2019/09/18

Estudo sobre Daniel 1

Estudo sobre Daniel 1



A maravilhosa história de Daniel e seus amigos (1.1—6.28)
I. A SUA ASCENSÃO NA CORTE DE NABUCODONOSOR (1.1-21)
v. 1. No terceiro ano do reinado de Jeoaquim: Jeoaquim foi colocado no trono de Judá pelo faraó Neco no lugar do seu irmão Jeoacaz, o escolhido do povo, depois da morte do pai deles, Josias, em Megido, no ano 609 a.C. Os esforços do Egito para dominar o Levante foram repelidos pela Babilônia na grande batalha de Carquemis, em 605 a.C. A lacônica Crônica Babilônica (DOTT, p. 77ss.) e diversos textos hebraicos (2Rs 23,24; 2Cr 36; Jr 25.1,2; 46.2ss) relatam os eventos sem mencionar esse cerco. Há incertezas demais acerca da cronologia dos últimos 20 anos da história de Judá, a ponto de não se poder dizer que essa datação está errada; provavelmente isso ocorreu no final de 605 a.C. V. ainda EQ, 49 (1977), p. 67ss. Nabucodonosor. em babilônio, é Nabukudurru-usur, e mostra uma mudança interna no hebraico de “r” para “n”. v. 2. Uma cidade que capitulava não era tratada com crueldade; tributos e cativos eram levados, e um juramento de lealdade e tributos anuais eram impostos. Jeoaquim continuou como rei. A dedicação de algum tributo ao deus patrono do vencedor era usual, como também a adoção e incorporação de alguns reféns de alta estirpe no séquito da corte. Sinear. referência à Babilônia, um nome corrente no segundo milênio a.C., e que era o termo comum no hebraico antes do surgimento do império de Nabucodonosor; cf. Js 7.25; Is 11.11. v. 3. Aspenaz, o chefe dos oficiais da sua corte: esse nome ainda não tem uma explicação satisfatória. O seu status pode ser interpretado literalmente aqui. Era o mordomo (em outros trechos, exige-se o significado geral “oficial”, especialmente em Gn 39.1). nobreza: heb. partemim é a primeira das 19 palavras do livro tomadas por empréstimo do persa antigo; v. detalhes em Kitchen, Notes, p. 37ss. v. 4. jovens sem defeito físico: a sua idade não é dada, mas sua carreira sugere que tinham 12 ou 13 anos ao menos, a nata da geração seguinte de Judá. A sua perfeição física era um dom natural desde o nascimento; agora, a manutenção dessa perfeição era responsabilidade deles, “caldeus” (nota de rodapé da NVI): inscrições assírias a partir do século IX a.C. registram guerras com caldeus no sul da Babilônia e mostram como eles estavam lutando pelo controle da própria Babilônia. Mais tarde, no século VIII, Meroda-que-Baladã foi um governante caldeu que controlou a Babilônia durante alguns anos (cf. 2Rs 20.12ss), e foi seu descendente, o pai de Nabucodonosor, Nabopolassar, que finalmente derrotou a Assíria (612 a.C.). As informações acerca dos caldeus são muito escassas; o nome ocorre raramente, pois o povo pertencia a diversas tribos, e eram denominados assim como os hebreus o são mais frequentemente, como os “da tribo de Judá” do que como “os israelitas”. Estavam associados com os arameus e falavam a mesma língua, ou uma muito semelhante. Em Daniel, o nome é usado com menor frequência em relação ao povo (5.30; 9.1) e com maior frequência como designação de uma classe entre os sábios (v. 2.2,4,10,13; 3.27). É possível que o nome “nacional” tenha sido atribuído a homens especialmente importantes, algo como a forma usada em Jo 1.47; ele não é atribuído diretamente a Daniel. O historiador grego Heródoto atribuiu a “caldeus” o sentido especializado de “homens sábios” nas suas Histórias, escritas aproximadamente em 440 a.C. (I. 181ss.), quando todo sentido político tinha desvanecido. Isso não significa necessariamente que o uso em Daniel é anacrônico; Heródoto, sendo a nossa fonte conhecida mais antiga fora de Daniel, não estabelece um limite máximo. O mesmo autor de fato fornece uma analogia parcial nos ”magos”, uma tribo originariamente oriunda da Média, que dá nome a uma casta de homens sábios, intérpretes de sonhos e sacerdotes (I. 101; VII. 37 etc.). V. tb. EQ, 49, p. 69ss). a língua e a literatura-, o aramaico era a língua comum (v. comentário de 2.4), provavelmente até na corte da Babilônia, mas os eruditos e a escola tradicional de escribas mantiveram a antiga língua babilônica e a escrita cuneiforme vivas até o século I d.C. Os jovens judeus provavelmente estudaram as duas no início de sua educação; a sua formação tinha o propósito de prepará-los para o serviço real. Que os judeus tivessem de passar por esse tratamento pode ter sido repugnante, mas esses homens não tinham alternativa, como José, e no tempo certo mostraram como a fé pode ser preservada em meio a