2015/08/31

Significado de Isaías 1

Significado de Isaías 1

Significado de Isaías 1


Isaías 1


1.1 — Deus usou Isaías para comunicar Sua mensagem a Judá, o povo do Reino do Sul, especificamente aos magistrados, sacerdotes e profetas de Jerusalém. A nação de Israel está dividida em duas partes: Judá (Reino do Sul) e Israel (Reino do Norte). A mensagem de Isaías é dirigida principalmente ao Reino do Sul, mas também se aplica ao Reino do Norte, pois a nação inteira está trilhando o caminho do pecado e da idolatria, que acabará por destruí-la. Assim, nesse livro, às vezes a palavra Israel se refere a ambos os reinos, o do Sul e o do Norte. Isaías viveu para testemunhar a captura do Reino do Norte pela Assíria, em 722 a.C. Portanto, esse registro das visões de Isaías contém as revelações que Deus amorosamente concedeu durante os reinados de Uzias (792—740a.C.), Jotão (752—736 a.C.), Acaz (736—720 a.C.) e Ezequias (729—699 a.C.). Como Deus não muda e Sua Palavra é eterna, a revelação também é válida para Seu povo nos dias de hoje.

1.2,3 — O indiciamento contra Judá consiste de duas partes: (1) Isaías convoca céu e terra a testemunhar o julgamento (v. 2); (2) o Senhor, como Autor da ação, indicia a nação de Judá, aqui chamada Israel (v. 2,3).

1.2 — Moisés, que mediara o pacto de Deus com Israel no Sinai, convocou os céus e a terra (ou seja, toda a criação) a testemunhar que Ele havia alertado os israelitas de que seriam julgados por sua desobediência (Dt 4.24; 30.19; 31.28). Assim como Jacó e Labão fizeram de uma pilha de pedras uma testemunha do acordo entre ambos (Gn 31.43-55), também a criação é considerada uma testemunha adequada para o caso entre Deus e Israel. O relacionamento entre Ele e Seu povo é pessoal. Ele compara Israel a filhos ingratos (Is 63.8; Êx 4-22; Os 11.1). O termo hebraico traduzido por prevaricaram significa recusar-se a se submeter à autoridade e ao poder de alguém (Is 63.10; 66.24).

1.3 — Até mesmo o boi e o jumento reconhecem o dono que os alimenta e, portanto, não se rebelam contra ele. Mas Israel, os filhos que o próprio Deus criara e exalçara (v. 2), rebelou-se contra Ele. A rebelião de Judá é incompreensível e imperdoável.

1.4-9 — A acusação de Isaías contra Judá consiste de três partes: (1) Judá se rebelou (v. 4); (2) Judá não se arrepende, apesar da disciplina (v. 5-8); (3) só a graça de Deus poupará da aniquilação uma pequena parcela de povo (v. 9).

1.4Nação pecadora. Embora Deus aja como um Pai para o povo, este prefere o pecado (Is 5.1-7). O Santo de Israel é o título favorito de Isaías para Deus. O Senhor é santo porque existe profunda diferença entre Ele e toda a humanidade (Is 40.25). Apenas Ele é o Criador (Is 45.11,12) exaltado nos céus (Is 6.1-3) e sem pecado (Is 6.4-7). Só Ele é o Juiz perfeito (v. 20) e Protetor dos fiéis (Is 10.20; 43.3). Ainda assim, a expressão de Israel afirma que o Santo mantém um relacionamento com Seu povo (SI 40.1).

1.5-8 — Primeiro Isaías compara a aflição do povo a um soldado muito ferido (v. 5,6) e depois descreve a devastação do território em consequência da guerra (v. 7,8).

1.5 — Isaías responde à própria pergunta indignada — Por que seríeis ainda castigados? O povo apenas se tornará mais rebelde. Orar mais só fará endurecer o coração deles (Is 6.9,10). Em Isaías 53.4-6, o profeta revela a bondosa resposta de Deus ao coração duro do povo. O Senhor açoitará Seu Servo no lugar dos pecadores (Is 53.4-6). Um amor assim conquista até o maior dos rebeldes (Rm 5.8).

