2016/06/29

Estudo sobre Apocalipse 1

Índice: Apocalipse 1 Apocalipse 2 Apocalipse 3 Apocalipse 4 Apocalipse 5 Apocalipse 6 Apocalipse 7 Apocalipse 8 Apocalipse 9 Apocalipse 10 Apocalipse 11 Apocalipse 12 Apocalipse 13 Apocalipse 14 Apocalipse 15 Apocalipse 16 Apocalipse 17 Apocalipse 18 Apocalipse 19 Apocalipse 20 Apocalipse 21 Apocalipse 22

PRÓLOGO (1.1-8)
1) Preâmbulo (1.1-3)
v. 1. Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu. A palavra grega aqui traduzida por “revelação” — apokalypsis — emprestou o seu nome a todo esse gênero de literatura, chamado “apocalíptica”. A característica comum da literatura apocalíptica é a exposição de questões em geral desconhecidas, assim como as regiões celestiais ou os eventos do futuro, feita por alguém que recebeu uma revelação especial sobre essas coisas da parte de Deus, seja diretamente, seja por um intermediário, como por exemplo de um anjo intérprete. O exemplo mais marcante desse tipo de literatura, além do presente livro, é o livro veterotestamentário de Daniel. Mas Apocalipse é singular pelo fato de a revelação ser transmitida por Deus, não a nenhum ser mortal, mas a Jesus Cristo, ressuscitado dentre os mortos e exaltado na glória. Em muitos apocalipses, a revelação está contida num livro celestial — o rolo do destino já escrito nas alturas, ou, como é chamado em Dn 10.21, o Livro da Verdade. Que isso é verdade acerca da presente revelação fica claro em 5.1ss, em que Jesus pega o livro ou rolo da mão direita de Deus. para mostrar aos seus servos o que em breve há de acontecer. O tópico dessa revelação inclui os eventos do futuro — do futuro próximo. O argumento de que o grego en tachei implica que os eventos não ocorrerão “logo”, mas vão ser concluídos rapidamente depois de terem tido início, não pode ser defendido; não é o que os primeiros leitores do livro teriam entendido naturalmente. Ele enviou o seu anjo para torná-la conhecida ao seu servo João: O anjo intérprete aparece de tempos em tempos no livro (cf. 17.1,7; 19.9,10; 21.9ss; 22.6ss,16), mas muito da revelação registrada assume a forma de visões tidas por João. v. 2. que dá testemunho'. Uma afirmação solene da confiabilidade do registro de João de tudo que ele viu. a palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo'. Aqui essas palavras resumem o tópico da revelação; elas recorrem com significado ligeiramente diferente no v. 9. v. 3. Feliz aquele que lê as palavras desta profecia e felizes aqueles que ouvem e guardam o que nela está escrito-. Essa dupla bem-aventurança transmite a orientação de que o livro deveria ser lido publicamente nos encontros da igreja — primeiramente, mas não exclusivamente, nas sete igrejas da Ásia citadas a seguir — e que o seu conteúdo deveria receber atenção cuidadosa por parte dos leitores e exercer uma influência decisiva sobre o seu modo de vida. o tempo está próximo'. Reforçando o “breve” do v. 1.
2) Saudações e doxologia (1.4-7)
v. 4. João às sete igrejas da província da Asia: Esse apocalipse não é pseudônimo. Não podemos ter certeza de quem era esse “João”; ele era evidentemente profeta (cf. 19.10; 22.9) e apresenta suas credenciais no v. 9. Ele não reivindica ser apóstolo; Justino Mártir, perto da metade do século II, afirma isso acerca dele (Diálogo com Trifo, 81), e isso pode bem estar correto. As “sete igrejas” são identificadas no v. 11. A província da Ásia foi evangelizada durante o ministério de Paulo em Éfeso, 52-55 d.C. (At 19.10), e todas as sete igrejas de João podem ter sido organizadas nessa época. Embora as razões para a escolha dessas sete sejam as condições locais descritas nas sete cartas (2.1—3.22), o uso simbólico do número sete em todo o livro sugere um significado simbólico aqui; mesmo que as mensagens sejam primeiramente para as sete igrejas citadas, são relevantes também para as igrejas em todos os lugares. A vocês, graça epaz\ Uma saudação epistolar comum no NT combinando a saudação grega com a hebraica. Os termos que seguem são trinitários em essência, embora não em forma, da parte daquele que é, que era e que há de vir. Isto é, o Deus Eterno; a designação é usada por João como um nominativo indeclinável, não importa a construção em que apareça. Podemos considerá-la a versão que João dá do nome inefável de Javé, ou da expressão completa em Ex 3.14: Eu Sou o que Sou. dos sete espíritos que estão diante do seu trono'. Formalmente essa expressão (cf. 4.5; 5.6) lembra: “os sete anjos que se acham em pé diante de Deus” (8.2), mas na verdade se refere ao Espírito Santo na plenitude da sua graça e poder. Num estágio primitivo da exegese desse livro, a expressão foi associada às sete designações do Espírito do Senhor em Is 11.2, LXX: “o espírito de sabedoria e entendimento, o espírito de conselho e poder, o espírito de conhecimento e de piedade, o espírito do temor do Senhor” (assim Vito-rino de Pettau, ad loc.). Cf. as linhas em Veni Creator.
