quarta-feira, 29 de julho de 2009

Estudo do Livro de Isaías

Estudo do Livro de IsaíasEstudo do Livro de Isaías

Na Bíblia Hebraica, o livro de Isaías é o primeiro dos Profetas Maiores (Isaías, Jeremias, Ezequiel, os Doze). 

Índice do Estudo





O livro de Isaías está centralizado em um dos períodos mais turbulentos e trágicos da história judaica. Nos dias de Isaías, o reino de Judá esteve sob o governo de cinco reis, dos quais alguns eram bons e outros maus - Uzías, Jotão, Acaz, Ezequias e Manassés. Era uma nação pecadora. Embora fosse o povo de Deus, eles eram apóstatas e sem dúvida mereciam ser castigados. Durante o período da vida de Isaías, em um momento ou outro, vários inimigos poderosos estiveram inclinados à destruição de Jndá; O Reino do Norte de Israel, governado por Peca; a Síria, cujo rei era Rezim; e a Assíria, sob reis guerreiros como Tiglate-Pileser III, Sargão II e Senaqueribe. Além disso, outros vizinhos, como os filisteus, os moabitas e os edomitas, de vez em quando atacavam o pequeno reino.

O Egito era apenas uma “cana quebrada” sobre a qual tentavam apoiar-se em busca de ajuda contra o invasor assírio. Foi predito que a Babilônia, com quem Ezequias fez uma aliança, tomar-se-ia o futuro destruidor. Por meio de revelação, Isaías previu dois libertadores por vir: Ciro, como um libertador distante; e o Messias, como um libertador mais distante ainda. O profeta observou que tudo e todos seriam instrumentos de Deus tanto para o castigo quanto para a redenção de seu povo escolhido.



O livro em si fornece poucas informações sobre a atividade literária de Isaías. De acordo com 8.1 e 30.8, ele fez anotações em uma tábua ou quadro de escrever, mas também recebeu ordens para escrever uma certa profecia em um livro ou rolo (30.8). A exortação divina para buscar e ler o livro do Senhor (34.16) sugere que toda a profecia a respeito de Edom foi registrada para que no dia de seu cumprimento, o leitor pudesse verificar cada detalhe com as Escrituras. O nome de Isaías está especificamente ligado aos caps. 1, 2 e 13, Este profeta é conhecido por ter sido um historiador da corte durante os reinados dqs reis Uzias e Ezequias (2 Cr 26.22; 32.32). E provável, portanto, que Isaías tenha originalmente escrito o texto de 2 Reis 18.13-20.19, que é, em essência, um paralelo
a Isaías 36-39.

Entretanto, teorias críticas da composição dessa profecia são abundantes hoje, e negam que Isaías de Jerusalém tenha escrito 66 capítulos sozinho. Sob a influência do deísmo, no final do século XVIII, J. C. Doederlein publicou em 1789 um argumento sistemático de que os caps. 40-66 foram compostos no século VI a.C. Desde então, tem sido comum os críticos falarem de um “segundo Isaías” que supostamente escreveu no período imediatamente anterior ao final do cativeiro babilônico (550-539 a.C.). H, F. W. Gesenius apoiou esta opinião em 1819, mas Ernst Rosenmuller atribuiu várias passagens dos caps. 1-39 (como os caps. 13 e 14) ao último escritor desconhecido. Em 1892, Bernhard Duhm foi além propondo um “terceiro Isaías” que teria escrito os caps. 56-66 em Jerusalém na época de Esdras. Em 1928, C. C. ToTrey, em seu livro The Second Isaiah, defendeu um único escritor para os caps. 34-66 (exceto para os caps, 36-39). Estes teriam sido compostos por um escritor que viveu na Palestina perto do final do século V. Alguns estudiosos recentes, como W. H. Brorvnlee, defenderam que todos os 66 capítulos vêm de um círculo de discípulos que em seguida, ou mais tarde, estudaram Isaías e suas profecias orais, Estes escritos teriam sido coletados e arranjados por um membro habilidoso dessa escola de Isaías, que talvez tenha vivido no século III.

Várias evidências podem ser apresentadas em refutação dessas opiniões críticas, defendendo a unidade do livro e sua autoria pelo Isaías histórico.