1.6,7Do pé à cabeça significa tudo e todos. As feridas de Judá não estão espremidas nem ligadas (com curativos), e nenhuma está amolecida, porque o povo não quer se arrepender.

1.8 — A filha de Sião é uma bela personificação de Jerusalém (Is 37.22; 60.14). Na verdade, a preposição de nessa expressão induz um pouco ao erro de interpretação. Filha de Sião parece indicar que Sião tem uma filha, mas Sião é a filha — filha do Senhor. Já as expressões cabana na vinha e choupana no pepinal referem-se aos barracos que serviam de abrigo a fazendeiros e vigilantes durante a colheita.

1.9-17 — O convite ao arrependimento divide-se em três partes:  (1) apelo de Isaías aos reis e ao povo de Jerusalém para que ouçam a orientação do Senhor (v. 9,10); (2) dura condenação e rejeição, por parte de Deus, à adoração formal e de aparências prestada pelo povo (v. 11-17);  (3) convite de Deus ao povo, para que este se arrependa e pratique a justiça para que se salvem da morte (v. 18-20).

1.9 — O título Senhor dos Exércitos refere-se ao domínio de Deus sobre todos os poderes do céu e da terra e sobre o exército angelical. Esse título é um dos preferidos de Isaías, porque diz respeito à santidade e à supremacia de Deus. A sobrevivência de Judá não se deverá, em última análise, à fraqueza do inimigo, mas ao poder de Deus. Embora decidido a punir Seu povo pecador, Ele preservará um remanescente (Is 6.13; 10.20; 11.16) porque é fiel à promessa que fez a Abraão (Gn 22.16-18; Êx 34.6,7; Mq 7.19,20; Rm 9.29; 11.5). A palavra remanescente significa basicamente sobrevivente (Nm 21.35; Js 8.22). Sodoma e Gomorra eram vistas como exemplo máximo de corrupção. Dizer que Jerusalém se tomou como essas cidades é uma acusação fortíssima (Ap 11.8). Em outras passagens da Bíblia, ambos os nomes são usados como símbolos do juízo final de Deus sobre os pecadores (Am 4-11; Mt 10.15; 2 Pe 2.6).

1.10-15 — Deus deseja sacrifícios, mas não de quem lhe desobedece e maltrata o próximo, ainda que o sacrifício apresentado seja o melhor. Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, disse Samuel, um dos primeiros profetas (1 Sm 15.22,23). Os profetas posteriores concordaram (Os 6.6; Am 4.4; Mq 6.6-8), e também o Senhor Jesus (Mt 23.23). Deus julga não apenas os atos públicos de devoção realizados em público, mas também, principalmente, o propósito de nosso coração (1 Co 4.5).

1.13-15 — Temos aqui uma reprovação item por item das festas sagradas observadas pelo povo judeu: a festa da Lua Nova (Nm 28.11-15), os sábados (Êx 31.14-17) e outras solenidades (Êx 23.14-17), festivais realizados debalde, porque o povo não os celebrava por amor a Deus.

1.14 — Deus ironiza as festividades, dizendo que elas são vossas (e não dele) festas da lua nova, pois o povo deturpou a intenção das leis cerimoniais de Deus, que era a obediência ao Senhor em amor e com entendimento. [Os israelitas observavam essas leis apenas como rituais; algo externo, sem significado profundo].

1.15 — Deus não vê com bons olhos as mãos estendidas com fervor daqueles que oprimem o próximo, assim como não ouve suas inúmeras orações (Tg 4-1-6).

1.16-20 — O convite ao arrependimento está dividido em três partes: (1) o povo deve se purificar, praticando a justiça, ajudando o oprimido e defendendo o direito do órfão (Tg 1.27) e da viúva; (2) Deus em pessoa purificará o povo se este aceitar essa condição; (3) como Juiz perfeito, Deus reprova o perverso e defende o inocente (Is 11.4).