Tu és o Espírito que unge
Que concedes teu sétuplo dom.
“Diante do seu trono” ou “diante do trono” ocorrem repetidamente em Apocalipse como expressões da presença de Deus no seu templo celestial (cf. 4.5,6,10; 7.9 etc.), v. 5. e de Jesus Cristo, que é a testemunha fiel'. Esse arranjo de palavras em que Cristo está combinado com o Eterno e o sétuplo Espírito é notável, e coerente com o retrato dele em todo o livro. Numa época em que tantos do seu povo, como o próprio João, estavam sofrendo “por causa do testemunho de Jesus” (1.9; cf. 12.11), seria encorajador para a sua fidelidade serem lembrados de que Jesus Cristo foi a “testemunha fiel” por excelência. A mesma expressão é usada em relação a Antipas (2.13). o primogênito dentre os mortos e o soberano dos reis da terra\ Um eco de SI 89.27, em que Deus aponta Davi (e, por dedução, o filho de Davi) como “o meu primogênito, o mais exaltado dos reis da terra”. Aqui o título de “primogênito” está associado à posição de Cristo na ressurreição, como em Cl 1.18 (cf. ICo 15.20; tb. Rm 8.29). Os “direitos régios” do Redentor na terra são dois: Aquele que é “cabeça de todas as coisas para a igreja, que é o seu corpo” (Ef 1.22,23), também é o soberano dos reis da terra\ era bom que os leitores de João fossem lembrados de que o seu Senhor, por quem estavam sendo perseguidos, também era Senhor sobre César, seu perseguidor, mesmo que César não o reconhecesse. Ele nos ama e nos libertou dos nossos pecados por meio do seu sangue: A leitura “libertou” (gr. lysanti) é mais bem documentada do que a posterior “lavou” (gr. lousanti). “Lavar no sangue” não é uma figura de linguagem bíblica (7.14 é uma exceção, mas o que é lavado aí são vestes), v. 6. e nos constituiu reino e sacerdotes para servir a seu Deus: Israel no deserto, após a experiência da redenção do Egito, foi chamado para ser um “reino de sacerdotes” para Deus (Ex 19.6; a expressão reino e sacerdotes evidentemente é uma tradução literal da expressão hebraica em Êxodo). (Cf. Is 61.6, em que são chamados “sacerdotes do Senhor” após uma redenção posterior.) Assim, o povo de Deus do NT, tendo sido liberto de seus pecados, é designado semelhantemente “reino e sacerdotes” (cf. 5.10; 20.6; 22.5; tb. IPe 2.9). A incorporação dessas palavras numa doxologia sem explicação sugere que o sacerdócio real dos cristãos já era um conceito plenamente familiar. Os que compartilhavam o sofrimento do seu Sacerdote-Rei foram chamados a compartilhar sua intercessão e soberania (cf. o v. 9; tb. Lc 22.28-30; Rm 8.17; 2Tm 2.12).
v. 7. Eis que ele vem com as nuvens\ As nuvens, associadas a uma teofania ou simbolizando a presença divina são extraídas de Dn 7.13, em que “alguém semelhante a um filho de homem” (cf. v. 13 a seguir; tb. 14.14) vem “com as nuvens do céu” (cf. Mc 13.26; 14.62 e paralelos; lTs 4.17). e todo olho o verá, até mesmo aqueles que o traspassaram: Cf.: “Então se verá...” em Mc 13.26 e paralelos, e: “vereis...” em Mc 26.64 paralelo com Mc 14.62; mas mais especificamente a linguagem faz eco de Zc 12.10, aplicado a Cristo em Jo 19.37: “Olharão para aquele que traspassaram”, e todos os povos da terra se lamentarão por causa dele\ Em Zc 12.10ss, todas as famílias de Israel se lamentam pelo que foi traspassado, mas aqui (como em Mt 24.30), todas as famílias da humanidade se lamentam. A lamentação repetida anualmente por Hadade-Rimom na planície de Megido (com a qual o profeta do AT compara o lamento pelo traspassado), nunca concluída e sempre inútil, agora foi engolida pelas lágrimas penitentes por uma vítima que foi traspassada de uma vez por todas, para nunca mais ser golpeada de novo.