1. A tradição judaica. Os profetas menores fazem alusão a expressões de Isaías (cf. Na 1.15 com Is 52.7; Sf 2.15 com Is 47.8,10). Em aprox. 180 a.C., no livro apócrifo Eclesiástico, o filho de Siraque fala de Isaías como alguém que “confortou aqueles que choraram em Sião” (48.22-25), uma clara alusão ao assunto de Isaías 40-66 e a 40.1 em particular. Esta é a primeira ocorrência de uma tradição relacionada à autoria de Isaías. Nenhuma palavra é dita a respeito de qualquer profeta menor do exílio ou da época de Esdras que acrescente algo aos escritos de Isaías. Nenhuma das muitas cópias do manuscrito de Isaías encontradas nas cavernas de Qumrã e transcritas antes e durante a época de Cristo dão qualquer indício de autoria dupla ou múltipla. Nem Josefo. A Septuaginta (LXX) tem um único título para o livro inteiro. E a tradição rabínica permaneceu uniforme no período da crítica racional moderna, afirmando que Isaías escreveu todos os 66 capítulos. 

2. O testemunho do NT. Cristo referiu-se ao profeta Isaías como um indivíduo distinto (Mt 15.7-9). Os escritores do NT claramente consideravam o autor de todas as seções principais da profecia como único e o mesmo (veja Mt 3.3; 8.17; 12.17-21; 13.14,15; Mc 1.2; Lc 3.4; 4.17; At 8.28-32; 28.25-27; Rm 9.27-29; 10.16,20,21). “A citação mais conclusiva do NT é João 12.38-41.0 versículo 38 cita Isaías 53.1; o versículo 40 cita Isaías 6.9,10. Então, o apóstolo inspirado comenta no versículo 41: ‘Isaías disse isso quando viu sua glória e falou dele”. Obviamente o mesmo Isaías que viu a glória de Cristo na visão do Templo de Isaías 6 foi aquele que também fez a declaração que está registrada em Isaías 53.1: “Quem deu crédito à nossa pregação? E a quem se manifestou o braço do Senhor?” Se não fosse o mesmo autor que compôs tanto o capítulo 6 como o capítulo 53 (e os defensores da teoria Deutero-Isaías afirmam fortemente que não é), então o próprio apóstolo inspirado teria se enganado: “Portanto, segue-se que os defensores da teoria de dois Isaías devem, por implicação, reconhecer a existência de erros no NT” (Archer, SOTI, p. 336). E inconcebível que a identidade de um profeta tão grande como o autor de Isaías 40-66 tivesse sido totalmente esquecida tanto pela nação judaica como pela Igreja Cristã, por homens piedosos e tementes a Deus que creram, ensinaram, copiaram e lembraram os profetas bem como a lei de geração em geração. Era essencial entre os antigos hebreus saber o nome do profeta para que seu escrito fosse aceito e registrado na casa de Israel (cf. Ez 13.9).

3. O contexto palestino. Os críticos racionalistas afirmaram que os caps. 40-66 foram escritos na Babilônia, que é uma região plana. Mas as duas partes do livro de Isaías falam de rochedos, montanhas, ribeiros de vales, e rebanhos de Judá. Se a segunda parte tivesse sido escrita na Babilônia, teriam sido incluídas alusões à paisagem daquele campo. A coloração local em ambas as partes é judaica, mostrando que todo o livro foi escrito em Judá, dessa forma apontando para a autoria única de Isaías.

4. O contexto histórico e o religioso. O fato de a Babilônia ser mencionada em ambas as nartes do livro não toma necessário uma data posterior à época de Isaías para esses capítulos. As advertências re Babilônia já eram relevantes em sua própria época (veja o cap. 39). Os eventos profetizados ou descritos em 21.9; 43.14; 46.1,2 e, em parte, em 47.1-6 foram cumpridos na história mais particularmente pela destruição da Babilônia por Senaqueribe em 689 a.C., e mais tarde pela captura da cidade por Ciro em 539 a.C. Além disso, as formas de idolatria condenadas em Isaías 57.5-9; 59.3-15; 65.3-5; 66.17 foram praticadas pelos judeus em Judá durante o reinado de Manassés (2 Rs 21.1-16), mas não pelos exilados judeus na Babilônia nem pelos judeus que retornaram no período pós-exílico. Além disso, é mais provável que a totalidade ideal da restauração de Israel retratada nos caps. 40-58 tenha sido escrita por alguém que estivesse contemplando o retomo dos exilados de longe, do que por algum contemporâneo que estivesse observando os resultados aparentemente escassos conforme registrado por Esdras, Neemias e Ageu.

