Significado de Isaías 14

Significado do Livro de Isaías

Isaías 14

14.1,2 — Esses versículos tratam da salvação de Israel em meio ao juízo contra o rei da Babilônia. O juízo dos pecadores, representados pela Babilônia, era necessário para que o Senhor estabelecesse o reino do Emanuel (Is 7-14; 9.1-6; 11.1— 12.6). Esses dois versículos formam um oráculo de bênção sobre Jacó no contexto do desencadeamento da ira do Senhor contra a Babilônia (cap. 13 e 14).

14.1 — O advérbio ainda pode ser traduzido por de novo, sendo então uma referência ao segundo Êxodo, o retorno do remanescente do cativeiro babilônico (Is 11.15,16). O Senhor elegerá, isto é, fará Sua escolha em Israel. Alguns estranhos juntar-se-ão aos israelitas que retornam, como no primeiro êxodo (Êx 12.38), com a diferença de que os estranhos do segundo grupo seguirão fielmente ao Senhor.

14.2 — Os povos os receberão. Veja esse conceito desenvolvido em Esdras 1.1-8. Cativarão. Esse tema retorna em Efésios 4.8.

14.3-21 — Esses versículos ironizam o ofício fúnebre de Israel pretendido pelo rei da Babilônia. 

14.3 — Dura servidão é uma alusão ao primeiro êxodo (cap. 12). O descanso relembra o povo liberto da servidão egípcia (Dt 5.12-15).

14.4-23 — Esse irônico lamento é composto por quatro estrofes que apresentam quatro cenas: (1) o descanso da terra agora que o tirano da Babilônia se foi (v. 4-8); (2) o espanto do Sheol quando a Babilônia chega lá (v. 9-11); (3) a expulsão da Babilônia do céu depois que ela chega lá; (4) o enterro desonroso do rei da Babilônia, promovido pelo povo que ele havia tiranizado (v. 16-21).

A primeira e a última cenas são mais literais. As cenas intermediárias retiram suas imagens da mitologia do antigo Oriente Médio. Cronologicamente, a terceira estrofe precede as duas primeiras.

14.4 — O rei de Babilônia. Não se identifica aqui nenhum rei em particular da Babilônia (Is 13.1). Dito refere-se a um poema altamente figurativo. Opressor é o mesmo termo usado em Isaías 9.4 em referência a um tirano assírio não identificado.

14.5,6 — O bastão e o cetro eram símbolos de autoridade e poder no antigo Oriente Médio (Is 9.4).

Feria. Os reis babilônicos alardeavam a própria tirania, a fim de intimidar qualquer um que se atrevesse a fazer-lhes oposição. Mas agora o Senhor os julgará e destruirá seus instrumentos de opressão.

Faias. Os reis babilônicos gabavam-se das árvores esplêndidas que levavam das terras conquistadas para construir seus palácios.

14.7,8 — Já descansa, já está sossegada tem o sentido de incrivelmente silenciosa. E a segurança que sobrevêm depois que o tirano morre. As faias se alegram. As árvores aqui representam pessoas, a alegria de um povo liberto da opressão (Is 35.1; 44.23; 55.12). Ninguém sobe. As árvores não seriam mais cortadas para a construção de máquinas de guerra.

14.9-11 — Se turbou indica a comoção no inferno com a chegada do rei da Babilônia, o que estabelece um nítido contraste com a paz na terra depois que ele se foi. A palavra hebraica para os mortos tem conotação similar ao que denominamos fantasmas, quando damos aos mortos uma configuração assustadora (Pv9.18). Retratam-se os súditos derrotados dos tiranos babilônicos sentados em tronos, enquanto que o rei recebe um cobertor de bichos.

14.12 — Como caíste do céu é uma figura de linguagem para designar alguém que foi derrubado de uma posição política privilegiada. Jesus disse: E tu, Cafarnaum, serás levantada até ao céu? Até ao inferno serás abatida (Lc 10.15), e, aparentemente com o mesmo sentido: Eu via Satanás, como raio, cair do céu (Lc 10.18). O nome Lúcifer, em hebraico, significa literalmente estrela da manhã, ou seja, o planeta Vênus. Na linguagem poética desse versículo, vemos uma estrela brilhante desejosa de alcançar o ponto culminante dos céus desaparecer com o nascimento do Sol. Essa imagem expressa muito bem o objetivo não alcançado do rei da Babilônia (v. 4), que aspirava a um domínio universal e eterno. Tertuliano, Milton e muitos outros atribuem essa passagem à carreira de Satanás, com base em Lucas 10.18. Contudo, não se pode ter certeza absoluta dessa conexão.