3) A autenticação divina (1.8) v. 8. Eu sou o Alfa e o Omega (cf. 21.6): Isto é, o início e o fim, ou o primeiro e o último, “alfa” e “ômega” sendo a primeira e a última das 24 letras do alfabeto grego. Essa afirmação feita pelo Deus Eterno acerca dos seus nomes e títulos, autenticando a revelação seguinte como sendo sua, é ainda mais notável em vista da liberdade com que na sequência os títulos são aplicados a Cristo (cf. o v. 17;
22.13). Nesse título, também pode haver a sugestão do princípio de que “o final será como o início”, que é amplamente ilustrado em Apocalipse (cf., e.g., 2.7; 22.1-4 com Gn 2.8ss). o Todo-poderoso\ Das dez ocorrências desse título divino no NT (gr. pantokratõr), nove estão em Apocalipse (a outra está em 2Co 6.18). Na LXX, geralmente representa o hebraico tseba'oth no título Yahweh felohej tseba'oth\ “Senhor (Deus) dos exércitos”, exceto em Jó, em que representa shaddai.
Primeira divisão: Visões de conflito e triunfo
(1.9—11.19)
I. A PRIMEIRA VISÃO (1.9-20)
v. 9. Eu, João, irmão [...] de vocês: Se o autor tinha status apostólico ou não, não reivindica isso aqui, mas se coloca no mesmo nível dos leitores, companheiro de vocês no sofrimento, no Reino e na perseverança em Jesus: O fato de “Reino” ser inserido entre “sofrimento” e “perseverança” evidencia a certeza da esperança cristã (v. comentário do v. 6 anteriormente) e também da insistência geral do NT de que “E necessário que passemos por muitas tribulações para entrarmos no Reino de Deus” (At 14.22; cf. v. 6 anteriormente). na ilha de Patmos: Uma pequena ilha no mar Egeu, a aproximadamente 60 quilômetros a oés-sudoeste de Mileto. por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus: Isso poderia significar que ele havia ido a Patmos para receber a revelação (cf. v. 2), ou para pregar o evangelho, mas o seu significado tradicional e muito mais provável é que ele foi banido para Patmos por causa do seu testemunho cristão — talvez sob o processo chamado na lei romana de relegatio, aprovado pelo procônsul da Ásia. Eusébio (HE iii.20.9) afirma, com base na autoridade do “relato dado por homens antigos entre nós”, que ele foi liberto do exílio por Nerva (imperador em 96-98 d.G.) e fixou residência em Éfeso. v. 10. achei-me no Espírito: Lit. “eu me tornei em espírito”, i.e., fui tomado de um êxtase profético — a mesma experiência que Ezequiel descreve quando diz: “A mão do Senhor esteve ali sobre mim” (Ez 3.22 etc.). No dia do Senhor. No kyriakê hêmera, i.e., no dia pertencente ao Senhor (latinizado como dies dominica, e daí passou para as línguas românicas). Esse nome foi dado de forma adequada ao primeiro dia da semana como o dia do triunfo de Cristo, quando ele “foi declarado Filho de Deus com poder, pela sua ressurreição dentre os mortos” (Rm 1.4). A expressão também é semelhante ao “dia do Senhor” do AT — o dia da vindicação da causa de Javé e da sua vitória sobre todas as forças que se lhe opõem; o dia da ressurreição de Cristo (e o primeiro dia de cada semana no qual é comemorada) pode ser adequadamente chamado de “dia do Senhor”. Era o “dia D” — a ação decisiva — que garante o futuro “dia V”, a celebração da vitória final. E a ceia do Senhor, especialmente associada ao primeiro dia da semana (tanto que é denotado pelo mesmo adjetivo, kyriakos, em ICo 11.20), combina e atualiza o dia passado e o dia futuro do Senhor, uma voz forte, como de trombeta: Um prelúdio adequado à aparição do conquistador exaltado (cf. SI 47.5). Não é a própria voz do Filho do homem que é assim descrita; a sua voz era “como o som de muitas águas” (v. 15). v. 11. Escreva num livro o que você vê: Provavelmente indicando um rolo de papiro, envie a estas sete igrejas: A ordem em que aparecem as sete cidades é a que um mensageiro seguiria para visitá-las uma a uma, começando em Éfeso, indo ao norte via Es-mirna para Pérgamo, e então