sábado, janeiro 13, 2018

Resumo de Salmos 119

Resumo de Salmos 119

Resumo de Salmos 119

Esse é um salmo 119 por si mesmo, distinto de todos os outros; ele supera todos os outros e destaca-se por seu brilho nessa constelação. É muito mais longo que os outros, duas vezes mais longo que os outros. Não era o fazer longas orações que Jesus censurava, mas fazê-las como pretexto, o que deixa entender que elas são boas e recomendáveis em si mesmas. Parece-me que esse salmo é uma coletânea de brados piedosos e devotos de Davi, a curta e repentina respiração e a elevação de sua alma a Deus, o que ele escreveu enquanto ocorria e, perto do final de sua vida, reuniu-as de seu diário, no qual elas permaneciam dispersas, e acrescentou muitas palavras semelhantes nesse salmo em que é raro encontrar alguma coerência entre os versículos, mas que, como os provérbios de Salomão, é um cofre com anéis de ouro, não uma corrente de elos de ouro. E não só podemos aprender com o exemplo do salmista a nos acostumarmos a dar esses brados piedosos, que são um excelente meio de manter comunhão constante com Deus e de manter o coração ajustado para o exercício mais solene da religião, mas também devemos usar as palavras do salmista para estimular e para expressar nossa inclinação devota; é verdade o que alguns disseram a respeito desse salmo: “Aquele que o ler bastante, perceberá que o salmo o confortará ou o envergonhará”. A composição dele é singular e muito precisa. Ele é dividido em vinte e duas partes, de acordo com o número de letras do alfabeto hebraico, e cada parte consiste de oito versículos, todos os versículos da primeira parte começam com álefe; todos os versículos do segundo, com bete e assim por diante, sem nenhuma falha em todo o salmo. O arcebispo Tillotson diz que parece haver mais habilidade poética e numérica nele do que podemos entender com facilidade a essa distância. Alguns chamaram-no de alfabeto de santos; e seria desejável que tivéssemos o salmo na memória com a mesma prontidão que temos as exatas letras do alfabeto, com a mesma prontidão que nosso ABC vem a nossa lembrança. Talvez o escritor tenha achado útil para ele mesmo usar esse método, como se este o obrigasse a buscar pensamentos e pesquisá-los para que pudesse preencher a cota de cada parte; e a letra com que devia começar o versículo o podia levar a encontrar a palavra que pudesse sugerir uma boa sentença; e tudo muito pouco para levantar alguma coisa boa no solo estéril de nosso coração. Contudo, seria útil para os aprendizes, uma ajuda para que eles o memorizassem e o trouxessem à mente oportunamente; pegar-se-ia a letra da primeira palavra, e ela traria todo o versículo à mente, assim, os jovens o aprenderiam com mais facilidade de memória e o reteriam melhor até uma idade avançada. Se alguém censurar isso por considerar infantil e uma brincadeira, pois, hoje, os acrósticos estão fora de moda, diga-lhes que o salmista real despreza a censura deles; ele é professor de bebês, e se esse método for benéfico para eles, ele não tem nenhuma dificuldade em favorecê-lo; se é para ser ruim, ele será ainda mais ruim. I. O escopo e desígnio geral desse salmo é exaltar a lei e torná-la honorável; apresentar a excelência e a utilidade da revelação divina, e recomendá-la a nós não só para entretenimento, mas para o governo de nós mesmos por meio do exemplo do próprio salmista que fala, por experiência própria, do benefício da revelação e da boa impressão que esta exerceu sobre ele, pelo que ele louva a Deus e ora fervorosamente, do começo ao fim, para que a graça de Deus continue com ele, guie-o e estimule-o no caminho de sua obrigação. Esse salmo refere-se à revelação divina com dez palavras diferentes e sinônimas, cada uma delas expressa o domínio e alcance completo da revelação (de que Deus nos diz o que espera de nós e do que podemos esperar dele) e do sistema da religião que é fundamentado na revelação e orientado por ela. As coisas contidas na Escritura e extraídas dela são, aqui, chamadas: 1. Lei de Deus, pois são decretadas por Ele como nosso Soberano. 2. Seu caminho, pois elas são as leis da providência dele e da nossa obediência. 3. Seus testemunhos, pois as leis são declaradas solenemente para o mundo e são incontestáveis e não contraditórias. 4. Seus mandamentos, pois foram dados com autoridade e (conforme o sentido da palavra) entregue a nós em custódia, para cuidarmos dela. 5. Seus preceitos, pois foram prescritos para nós, e não para ser deixados de lado. 6. Sua palavra, ou dito, pois é a declaração de sua mente, e Cristo, a Palavra eterna essencial, é tudo em tudo nela. 7. Seus julgamentos, pois foram estruturados em infinita sabedoria, e, por meio deles, devemos julgar e ser julgados. 8. Sua justiça, pois ela é toda santa, justa e boa, e a regra e o padrão de justiça. 9. Seus estatutos, pois eles são fixos e determinados e devem ser obedecidos para sempre. Sua verdade, ou fidelidade, pois os princípios sobre os quais a lei divina é edificada são verdades eternas. E acho que há apenas um versículo (v. 122) nesse longo salmo em que não há uma nem outra dessas dez palavras; apenas em três ou quatro, elas são usadas com referência à providência de Deus ou à prática de Davi (conforme vv. 75,84,121); e no versículo 132, elas são usadas para chamar o nome de Deus. A grande estima e afeto que Davi tinha pela palavra de Deus é ainda mais admirável quando consideramos como ele tinha pouco da palavra de Deus em comparação com o que temos, talvez não tivesse mais que os cinco primeiros livros escritos por Moisés, que eram apenas o alvorecer desse dia, o que pode envergonhar a nós que desfrutamos de todas as descobertas da revelação divina e, todavia, somos tão indiferentes em relação a ela. Ao cantar esse salmo, há trabalho para todos os afetos devotos da alma santificada, tão copioso e tão variado é o assunto dele. Aqui, encontramos em que devemos dar glória a Deus como nosso governante e grande benfeitor, o que devemos ensinar e admoestar a nós mesmos e uns aos outros (tantas são as instruções que encontramos sobre a vida religiosa) e em que devemos confortar e encorajar a nós mesmos e uns aos outros, tantas são as doces experiências de quem leva uma vida assim. Há uma ou outra coisa que se encaixa na vida de cada cristão. Alguém está aflito? Alguém está alegre? Ambos encontram aqui o que é apropriado para o seu caso. E o salmo está distante de ser uma repetição tediosa da mesma coisa, como pode parecer para os que apenas fazem uma leitura superficial; se meditarmos convenientemente a respeito dele, descobrimos que quase todo versículo traz um novo pensamento e algo muito vívido. E esse, como muitos outros salmos de Davi, ensina-nos a ser judiciosos em nossa devoção privada e pública; pois as afeições, em geral, especialmente as dos cristãos mais fracos, são mais prováveis de ser levantadas e mantidas por expressões breves cujo sentido repousa em um espaço curto, e não em períodos longos e elaborados.