2014/10/14

Comentário de Apocalipse 14:1-20 (J. W. Scott)

Comentário de Apocalipse 14

APOCALIPSE 14, COMENTÁRIO, ESTUDO, LIVROA finalidade desta e das visões que se seguem neste capítulo, é fortalecer os cristãos para as tribulações implicadas no relato que se segue do reinado do anticristo. A identidade dos 144.000 parece ser determinada por Ap 7.1-8 e Ap 5.9-10. João mal representaria dois grupos diferentes por tal número tão extraordinário e obviamente simbólico, especialmente quando ele acrescenta que ambas as companhias têm a marca de Deus nas suas testas (Ap 7.3-4; Ap 14.1). A multidão se define como aqueles que foram comprados da terra (3), um eco da descrição de Igreja em Ap 5.9. Outrossim, diz-se que eles estão sobre o monte Sião (1), isto é, a Jerusalém celestial da era milenária (Ap 21.9); isto está também de conformidade com o cântico de ação de graças, em Ap 5.10, mas representa um avanço sobre o prévio retrato dos 144.000, onde esta multidão está ainda sobre a terra (Ap 7.1-8) e depois é vista no céu, ainda não incluída contudo, nos privilégios reais (Ap 7.9-17). Nós, portanto, tomamos esta visão para retratar a Igreja possuindo a glória do advento de Cristo na era milenária. O tema do Cordeiro e da Jerusalém celestial encontrado neste capítulo expande-se em Ap 21.9. O nome escrito nas testas dos cristãos (1) explica a natureza do "selo" mencionado em Ap 7.1-8. As hostes angélicas cantaram "um novo cântico" (Ap 5.9), mas somente os 144,000 podiam aprendê-lo (3); evidentemente, ele trata da experiência de redenção, que somente pecadores salvos podiam conhecer. A nossa interpretação deste versículo é condicionada, na nossa identificação desta companhia, com a do cap. 7; é impossível, portanto, considerá-lo como enumerando homens solteiros somente. Parece melhor interpretar a linguagem do vers. 4 como simbólica, denotando a pureza espiritual de homens e mulheres que formam a noiva de Cristo (cfr. 2Co 11.2). Não são inaptos tais termos numa visão retratando a Igreja glorificada com o seu Senhor na Jerusalém celestial; ver Ap 21.9. Se aparche for traduzida aqui primícias a última parte do versículo se relaciona com tais Escrituras, como Tg 1.18; 2Ts 2.13 (onde se lê, em algumas versões, "Deus nos escolheu como primícias...", em vez de "Deus escolheu desde o princípio..."); porém, podia ser traduzida, pelo seu sentido usual dos LXX, "sacrifício"; porque tal pensamento é peculiarmente apropriado nesta profecia do testemunho, sofrimento, e martírio dos escolhidos de Cristo.

A sucessão de breves oráculos nesta seção é unificada pelo uso de seis anjos, que anunciam o juízo e o executam. Igualmente com a visão anterior, entende-se fortalecer o nervo do cristão, uma visão sendo a retribuição do bem e outra, a retribuição de más obras.

1. O PRIMEIRO ANJO (Ap 14.6-7) -Uma última advertência é dada aos homens descrentes. Todas as nações são convocadas ao arrependimento e ao culto de Deus. A mensagem chama-se um "eterno Evangelho", pois as eternas bênçãos das boas novas ainda permanecem para aqueles que atendem, este oráculo parece registrar o cumprimento final de Mc 13.10.

2. O SEGUNDO ANJO (Ap 14.8) -A queda de "Babilônia" é relatada em maiores pormenores no cap. 18. Este nome simbólico de Roma aparece em 1Pe 5.13, os Oráculos Sibilinos 5.143, 159 e 2 Baruque 11.1.

3. O TERCEIRO ANJO (Ap 14.9-13) -Esta é uma advertência que forma umcomplemento à pregação do eterno evangelho nos vers. 6-7. Para o cálice não misturado (não "diluído"), cfr. Sl 75.8. Para o fogo e enxofre, cfr. Is 34.8-10, que é reminescente de #Gn 19.24-25. A paciência dos santos (12) encontra um aguilhão adicional na contemplação da terrível destruição dos adoradores da besta, assim como o saber que alguns deles serão chamados para o encarceramento e a morte dá um estímulo semelhante (Ap 13.10). A bem-aventurança dos mortos que desde agora morrem no Senhor (13) serve à mesma finalidade; cristãos que encaram a possibilidade de sofrer por causa do nome sabem que eles repousarão na companhia do seu Senhor e receberão uma recompensa pela sua fidelidade,

4. O QUARTO ANJO (Ap 14.14-16) -É comum considerar estes versículos como descrevendo o arrebatamento da Igreja por Cristo na sua vinda, e os vers. 18-20 como o ajuntamento do mundo incrédulo para o juízo; é possível que seja esta a verdadeira interpretação da passagem, especialmente em vista do uso da frase um semelhante ao Filho do homem no vers. 14 (cfr. Ap 1.13). Contudo, parece estranho que Cristo fosse orientado por um anjo para levar a efeito a sua obra salvadora. À sua descrição, também, falta o resplendor das visões do Senhor em Ap 1.12 e Ap 19.11. Parece melhor, por conseguinte, considerar a forma parecida a homem como um anjo, compartilhando algo da glória de Cristo como o "anjo forte" de Ap 10.1. A colheita do trigo e das uvas então representa um ato todo-inclusivo de juízo, como em Jl 3.13, em que se baseiam estas duas visões, Para a colheita da terra por instrumentalidade angélica, comparar Mt 13.41-42.

5. O QUINTO ANJO (Ap 14.17) -Observa-se que o anjo que tem a foice aguda saiu do templo, assim como o fez o quarto anjo.

6. O SEXTO ANJO (Ap 14.18-20) -Este anjo que autoriza o vindimador a colher as uvas da vinha da terra saiu do altar e chama-se aquele que tem poder sobre o fogo, Isto se relaciona com Ap 6.9-11; Ap 8.1-5; Ap 9.13; Ap 16.7, e exemplifica mais uma vez a conexão entre o sacrifício dos santos de Deus e o advento do reino. O simbolismo do juízo messiânico (19-20), como o pisar do lagar, remonta a Is 63.3. A cidade fora da qual o pisar do lagar ocorre é presumivelmente a cidade universal, "A grande Babilônia" (ver Ap 11.8; Ap 18.2).



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