voltando-se na direção sudeste para visitar Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia. v. 12. sete candelabros de ouro: Como mostra o v. 20, esses candelabros simbolizam as sete igrejas mencionadas. Há uma distinção intencional aqui da figura mais conhecida do candelabro de sete braços do santuário de Israel, com o fim de destacar a responsabilidade de cada igreja local para dar o seu próprio testemunho do Senhor. A lâmpada é um símbolo natural do ato de dar testemunho (cf. Jo 5.35; Fp 2.15,16). v. 13. entre os candelabros alguém “semelhante a um filho de homem'’: O aspecto de os candelabros estarem separados é destacado pelo fato de que se pode ver o Senhor caminhando entre eles (cf. 2.1). A expressão “alguém ‘semelhante a um filho de homem’ ” está baseada em Dn 7.13, em que significa “alguém como um ser humano” (cf. Dn 8.15; 10.18; Ez 1.26) em contraste com os animais vistos por Daniel anteriormente em sua visão. O uso que o nosso Senhor faz do título “Filho do homem” também remonta seguramente a Dn 7.13. Aqui o que é “semelhante a um filho de homem” é identificado plenamente com o Jesus ressurreto e glorificado, que usava uma veste que chegava aos seus pês e um cinturão de ouro ao redor do peito: Em outras palavras, ele usa o manto do sumo sacerdote de comprimento completo, para o qual a mesma palavra grega poderes (lit. “que chega até os pés”) é usada na LXX em Êx 28.4; 29.5, junto com a cinta, ou cinturão, para a qual é usada o grego zõnê, como aqui, utilizado na LXX em relação a Ex 28.4,39. Aqui o cinturão é de ouro, como é adequado a um sacerdote real. Nesses versículos iniciais de Apocalipse, então, Jesus é retratado no seu ofício tríplice de profeta, rei e sacerdote — como o receptor da revelação de Deus (v. 1), como “soberano dos reis da terra” (v. 5) e como o que veste o manto do sumo sacerdote (v. 13). v. 14. Sua cabeça e seus cabelos eram brancos como a lã, tão brancos quanto a neve: Isso também lembra Dn 7, mas ali é o “ancião de dias” que é assim descrito (v. 9), enquanto aqui é o Cristo ressurreto. Essa transferência global dos atributos divinos a Jesus é característica de Apocalipse, mas de forma nenhuma peculiar a ele no NT; ela atesta o reconhecimento espontâneo por parte da igreja nos dias apostólicos da divindade de Jesus. Pode ser um ponto relevante o fato de que a versão grega mais antiga de Dn 7.13 diga que “o que é semelhante a um homem” veio “como o ancião de dias”; isso por sua vez pode lançar luz sobre a condenação imediata por blasfêmia que seguiu a aplicação que Jesus fez da linguagem de Dn 7.13 a si mesmo, como resposta à pergunta do sumo sacerdote no seu julgamento (Mc 14.61-64). seus olhos eram como chama de fogo: Como o visitante celestial de Dn 10.6, cujos olhos eram “como tochas acesas”. A figura ocorre novamente em um contexto semelhante em
19.12. v. 15. seus pés eram como o bronze numa fornalha ardente...'. Melhor seria “suas pernas” (assim podes é corretamente traduzido em 1.1); cf. Dn 10.6: “os braços e pernas como o reflexo do bronze polido” (v. tb. Ez 1.7). sua voz como o som de muitas águas'. Essa figura de linguagem, sugerindo o som de uma torrente impetuosa após uma chuva pesada, ocorre novamente em 14.2 e 19.6, com referência às hostes celestiais. Em Ez 43.2, o som da vinda da glória do Senhor é assim descrita, v. 16. Tinha em sua mão direita sete estrelas'. Sem interpretação, pensaríamos naturalmente nos sete planetas conhecidos dos antigos (cf. a explanação de Fílon e Josefo do candelabro de sete braços); segurá-los nas mãos seria um símbolo do domínio sobre o céu e a terra. A luz de toda a tendência de Apocalipse, essa interpretação geral é adequada no presente contexto, pois a soberania universal certamente pertence a Cristo; mas as estrelas recebem uma interpretação especial no v. 20. da sua boca saía uma espada afiada de dois gumes-, Cf. 19.15. A espada é a palavra de Deus (cf. Hb 4.12; tb. Ef 6.17); acerca do aspecto de ela sair da boca do Filho do homem, cf. Is
