uma viagem para o além.


2 comentários:

Unknown disse...

Muito bom Deus continuei abençoando pela disposição de estudar e nos dar informações tão importantes

Unknown disse...

Gratidao. Feliz pelas informações...

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