5. Idioma e estilo. Todos os 66 capítulos são escritos em um hebraico perfeitamente puro, sem aramaísmos e termos babilônicos que caracterizam os livros pós-exílicos conhecidos. Da mesma forma, as semelhanças de estilo entre os caps. 1-39 e 40-66 são surpreendentes. Por exemplo, o título de Deus, “o Santo de Israel”, usado em muitas versões apenas 31 vezes em todo o AT, é encontrado 25 vezes em Isaías; ele ocorre 12 vezes nos caps. 1-39, e 13 vezes nos caps. 40-66. Uma outra característica marcante do estilo de Isaías é seu uso frequente do chamado “tempo perfeito profético” do verbo; isto é, ele frequentem ente fala de eventos futuros próximos ou já ocorridos (por exemplo, 5.13; 8.23; 9.1-7; 10.28-31); de Ciro como já tendo iniciado sua carreira de conquistas (41.25; 45.13); ou da morte do Servo do Senhor como uma oferta pelo pecado (53.1-12). O profeta pôde falar desse modo porque viu esses eventos futuros como já realizados no propósito de Deus.

Esse modo vivido de falar, que Isaías compartilha com outros profetas, é especialmente significativo em seu caso por causa de sua postura quanto à questão da unidade do livro. Muitos estudiosos afirmam hoje que os caps. 40-66 não podem ser as palavras de Isaías, mas devem ser de um autor desconhecido que viveu no final do cativeiro babilônico (Deutero-lsaías) ou até mesmo depois deste período. Muitos que aceitam a opinião acima falham por não perceber que esse argumento prova muitas coisas. Se o testo em 41.2-4 deve conter as palavras de um contemporâneo de Ciro, então o cap. 53 deve conter as palavras de uma testemunha da crucificação. Isto é naturalmente impossível. Conseqüentemente, aqueles que negam que Isaías poderia ter pronunciado as profecias a respeito de Ciro devem defender que o mesmo argumento não se aplica ao cap. 53, ou devem negar que Isaías 53 seja uma profecia messiânica, apesar do claro testemunho do NT ao cumprirse na morte do Senhor Jesus (Mc 15.28; Lc 22.37; At 8.35; 1 Pe 2.22).

Por trás desse argumento contra a unidade de Isaías, está naturalmente a doutrina moderna a respeito da profecia, segundo a qual o profeta era um homem de seu próprio tempo que falou somente ao povo de seu próprio tempo, e não às gerações futuras. Esta é uma meia-verdade muito perigosa. Os profetas testemunharam muito seriamente aos homens de sua própria época. Mas eles também falaram sobre coisas futuras, sobre “aquele dia”, “o dia do Senhor”. Sem usar muitas palavras, essa definição modernista da profecia minimiza ou elimina dela o elemento profético. Contudo, de acordo com os claros ensinos das Escrituras, o cumprimento das profecias representa a evidência mais clara de que a palavra do profeta é uma mensagem de Deus; e nenhuma passagem declara esta verdade de uma forma mais clara do que os escritos do próprio Isaías.

A negação da predição através da profecia rompe a ligação entre o “e acontecerá” do AT e o “para que se cumprisse” do NT (cf. Jo 12.38- 41). Os anti-sobrenaturalistas negam essa ligação. Mas aqueles que creem na Bíblia, durante todos os séculos têm visto nas profecias a evidência clara e conclusiva de que Deus falou. Assim, eles regozijaram-se na unidade de todo o livro, e reconheceram Isaías como o “evangelista” do AT, que apontava adiante para um Messias sofredor que tomaria sobre si o pecado de toda a humanidade. Para se prevenir contra a reivindicação de que Ciro é representado como alguém de quem o profeta é contemporâneo, deve ser notado que enquanto o profeta geralmente faz alusão a Ciro como alguém presente, ou prestes a aparecer, ele introduz o nome de Ciro no clímax de um notável poema (44.24-28). As palavras “Eu sou o Senhor” são seguidas pelos termos “que/quem...”, que são arranjados em três grupos, cada grupo mais longo do que aquele que o precedeu. O primeiro grupo trata do passado (v.246); o segundo trata do presente (w. 25,26a); e o terceiro trata do futuro (w. 265-28). A estrutura do poema é climática e indica que as palavras “quem diz de Ciro: É meu pastor etc.” referem-se a um futuro tão remoto que a clareza da predição deve ser considerada muito admirável. Ciro ainda não é uma figura conhecida, pois o profeta não declara sua nacionalidade em nenhuma passagem.