circunstâncias adversas, v. 5. designou-lhes uma porção diária: a burocracia da Babilônia era altamente organizada; porções semelhantes para alguns estrangeiros na vasta corte, incluindo gregos do leste, persas, egípcios e Jeoaquim, rei de Judá, estão alistadas em tábuas de argila remanescentes dos arquivos (DOTT, p. 84ss), embora somente depois de anos de cativeiro Jeoaquim tenha sido elevado à posição de comer da comida do rei, fornecida a Daniel desde o início (2Rs 25.27ss.). depois disso passariam a servir o rei\ cf. o v. 19; os novos formandos passariam a fazer parte do séquito permanente do rei, um grupo grande, altamente privilegiado, mas totalmente dependente dos caprichos do rei. v. 6. Entre esses: o cenário está preparado para a apresentação dos heróis. Danieh “Deus julgou”, um nome conhecido de outros textos antigos, mas qualquer relação com o homem de Ez 14.14,20; 28.3; Jubileus 4.20, ou textos bem mais antigos de Ugarite é totalmente especulativa. Hananias. ”o Senhor foi bondoso”. Misaeh “quem é o que Deus éP”. Azarias: “o Senhor ajudou”, v. 7. A mudança dos nomes evitava a inconveniência de diversos nomes estrangeiros, ajudava a unificar uma corte tão diversificada e era uma demonstração do domínio babilônico (cf. Gn 41.45; 2Rs 23.34; 24.17). Os nomes babilônicos aparecem especialmente nas histórias que envolvem Nabucodonosor e Belsazar; nos outros textos, o autor prefere os nomes hebreus. Esses nomes resistiram a uma explanação razoável durante um século; agora se pode observar que são formas satisfatoriamente babilônicas (detalhes em P. R. Berger, Zeitschrift fur Assyriologie 64 (1975), p. 224ss, 232-3). Beltessazar. bab. Bêlet-sharru-usur, “O Senhora, protege o rei”; a Senhora, no caso, é a esposa de Marduque, deus da Babilônia, cf. 4.8. Sadraque: bab. Shudurãku, “sou muito temeroso/temente (de/a um deus)”. Mesaque: bab. Méshãku, ”eu não tenho valor”. Abede-Nego: provavelmente um equivalente aramaico de um nome babilónico, “Servo daquele que brilha”, v. 8. decidiu não se tomar impuro: ao consumir comida preparada sem consideração pela regulamentação israelita, com probabilidade de conter carnes declaradas imundas (e.g., de porco), possivelmente associada com rituais pagãos. Os vinhos eram denominados de acordo com a região que os produzia, e às vezes eram enriquecidos com mel ou condimentos. v. 9. A decisão de Daniel foi recompensada por Deus em virtude da sua motivação pura, de forma que o seu pedido extraordinário recebeu uma resposta razoável, v. 10. menos saudáveis: a palavra é a que é usada para descrever os homens do faraó em Gn 40.6, um estado físico que reflete desassossego e inquietação. O eunuco-chefe poderia ser acusado de apropriar-se indevidamente da generosidade do rei. v. 11. homem [...] encarregado (“despenseiro”, ARG, BJ; “cozinheiro-chefe”, ARA): algumas versões trazem “guarda” (NTHL); “guard”, NVI, em inglês) ou “inspetor” (Reina-Valera, em espanhol); aqui um título, e não um nome como na VA (“Mel-zar”). Supostamente esse homem achava que podia realizar o teste sem o conhecimento do seu superior, v. 12. vegetais-, lit. “sementes”, grãos de cevada etc., cozidos ou assados, com alto valor nutritivo, ainda hoje um dos elementos principais nas refeições do Oriente Médio, dez dias: os efeitos de uma dieta rica seriam visíveis na pele do rosto e na viva-cidade ou na lentidão do comportamento. v. 15. Gordura indica suficiência e prosperidade em todo o ATOS. Daniel estava inspirado para se aventurar no teste? Ele simplesmente correu o risco por fé? Devemos decidir por nós mesmos, v. 17. Deus recompensou a fidelidade dos quatro amigos com honras de primeira classe, preparando os homens para qualquer situação do governo.
O tema especial de Daniel tinha uma história que remontava à época de José e além, pois se acreditava que os sonhos eram um meio de comunicação sobrenatural, v. 20. magos-, o hebraico usa a palavra de Gn 41; Ex 7, 8 e 9, que tem origem egípcia, mas se estabeleceu na Babilônia; encantadores: é uma palavra babilônica, uma referência específica a “exorcistas”. Ambas as palavras denotam aqueles que fazem comércio com o suposto controle ou conhecimento do que é desconhecido, universal e contínuo, algo proibido pela lei bíblica (Lv 19.31; 20.6 etc.), v. 21. Daniel permaneceu ali até o primeiro ano do rei Ciro: isso mostra que a carreira de Daniel se estendeu por todo o período do exílio na Babilônia; de fato, 10.1 mostra que ele estava ativo no terceiro ano de Ciro.

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