Significado de Isaías 13

Significado do Livro de Isaías

Isaías 13

13.1—27.13 — O livro de Isaías dá uma grande virada em 13.1. O foco nessa extensa seção é o primeiro juízo do Senhor contra as nações (cap. 13—23). Babilônia e Assíria (Is 13.1— 14.27), Filístia (Is 14.28-32), Moabe (Is 15.1—16.14), Damasco (Is 17.1-14),Etiópia (Is 18.1-7), Egito (Is 19.1—20.6), Babilônia (Is 21.1-10), Edom (Is 21.11,12), Arábia (Is 21.13-17), Jerusalém (Is 22.1-25) e Tiro (Is 23.1-18). Essa profecia de juízo é acompanhada por uma profecia a respeito do fim dos tempos que, às vezes chamada o pequeno apocalipse de Isaías (cap. 24—27).

13.1 — O oráculo contra a Babilônia consiste de sete partes: (1) agrupamento do exército do Senhor dos Exércitos (Is 13.1-5); (2) anúncio do dia do Senhor (Is 13.6-18); (3) aniquilação da Babilônia (Is 13.19-22); (4) salvação de Israel (14.1,2); (5) ofício fúnebre de Israel, em tom irônico, pelo rei da Babilônia (Is 14-3-21); (6) destruição da Babilônia (Is 14.22,23); (7) destruição da Assíria (Is 14.24-27).

13.1,2 — A palavra peso provém da raiz que significa soerguer ou suportar. E como se o profeta estivesse carregando uma mensagem de Deus e precisasse passá-la adiante por causa do enorme peso (Na 1.1; Hc 1.1). A Babilônia era a joia da coroa do Império Assírio. Esse oráculo pode estar se referindo à sua destruição (por volta de 689 a.C., quando Senaqueribe esmagou uma rebelião no local). Ainda assim, a derrota da Babilônia, o ornamento dos reinos (v. 19), imposta pelo Senhor simboliza Seu triunfo sobre todo o mundo (v. 11). A Babilônia era a expressão máxima da religião e da cultura do antigo Oriente Médio. Assim, o oráculo se posiciona indiretamente contra todas as nações, especialmente a Assíria (Is 14.24-27). Pedro emprega o termo Babilônia simbolicamente no Novo Testamento (1 Pe 5.13). O mesmo faz João (Ap 14.8; 18.2,10-21) para se referir a qualquer inimigo do Reino de Deus.

13.3,4 — Santificados são os exércitos vitoriosos da terra que exultam, sabendo ou não disso, diante da majestade do Senhor (Is 45.1-7; J1 2.11). Um grande povo representa todas as nações que serão instrumentos nas mãos de Deus para julgar nações pecadoras, embora sejam também pecadoras.

13.5 — De longe e a extremidade do céu são expressões que dizem respeito a toda a terra (Is 11. 11, 12). Os instrumentos da sua indignação. As nações são as ferramentas que Deus empregará para dar vazão à Sua ira contra a Babilônia.

13.6 — O dia do Senhor refere-se a uma época em que Deus exercerá influência fora do comum na vida das pessoas, seja julgando-as, seja perdoando-lhes. Está perto costuma ser traduzido por ao alcance da mão, que expressa a ideia não da chegada de uma data específica, mas de que o dia do Senhor está prestes a irromper no mundo daquelas pessoas. O dia do Senhor é iminente — pode ocorrer a qualquer momento — não porque as pessoas já estejam perto dele como de um local de chegada, mas porque pode desabar sobre o mundo sem aviso. O título Todo-poderoso, no hebraico, é Shadai (Êx 6.3; SI 91.1).

13.7,8 — Debilitarão [...] desanimará[...] assombrar-se-ão. Esse verbos evocam imagens que retratam o pavor sentido pelo povo. Mulher parturiente é uma figura comum nos textos poéticos da Bíblia.

13.9,10 — Não deixarão brilhar a sua luz simboliza o aspecto sombrio do juízo de Deus. E como se o céu se ruborizasse ao pensar na fúria implacável do Senhor contra a perversidade. As imagens dos versículos 10,13 podem ser derivadas ou acrescentadas à destruição definitiva do cosmos (Is 34.4).

13.11 — Iniquidade [...] arrogância [...] atrevidos [...] soberba [...] tiranos. O elemento em comum é o orgulho, causa da derrocada das nações (Is 2.6-22).

13.12 — Homem é uma palavra que, em hebraico, denota da fragilidade inerente à raça humana (Sl 8.4).

13.13,14 — Céus [...] terra. O abalo do cosmos, que atingirá o Sol, a Lua e as estrelas, reverenciados pelos pagãos, simboliza a derrota de tudo que os descrentes exaltam no lugar de Deus (Is 2.12-18).

13.15,16 — Todo [...] suas crianças [...] casas [...] mulheres. No antigo Oriente Médio, a brutalidade da guerra se estendia a todos, sem acepção de idade, gênero ou posição social.

13.17,18 — Os medos, que habitavam o atual noroeste do Irã, eram inimigos ferrenhos dos israelitas. Um fato significativo para datar essa profecia é o fato de que a Pérsia, que conquistou a Média em 550 a.C. e junto com os medos conquistou Babilônia em 539 a.C., não é mencionada. Prata e ouro indicam que os medos não desistirão dos ataques nem que se tente comprá-los.

13.19 — Em Isaías 4-2, a palavra hebraica traduzida aqui por glória é traduzida por beleza, na descrição do Renovo do Senhor. As atribuições de beleza à Babilônia não são exageradas. A cidade, nos seus dias de glória, era simplesmente esplendorosa.

13.20 — Nunca mais será habitada. Essa profecia não se cumprirá apenas uma vez: ela estabelece um princípio geral para os reinos efémeros deste mundo. Lugares antes famosos por sua admirável estrutura tornar-se-ão tão devastados, que nem os povos do deserto se animarão a armar ali a sua tenda.

13.21,22 — A linguagem desses versículos lembra as maldições tais como eram pronunciadas no antigo Oriente Médio. Os animais citados nessa passagem representam, obviamente, tudo que é sujo, profano, selvagem e precário (Is 34-14,15; Ap 18.2). As pessoas honradas do antigo Israel não queriam parte com esses animais.