2018/03/27

Interpretação de Jonas 1

Interpretação de Jonas 1

Interpretação de Jonas 1

I. Fugindo. 1:1-17.
A. A Ordem do Senhor. 1:1, 2.
1. Veio a palavra do SENHOR. Não há nenhuma indicação de como Deus falou a Jonas. Para os verdadeiros profetas do V.T., o modo pelo qual Deus lhes falava não era tão importante quanto ao fato dEle ter falado. Jonas. Veja Introdução com referência ao profeta.
2. A grande cidade de Nínive. Localizada na margem leste do Rio Tigre na Mesopotâmia, foi uma cidade-estado influente desde a antiguidade. Uma cidade-estado compreendia a área ocupada por ela e o território à volta, inclusive as vilas vizinhas sob o seu controle. Em Gn. 10:11, 12, Reobote-Ir, Calá e Resém são mencionadas junto com Nínive fazendo parte da "grande cidade". Senaqueribe tornou a cidade em capital do seu império em cerca de 700 A.C., que foi algum tempo depois de Jonas. Ficava a mais de 800 quilômetros da Palestina – um longo caminho a ser percorrido a pé. Sua malícia. Os pecados de Nínive não foram descritos, mas a cidade era grandemente conhecida como o centro do culto à fertilidade, e por sua crueldade para com as vítimas da guerra.
B. Um Navio para Társis. 1:3.
3. Társis. Talvez deva Ser identificada com uma colônia de mineração semita localizada exatamente a oeste de Gibraltar na foz do Rio Guadalquiver (cons. Gn. 10:4; Is. 23:1, 6, 10; Ez. 27:12). Na mente de Jonas, fugir para Társis era fugir o mais longe possível de casa. Jope. O porto mais próximo da parte central da Palestina e, na antiguidade, um dos poucos lugares ao longo da costa oriental do Mar Mediterrâneo onde se podia estabelecer um porto (cons. I. Rs. 5:9 ; II Cr. 2:16). Da presença do SENHOR. Esta frase que foi repetida duas vezes deve-se relacionar à vinda da palavra do Senhor a Jonas. Jonas pensava erradamente que afastando-se o mais possível de Nínive, podia anular a ordem do Senhor.
C. Uma Tempestade no Mar. 1:4-14.
Considerando que no Mar Mediterrâneo oriental as tempestades só costumam ocorrer no fim do outono, os marinheiros deviam estar pensando que tinham tempo suficiente para alcançar Társis sem perigo (cons, viagem de Paulo a Roma séculos mas tarde, Atos 27). Esta tempestade foi fora de época, enviada pelo Senhor com propósito especial.
1) Dormindo na Tempestade. 1:4-6.
4. O SENHOR lançou. Literalmente, jogou sobre o mar. Um forte vento. A expressão vem da palavra hebraica como significado de "enraivecer". Naquele tempo os nados eram pequenos e não eram suficientemente forres para enfrentarem fortes tempestades.
5. Marinheiros. Esses marinheiros eram mais provavelmente homens vindos das cidades da Fenícia, pois aquele país era o maior poder marítimo dos séculos nono e oitavo A.C., e Társis era uma colônia da Fenícia. Eram remanescentes da antiga cultura cananita que se espalhou pela Palestina antes do tempo de Josué. Sendo pagãos, crendo em muitos deuses e atravessando essa crise, os homens começaram a orar cada um ao seu próprio deus predileto. Lançavam ao mar a carga. Um navio com carga pesada facilmente emborca num mar agitado. Um navio aliviado poderia enfrentar melhor as ondas. Dormia profundamente. Jonas evidentemente se sentia tão aliviado por estar no navio que imediatamente achou um lugar para descansar o seu corpo fatigado pela viagem. Ele se retirou para a parte mais afastada do convés inferior e, deitando-se rapidamente caiu em profundo sono. (Este é o único lugar no V.T. onde um navio é descrito tendo um convés inferior e outro superior coberto, fatos que estão claros no texto hebraico.)
6. Chegou-se a ele o mestre do navio. O capitão, fazendo cuidadosa inspeção do seu navio, encontrou Jonas. Surpreso pela despreocupação deste. homem, exortou-o a orar. O teu deus. Literalmente, o Deus, um termo freqüentemente usado no V.T. em relação ao verdadeiro Deus de Israel. O capitão estava tão desesperado que sentiu-se pronto a experimentar qualquer deus a fim de se livrar dos perigos da tempestade.
