2014/10/14

Comentário de Apocalipse 22:1-21 (J. W. Scott)

Comentário de Apocalipse 22

APOCALIPSE 22, COMENTÁRIO, ESTUDO, LIVROO rio puro da água da vida (22.1), em vista de Ap 7.17; Ap 21.6; Ap 22.17, denota um conceito puramente espiritual, "as fontes das águas da vida" vendo-se talvez, por assim dizer, como a origem deste puro rio. Nós nos lembramos que o Jardim de Éden tinha um rio (Gn 2.10), e na visão de Ezequiel corria um rio do templo, possuindo propriedades naturais de cura (Ez 47.8-11) . A árvore da vida (2), dessemelhante em Gn 2.9; Gn 3.22, aqui, trata-se coletivamente; há árvores em cada lado do rio, dando uma fruta diferente para cada mês do ano e folhas com propriedades de cura. O quadro se tira de Ez 47.7,12, no entanto, como no caso da água da vida, os poderes de cura das folhas tomam-se em sentido puramente espiritual. Através da Igreja, os homens dessedentarão a sua sede espiritual no reino de Deus e receberão sustento espiritual, adquirindo cura deste modo para as feridas do pecado. Isto supre uma parte pictorial correspondente ao cântico profético de Ap 15.4.

Ali nunca mais haverá maldição (3) pude simplesmente significar que coisa alguma impura ou abominável encontrará entrada na cidade santa (Ap 21.27). No entanto, é mais provável que temos aqui u m contraste propositado à maldição pronunciada no paraíso original, que trouxe calamidade para toda a criação (Gn 3.14-19). Os efeitos dessa maldição têm sido completamente superados na Nova Jerusalém. O alvo da humanidade redimida é que verão o seu rosto (4). Tal visão acarretará a transformação dos que o vêem na mesma imagem (1Jo 3.2). Para os nomes das suas testas, ver notas sobre Ap 3.12; Ap 19.12. No vers. 5 a afirmação absoluta é a melhor tradução, "Então já não haverá noite"; no entanto, é essencialmente correto: E ali não haverá mais noite, pois, como em Ap 21.23, a cidade de Deus está em mente (ver nota sobre Ap 21.23). Sente-se às vezes que a afirmação e reinarão para toda o sempre se contrapõe a "e viveram, e reinaram com Cristo durante mil anos" (Ap 20.4), esta sendo temporal, aquela eterna. Isto pode ser correto, porém certamente não no sentido que a referência maior exclui a menor, como se o milênio tivesse terminado este tempo; cfr. A afirmação paralela com respeito ao governo de Deus em Ap 11.15, onde "ele reinará para todo o sempre" inclui o reino milenário.

Nesta conclusão, três temas encontram expressão proeminente: a autenticidade das visões narradas (vers. 6-7,16,18-19), a iminência da vinda de Cristo (vers. 6-7,10-12,20), e a necessidade de santidade em vista da consumação impendente (vers. 10-15). É impossível ter certeza, quanto à identificação dos que falam nos vários parágrafos. Vers. 6-7,16, parecem como palavras de Cristo, vers. 10-15, palavras do anjo, vers. 8- 9,17-19,20b-21, acréscimos de João. Mas é possível uma grande quantidade de variação, especialmente se, como, pensam alguns, tem havido deslocações no texto subseqüente à sua publicação, Em última análise, pouco importa; o que fala é finalmente Cristo, cujo mensageiro é o anjo (9), e cujas palavras João registra como profeta (10).

O que fala (6-7) parece ser o nosso Senhor. Suas palavras, como o seu caráter, são fiéis e verdadeiras (Ap 3.14; Ap 19.11). Ele presto vem: (7). Não há justificativa para traduzir o gr. tachy como "de repente"; tal interpretação faria sentido estranho ao vers. 6, "coisas que "de repente" (en tachei) hão de acontecer", uma impossível tradução em vista do ensino do livro. Ver mais a nota sobre Ap 1.1. A inclusão dos vers. 8-9 por João não significa necessariamente que alguns dos seus leitores mais antigos praticavam o culto aos anjos, se bem que é verdade que a prática tinha um lugar entre os judeus (por ex. Test. Dn 6.2; Test. Levi 5.5) e até entre cristãos (Cl 2.18). A experiência de João é bastante natural e a sua narração aqui não precisa de outra explanação do que a sua real ocorrência e interesse intrínseco. Não é tanto uma polêmica contra o culto aos anjos como uma correção da sobreexaltação de todos os instrumentos de revelação; anjos e profetas e cristãos comuns todos se nivelam perante Deus.

