2009/07/15

Agricultura — Estudos Bíblicos

estudo bíblico sobre agriculuraAgricultura

Lavoura; cultivo do solo e produção de safras; envolve também a criação de animais domésticos. A agricultura teve seu início no Éden, visto que Adão, depois de ser criado por Deus, foi colocado no jardim “para que o cultivasse e tomasse conta dele”. (Gên 2:5, 15) Entretanto, devido à infidelidade do primeiro casal humano, não ocorreu uma ampliação do Paraíso edênico; ao contrário, o solo passou a estar sob a maldição de Deus. Exigia suor e labuta ganhar do solo o sustento. — Gên 3:17-19.

O primeiro filho de Adão e Eva, Caim, tornou-se “lavrador do solo”; Abel, pastor de ovelhas. (Gên 4:2-4) Após o Dilúvio, “Noé principiou como lavrador” e plantou um vinhedo. (Gên 9:20) Num período posterior, Abraão, Isaque e Jacó levavam essencialmente uma vida nômade e pastoril com seus rebanhos, um tanto parecido ao Jabal antediluviano (Gên 4:20), embora no caso de Isaque e de Jacó haja também evidência de lavoura, mencionando-se especificamente o trigo. — Gên 26:12; 27:37; 30:14; 37:7.

Agricultura Israelita: Escavações feitas por arqueólogos mostram que a região da Palestina foi um dos primeiros centros de agricultura. A Terra da Promessa tinha um solo muito fértil. Nos dias de Ló, o distrito do Jordão era “semelhante ao jardim de Yehowah, semelhante à terra do Egito, até Zoar”. (Gên 13:10) Antes do Êxodo, a nação de Israel ficara bem familiarizada com a agricultura lá no Egito, onde se cultivavam trigo, linho, cevada, pepino, melancia, alho-porro, cebola, alho e outros produtos. (Êx 9:25, 26, 31, 32; Núm 11:5; De 11:10) Daí, durante 40 anos, a nação levou uma vida nômade no ermo, embora estivesse relativamente livre da associação corrompedora de povos pagãos.

Quando entrou na Terra da Promessa, a nação passou a levar uma vida de cultivo de produtos agrícolas e de criação de animais. Havia uma decisiva vantagem em possuírem uma terra já em cultivo. A grande maioria dos hebreus familiarizados com a agricultura no Egito já havia perecido no ermo, e, portanto, havia poucos, se é que havia, lavradores qualificados e competentes, disponíveis para começar a lavoura numa terra que lhes era nova e estranha. (Núm 14:22-30; He 3:16, 17) Portanto, foi de grande vantagem para eles herdarem então ‘casas cheias de todas as coisas boas, cisternas escavadas, vinhedos e olivais já plantados e produtivos’. — De 6:10, 11; 8:6-9.

Depois da divisão da terra em territórios tribais, distribuíram-se os lotes de terra, evidentemente pelo uso de uma corda de medir. (Sal 78:55; Ez 40:3; Am 7:17; Miq 2:4, 5) Uma vez determinados, tais limites deviam ser honrados e respeitados. — De 19:14; 27:17; Pr 22:28; Os 5:10; compare isso com Jó 24:2.

A agricultura ocupava um lugar importante na legislação dada a Israel. A terra pertencia a Yehowah, de modo que não se devia abusar dela. (Le 25:23) A terra não podia ser vendida em perpetuidade, e com exceção das propriedades dentro de cidades muradas, a terra vendida por motivo de infortúnios e de reveses econômicos devia ser devolvida ao dono original no ano do jubileu. (Le 25:10, 23-31) Exigia-se um descanso sabático cada sétimo ano, durante o qual a terra ficava de pousio e tinha sua fertilidade restaurada, realizando assim o que hoje se faz com a alternação de culturas. (Êx 23:10, 11; Le 25:3-7) Este requisito talvez parecesse perigoso e por certo era uma prova da fé da nação na promessa de Deus, de prover uma abundância suficiente para sustentá-la até a safra do ano seguinte. Ao mesmo tempo, incentivava a prudência e a previdência. O ano do Jubileu (todo 50.° ano) também era um ano de descanso para a terra. — Le 25:11, 12.

As três festividades anuais que se ordenou que Israel celebrasse estavam cronometradas para coincidir com as estações de lavoura: a Festividade dos Pães Não Fermentados, na época da colheita da cevada; Pentecostes, na época da colheita do trigo; e a Festividade das Barracas, na época do término das safras do ano que findava. (Êx 23:14-16) Para os israelitas, as estações e as colheitas eram fatores de datas e indicadores de época, e costumavam ser usadas mais como tais do que os nomes dos meses calendares. Essa vida agrícola protegia também os israelitas em sentido espiritual, visto que os tornava em grande parte independentes dos outros povos quanto às suas necessidades, e mantinha reduzido ao mínimo a necessidade de terem um intercâmbio comercial com as nações circunvizinhas.

Embora devesse ser uma terra ‘que manava leite e mel’ para eles sob a bênção de Deus, havia, não obstante, problemas agrícolas a resolver. Dependente da obediência deles, não haveria necessidade de irrigação em grande escala. (De 8:7; 11:9-17) A estação chuvosa começava com as chuvas temporãs por volta de meados de outubro e continuava até o tempo das chuvas serôdias, que terminavam por volta de meados de abril. (De 11:14) Seguiam-se então cinco meses em geral sem chuvas, sendo o calor e a seca aliviados por abundante orvalho que caía à noite e que refrescava o solo e as plantas. — Gên 27:28; De 33:28.

Para a conservação do solo em encostas, evidentemente se usavam terraços com muros de pedra para contê-los e para impedir que o vital solo arável fosse levado pela chuva. Escavações arqueológicas mostram até 60 ou mais de tais terraços um acima do outro em algumas colinas. Para assegurar a segurança das safras, construíam-se nos vinhedos e nos campos barracas ou ranchos, ou mesmo torres permanentes, para que se pudesse postar ali uma sentinela para vigiar a área circundante. — Is 1:8; 5:2; Mt 21:33.

Especialmente o Rei Uzias é mencionado como “amante da agricultura [literalmente: do solo]”. — 2Cr 26:10.

Embora a subsequente desobediência resultasse na retirada da bênção de Deus e trouxesse em conseqüência desastres agrícolas por safras fracassadas, secas, pragas de gafanhotos, bolor e outros problemas, e embora a destruição de grande parte das florestas e o abandono da manutenção dos sistemas de terraços durante um período de muitos séculos resultassem em vastas quantidades de solo arável serem levadas embora pelas chuvas, em grande parte da Palestina, o solo remanescente em geral continua a ser de muita fertilidade até o tempo presente.

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