2) Achado o Criminoso. 1:7-10.
7. E a sorte caiu sobre Jonas. Lançar sortes era uma forma popular de adivinhação entre as nações pagas, e ainda é. Os hebreus às vezes usavam as sortes, sob a orientação de Deus, a fim de selecionar pessoas para alguma posição ou tarefa (veja Js. 7:14; I Sm. 10:20, 21) e até mesmo os apóstolos usaram as sortes uma vez (At. 1:26). Provavelmente usavam-se pedras especiais.
8. Declara-nos. Uma vez separado, Jonas veio a ser o centro das atenções. Foi minuciosamente interrogado.
9. Sou hebreu. Francamente Jonas contou toda a história aos marinheiros. Ele deu testemunho do fato de que era um devoto do grande Deus universal de todo o mundo e que o desobedecera.
10. Então os homens ficaram possuídos de grande temor. Como a maioria dos pagãos, esses homens eram supersticiosos e temiam grandemente que a ira de Deus recaísse sobre eles por deixar de adorá-lo devidamente.
3) Marinheiros Desesperados. 1:11-14.
11. Que te faremos? Os marinheiros ficaram perplexos sobre como resolver o problema. Eles tinham a bordo um homem com o qual Deus estava zangado, e estavam afastados de qualquer lugar onde o pudessem desembarcar.
12. Tomai-me, e lançai-me ao mar. Jonas finalmente viu que grande calamidade ele desencadeara sobre os marinheiros através de sua desobediência, e, condenando-se, mandou que o lançassem ao mar.
13. Os homens remavam, esforçando-se. Os marinheiros, não querendo tratar uma vida humana com tanta leviandade, puseram-se a remar em um último e desesperado esforço de alcançar a praia através da tempestade. Sua preocupação com uma única vida destaca-se em contraste notável da atitude de Jonas, que mais tarde admitiu que tinha fugido do Senhor para não ver os ninivitas salvos da destruição (4:2).
14. Não faças cair sobre nós este sangue... inocente. Esses homens não eram monstros cruéis, mas homens suficientemente religiosos para orar com sinceridade diante do perigo. Os marinheiros finalmente chegaram à conclusão que, tendo Deus enviado a tempestade para castigar Jonas, Ele não tinha a intenção de puni-los. Portanto, decidiram que só Jonas devia sofrer pelo seu pecado e, seguindo seu conselho, jogaram-no ao mar.
D. Lançado ao Mar. 1:15-17.
15. Cessou o mar da sua fúria. O cessar da tempestade parecia confirmar sua decisão e sentiram-se sacudidos no íntimo dos seus corações quando perceberam como tinham escapado por pouco da ira do grande Deus.
16. Ofereceram sacrifícios... fizeram votos. Os pagãos foram imediatamente convencidos de que o Senhor de Israel era o Deus verdadeiro. Abandonando os seus ídolos, ofereceram um sacrifício de ação de graças e consagraram-se ao Deus de Israel. 
17. Deparou... um grande peixe. Mesmo sendo castigado, Jonas não foi esquecido por seu Deus. Ser engolido por um grande peixe pode não parecer à vítima um ato da bondade divina. Mas o peixe era o meio que Deus usou para levar Jonas à praia em segurança. A criatura que engoliu Jonas não foi uma baleia. "Baleia" é um erro de tradução do grego em Mt. 12:40. Não sabemos que tipo de peixe é o animal mencionado em Jonas 1:17. Alguns acham que o tubarão é suficientemente grande para se encaixar na situação; há exemplos de ter engolido homens. O texto é claro em dizer que o peixe foi especialmente preparado pelo Senhor. Três dias e três noites. Isto não significa setenta e duas horas, uma vez que parte de um dia ou de uma noite pode ser considerada um todo de acordo com a maneira do V.T. contar o tempo. Um total de quarenta e nove horas seria adequado para uma interpretação literal da expressão. Ainda seria muito tempo para um homem permanecer dentro de um peixe. Jesus aplicou o incidente ao Seu próprio sepultamento. Se Cristo foi sepultado antes do pôr-do-sol de sexta-feira (como se crê tradicionalmente) e ressuscitou antes do nascer-do-sol de domingo, então uma tradução literal de "três dias e três noites" (isto é, setenta e duas horas) não é o que se pretende. 

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