A injunção no vers. 10 é o reverso de Dn 8.26; Dn 12.4,9, e do que nós vemos em s judaicos de modo geral. Enquanto estes profetizavam de tempos (ostensivamente) remotos, a mensagem era de importância imediata (o tempo está próximo) e foi entregue em seu próprio nome. Há ironia nas palavras do vers. 11 no que se prende aos maus. Daniel dissera (Dn 12.10) que nos últimos dias muitos seriam purificados pela experiência da tribulação, porém os ímpios procederiam impiamente; isto é, na última crise, os homens revelarão o seu verdadeiro caráter e se aliarão, ou ao lado de Deus, ou ao lado do diabo. Esse ensino acentua-se continuamente neste livro (Ap 7.1-8; Ap 11.1-2; Ap 12.6; Ap 13.1-14.5, etc.). Aqui recebe a sua final exposição. Desde que o tempo está próximo, o homem que insiste em se apegar ao mal nele continue; ele cedo enfrentará o seu juízo. Quanto aos justos e santos, que se guardem, para que não caiam com o erro dos maus; o seu Senhor cedo virá para a sua redenção e recompensa, Fazer desta afirmação uma doutrina da fixidez irremediável do homem nos últimos tempos, que, para João, estavam próximos, é insustentável, tanto do contexto como do ensino geral do livro (ver Ap 22.17; Ap 14.6-7; Ap 15.4; Ap 21.6-8). Cfr. vers. 12 e Ap 11.18, Is 40.10; Rm 2.6. Também para o vers. 13, ver nota sobre Ap 1.8.

No vers. 14, nós temos a última bem-aventurança desta espécie no livro: "os que lavam as suas vestiduras" ou que guardam os seus mandamentos significa virtualmente "os que vencem"; ver Ap 6.11 n.

A conjunção do vers. 15 com este verso parece indicar que o direito (a vir) à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas -refere-se aos privilégios do reino do milênio; cfr. Ap 21.24 e Ap 22.2. O vers. 15 quase repete Ap 21.8. Ver nota, sobre Ap 21.27. Alhures nas escrituras, cães denotam aderentes ao culto pagão; cfr. Dt 23.18 (onde "cão" significa sodomita), Mt 15.26; Fp 3.2 (onde "cães" significa os judaizantes turbulentos). Swete, por conseguinte, tende a identificá-los aqui com os abomináveis de Ap 21.8 (ver nota), Vers. 16 é uma outra atestação pelo Senhor da autenticidade da profecia; cfr. Ap 1.1; Ap 22.6. Cristo como raiz e geração de Davi cumpre Is 11.1. Como a resplandecente estrela da manhã, Ele mesmo é o cumprimenta da sua promessa ao vencedor em Ap 2.28 (ver nota).

Lido, naturalmente, o vers. 17, parece ensinar que o Espírito Santo, especialmente como o ativo nos profetas (Ap 19.10), se une à, Igreja em clamar a Cristo para vir à, terra, segundo a sua promessa (7,12). O ouvinte da profecia deste livro, à proporção que se lê nas Igrejas, solicita-se a fazer outro tanto. O pecador penitente convida-se a participar com os santos do dom da vida eterna em Cristo. Alguns, contudo, interpretam todos os apelos para "vir" como dirigidos ao pecador.

João tem sido criticado acerbamente por muitos pelo fato de concluir a sua profecia como a declaração contida nos vers. 18-19, que quase equivale a uma maldição. Certamente era uma precaução costumeira para os escritores antigos proteger as suas obras contra mutilação e interpolação, acrescentando tal anátema (Cfr. 1 Enoque 104.10-11, 2 Enoque 48.7-8, Carta de Aristeas 210-211). Swete, contudo, objeta a tal interpretação do sentido de João: "Se a advertência solene do presente versículo tivesse esta intenção, tem falhado redondamente; pois em nenhum outro livro do Novo Testamento é o texto tão incerto como no . Porém, como o seu arquétipo em Deuteronômio (Dt 4.2, 12.32), tem uma referência mais profunda; não é um mero lapsus calami, nenhum erro de juízo ou meramente falta intelectual que se condena, mas a premeditada falsificação ou má interpretação da mensagem divina. Não é a letra do, mas o seu espírito que se guarda tão zelosamente". Podemos assim, não inadequadamente, comparar a conclusão de Paulo em 1Co 16.22.

A resposta de João à promessa de Cristo (20) corresponde à senha aramaica a que já se fez referência em 1Co 16.22, "Maranata", "O nosso Senhor vem". A bem-aventurança (21) lembra-nos que a profecia é, na realidade, uma carta, cujas lições devem ser pessoalmente apropriadas. Somente pela graça do Senhor Jesus Cristo pode essa vitória ser ganha, a qual terá a recompensa revelada neste livro. Não a recebamos em vão.





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