Significado de Isaías 2

Isaías 2

2.1-5 A profecia de Isaías sobre a exaltação de Sião divide-se em três partes: (1) apresentação que situa a visão nos últimos dias (v. 2); (2) visão de Sião estabelecida como a montanha mais importante (v. 3,4); (3) conclusão, na qual Judá é exortada a obedecer à lei até que se cumpra a visão (v. 5).

2.2 Alguns interpretam a expressão nos últimos dias como uma alusão à nova época iniciada com obra de salvação de Cristo e a vinda do Espírito Santo no Pentecostes (At 2.17). Segundo esses estudiosos, essa profecia só se cumprirá cabalmente com a segunda vinda do Messias (1 Co 15.28). Outros entendem essa passagem como uma referência às condições do reino futuro de Cristo. Leia o desenvolvimento completo desse tópico em Miqueias 4.1-4.

Assim como a Casa do Senhor (o templo) é uma tipificação do santuário celeste (Hb 9.24), presumivelmente também o monte (Sião) é a sombra de uma realidade celestial (Hb 9.23,24; 12.22-24). No reino vindouro, a cidade de Jerusalém e seu glorioso templo tornar-se-ão proeminentes outra vez. Os falsos deuses, aos quais os pagãos erigiam seus templos em montanhas sagradas, serão desbancados. Assim, erigir a Casa do Senhor no cume dos montes, como a montanha mais alta, significa estabelecê-lo entre as nações como o único Deus verdadeiro.

2.3 Ao citar as palavras do povo: Vinde, subamos ao monte do Senhor, Isaías representa vividamente o coração dos regenerados da nação, já que os degenerados não buscam a Deus (Rm 3.11). Na época do Antigo Testamento, só Israel subia o monte Sião. Mas na era do Reino de Deus todas as nações subirão ao templo de glória. Hoje, o Senhor Jesus tem autoridade sobre toda nação e concede vida eterna aos que nele confiam (Mt 28.18-20; Jo 17.2). Quando todos os gentios eleitos tiverem sido resgatados (Rm 11.1-17), as verdadeiras dimensões dessa passagem serão conhecidas. Então, Israel será apascentado outra vez, e as nações subirão a Sião. Os ensinamentos do Senhor Jesus Cristo, Rei de toda a terra, fluirão a partir de Jerusalém como um néctar agradável e revigorante.

2.4 As nações da terra têm-se envolvido em guerras desde o início da história humana. Ocasionalmente, vislumbra-se um sonho efémero de paz mundial. Mas esse sonho nunca se realizou. Enquanto isso, os apetrechos bélicos vão se tornando cada vez mais sofisticados. Alguns países possuem armas e métodos de ataque com potenciais horripilantes para destruir pessoas e coisas. No futuro glorioso, porém, todas as guerras e armas terão fim. Isso só será possível no reinado do Príncipe da Paz (Is 9.6), o Rei Salvador cujo nome é Jesus.

2.5 Isaías inclui-se no rol dos justos remanescentes e os incentiva: andemos. Mesmo que não possam ver o futuro glorioso de Sião, continuarão a ter fé nas promessas de Deus e a obedecer à Sua lei. A luz é uma metáfora da lei de Deus, a qual ilumina o caminho que leva à vida eterna (SI 119.105).

2.6-9 A condenação de Judá por depositar sua confiança no lugar errado é pronunciada em três partes e na forma de oração: (1) sentença judicial (v. 6); (2) condenação de Judá por depositar sua confiança em feitiçaria, alianças pagãs, dinheiro, armas e idolatria (v. 6-9); (3) oração de encerramento, segundo a qual Deus não perdoará o povo por trocar a fé que deve ter nele pela fé nas obras das próprias mãos (v. 9). A lei proibia o rei de amealhar dinheiro, armas e alianças, de modo que ele sempre dependesse de Deus (Dt 17.16,17).

2.6 A exortação à casa de Jacó é necessária (v. 5), pois Deus desistiu dela, deixando-a à mercê da destruição. Tu desamparaste é condição momentânea, e não permanente, dos israelitas. Renunciar aos costumes do Oriente e aos agoureiros, que fazem parte da cultura da Mesopotâmia, será o sinal de verdadeira fé no Deus de Israel (Dt 18.10). A locução se associam pode ser traduzida por se apertam as mãos, sugerindo alianças políticas com estrangeiros. Veja 2 Reis 16.7 para saber quanto Acaz dependia de Deus para a salvação.

2.7 Cavalos e carros são as carruagens de guerra movidas a cavalo. As montarias de guerra eram um conceito desconhecido na época de Isaías.