14.13 — Acima das estrelas de Deus. Temos aqui o caso de uma estrela que deseja ser maior que as outras. Em linguagem poética, Isaías descreve um rei cujo anseio de glória é insaciável. Monte da congregação remete a uma montanha mitológica que se pensava ser o local de reunião das divindades celestes. A banda dos lados do Norte provavelmente é uma referência ao monte de Cassiopeia, no norte da Síria, a montanha que os cananeus acreditavam ser o reino dos deuses (SI 48.1,2).

14.14 — Serei semelhante ao Altíssimo é o mais ultrajante dos desejos arrogantes do rei assírio ou babilônio. Ele quer suplantar o Altíssimo, título atribuído ao Senhor geralmente relacionado com as nações do mundo (SI 87.5; 91.1,9; 92.1).

14.15 — Inferno. Veja a referência a inferno no v. 9. A expressão ao mais profundo deriva da palavra hebraica traduzida por banda dos lados no v. 13. Trata-se de um exemplo de justiça irônica contra esse rei que queria ascender a um lugar acima dos deuses e do próprio Altíssimo. O abismo é um sinônimo de Sheol, às vezes mencionados juntos (Jon 2.2,6). 

14.16 — Varão [...] tremer. Isaías compara esse rei àquele que realmente é capaz de fazer a terra tremer (Is 13.13).

14.17,18 — Seus cativos e para suas casas são referências ao exílio. Diferente de Ciro, que mandou os exilados para casa, o rei da Babilônia preferiu mantê-los em cativeiro.

14.19 — Lançado da tua sepultura. Os antigos acreditavam que um enterro digno era absolutamente importante, pois a memória de um rei poderia ser desonrada pelas pessoas de quem ele tripudiou em vida. Compare a expressão um renovo abominável com o belo Renovo, o Messias (Is 11.1). Trata-se de uma figura antimessiânica.

14.20 — A descendência [...] não será nomeada, ou seja, a posteridade desse rei perverso não será lembrada.

14.21 — Os filhos não sobreviverão ao rei perverso se trilharem o mesmo caminho de iniquidade.

14.22 — O Senhor declara: me levantarei. Significa que Ele próprio é o responsável pela destruição desse rei arrogante (v. 5). Israel terá seus remanescentes (Is 10.20), mas da Babilônia não restará ninguém.

14.23,24 — Corujas e lagoas tomarão conta da cidade da Babilônia. Despojada de sua beleza (Is 13.19), ela se tornará um lugar selvagem e desabitado.

14.25-27 — Ao fazer menção de minha terra e de minhas montanhas, o Senhor reafirma Sua supremacia. O jugo e a carga, em Isaías 9.4, aparecem como símbolos da ameaça assíria.

14.28-32 — Depois da introdução (v. 28), o oráculo contra a Filístia recai basicamente em dois ciclos: (1) aniquilação dos filisteus e salvaguarda dos pobres e necessitados de Deus (v. 29,30); (2) destruição das cidades filisteias e fundação do Sião (v. 31,32).

14.28 — Morreu o rei Acaz em 720 a.C.

14.29 — A vara é uma provável metáfora para o rei Assírio (Is 10.5). Seu fruto será uma serpente. A Filístia terá mais problemas e nenhum motivo para se alegrar.

14.30 — À semelhança da Babilônia (v. 22), mas diferentemente de Israel, a Filístia não terá futuro, pois dela não haverá resíduos.

14.31 — Em qualquer cidade murada, a porta era sempre o ponto mais fraco. Quando o portão principal era derrubado, a cidade estava prestes a ser tomada. O exército assírio viria do Norte. Por causa das fileiras estreitas do exército assírio, ninguém ficará solitário.

14.32 — Fundou a Sião. A destruição da Filístia não deixará refúgio para os filisteus. O único lugar onde poderão estar a salvo é Jerusalém, a cidade construída por Deus. Será esse o lugar para o qual os opressos de todas as nações poderão se dirigir e ali ser tornar o povo de Deus (SI 87).