11.4, em que o Messias “Com suas palavras, como se fossem um cajado, ferirá a terra; com o sopro de sua boca matará os ímpios”. Na aplicação do NT, a espada é o evangelho, que proclama a graça aos que se arrependem e depositam a sua fé em Deus, com a proposição adicional do julgamento sobre os impenitentes e desobedientes (cf. Jo 3.36). Sua face era como o sol quando brilha em todo o seu fulgor. Assim, no monte da transfiguração, “Sua face brilhou como o sol” (Mt 17.2). v. 17. Quando o vi, caí aos seus pés como morto-. Uma visão de glória divina pode ser transmitida, mesmo que somente em simbolismo. O fato de que a linguagem da visão que João tem de Cristo na glória é simbólica está bastante claro, especialmente no detalhe da espada surgindo da sua boca. Um paralelo notável do AT é a visão de Deus em Ez 1.4ss. João, como Eze-quiel, cai sobre o seu rosto diante da glória, e como Ezequiel é posto de pé novamente. E o homem que caiu prostrado diante de Deus, e foi colocado sobre seus pés por Deus, que pode a partir daí encarar o mundo inteiro como o destemido porta-voz de Deus. Cf. Dn 8.17; 10.9.15; eos três discípulos no monte da transfiguração (Mt 17.6). ele colocou a sua mão direita sobre mim: Cf. Dn 8.18; 10.10,18. Não tenha medo: Mais um eco do relato da transfiguração em Mateus (17.7). Cf. tb. Lc 2.10; Mt 28.5; At 18.9; 27.24. Ru sou o Primeiro e o
Último: Cf. 2.8; 22.13. Os títulos do Deus de Israel (cf. v. 8) também são portados por Cristo, que em exaltação recebeu de Deus “o nome que está acima de todo nome” (Fp 2.9). “Eu sou o primeiro e eu sou o último; além de mim não há Deus”, diz Javé em Is 44.6 (cf. 41.4; 48.12); mas não há título que não compartilhe livremente agora com o seu Filho crucificado e glorificado, v. 18. Sou Aquele que Vive. Estive morto mas agora estou vivo para todo o sempre!-. Essa pontuação é preferível à da ARA e ARC, que acrescentam a expressão “o que vive” como terceira parte a “sou o primeiro e último”. Como aquele que venceu a morte no próprio domínio da morte, ele é proeminentemente “aquele que vive”; “tendo sido ressuscitado dentre os mortos, Cristo não pode morrer outra vez; a morte não tem mais domínio sobre ele” (Rm 6.9; cf. 2Tm 1.10). £ tenho as chaves da morte e do Hades, Isto é, sua autoridade se estende por todo o domínio da morte. Por isso, o seu povo, que foi ameaçado com a morte por sua lealdade a ele, não precisa temer que a morte vá separá-lo do amor dele; aquele que morreu e voltou a viver é Senhor dos mortos e dos vivos; “Assim, quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor” (Rm 14.8,9; cf. Hb 2.14,15). v. 19. Escreva, pois, as coisas que você viu, tanto as presentes como as que acontecerão-, O que João viu abarcou tanto as coisas que já existiam quanto as que ainda estavam no futuro. A divisão é dupla, e não tripla. Um dos principais problemas da exegese em Apocalipse é distinguir os elementos nas visões que simbolizam “o que é” dos que simbolizam “o que ainda há de vir”.

V. comentário de 4.1. v. 20. as sete estrelas são os anjos das sete igrejas-. Cristo, que mantém essas sete estrelas na sua mão direita, é, portanto, Senhor de cada igreja local. Os anjos das igrejas devem ser entendidos à luz da angelologia de Apocalipse — não como mensageiros humanos ou ministros das igrejas, mas como contrapartes celestiais das personificações de diversas igrejas, cada um representando sua igreja a ponto de ser considerado responsável por sua condição e comportamento. Podemos compará-los com os anjos das nações (Dn 10.13,20; 12.1) e de indivíduos (Mt 18.10; At 12.15). os sete candelabros são as sete igrejas-, V. comentário do v. 12 anteriormente.


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