Significado de Isaías 19

Significado do Livro de Isaías

Isaías 19

19.1—20.6 — O oráculo desfavorável ao Egito divide-se em três partes depois resumo histórico (Is 19.1): (1) colapso do Egito perante o Senhor (Is 19.2-15); (2) salvação do Egito no Senhor (Is 19.16-25); (3) concretização histórica específica do colapso do Egito na época de Sargão (Is 20.1-6).

19.1 — O Senhor vem cavalgando uma nuvem ligeira. Veja imagens semelhantes em Salmos 18.10; 68.4; Mateus 26.64.

19.2-15 — Depois de proclamar o Senhor como causa fundamental do colapso do Egito (v. 2), o oráculo examina (1) o fracasso dos diversos deuses do Egito, resultando em anarquia (v. 2-4); (2) o problema do Nilo, levando ao colapso econômico (v. 5-10); (3) o fracasso de sua antiga e propalada sabedoria, resultando numa derrota sem esperança de recuperação (v. 11-15). Os termos, diferentemente do cap. 20, não especificam datas históricas: são aqui estilísticos e simbólicos.

19.2 — A anarquia política de egípcios contra egípcios possui raízes na religião: os muitos deuses deles fracassaram.

19.3 — O espírito dos egípcios. A chave principal para compreender o mundo do Egito antigo é o conceito de ma’at, palavra egípcia que significava ordem. Quando Deus levou Moisés a enfrentar o faraó (Ex 5—14), era a ma’at que estava sob ataque. Deus atacará os egípcios no futuro exatamente como fizera no passado.

19.4 — O rei rigoroso pode ser uma alusão à tirania do faraó contra Israel (Ex 6.9).

19.5-10 — A interrupção do fluxo das águas e de tudo que se relaciona a elas será a marca do ataque de Deus contra a nação.

19.10 — Os fundamentos e aqueles que trabalham por salário talvez representem, juntos, toda a atividade econômica, de gestores ricos a trabalhadores diaristas.

19.11,12 — Teus [...] te. No v. 11, Isaías fala aos escribas; no v. 12, dirige-se ao faraó.

19.11 — Zoa era capital do Egito na época. Filho, aqui, refere-se ao membro de uma associação. O Egito era famoso pelos seus sábios (1 Rs 4.30), os quais, quando discípulos, aprendiam a sabedoria dos antigos reis.

19.12 — Onde estão, agora, os teus sábios? O Senhor desafia os que se consideram sábios e cultos. O verdadeiro conhecimento provém do temor ao Senhor (Pv 1.7). Veja uma ideia semelhante em 1 Coríntios 1.20.

19.13,14 — Nofe é Mênfis, a antiga capital do Egito.

19.15 — Obra alguma salvará o Egito. Sua libertação depende unicamente do Senhor (v. 16-25).

19.16-25 — A previsão da salvação do Egito pelo Senhor divide-se em quatro partes, iniciando pela expressão naquele dia (v. 16, 18, 19, 23, 24), na ordem ascendente de (1) Judá causando medo por causa do Senhor dos Exércitos, que age por meio dessa nação (v. 16,17), e incitando a sabedoria (Pv 1.7); (2) voto de fidelidade ao Senhor (v. 18); (3) reconhecimento de Deus como Salvador (v. 19-22); (4) integração a um povo temente a Deus (v. 23), a nação abençoada que derrama bênçãos sobre a terra (v. 24,25).

Os intérpretes divergem acerca da natureza dessa profecia, se é histórica ou metafórica, inspirada em imagens do mundo de Isaías (Is 11.14) e das experiências de Israel. A primeira opção é improvável, pois acarretaria em uma contradição entre essa profecia, que prevê a salvação da Assíria (v. 24,25), e outras profecias que preveem que a Assíria será aniquilada sem deixar remanescente (Is 14-22). O Egito, representando os gentios, recapitulará a história de redenção de Israel (v. 21 -25). A profecia provavelmente se concretizará, sem se consumar, nas nações que um dia subirão ao monte Sião (Is 2.2-4) sob o comando de Cristo (Is 4.2; 9.7; 11.4,14; Rm 10.11-20).

19.17,18 — Cinco cidades [...] falarão a língua de Canaã e farão juramento — de fidelidade — ao Senhor dos Exércitos (1.9). Esses novos hábitos procederão do milagre da regeneração — uma transformação radical de sua natureza. Cidade da destruição. Os escribas judeus talvez estejam desdenhando a Cidade do Sol, conhecida pelo seu nome grego, Heliópolis, substituindo de propósito a palavra sol por outra que significa destruição. Isso se assemelha à mudança proposital do nome da esposa de Acaz para Jezabel (1 Rs 16.31).

19.19 — Aítar e monumento podem ser referências aos patriarcas Abraão e Jacó, respectivamente (Gn 12.8; 28.22).

1 9.20 — A menção de opressores e salvadores pode ser uma alusão aos tempo dos juízes (Jz 2.18).

19.21,22 — Os egípcios conhecerão. Provavelmente se trata da experiência de Israel no êxodo (Êx 6.7; 7.5).

19.23,24 — A estrada significa o fim da alienação e da separação (Is 11.16). Historicamente, o Egito e a Assíria eram inimigos.