2014/12/03

Interpretação de Apocalipse 7 e 8

Interpretação de Apocalipse 7 e 8


Interpretação de Apocalipse 7 e 8




Apocalipse 7

7:1-8. A segunda série de juízos é muitíssimo mais severa e extensa do que aquela que foi apresentada pela abertura dos selos. Antes que os sete anjos façam soar as sete trombetas, duas grandes multidões são apresentadas, uma na terra (7:1-8) e outra certamente no céu, em pé diante do trono e diante do Cordeiro (7:9-17). O primeiro grupo está identificado como os 144.000 selados. . . de todas as tribos dos filhos de Israel (v. 4). Não se diz que são mártires. O sinal dá a entender que este grupo particular será divinamente protegido nas tribulações que estão para se desencadear sobre a terra.
Tem havido muita discordância quanto à identidade dessas pessoas, resultando em quatro interpretações principais da passagem. Uma diz que deveriam ser consideradas de modo geral como "representantes de um processo contínuo de preservação sob as provações e aflições de todos os tempos através dos séculos até o fim". Nada há no texto que pareça justificar tal designação indefinida desses grupos tribais. Outra opinião, mais ou menos parecida, identifica-as como os cristãos, a Igreja – e são pessoas de autoridade que o declaram, tais como Bengel, Alford, Lenski, David Brown, Milligan, etc. Entre as interpretações de menos importância encontra-se a opinião ridícula de Albert Barnes de que se refere às dez divisões da Igreja Cristã. Algumas seitas têm procurado se identificar com estes grupos, tais como os jezreelitas de gerações passadas.
Finalmente, há a interpretação literal, de que é uma profecia relativa aos filhos de Israel no final dos tempos. O grande mestre profético do século dezenove, J.H. Todd, resume a sua opinião, dizendo: "Restringindo-se estritamente ao fato revelado em muitas profecias, isto nos revela que no período mencionado na visão, o povo judeu estará existindo como nação, e a maioria se encontrará ainda em incredulidade". Este ponto de vista é defendido por Godet, Fausset, Nathaniel West e Weidner.
Fausset acrescenta: "Dessas tribos um remanescente crente será preservado do juízo que destruirá a Confederação anticristã (JFB). É significativo que a tribo de Dã seja omitida – para o que muitos motivos têm sido apresentados – e que Levi seja incluída. "Uma vez que as cerimônias levíticas foram abandonadas, Levi encontra-se novamente em situação de igualdade com seus irmãos" (Albert Bengel, Introduction to the Exposition of the Apocalypse, in toco). Em lugar de Efraim, foi usado a de José. Esta, na minha opinião, é a segunda passagem de especial dificuldade no Apocalipse.
9-17. A outra multidão é de natureza universal – certamente não confinada a Israel, mas de todas as tribos e povos agora na glória – cantando o grande hino a Deus e ao Cordeiro, junto com os anjos, os anciãos, e os quatro seres viventes. Estes, João foi informado, são aqueles que vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras, e as alvejaram no sangue do Cordeiro (v. 14). A grande tribulação não pode ser nenhuma outra a não ser aquela mencionada no Discurso das Oliveiras (Mt. 24:9, 21, 29). Toda a cena é celestial: O Cordeiro é apresentado como seu pastor e guia; faz-se a promessa de que Ele os guiará até as fontes das águas da vida; e, antecipando à posterior descrição detalhada da Cidade Santa, eles são informados de que Deus enxugará toda lágrima de seus olhos (Ap. 21:4).

Apocalipse 8

8:1-6. Os juízos das trombetas são revelados nos capítulos 8 e 9, e tal como aconteceu com os sete selos, os quatro primeiros vão juntos. Antes que uma trombeta seja tocada por um dos anjos, temos declarações referentes às orações dos santos (vs. 3,4). Talvez Todd esteja certo em pensar que podemos deduzir disto "que os juízos preditos nesta profecia serão a conseqüência, de algum modo notável, das orações dos santos clamando a Deus a que complete rapidamente o número dos Seus eleitos e que apresse a vinda do Seu reino" (op. cit., pág. 131). Não há nenhuma referência aqui à doutrina católico-romana da intercessão pelos anjos ou santos. O trovão, as vozes, os relâmpagos e os terremotos são os precursores simbólicos dos juízos divinos que estão por vir sobre a terra.
Antes de examinarmos os juízos propriamente ditos, fazemos bem em recordar o significado das trombetas nas Sagradas Escrituras. Todos estes fenômenos (com exceção do terremoto) encontram-se na narrativa de Deus descendo ao Monte Sinai para se encontrar com Moisés, onde temos a primeira referência feita à trombetas na Bíblia (Êx. 19:16). O tocar das trombetas convoca os israelitas a receberem instruções (Nm. 10:3, 4) ou dando sinal de partida (Nm. 10:3-7); também os reunia para a guerra (Jr. 4:19; 42:14, etc.), e também para o retorno da dispersão (Is. 27:13); anunciava a libertação no ano do jubileu (Lv. 25:8-10), e aqui anuncia o juízo. Os juízos das trombetas são bastante semelhantes às pragas que Deus enviou ao Egito por ocasião da libertação de Israel, embora não aconteçam na mesma ordem.
7-13. O resultado do tocar da primeira trombeta é a consumação pelo fogo da terça pane da flora da terra. Ao tocar a segunda trombeta, uma terça parte do mar se transformou em sangue, um terço das criaturas do mar morreram, e uma terça parte dos navios foi destruída (cons. a primeira praga, Êx. 7:20-24). Com o tocar da terceira trombeta, uma grande estrela, ardendo como uma tocha, cai sobre os rios e fontes da terra, transformando-os em absinto e causando morte em larga escala. Os dois primeiros juízos afetaram a natureza, e o homem apenas indiretamente, mas a terceira provocou a morte de muitos. O tocar da quarta trombeta provoca distúrbios celestes, de modo que a terça parte do sol, lua e estrelas foi ferida, e sua luz diminuída (cons, com a nona praga, Êx. 10:21-23). Este milagroso eclipse do sol, da lua e das estrelas foi predito por Amós como um sinal da vinda do dia do juízo (Amós 8:9; veja também Joel 2:2, 10). Observe que todos estes quatro juízos relacionam-se com algum desastre incidindo sobre a natureza. (Weidner, op. cit., tem um excelente resumo das diversas interpretações fantásticas desses quatro juízos das trombetas, págs. 343-345). Antes dos juízos das duas trombetas seguintes, ouve-se uma águia voando e gritando pelo meio do céu, Ai, ai, ai, dos que moram na terra. Esta é a primeira vez que a palavra traduzida para ai! aparece no Apocalipse.


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