2019/09/19

Estudo sobre Êxodo 5

Estudo sobre Êxodo 5

Estudo sobre Êxodo 5



Êxodo 5
II. “DEIXE O MEU POVO IR” (5.1—11.10)
1) O primeiro encontro com o faraó (5.1-9)
Essa primeira audiência com o rei confirma todos os medos e pressentimentos de Moisés. Como resultado da intervenção de Moisés e Arão, a sina dos homens nos grupos de trabalho escravo se tornou ainda mais insuportável. Mas, como bem observa Cassuto: “Esse relato do fracasso inicial na execução da sua missão eleva a tensão dramática da narrativa e confere ênfase maior ao sucesso subsequen-te, que é descrito na seção seguinte”. Entrementes, Moisés, que ainda não tinha à sua disposição os capítulos seguintes de Êxodo, reagiu da única forma que conhecia (v. 22,23). v. 1. Assim diz o Senhor, o Deus de Israel-, a forma característica dos oráculos proféticos posteriores. “Deixe o meu povo id’: cf. 3.18. para celebrar-me uma festa-, a NEB traz “observar minha festa da peregrinação”; é a mesma raiz semítica que aparece no árabe xaj, a peregrinação islâmica para Meca. Para os israelitas, o alvo da peregrinação era o Horebe (3.12). v. 2. O faraó era considerado deus no Egito e provavelmente não se importava com o caráter autoritário dessa forma de oráculo, v. 3. Ostracos desse período preservam registros de trabalho que mostram que os escravos egípcios tinham o costume de tirar tempo para participar de atividades religiosas, ele nos atingirá-, é possível que o rei entendesse esse temor, visto que se acreditava na época que a negligência de cerimônias religiosas atraía a ira dos deuses, v. 4. Mas Moisés e Arão descobrem que estão lidando com um tirano irracional, obcecado com o seu problema de imigrantes (cf. Cole), v. 5. essa gente (“a população da terra”, BJ) é referência à população escrava, especialmente os israelitas. A versão samaritana traz uma variante: “agora eles são mais numerosos do que o povo da terra”, embora nesse caso a expressão se refira aos egípcios nativos. A NEB segue a versão samaritana nesse ponto, mas não há como ter certeza de que esse não seja mais um caso de abrandamento de dificuldades característico da versão samaritana (v. o cap. introdutório acerca das “Versões Antigas”), v. 6. capatazes, como indicam os v. 14,15,19, eram hebreus, v. 7,8. Daí em diante, os próprios hebreus deveriam providenciar a palha e, mesmo assim, manter os mesmos níveis de produtividade. O barro do Nilo era colocado em moldes de madeira e deixado ao sol para secar. Com frequência, a palha ou restos da debulha de cereais eram misturados ao barro para aumentar a durabilidade. “A pesquisa tem mostrado que a palha produz ácidos orgânicos que tornam o barro mais maleável, e a sua presença também impede o encolhimento” (K. A. Kitchen, Ancient Orient and Old Testament, p. 156). Outras ilustrações da preocupação egípcia com materiais e cotas vem dos papiros Anastasi (século XIII a.C.). v. 9. mentiras foi o veredicto do faraó para a afirmação de Moisés e Arão de que haviam tido uma revelação divina.
2) A opressão se intensifica (5.10-23) v. 12. Quando acabou o suprimento de palha, os israelitas tiveram de se contentar com restolho, v. 14. Há paralelos modernos para a forma em que eram organizados os grupos de escravos. A responsabilidade pela produção era colocada sobre os capatazes hebreus, que eram, inevitavelmente, espancados se as cotas anteriores não fossem mantidas, v. 15. Naquela época, era possível até para um escravo apelar diretamente ao faraó, se ele tinha uma queixa, e os capatazes tiram vantagem dessa concessão, v. 16. mas a culpa é do teu próprio povo\ i.e., dos feitores egípcios que se negavam a fornecer a palha. Outra versão possível é: “foste injusto com o teu povo” (i.e., os israelitas, cf. “teus servos”), v. 21. Já no primeiro encontro, o faraó usou de manobras espertas para vencer Moisés e Arão, além de pôr os dois líderes em descrédito diante dos israelitas, v. 22,23. A expectativa de Moisés de uma libertação instantânea (cf. comentário de 4.10) caiu por terra. Mas, se a intervenção divina tivesse ocorrido nesse momento, então o propósito declarado de Deus (9.16; cf. Rm 9.17) não teria sido atingido de forma tão triunfante.

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