Significado de Isaías 11

Significado do Livro de Isaías

Isaías 11

11.1-9 — Esse célebre oráculo de salvação sobre o Rei da Paz (Is 4-2; 7.14; 9.6) consiste de três seções: (1) Seus dons (v. 1, 2); (2) Seu justo reinado (v. 3-5); (3) Seu reino da paz (v. 6-9).

11.1 — Um rebento do tronco de Jessé (1 Sm 16.10-13) representa o novo e melhorado Davi. Assim como Davi inaugurou um reino de justiça e paz, o novo Davi, o renovo ou raiz da descendência de Davi (Is 53.2) estabelecerá um reino incomparavelmente maior. As palavras rebento e renovo são termos messiânicos, figuras que representam o maior dos descendentes da casa de Davi, a Semente da mulher prometida em Gênesis 3.15, Jesus Cristo em pessoa (Mt 1.17).

11.2 — Espírito. Assim como no caso de Davi (1 Sm 16.13), o Messias receberá o poder do Espírito Santo (Is 4.4; 42.1; 48.16; 59.21; 61.1; Lc 3.22), o Agente responsável por estabelecer o Reino de Deus (Gn 1.1,2; Jz 3.10; 6.34; 1 Sm 10.6). Os primeiros leitores das Escrituras hebraicas provavelmente pensavam que o termo Espírito era apenas outra forma de se referir a Deus com reverência ou respeito.

No Novo Testamento, descobrimos que o termo se refere à terceira pessoa da Trindade (Mt 28.19). Salomão orou para obter sabedoria e inteligência (1 Rs 3.9), ou seja, a habilidade administrativa que permite governar o povo segundo os princípios da retidão e da justiça (Dt 1.15-17).O Messias será a encarnação disso tudo; Ele será o Rei ideal (Is 33.6). O conselho do Espírito Santo não é uma recomendação, e sim um conjunto de planos e decisões unilaterais.

O temor do Senhor. O Messias demonstrará durante toda a Sua vida as melhores atitudes em relação a Deus. Ele o honrará e lhe obedecerá (Ex 20.20). O povo de Deus de todas as épocas recebeu ordens de se portar diante dele com admiração e reverência (Lv 19.14; Pv 19.23).

11.3 — Deleitar-se-á está ligado ao sentido do olfato. Pode ser uma referência ao incenso queimado nas cerimônias de coroação. Se o temor do Senhor costuma ser definido como um padrão de conduta moral conhecido e aceito pela humanidade em geral, nesse caso o temor do Senhor pode estar indicando um padrão de conduta moral conhecido por revelação específica e aceito pelos fiéis.

11.4,5 — Nesse contexto, julgará não quer dizer que o povo será obrigado a prestar conta, e sim que Deus a agirá em favor deles. Como juiz de Seu povo, Deus condena os ímpios e oferece proteção e defesa aos inocentes e oprimidos. A vara de sua boca. O Messias conquistará o povo por meios das palavras (Is 49.2; Hb 4-12; Ap 19.15).

11.6 -9 — A imagem de feras cruéis milagrosamente regeneradas por uma nova natureza que as faz proteger o que seria sua presa natural representa um reino de paz e segurança. Isso só acontecerá quando o Messias vier implantar o Milênio (Is 65.17-25). Nesse reinado divino e tranquilo, carnívoros tornar-se-ão herbívoros; inimigos naturais serão companheiros; crianças pequenas brincarão seguras perto das tocas das serpentes, que então não mais serão venenosas.

11.6-8 — Um menino pequeno os guiará. No reino vindouro, um menino será capaz de guiar ex-feras. Esta é uma forma de ressaltar o fim do terror, do susto e do perigo no reino vindouro.

11.9 — Na Antiguidade, o conhecimento do Senhor era limitado e pontual. Haverá uma era gloriosa em que o acesso às verdades divinas não terá limites. Como as águas cobrem o mar significa completamente. Deus se dará a conhecer em toda a terra.

11.10 — Naquele dia. Esse versículo forma uma única visão profética. A exaltada raiz de Jessé atrairá os povos ao lugar do seu repouso (Is 2.3). Trata-se da profecia do acesso de gente de todas as nações ao conhecimento de Deus. Assim, já no Antigo Testamento, o Senhor expressa Sua preocupação com a salvação de outros povos (Gn 12.1-3). Uma missão mundial expressa na Grande comissão não era uma ideia nova (Mt 28.18-20). O Pendão, isto é, a bandeira, é símbolo de convocação. Jesus, o Messias, é o pendão que ajuntará os povos de toda a terra.

11.11-16 — Essa profecia sobre o segundo êxodo (Is 51.9-11) consiste no reagrupamento dos exilados (v. 11,12), quando se unirão para combater os inimigos de Deus (v. 13,14). Trata-se também de uma alusão ao primeiro êxodo, de modo a se demonstrar que o segundo será ainda mais impressionante (v. 15,16).

11.11 — A expressão pode se referir ao retorno dos remanescentes à terra em 538 a.C., diferentemente do primeiro êxodo, que partiu do Egito. Além disso, pode ser também uma alusão aos remanescentes da época atual que se aproximam de Cristo (Rm 11.5) ou do retorno deles a Cristo no futuro (Rm 11.11-27). Da Assíria [...] e das ilhas do mar indica toda a terra (v. 12).

11.12 — Os quatro confins da terra. Essa expressão é semelhante à de Atos 1.8 — até os confins da terra. O Messias ajuntará discípulos de todas as regiões do mundo.

11.13 — Efraim e Judá. Deus não só destruirá os inimigos dos israelitas e judeus, como também removerá antigas rivalidades entre as tribos de Israel (Is 9.20,21).

11.14 — Sobre os ombros evoca a imagem de uma ave de rapina que ataca outro pássaro. Filisteus, Edom, Moabe e Amom, tradicionais inimigos de Israel, representam os adversários do reino do Messias (no mesmo sentido, Mq 5.6 faz menção da Assíria).

11.15 — A força do seu vento alude a Êxodo 14.21-27. O rio é o Eufrates. Atravessará com calçados. Assim como Deus proporcionou uma passagem seca pelo mar Vermelho no primeiro êxodo, no segundo Ele removerá qualquer impedimento físico ao retorno de Seu povo.