I. Introdução, Caps. 1-6
II. O Livro do Emanuel, Caps. 7-12
III. Oráculos a respeito das Nações, Caps. 13-23
IV. O Pequeno Apocalipse, Caps. 24-27
V. O Livro dos Ais, Caps. 28-35
VI. O Livro de Ezequias, Caps. 36-39
VII. O Livro da Consolação, Caps, 40-66

A. Libertação do pecado e do cativeiro, caps. 40-48
B. O Libertador - o Servo do Senhor, caps. 49-57
C. O povo libertado e sua futura glória, caps. 58-66



Os capítulos 1-6 são introdutórios. Na “grande acusação” (cap. 1), o povo de Deus é acusado de formalismo e hipocrisia, de cobiça e crueldade, de total desconsideração à sua relação de aliança com o Senhor seu Deus, Eles merecem o destino de Sodoma. Mas aqui, como em toda parte no livro de Isaías, há uma maravilhosa mistura de exortação e conforto com denúncia e condenação: “Sião será remida com juízo, e os que voltam para ela, com justiça” (1.27). A gloriosa promessa de paz universal (2.2-5) e de Renovo (4.2-6) aparece em meio a terríveis ameaças. A parábola da vinha (5.1-7) é seguida por seis “ais”, terminando com a ameaça da espada, o castigo pela mão de exércitos invasores (cf. 1.20) . O cap. 6 contém o chamado do profeta, uma visão da santidade de Deus, que faz do título “o Santo de Israel” o favorito de Isaías para o Deus a quem ele serve. Não está claro se sua ocorrência em 1.4; 5.19,24 justifica a inferência de que, na seqüência cronológica, a chamada de Isaías pertence a uma época anterior ao cap. 1. Os capítulos 7-12, freqüentemente chamados de “livro do Emanuel", referem-se à primeira grande crise, a guerra siro-efraimita, que por causa da incredulidade de Acaz provocou a primeira invasão assíria. As referências desdenhosas a Rezim e Peca poderiam (excetuando-se 2 Crônicas 28.6} nos levar a minimizar a grandiosidade dessa ameaça, que é responsável pelo pedido de ajuda de Acaz à Assíria. As maravilhosas profecias do Emanuel (7.14; 8.8,10; 9.6ss.; 11.1-6) terminam com a bênção aos gentios (11.10) e com uma canção de louvor ao Deus de Israel (cap. 12): “Porque grande é o Santo de Israel no meio de ti” (v.6).

Os caps. 13—23 contêm “fardos” (profecias pesadas e dolorosas) contra as nações que ameaçam a própria existência de Israel. Babilônia (e Assíria), Filístia, Moabe, Damasco, Etiópia e Egito, Edom, Arábia, Jerusalém (cujo pecado faz dela seu pior inimigo) e Tiro. Aqui, como em outra parte, a compaixão e a esperança perfuram as nuvens tempestuosas da ira (14.1-3,24-27,32; 17.7ss.; 18.7 etc.). Especialmente admirável é 19.23-25, onde Isaías usa sua figura favorita da “estrada” para descrever a relação segura e amigável com os antigos inimigos. Q Egito é chamado de “meu povo” (19.25; cf, Ex 5.1); a Assíria, de “obra de minhas mãos” (cf. 45.11); Israel, de “minha herança” (Zc 2.12) - uma profecia maravilhosa que desenvolve Isaías 2.2-5. O cap, 24 é uma visão do juízo do mundo, um apocalipse, que termina em bênção; o Senhor reinará no monte Siâo. O cap. 25, um hino de louvor, é seguido por uma canção que assim como a do cap. 12 será cantada pelo Israel redimido. O cap. 27 termina com uma promessa de livramento.

