2019/08/16

Estudo sobre Jeremias 32

Estudo sobre Jeremias 32

Estudo sobre Jeremias 32




Jeremias 32

Esse capítulo é datado em 588/7 a.C., no décimo ano de Zedequias, quando o cerco de Jerusalém já durava um ano (v. 1; cf. 39.1) e estava para terminar em desastre (2Rs 25.13). Jeremias foi preso quando tentou passar pelo posto da guarda inimiga que cercava a cidade (v. 24; cf. 37.11-14). O seu adversário principal foi o rei, que o acusou de óbvia deserção para o lado inimigo, de convicção declarada na vitória babilónica iminente e de desencorajar a resistência e predizer a queda da monarquia (v. 3-5). Os prisioneiros eram mantidos em um temporário acampamento vigiado, montado no jardim do palácio (cf. Ne 3.25). Antes de tentarem silenciá-lo, o profeta aproveita a oportunidade da visita de um parente para mostrar-lhe sua fé na futura restauração da terra. A orientação divina veio a ele por meio da palavra revelada e confirmada depois pelo evento. Isso o estimulou à fé no seu Senhor como aquele que traria o seu povo de volta do exílio às suas próprias e legítimas possessões (v. 6-8) — o tema dos caps. 32 e 33. Anatote (v. 7) já estava nas mãos dos inimigos, e assim ninguém da família ou mesmo outra pessoa iria facilmente comprar a propriedade. Esta foi oferecida a Jeremias para que fosse mantida na família (Lv 25.25-28). Seguindo os procedimentos integrais e legais (v. 9-12), ele paga o preço completo e justo, pesando publicamente a prata de acordo com o método comum de pagamento entre estranhos (cf. Gn 23.16). Também da forma convencional ele toma medidas para preservar a escritura de compra da propriedade para futuras verificações (v. 13-15). Independentemente de se os documentos eram escritos em papiro (o que é mais provável, porque as testemunhas também escreveram, v. 12), ou em uma tábua de argila selada com o seu próprio envelope no qual estava escrito o texto duplicado “aberto” (como a LXX no v. 11 pode bem indicar), o objetivo era claramente preparar um testemunho de longo prazo que sobreviveria ao exílio e estaria disponível depois para reaver a terra reocupada. Essa prática bem difundida é atestada com frequência em documentos e jarros de armazenagem recuperados pelos arqueólogos. Conta-se uma história semelhante de Roma em 211 a.C., quando o acampamento de Aníbal fora da cidade sitiada foi comprado sem demora como um sinal de fé na independência vindoura (Lívio xxvi.ll; Floro 22.6). Temendo que a interpretação não fosse clara, Jeremias faz uma declaração da sua intenção em relação à autoridade de Deus. Observe o uso crescente do título Senhor dos Exércitos (v. 15,18; cf. 21.35). O registro é feito por Baruque (v. 12), que é mencionado aqui pela primeira vez. Ele teria um papel importante na preservação exata das palavras de Jeremias (cf. 36.4).
(2) O profeta ora, e Deus responde (32.16-44). Espantado com o que fez, Jeremias ora por confirmação e coragem (v. 1625). Ele se fundamenta na natureza de Deus, onipotente (v. 17) e onisciente (v. 19), como já mostrou na história. Deus interveio no passado, apesar da repetida falta de confiança do povo nele (v. 20-24). Nada ê difícil demais (i.e., excepcional) para Deus fazer (v. 17,27; cf. Gn 18.14). Quando o profeta procura uma palavra de Deus criativa e portanto eficaz (SL 33.9; 148.5) para a sua situação imediata, tudo que recebe é uma ordem de agir com fé como se a terra de Judá, agora sendo castigada, tivesse um futuro glorioso. Isso é fé (cf. Hb 11.6). Muitos comentaristas argumentam que os v. 17b-23 são um acréscimo litúrgico semelhante a Deuteronômio, no entanto são o pano de fundo essencial da questão sugerida no v. 25.
A resposta de Deus (v. 26-44) começa com uma referência à própria oração de Jeremias (v. 27; cf. v. 17,24) assegurando-lhe que foi ouvido. Deus, e não os babilônios, é o Senhor soberano da história (v. 17); ele está agindo com poder, e não em fraqueza, ao recompensar a cidade com fogo (v. 29), espada, forne e peste (v. 36; cf. 14.12; esses elementos e o Dilúvio são típicos do julgamento divino). O juízo cairá sobre todos os pecadores. A recusa persistente desde a juventude (v. 30) de atender aos frequentes chamados ao arrependimento (v. 33), combinada com práticas pagãs abertas (v. 28; cf. 19.13) só pode ter um resultado — a ira divina (v. 30-32,37). Tudo isso é Deus em ação arrancando e despedaçando (1.10).
Como é maravilhosa, porém, a ação da misericórdia de Deus por meio do juízo (Rm 11.32-36). Ambos são obra de Deus. Na sua resposta (v. 36-44), o Senhor destaca a reconstrução e o replantio (v. 41). O juízo é um prelúdio necessário para a restauração (v. 42) quando ele vai produzir unidade entre Deus e o seu povo e vai gerar entre eles a unidade de coração para que temam o nome dele (SL 86.11) e lhes dar poder para amar apropriadamente (v. 39, um só pensamento e uma só conduta). Assim, a esperança está fundamentada na nova aliança, v. 38. Eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus\ um resumo da aliança (cf. 31.22) na qual ele vai trazer o povo de volta. O objetivo dessa obra de restauração inclui a segurança (v. 37), relacionamentos pessoais revitalizados (v. 38), a preservação do povo de Deus por meio da sua dependência dele (v. 38-40) e a realização completa do bem dele para o bem do povo (v. 41). Observe a formulação tão enfática das promessas (Farei, terei, plantarei etc. é uma formulação usada 13 vezes) e a expressão: de todo o meu coração e de toda a minha alma (v. 41, somente aqui usado em relação a Deus). Ainda outro resultado vai ser a prosperidade econômica restaurada quando a escritura de Jeremias da compra da propriedade da família, que agora parece uma perda, vai ser mostrada publicamente como lucro.

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