2016/06/29

Estudo sobre Apocalipse 14

Estudo sobre Apocalipse 14

Estudo sobre Apocalipse 14



III. OS PRIMEIROS FRUTOS, A COLHEITA E A VINDIMA (14.1-20)
As séries de quadros vívidos no cap. 14 podem ser resumidas sob os títulos de primeiros frutos (v. 1-5), colheita (v. 14-16) e vindima (v. 17-20), sendo os primeiros frutos e a colheita separados por quatro proclamações de anjos (v. 6-13).
1) Os primeiros frutos (14.1-5)
v. 1. o Cordeiro, em pé sobre o monte Sião: Isto é, na Sião celestial (cf. Hb 12.22), visto que ele e seu exército aparecem diante do trono, dos quatro seres viventes e dos anciãos (v. 3; cf. 4.2ss; 7.9ss). O fato de que seus 144.000 companheiros trazem escritos na testa o nome dele e o nome de seu Pai sugere sua identificação com os 144.000 servos de Deus que são selados na testa em 7.3ss; enquanto o fato de que eles seguem o Cordeiro por onde quer que ele vá (v. 4) os associa também à multidão de vestes brancas de 7.9ss (cf. especialmente 7.17). A cena tem um paralelo digno em Ed 2.42ss: “Eu, Esdras, vi no monte Sião uma grande multidão que não pude contar, e todos estavam louvando o Senhor com cânticos”. Esdras descreve a seguir como entre eles estava “o Filho de Deus, a quem confessavam no mundo”, v. 2. Ouvi um som dos céus. Acerca de som [...] de muitas águas, cf. 1.15; 19.6; acerca de som [...] um forte trovão cf. 19.6, e acerca de som [...] como o de harpistas tocando seus instrumentos, cf. 5.8; 15.2. O som que João ouve é o cântico novo (v. 3) da redenção, acompanhado da música do céu. Não é um cântico diferente do “novo cântico” de 5.9,10, exceto que agora é cantado na primeira pessoa, como só podem cantar aqueles que foram comprados da terra. 
v. 4. não se contaminaram com mulheres. Lit. “eles são virgens” — um uso excepcional do grego parthenos no masculino. O termo geralmente tem sido interpretado como referência ao celibato, como se esses homens, nas palavras de Cristo, “se [fizessem] eunucos por causa do Reino dos céus” (Mt 19.12). Nesse caso, podemos comparar com a ordem de Paulo em vista da “presente crise”: “aqueles que têm esposa, vivam como se não tivessem” (ICo 7.26,29). Cf. E. Stauffer: “Não há sugestão aqui nem de impotência humana por um lado nem de realização monástica bem-sucedida por outro. A referência é ao heroísmo genuíno daqueles que são chamados por causa de uma situação e comissão singulares”. Mas isso sugere que homens casados “se mancharam com mulheres” — algo tão contrário ao ensino bíblico invariável acerca do matrimônio (cf. Hb 13.4) que é improvável que tenha sido introduzido incidentalmente num livro tão profundamente “hebraico” quanto esse. E mais provável que seja uma referência aos homens que têm sido, na linguagem das Epístolas Pastorais, “marido de uma só mulher”. Foram comprados dentre os homens e ofertados como primícias a Deus e ao Cordeiro-. Os primeiros frutos são o sinal da colheita muito maior por vir (cf. v. 15,16): assim como Paulo fala de seus primeiros convertidos na Ásia e Acaia como os “primeiros frutos” (gr. aparché) dessas províncias, João pensa nesses 144.000 como o primeiro pagamento da humanidade redimida, apresentados como um sacrifício vivo a Deus e a Cristo, v. 5. Mentira nenhuma foi encontrada em suas bocas'. O mesmo testemunho foi dado de seu Mestre (IPe 2.22; citando Is 53.9). são imaculados: Cf. as vestes brancas de 7.9,13,14.

2) As proclamações dos anjos (14.6-13)
a)    O evangelho eterno (14.6,7)
v. 6. outro anjo. Essa expressão aparece seis vezes nesse capítulo, mas estaria em melhor harmonia com o estilo do português traduzi-la aqui por “um anjo” (gr. allos numa sequência como essa é usado tanto para “um” quanto para “outro”), que voava pelo céu: Cf. 8.13. e tinha na mão o evangelho eterno para proclamar aos que habitam na terra: Os habitantes da terra são aqui designados por um verbo diferente do usado em 3.10 etc.; acerca desse uso do grego kathêmai (lit. “sentar”), cf. Lc 21.35. O evangelho que é pregado a eles requer submissão a Deus como Criador e Juiz antes de fé em Cristo como Salvador e Senhor, v. 7. Temam a Deus e glorifiquem-no: Cf. 11.13. Dar glória a Deus pode significar confessá-lo, como em Js 7.19. o mar e as fontes das águas: A água salgada e a água doce são distinguidas aqui; o Criador tem poder sobre ambas, como os castigos da segunda e da terceira trombetas mostraram (8.8-11).
b)    A queda da Babilônia (14.8)
v. 8. Caiu! Caiu a grande Babilônia: Essa proclamação faz eco de trechos do AT como Is 21.9; Jr 51.8; é elaborada no canto fúnebre sobre a Babilônia no cap. 18. que fez todas as nações beberem do vinho da fúria da sua prostituição: Cf. Jr 51.7; Ap 17.2,4. A característica associada ao vinho aqui provavelmente é o seu efeito inebriante (como tb. nov. 10; 16.19; 18.3; 19.15), o grego thymos tendo aqui o sentido transmitido pelo hebraico chemah em Is 51.17,22; Jr 25.15; Hc 2.15.