Os caps, 28-31 contêm outros juízos sobre as nações; aparentemente a Assíria, a Babilônia e o Egito. O “ai” sobre Samaria (cap, 28), provavelmente proferido antes de Sargão atacá-la, é seguido pela promessa da “pedra já provada, pedra preciosa de esquina” que o Senhor assentará em Siâo (28.16). No cap. 29, o “ai” sobre Ariel (a lareira de Deus, onde o fogo do altar arde perpetuamente e, portanto, um nome figurativo de Jerusalém) termina da mesma forma com uma promessa contra as alianças com o Egito (caps. 30-31). Contudo, essa advertência também é combinada com uma promessa de bênção (30.18-33), e é seguida no cap.32 pela promessa de um rei (o Messias) que “reinará em justiça”; e “o efeito da justiça será paz”. O cap. 33 é dirigido contra a Assíria, o “despojaaor que não foi despojado”. Contudo, Jerusalém será uma “habitação quieta, tenda que não será derribada” (33.20). O terrível “ai” sobre Edom (cap. 34) é seguido de um quadro glorioso de bênção futura (cap 35).

Os caps. 36-37 falam da invasão de Senaqueribe, uma das histórias mais emocionantes da Bíblia Sagrada. O touro enfurecido que blasfemou contra o Santo de Israel será expulso com um anzol em seu nariz para morrer em sua própria terra pelas mãos de seus próprios filhos. A doença de Ezequias e a embaixada de Merodaque-Baladã (caps. 38-39} aparentemente dizem respeito a uma data anterior à dos caps. 35-37. Estes relatos são colocados depois dos outros; porém, esta ordem tem a finalidade de que a profecia ameaçadora de 39.6ss. pudesse ser imediatamente seguida pela grande mensagem de consolação para as gerações futuras; um livramento que Ezequias só poderia procurar em sua própria época, 

O livro da consolação (caps. 49-66) pode adequadamente ser chamado de um sermão profético, tendo o nome de Isaías (“salvação do Senhor”) como seu tema. Ele tem sua contrapartida nas palavras de João Batista e de Jesus: “Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos céus” (Mt 3.2; Mc 1.15). O horror do pecado humano e as maravilhas da graça divina são os seus temas recorrentes e alternados. Ele está aparentemente dividido em três partes pelas palavras de advertência de 48.22; 57.21, e termina com as terríveis palavras de 66.24 (cf. Mc 9.48). Os principais temas nesses capítulos são:

1. A transcendência do Senhor. Ele fez “todas as coisas” (44.24; cf, 45.12), “todas as nações são como nada perante ele” (40.17). “A quem... me comparareis?” (46.5) é seu desafio aos homens mortais. Ele criará novos céus e nova terra (65.17; 66.22; cf. 55.9).

2. A loucura do pecado da idolatria, o homem adorando a obra de suas próprias mãos (44.9-20; 46.1,2,6-8).

3. O Deus de Israel, o único que pode predizer os acontecimentos futuros e fazê-los acontecer (41.22-25; 42.9; 43.9-12; 44.7; 45.21; 46.10; 48.3-5).

4. Ciro - uma figura proeminente. Deus o levantou “do Oriente” (41.2-5); ele vem em justiça (45.13); vem como uma ave de rapina de uma terra longínqua (46.11); ele humilhará a Babilônia (43.14; 48.14); fará com que Jerusalém seja construída e o Templo restaurado (44.28; 45.1-7).

5. Uma figura ainda mais proeminente é o Servo do Senhor. Ele é chamado de Israel (49.3); Jacó (48.20), Jacó-Israel (41.8ss.; 44.1,21; 45.4). Ele é descrito como “surdo e cego” (42.18ss.), pecador e necessitando de redenção (43.25; 44.22), como tendo uma missão para Israel e para os gentios (42.1-7; 49.1-6), como alguém em quem o Senhor será glorificado (49.3), como alguém que sofreu, embora fosse inocente (50.5-9), como alguém que sofreu vicariamente pelos outros (52.13-53.12).

A referência não pode ser a mesma em todas estas passagens. Onde a pecaminosidade é atribuída ao servo, este deve ser o Israel pecador; onde o sofrimento não merecido é descrito e é mencionada uma missão para Israel e para os gentios, o remanescente piedoso que o Senhor irá usar para trazer a bênção para Israel e as nações pode estar sendo em parte referido. No cap. 53, o Servo só pode ser o Messias, que em 61.1-3 fala de sua missão com palavras que Jesus tomou para si mesmo na sinagoga em Nazaré (Lc 4,17-21). Veja Servo do Senhor. 

6. O alcance dessa salvação prometida, que abrange o mundo todo, é especialmente enfatizado nos capítulos finais. A expressão “vós todos” de 55.1 tem seu eco na expressão “todo aquele que" de João 3.16; e as promessas de 56.7 e 66.1ss. têm seus cumprimentos em João 4.24. 


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