2009/06/12

A voz da consciência no íntimo (Part. 2)

estudos biblicos, consciência, exemplos biblicosNote a narrativa histórica do que aconteceu com José, mais de dois mil anos depois do pecado de Adão. José era escravo na casa do oficial da corte egípcia, Potifar. Talvez tentada pela beleza masculina de José, a esposa de Potifar tentou seduzir José. Visto que ele era apenas escravo, podia facilmente sentir-se obrigado a obedecer a ela, talvez com a esperança de melhorar sua situação. Contudo, José repeliu totalmente as propostas imorais dela, dizendo: “Como poderia eu cometer esta grande maldade e realmente pecar contra Deus?” (Gên. 39:1-9) O que induziu José a encarar o adultério como pecado contra Deus?

Ele não respondeu assim por causa duma lei escrita de Deus, proibindo o adultério, tal como apareceu só mais tarde, nos Dez Mandamentos. (Êxo. 20:14) E lá estava José no Egito, longe de quaisquer pressões familiares ou regras patriarcais. É evidente que estava envolvida a consciência de José. O adultério violava seu senso de moral. Ele provavelmente “sentia” que era errado tomar o que não lhe pertencia, a esposa de outro homem. E este sentimento talvez fosse reforçado por ele ter refletido no fato de que o homem e sua mulher eram “uma só carne”, algo que Adão sabia muito bem. (Gên. 2:24; Mat. 19:4, 5) Também pode ter sabido do que aconteceu com Abraão e Isaque, que mostrava não haver aprovação do adultério. (Gên. 20:1-18; 26:7-11) Portanto, mesmo sem haver uma lei contra o adultério, a consciência de José podia induzi-lo a rejeitá-lo.

Mas, se Adão transmitiu aos seus descendentes certa medida de consciência, não devia também a esposa de Potifar ter sentido que o adultério era errado? Sim, embora obviamente se deixasse controlar pela paixão. Os egípcios, junto com outros, em toda a terra, davam-se conta de que o adultério era uma grave ofensa moral. Seus textos religiosos mais antigos associavam o último juízo com a pesagem do “coração”. E em que era alguém julgado? O antigo “Livro dos Mortos” dos egípcios representava o falecido como proclamando sua inocência, dizendo: ‘Não roubei. Não matei homens. Não menti. Não profanei a esposa de nenhum homem.’ De modo que deve ter sido a consciência que os induziu a sentir o erro do adultério. Introduzindo a consciência no assunto, o historiador Josefo escreveu mais tarde sobre José exortar a esposa de Potifar a abster-se da paixão, que traria remorso e sofrimento, mas a ser fiel ao seu marido e a ter “boa consciência”.

Além disso, encontramos descrições tanto bíblicas como não-bíblicas que ilustram a consciência operante. O Rei Davi, de Israel, em certa ocasião, mandou fazer um censo da nação. A Bíblia descreve a reação de Davi quando se deu conta de que havia pecado. Mostrando o funcionamento da consciência, a Bíblia diz que “o coração de Davi começou a bater nele”. (2 Sam. 24:1-10) Um efeito similar, duma consciência ferida é mencionado numa antiga tabuinha cuneiforme, que apresenta a oração dum babilônio que havia pecado. Ele implorou seu deus a escutar, “por causa de seu peito, que se queixa qual flauta ressoante”.

Tudo isso mostra que temos uma consciência por termos herdado inteligência e senso moral de Adão. Assim, até mesmo nações que não sabiam nada da lei mosaica, dada por Deus, proibiam coisas tais como furtar, mentir, incesto, assassinato e adultério. Sim, embora ‘não tenham lei’, “fazem por natureza as coisas da lei”. O apóstolo Paulo salientou a base para suas normas de moral, dizendo que “sua consciência [em grego: syneídesis] lhes dá testemunho e nos seus próprios pensamentos são acusadas ou até mesmo desculpadas”. (Rom. 2:14, 15) A faculdade da consciência dada por Deus é tão universal, que certa enciclopédia declara: “Não se encontrou ainda nenhuma cultura que não reconhecesse a consciência como fato.” E o Dr. Geoffrey Stephenson escreveu a respeito daqueles que parecem “não ter consciência”: “Era e ainda é considerado por alguns como forma genuína de insanidade ou psicose.” — Veja Tito 1:15.

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