1.17,18 — O verbo traduzido como argui-me tem implicações legais; evoca a ideia de uma pessoa arguida em juízo. Não adianta buscar um meio-termo: o povo precisa concordar com Deus sobre a extensão e gravidade de seu pecado. Deus não inocenta Seu povo, mas está disposto a perdoar-lhe, caso se arrependa e volte para Ele. Deus oferece-nos esse mesmo perdão. Ele não nega nossa tendência de pecar, mas oferece a nós o perdão por meio do preço que o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, com Sua morte, pagou pela remissão dos pecados da humanidade.

A expressão diz o Senhor sugere uma oferta bondosa feita repetidas vezes por uma instância superior. A escarlata evoca a imagem de mãos cheias de sangue (v. 15). A graça e o poder de Deus podem tornar as manchas de sangue brancas como a neve (Rm 3.21-26). As palavras escarlata e brancos também sugerem a imagem de vestes sujas (Is 64-6) que, na Antiguidade, não podiam mais ser limpas (quer dizer, até ficarem totalmente brancas). Mas Deus é capaz de nos purificar e, ainda assim, fazer valer Sua Justiça, porque Jesus morreu pelos pecadores (Rm 3.21-26).

1.19, 20 — A oferta de Deus tem sua outra face. Se os pecadores não se arrependerem, em vez da promessa: comereis o bem desta terra (Is 3.10), valerá a ameaça: sereis devorados à espada. A promessa ou a ameaça se cumprirá, pois foi o S e n h o r quem as declarou. Aqui, o verbo disse indica finalidade (compare com o verbo diz, no v.18). Se por um lado Deus manteve Sua bondosa oferta por um longo período, por outro foi a única oferta que lhes fez. O povo não pode regatear o acordo com Ele (Is 40.5; 55.11).

1.21-31 — Nesses versículos, Deus declara a intenção de purificar Israel. O anúncio está dividido em duas partes: (1) predições de juízo (v. 21-26); (2) execução da sentença de Deus (v. 27-31). O propósito de Deus não é destruir Judá, e sim purificá-la de toda injustiça social (v. 25,26)e resgatá-la da idolatria (v. 27-31). A idolatria e a injustiça são inseparáveis. O povo que deixa de confiar no Deus amoroso e justo começa a oprimir os pobres e indefesos (Jr 23.13,14; Os 4.1-14; Am 2.6-8).

1.22,23 — A prata e o vinho desqualificados representam aqui os reis injustos de Jerusalém.

1.24,25 — Foi a mão de Deus que libertou Israel do Egito. Agora essa mesma mão será contra o povo, para exercer juízo. 1.26 — O objetivo de Deus para Jerusalém é torná-la uma cidade de justiça, na qual o Senhor seja adorado fielmente e para sempre.

1.27,28 — A palavra remida, em hebraico, significa resgatada ou pessoa libertada da posse de outra por meio do pagamento de determinada quantia. Os que voltam para Sião, depois de abandonar os ídolos e a injustiça, estão livres do pecado e do juízo vindouro. Por fim, como todo pecador perdoado, a justiça lhe será imputada por meio de Jesus Cristo e promovida pelo Espírito Santo. É claro que essas verdades ficam claras apenas no Novo Testamento. O juízo passa, mas a beleza de Sião nunca passará.

1.29 — Os idólatras ficarão envergonhados porque os carvalhos e os jardins consagrados aos rituais de fertilidade e de adoração aos ídolos não conseguirão salvá-los quando o juízo for executado (Is 65.3).

1.30,31 — O carvalho aqui representa tanto a árvore consagrada a ídolos (v. 29) quanto todo rei forte e dominador de Israel. Sua obra talvez seja uma referência à injustiça dos tiranos de Israel (v. 23), que se opunha à obra piedosa do Senhor (Is 5.12). Ambos arderão juntamente, e não haverá quem os apague. Deus purificará Sua criação dos orgulhosos por obra de Seu juízo benigno e depurador.





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