2.8 A expressão obra das suas mãos refere-se, em especial, aos ídolos fabricados pelo homem.

2.9 Os nobres se humilham diante de coisas que são degeneradas em si — os ídolos. Querendo que Deus mantenha a ordem moral, mas conhecendo o caráter gentil do Senhor, Isaías implora a Ele, lembrando: não perdoarás a quem se voltou para os ídolos.

2.10-22 Isaías prevê que, no dia do Senhor, apenas Ele será exaltado. A profecia é constituída de três partes: (1) ordem introdutória aos orgulhosos para que fujam do terror causado pelo Senhor (v. 10,11); (2) previsão de que, no dia do Senhor, toda pretensão será humilhada (v. 12-18); (3) ordem para que os justos se apartem dos orgulhosos (v. 22). Os refrões e só o Senhor será exaltado naquele dia (v. 11,17) e quando ele se levantar (v. 19,21) e a semelhança dos termos nos versículos 11 e 17 dão coesão à profecia, realçando-lhe o tema. O efeito da autoexaltação é a confrontação com o único Rei da Glória. Quem se pavonear perante o Santo será humilhado, assim como as bolhas de sabão estouram ao calor do Sol.

2.10 O pó simboliza a humilhação abjeta dos derrotados (Is 47.1; Gn 3.14; SI 44-25). Os israelitas perversos terão de rastejar no pó perante o justo Senhor.

2.11 Os olhos altivos são a manifestação externa dos corações orgulhosos. O refrão e só o Senhor será exaltado realça o tema dessa profecia e descreve a futura revelação gloriosa de Jesus, nosso Rei e Salvador. Naquele dia, o Salvador será exaltado sobre todos os adversários.

2.12-19 Essa profecia está dividida em três partes: (1) declaração sumária com ênfase na idolatria (v. 12); (2) relatório item por item das realizações pretensiosas que serão esmagadas, desde as que estão presentes na criação (v. 13,14) até aquelas feitas pelo homem (v. 15-17), seguido por uma declaração sumária com ênfase na idolatria (v. 17,18); (3) previsão de que o povo se esconderá na época do juízo divino (v. 19).

2.12 Se exalta é traduzido por se exalçará no versículo 2. Qualquer rival à exaltação de Deus será apequenado. O dia do Senhor diz respeito a qualquer época em que o Senhor dos Exércitos seja o vitorioso (1.9), seja contra a Babilônia, por meio da Média (Is 13.1—14-27), seja contra o Egito, por meio da Babilônia (Ez 30.2-4), seja contra Israel, por meio da Assíria (Is 1.24; Am 5.18). Sofonias 1.14-16 apresenta de modo peculiar os acontecimentos desse dia.

A expressão também é utilizada para falar dos feitos passados do Senhor, quando Ele concedeu grande vitória contra o Egito ao libertar Israel, no êxodo (Êx 15.3). Da mesma forma, o dia da vingança do Senhor também pode ser o dia da redenção vindoura de Israel (Is 34.2—35.10), que representa o modo em que o Senhor derrotará definitivamente toda oposição ao Seu povo (J1 3.14-16; S f 2.2,9; 3.8-20). O dia do Senhor tem duas faces: (1) a noite do juízo de Deus; (2) a alvorada de Sua salvação após o juízo. Isaías emprega essa expressão para descrever um dos dois aspectos, ou ambos.

2.13-15 Os cedros do Líbano e os montes altos (as realizações pretensiosas da criação), bem como a torre alta e o muro firme (as realizações pretensiosas feitas pela humanidade) serão humilhadas, para que o arrogante enxergue a grandeza de Deus.

2.16, 17 Os navios de Társis eram embarcações imensas, feitas para navegar no oceano, objetos de estima de seus arrogantes construtores, que as consideravam mais importantes que Deus.

2.18 O termo ídolos significa coisas sem valor.

2.19 A menção das concavidades das rochas e das cavernas da terra indica que as pessoas irão correr de medo, feito animaizinhos assustados, sem ter onde se esconder (Mt 24.16). A presença de Deus será espantosa porque causará pavor aos ímpios (Sl 14.5).

2.20, 21 Os ídolos, agora sem nenhum poder, abandonarão os arrogantes na época do juízo de Deus, e estes então os lançarão às toupeiras e aos morcegos, roedores imundos de pequeno porte que causam nojo nas pessoas.

2.22 Afastai-vos. Deus rejeita os idólatras e os orgulhosos, portanto, os fiéis devem rejeitá-los também. E ridículo confiar no homem cujo fôlego está no seu nariz, isto é, que tem uma existência limitada, em vez de depositar sua confiança naquele que concede o fôlego de vida a todos.

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