c)    A condenação dos apóstatas (14.9-11)
O terceiro anjo segue com uma advertência em alta voz do castigo divino que vai cair sobre qualquer um que adorar a besta e a sua imagem, ou receber “a marca da besta” na testa ou na mão (v. 9; cf. 13.15-17). A advertência pode ter a intenção de atingir toda a humanidade, mas é especialmente dirigida aos cristãos apóstatas (Hb 6.4-6). Pode ser uma mitigação da crueldade do seu castigo que é sofrido na presença dos santos anjos e do Cordeiro (v.10); ser julgado na sua presença é menos intolerável do que ser banido da sua presença sem ser julgado. Mas não seria a sua angústia ainda mais aguda pela exata presença daquele a quem tinham negado por sua apostasia? v. 11. a fumaça do tormento de tais pessoas sobe para todo o sempre-. A linguagem é derivada da descrição da destruição das cidades na planície sob a chuva de fogo e enxofre; cf. Gn 19.24,28; Is 34.9,10; Jd 7.

d) A felicidade dos fiéis que partiram (14.12,13)
Por outro lado, os que mantêm firme a sua confissão e resistem às lisonjas e à intimidação do poder do anticristo, mesmo à custa da própria vida (v. 12; cf. 13.10), são declarados Felizes na sua morte por uma outra voz dos céus, porque eles morrem no Senhor (v. 13). O vidente recebe a ordem de anotar essa felicidade, para o encorajamento daqueles que de agora em diante sofrem como mártires de Cristo. A voz celestial é confirmada pelo Espírito: tanto para apóstatas quanto para os que professam sua fé e continuam fiéis, é verdade que suas obras os seguirão; mas enquanto isso significa tribulação para aqueles, significa descanso após o sofrimento para os santos. As obras das quais descansam representam as dificuldades que passaram, e não o trabalho que realizaram.

3) A colheita (14.14-16)
v. 14. assentado sobre a nuvem, alguém “semelhante a um filho de homem ”: A linguagem vem de Dn 7.13 (cf. Ap 1.13), em que “alguém semelhante a um filho de homem” vem com as nuvens do céu para receber do Ancião de Dias o domínio universal e eterno; esse é aquele a quem o Pai também deu “autoridade para julgar, porque é o Filho do homem” (Jo 5.27). Mais uma vez (como em 11.15ss), somos conduzidos ao juízo final: como em Mt 13.39, “A colheita é o fim desta era”. Em Mt 13.39ss, no entanto, “os encarregados da colheita são anjos”, enviados pelo
Filho do homem para tirar “do seu Reino tudo o que faz tropeçar e todos os que praticam o mal”; aqui o Filho do homem é o mesmo que faz a colheita, e seus servos-anjos estão ausentes do quadro, v. 15. Tome a sua foice. Cf. J1 3.13a (ao qual o trecho presente remonta em última instância); Mc 4.29.

4) A vindima (14.17-20)
Na colheita de grãos, os grãos são recolhidos em depósitos, embora os resíduos e a palha sejam queimados. Mas essa cena de vindima simboliza juízo completo: talvez seja por isso que o anjo que faz a vindima recebe suas ordens do anjo que tem autoridade sobre o fogo (v. 18), sendo o fogo mais um símbolo de juízo (cf. Mt 3.11,12; ICo 3.13ss). O uso da vindima como um símbolo de juízo talvez remonte a J1 3.13b; também lembra Is 63.1-6, em que o conquistador de Edom tem suas roupas manchadas completamente pelo sangue da vida dos seus inimigos, a quem ele pisoteou como uvas são pisadas no lagar (cf. Ap 19.13,15). Assim, aqui a vindima da terra é pisada de forma tão impiedosa no grande lagar da ira de Deus (v. 19) que o sangue corre na altura dos freios dos cavalos, por uma distância de cerca de trezentos quilômetros (v. 20). Reformular isso em quilômetros, como faz aqui a NVI (o original traz 1.600 estádios), significa perder a completude simbólica do número 1.600, que é o quadrado de 40. Contudo, a observação de que a vindima foi pisada fora da cidade (v. 20) pode nos lembrar de alguém que absorveu na sua própria pessoa o juízo devido à humanidade, e fez isso fora da cidade (cf. Jo 19.20; Hb 13.12).

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Um comentário:

josias disse...

Discordo de algumas coisas, mas no geral é bom.

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