2009/05/28

Comentário de João 5:34-35

5:34 - Mas eu não aceito o testemunho de homem,... Eu não preciso do testemunho de nenhum humano, nem ele baseava a verdade de sua deidade e filiação divina no testemunho de João: ele tinha outros e maiores testemunhos a produzir; como ele não precisava que nenhum homem testificasse do homem a ele; e se o testemunho de homens fosse recebido, como esse de João não poderia ser objetado, o testemunho de Deus é maior do que este; e, portanto, não precisava mencionar João.

Mas essas coisas eu vos digo para que sejais salvos;... Ou seja, ele menciona esse testemunho de João, que era uma pessoa de tão grande caráter entre eles, para que eles fossem induzidos a acreditar nele como o Messias; e assim serem salvos da ruína e destruição, e isso viria sobre a nação deles, cidade e templo, por causa da rejeição e descrença dele.

5:35 - E era um luz brilhante que queimava e encandeava,… Ele não era aquela luz, a famosa luz, o Messias, o sol da justiça; e ainda assim, ele era o “phosphorus”, o precursor daquela luz, e era ele mesmo uma muito grande luz: ele tinha muita luz em si mesmo na pessoa e ofício do Messias; na doutrina da fé em Cristo e arrependimento para com Deus; na dispensação do Evangelho e na abolição da economia de Moisés; e deu grande luz aos outros, no negócio da salvação, e a remissão dos pecados, e era os meios de guiar os pés de muitos nos caminhos da paz. Sua luz de pura doutrina e de uma conduta pura, santa e exemplar, brilhava muito visivelmente, de forma muito brilhosa diante dos homens; e ele ardia com forte amor e afeição por Cristo, e as almas dos homens; e um zelo ardente pela honra da casa de Deus, e a verdadeira religião e contra todos os pecados e profanação, e que ele reprovava todos os pecados, por causa da qual ele perdeu a sua vida. Era comum para os Judeus chamarem seus doutores, que eram famosos por seus conhecimentos e santidade de vida, de luzes, luzes ardentes, e luzes brilhantes; ou qualquer palavra que traga esse mesmo sentido. Assim R. Simeão ben Jochai é frequentemente chamado no livro de Zoar, בוצינא קדישא, “a santa luz”; e particularmente é dito dele:
[1]

“R. Simeão, כבוצינא דשרגא דאדליק, é como “a lâmpada de luz que queima acima”, e “queima” abaixo; e pela luz que brilha, onde os filhos do mundo são iluminados: ai do mundo, quando a luz de baixo acende a luz de cima.”

Assim R. Abhu é chamado בוצינא דנהורא, “a lâmpada da luz”:
[2] e é dito[3] de Suá, o sogro de Judá, que ele era בוצינא דאתרא, “a luz do lugar”; ou seja, onde ele morava. O povo do lugar diz que ele era um homem de dignidade na cidade e iluminavam seus olhos; e ainda é muito frequente com eles, quando eles estão louvando qualquer um de seus doutores, para dizer dele, que era המאור הגדול, “uma grande luz”, que iluminava os olhos de Israel, e em cuja luz o povo anda;[4] assim entre os Filosofos, Xenofon e Platão são chamados duo lumina,[5] “duas luzes”; veja notas de Gill em Mat. 5:14.

E vós quisestes por um tempo,… Ou “por uma hora”.

Alegrar na sua luz;… ou “Se gloriar nela”, ou “ostentar-se dela”, como as versões Siríaca e Persa vertem. Quando João pareceu primeiro entre eles, eles se afeiçoaram a ele, e até mesmo se orgulharam dele; eles se gloriaram nele, que um homem de tais dons incomuns, e de tal santidade exemplar, foi erguido entre eles; e esperavam que ele fosse o Messias, ou Elias que devia vir antes dele; e se agradaram com os tempos de grande honra externa e prosperidade: portanto, eles se reuniram com ele, e muitos do Fariseus e Saduceus assistiram ao seu ministério, e teriam sido batizados por ele; mas quando eles acharam que ele não era o Messias, nem Elias, nem aquele profeta, mas deu um testemunho a Jesus de Nazaré, que ele era o Messias; e foi de encontro com às noções deles de um reino temporal, e de privilégios de nascimento, e a própria retidão deles; e os ameaçou com ruína, e destruição, tanto neste mundo, e no que há de vir, no caso da impenitência deles e incredulidade; eles cresceram em ódio por ele, e disseram que ele tinha demônio, e rejeitou a deliberação de Deus que ele declarou, e menosprezou o seu batismo. Tal era a inconstância deles e inconstância do que o Cristo aqui tacitamente os culpa. Eles estavam como os ouvintes do solo pedregoso, e como alguns dos admiradores de apóstolo Paulo entre os Gálatas que, no princípio, poderia ter arrancado fora os olhos deles para lhe dar, mas depois poderia ter se tornado os inimigos dele por lhes falar a verdade. [6]




Fonte: John Gill's Exposition of the Entire Bible



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Notas:

[1] Zohar em Exod. fol. 79. 1.
[2] T. Bab. Cetubot, fol. 17. 1.
[3] Bereshit Rabba, seç. 85. fol. 74. 4. & Mattanot Cehunah em ib.
[4] Vid. R. David Ganz Tzemach David, par. 1. fol. 38. 1. 41. 1. 44. 2. 45. 1. 46. 2. & 47. 1.
[5] A. Gell. Noct. Attic. l. 14. c. 3.
[6] Cf. Gálatas 4:15, 16. N do T.

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