2016/06/27

Interpretação de Tiago 4

Interpretação de Tiago 4

Interpretação de Tiago 4 


XI. O Mundo e Deus. 4:1-10.
1. Guerras e contendas foram sugeridas em contraste com a paz do versículo precedente. Tiago tinha em mente não as guerras entre as nações mas as discussões e divisões entre os cristãos. A fonte destas encontra-se em vossos deleites (hêdonôn, que realmente significa prazeres E.R.A.) que nos vossos membros guerreiam (E.R.C.).
2. Vocês querem e não têm; então vocês matam. E vocês cobiçam e não conseguem obter; então vocês lutam e travam guerras. Não é necessário amenizar ou corrigir a tradução matais. Ropes tem razão quando diz: 'Tiago não está descrevendo a condição de alguma comunidade em especial, mas está analisando o insultado da escolha dos prazeres em lugar de Deus” (op. cit., pág. 255). Assim a força é quase condicional, “Se vocês desejam . . . Se vocês cobiçam...” Um dos motivos porque seus desejos (neste caso, os legítimos) não estavam se realizando era porque não pediam a Deus, que é o único que pode satisfazer os desejos humanos.
3. O segundo motivo se encontra na motivação inaceitável daqueles que pedem – para esbanjardes em vossos prazeres. A condição essencial de toda oração se encontra em I Jo. 5:14: “Se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve. 
4. Adúlteros da E.R.C, não se encontra nos melhores manuscritos e por isso deve ser omitido. O fato de Tiago se dirigir a seus leitores chamando-os de adúlteras (E.R.C.), à moda dos profetas do V.T, que falavam de Israel como sendo a esposa de Jeová (cons. Is. 54:5; Jr. 3:20; Ez. 16:23; Os. 9:1, etc.), é forte evidência de que o autor era judeu e os leitores também. Manter a amizade com o mundo é “ter boas relações com pessoas, poderes e coisas que são pelo menos indiferentes para com Deus, caso não sejam abertamente hostis” (Ropes, op. cit., pág. 260), e assim é estar em inimizade contra Deus.
5. Uma outra razão porque um cristão não pode ser amigo do mundo está nas Escrituras. Há um grupo de possíveis traduções para as palavras que se seguem, mas acompanhando o contexto de uma determinada tradução, Deus e não o Espírito é o sujeito do verbo: Ele se enternece com ciúmes pelo Espírito que colocou em nós para habitar. Deus é um Deus zeloso (cons. Êx. 20:5 ; 34:14; Dt. 32:16; Zc. 8:2; I Co. 10:22), e portanto não há de tolerar uma fidelidade dividida. Nenhuma passagem específica do V.T, contém as palavras deste versículo, mas muitas passagens expressam sentimento semelhante.
6. As dificuldades em se viver para Deus dedicadamente num mundo mau são muitas, mas Ele dá maior graça, a qual aqui parece significar “ajuda gratuita”. E essa ajuda gratuita Deus põe à disposição, como diz Pv. 3:34, não para os soberbos, pessoas auto-suficientes, mas para os humildes, homens dependentes.
7. A chamada sujeitai-vos, portanto, a Deus (o primeiro dos oito imperativos imediatos) segue-se logicamente à promessa da graça para os humildes. Calvino observa inteligentemente: “Submissão é mais do que obediência; ela envolve humildade”. O diabo, inimigo de Deus, deve ser enfrentado com resistência e, então, ele fugirá de vós (cons. Mt. 4:1-11). Estes são dois importantes passos na fuga ao pecado do mundanismo.
8. Os imperativos continuam com chegai-vos a Deus. Comunhão íntima com Deus assegura Sua amizade (e ele se chegará a vós) e aparta do mundo. Que o mundanismo é pecado está pitorescamente comprovado pelos imperativos seguintes: Purificai as mãos, uma referência à conduta visível; limpai o coração, uma referência às motivações do íntimo. Um homem de ânimo dobre se caracteriza pela lealdade dividida. E de acordo com esta passagem, o mundanismo é, basicamente, lealdade dividida. O famoso ensaio de Kierkegaard, “Pureza de Coração é Desejar uma Só Coisa”, teve origem neste versículo.
9. Aqui está um chamado ao arrependimento diante do pecado grave. Afligi-vos, isto é, “sintam-se miseráveis” (cons. Rm. 7:24), lamentai e chorai. Estas atitudes são mais condizentes do que o riso e a alegria (isto é, frivolidade e a leviandade do mundo) à vista das circunstâncias. Tristeza (melancolia) “é a expressão abatida e mansa daqueles que estão envergonhados e arrependidos” (Moffatt, op. cit., pág. 64).
10. Tiago retorna à sua exortação inicial na série (4:7) com as palavras, humilhai-vos. A promessa se emparelha com elas, e ele vos exaltará.
XII. Julgando. 4:11, 12.
11. Novamente o autor volta ao assunto do abuso da linguagem. Nesta passagem parece que os interesses do irmão e da lei se identificam. Falar mal do irmão ou julgá-lo é falar contra a lei e tomar-se juiz da lei.
12. Superioridade à lei pertence a Deus somente. Ele é o Legislador e Juiz, e nas mãos dEle estão as questões da vida e morte. À vista disto, Tiago pergunta, quem és, que julgas ao próximo?
XIII. Autoconfiança pecaminosa. 4:13-17.
13. A atitude dos negociantes aqui descritos é outra expressão do mundanismo que produz o afastamento de Deus. Os mascates mencionados eram judeus que tinham um comércio lucrativo por todo o mundo mediterrâneo. São descritos fazendo planos cuidadosos para suas empreitadas comerciais e declarando: Hoje, ou amanhã, iremos para a cidade tal, etc.
14. Nada há de mau em tal planejamento propriamente dito. Entretanto, os planejadores ignoravam dois pontos. O primeiro é a limitação dos seres humanos, o que limita seu conhecimento – não sabeis o que sucederá amanhã. O segundo é a incerteza da vida, a qual Tiago compara à neblina, ou à fumaça.
15. Um homem cristão, ao fazer os seus planos, deve reconhecer a sua dependência de Deus e dizer, Deo volente, se o Senhor quiser.
16. Mas o reconhecimento da dependência de Deus não era o caso entre os leitores de Tiago. Antes, eles se gloriavam presunçosamente (vos jactais das vossas arrogantes pretensões). Tiago denuncia a gabolice como um mal.

17. Uma advertência final para os negociantes autoconfiantes. Eram cristãos. Portanto sabiam que a humildade e dependência de Deus são essenciais na vida cristã. Saber e não fazer, é pecado

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